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30 de jun de 2008

O que é mecanicismo?


Discussão sobre mecanicismo e metáfora do relógio - parte do Filme Ponto de Mutação baseado no livro homônimo de Fritjof Capra.

O mecanicismo é uma escola filosófica que, além de marcar o início da era moderna, se confunde com ela. Ele surgiu como dupla reação ao universo orgânico concebido pelos gregos e ao cosmos teocêntrico sacramentado pelos medievais.

Simultaneamente liberto da trama dos deuses pagãos e da causa única atribuída a Deus, o homem pode se despir intelectualmente da metafísica histórica e se perguntar: quem sou eu? Finalmente sozinho no mundo e tendo como ponto de partida a si próprio, libertou-se da carga de séculos de explicações divinas.

A essência da modernidade, como a imposição do sujeito, autor e produtor de si mesmo foi sintetizada na figura de René Descartes, considerado o primeiro filósofo moderno porque materializou aquilo apenas esboçado por Sócrates. Descartes notou que mesmo quando se sonha, acredita-se que se está vivendo algo real, não existindo alguma coisa que marque a diferença entre as sensações experimentadas no sonho e aquelas em estado de vigília.

A origem do “Penso, logo existo”.
Sua reflexão foi a seguinte: “Quando penso com cuidado no assunto, não encontro uma única característica capaz de marcar a diferença entre o estado acordado e o sonho, tanto eles se parecem, que fico completamente perplexo e não sei se estou sonhando ou acordado neste exato momento”.

Descartes buscava chegar ao real e para isto ele teve que se desembaralhar dos conceitos de senso comum, das explicações teológicas e das injunções culturais que o havia o moldado como pessoa. Sabendo que não tinha condições de diferenciar a realidade do sonho, o seu marco zero devia retroceder até chegar a algo que fosse inquestionável: se havia um fato de que ele podia ter certeza, era sem dúvida, a permanente dúvida. Ora, se ele duvidava, significava que pensava, e se pensava, a realidade devia emanar deste ente pensante.
Inspirado por este tipo de reflexão, Descartes chegou à sua famosa máxima Cogito, ergo sum, penso logo existo. Estava lançada a pedra fundamental da modernidade que se prolonga até hoje.

O homem moderno, já liberto da servidão teológica e da explicação orgânica de um cosmos vivo ao estilo grego, se concentrou no eixo de onde passaria a emanar todo um novo sistema de causalidade – o sujeito – que o velho Sócrates já havia antevisto no seu Gnôthi seauton, conhece a ti mesmo, e conhecerás o universo.

A fundação da nova Ontologia e a metáfora do relógio.
Frente a um novo universo que se descortinava à sua frente, cabia ao homem a invenção de uma nova ontologia que fosse tributária não mais do mistério das causas divinas incognoscíveis, mas do conhecimento real e palpável, ou seja, dele mesmo. Para tanto, ele forjou uma nova metáfora para o funcionamento da natureza e tudo que nela havia; uma máquina, todavia não uma máquina qualquer e sim a rainha de todos os mecanismos: o relógio.

Doravante, a idéia do mecanismo usado para medir o tempo foi transposta para explicar o conjunto de problemas sobre os quais a recém criada ciência experimental se debruçava: desde os movimentos observados na abóboda celeste, até os sistemas corpóreos vivos, tudo podia ser reduzido aos seus componentes mecânicos e entendido por partes.

O Pensamento Mecanicista é o causador da catástrofe ecológica?
O sistema de entendimento estava consolidado, sob a lei: o todo pode ser conhecido através da análise das suas partes componentes. E até hoje o pensamento mecanicista domina a maior parte das cabeças científicas, inspira a produção de conhecimento e é o grande responsável pela catástrofe ecológica. Apesar do mecanicismo ter sido revogado conceitualmente pelas novas aquisições em termos de uma compreensão mais holística dos fenômenos naturais, ele continua a imperar monoliticamente na essência do capitalismo.

A grande tragédia causada pelo pensamento mecanicista é a falta de visão de um planeta único, com recursos finitos e ecossistemas interligados e interdependentes. O grande erro da modernidade foi deslocar toda a fonte ontológica para o sujeito, desconectando-o do sistema relacional que o mantém interligado e dependente do todo. Isso foi decorrência do novo paradigma do “eu penso” como único balizador da realidade. Tal mentalidade foi legitimadora das ações de destruição em massa da natureza, que continua atuando na maneira como o poder político global vê a questão ecológica: de maneira fragmentária e mesquinha, cada um pensando no seu próprio sujeito nacional, possuidor de bens naturais que podem ser espoliados ad infinitum.

Enquanto o erro de Descartes não for reconhecido como um derradeiro epitáfio ao período moderno, a modernidade continuará a exaurir os recursos do planeta, posto que é visto sob a forma fragmentada de bilhões de pedaços, entregues aos joguetes dos pertencimentos nacionais.

Referências:
Gaarder, Jostein – O Mundo de Sofia
Capra, Fritjof – Tao da Física
Holismo x Mecanicismo
Mecanicismo: A Perspectiva Bárbara da Humanidade
Haeckel e Nietzsche: aspectos da crítica ao mecanicismo no século XIX
Filosofia e Ciências da Natureza: Descartes e o Mecanicismo
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Descartes, mecanicismo, metáfora, modernidade, Sócrates, holismo, ecologia, visão fragmentada, acesso ao real

26 de jun de 2008

O que é modelo científico?

Modelo Científico
Coisas consideradas inatingíveis pela mente humana são questionadas desde a antiga filosofia grega e permanecem sendo até hoje. O debate iniciado desde o princípio da história do conhecimento, quando o fazer ciência era simultâneo ao fazer filosófico, se estabeleceu como uma questão básica, tanto