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6 de ago de 2008

Um breve Histórico da Genética.

Gregor Mendel e suas ervilhas.
«-Gregor Mendel

Autora: Gladis Franck da Cunha

1- Os gregos (Hipócrates, entre outros) – conceberam a teoria da Pangênese – segundo a qual a atividade sexual implicava a transferência de miniaturas dos órgãos do corpo (pêlos, unhas, ossos) que iam crescendo e pouco a pouco se separando umas das outras. Darwin na segunda metade do século XIX retomou a teoria da Pangênese, explicando que cada órgão (olhos, rins, etc) produziria gêmulas que se acumulariam nos órgãos sexuais e seriam transmitidas durante a relação sexual se desenvolvendo no embrião.

2- Alternativamente havia a teoria do pré-formismo, segundo a qual no espermatozóide ou óvulo continha um indivíduo completo em miniatura chamado homúnculo. O desenvolvimento embrionário seria apenas o crescimento desse homúnculo.

3- No início do século XX com o surgimento de microscópios mais aperfeiçoados a teoria do pré-formismo foi abandonada, pois ninguém conseguia observar homúnculos em gametas. Já a teoria da pangênese ainda permaneceria viva por mais tempo, uma vez que era fácil justificar que as gêmulas eram muito pequenas para serem observadas. Porém foi descartada por August Weismann, quando demonstrou que ratos com caudas cortadas continuavam produzindo prole com cauda normal e as gêmulas formadas pelas caudas cortadas deveriam produzir caudas curtas

3- Gregor Mendel (1822-1884) publicou seu estudo sobre a hereditariedade das ervilhas em 1866 no periódico de História Natural de Viena. Mendel abordou o problema da hereditariedade do ponto de vista matemático. Ele, além de observar os tipos de descendentes formados, contava a quantidade de cada tipo de descendente, identificando que a proporção de cada descendente era muito importante. Porém, por várias questões biológicas, seus experimentos não podiam ser repetidos com qualquer tipo de vegetal, por isso ao tentar realizá-los com uma variedade de chicória, não obteve sucesso. Seus trabalhos permaneceram esquecidos por 34 anos.

4- A redescoberta independente dos trabalhos de Mendel por três botânicos interessados nos mesmos problemas ocorreu em 1900, revolucionando a Biologia. Foram eles: Hugo De Vries (holandês); Karl Correns (alemão); Erich Tschermak (suíço).

5- Contribuições de Mendel: ele percebeu que existem fatores específicos que são transmitidos pelos pais à prole. Constatou que estes fatores ocorrem aos pares e que os descendentes recebem um de cada genitor. Também descobriu que a prevalência destes fatores era diferente e alguns somente se manifestavam quando em dupla dose, enquanto outros mesmo em dose simples determinavam sua característica. Assim, chamou-se de dominantes aos fatores que se manifestavam mesmo que em dose única e de recessivos os que somente se manifestavam em dose dupla. A partir de seus experimentos, ele elaborou duas leis sobre a hereditariedade, que passaram a ser chamadas 1a e 2a Leis de Mendel.

6- Os trabalhos de Mendel deixaram uma pergunta em aberto: O que eram os fatores específicos, que podiam ser transmitidos de pais para filhos?

7- Por volta de 1884, com a utilização de microscópios cada vez melhores, o estudo das células permitiu a identificação de corpos finos e compridos, que eram identificados durante a divisão celular e ficavam armazenados no núcleo da célula. Por se corarem intensamente estas estruturas foram denominadas: cromossomos.

8- Somente em 1902, alguém associaria Mendel aos cromossomos. Esse alguém foi Walter Sutton, ele percebeu que os cromossomos tinham muito em comum com os fatores de Mendel, pois todos formavam pares nas células dos organismos, mas, nos gametas, apenas um dos componentes de cada par estava presente. Com experimentos independentes, Theodor Boveri, chegou às mesmas conclusões. Assim, a teoria de Sutton-Boveri afirmava que os fatores de Mendel estavam nos cromossomos. Estes fatores passaram a se chamar: genes.

9- Morgan, a partir de 1907, estudando Drosophila melanogaster, conseguiu comprovar a relação entre genes e cromossomos proposta por Sutton e Boveri. Também descobriu que durante a formação dos gametas os cromossomos homólogos se recombinam, trocando segmentos entre si. As pesquisas de Morgan e seus orientados também revelaram que os genes ocupam locais específicos (“endereço”) nos cromossomos, tais locais foram chamados então de loci gênico. Assim cada gene tem um endereço específico nos cromossomos, este endereço é chamado locus ou loco e é ocupado por todos os alelos de um mesmo gene.

10 – Na primeira metade do século vinte, a relação entre genes e cromossomos gerou uma nova questão: Se os cromossomos eucarióticos são formados por uma combinação de DNA e proteínas, qual dessas moléculas porta os genes?

11- Em 1928, Fred Griffith descobriu que estrato de bactérias patogênicas podia transformar linhagens inócuas em patogênicas.

12- Em 1944, Avery, MacLeod e McCarty identificaram que o DNA era a substância capaz de realizar as transformações das bactérias descritas por Griffith. Esse experimento revelou que o DNA era a molécula da hereditariedade.

13- Em 25 de abril de 1953, James Watson e Francis Crick, publicaram na revista Nature o modelo da molécula de DNA. Pelo qual receberam o Prêmio Nobel em 1962.

14- Em 1954, Gamow idealizou o modelo no qual uma trinca de Nucleotídios do DNA serve para codificar um minoácido de uma cadeia polipeptídica. Ou seja, é necessária uma trinca de nucleotídeos para codificar um AA.

15- Em 1959, Arthur Kornberg recebeu o Prêmio Nobel pela descoberta da enzima e do processo de duplicação semiconservativa do DNA.

16- Em 1960 foi descoberto o RNA mensageiro.

17- Em 1961 foi comprovado que o código era formado por trincas de nucleotídios.

18- Através da soma de trabalhos de vários pesquisadores, a partir da molécula de RNA mensageiro, o código genético foi totalmente decifrado em 1966, sendo elaborada uma tabela utilizada desde então.

19- Por volta de 1970-1973 iniciaram as pesquisas sobre tecnologia de DNA recombinante (engenharia genética).

20- Em 1988 iniciou o projeto Genoma Humano, que foi concluído em 2003, identificando que maior parte da molécula de DNA não estava envolvida na codificação de proteínas, sendo, portanto designada como DNA lixo.

21- Em 2005, a revista ciência hoje publicou um artigo sobre os achados do biólogo Peter Andolfatto, da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), os quais levam a crer que a contribuição do DNA ‘lixo’ é muito significativa, especialmente para a evolução. “Segundo o autor, ele é responsável por tantas diferenças adaptativas entre espécies quanto as alterações nas proteínas, consideradas a principal força por trás desse fenômeno. Ele acrescenta que, na totalidade, as regiões não-codificantes podem ser cinco vezes mais importantes para o processo.

22- Atualmente se reconhece a necessidade dos Projetos Proteoma e Ranômico, para compreensão mais completa da hereditariedade humana.


Referências:
Furtado, Fred. DO LIXO AO LUXO: DNA tido como irrelevante pode ser mais importante para a evolução do que se pensava. Ciência Hoje On-line, 31/10/05, disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/3564

MARTHO, Gilberto Rodrigues ; AMABIS, José Mariano. Curso Básico de Biologia: genética, evolução e ecologia. v3 São Paulo : Ed. Moderna, 1985.

WATSON, James D. ; BERRY, Andrew. DNA: O segredo da Vida. (Tradução de Carlos Afonso Malferrari) São Paulo : Companhia das Letras, 2005.

Link Relacionado:
Glossário Útil para entender a Genética.

7 comentários:

  1. Muito bom mesmo
    vlw!!

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  2. Esse trabalho está excelente.!'

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  3. bacana bacana bacana

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  4. qual e a divisao da genetica classica e moderna nestes autores

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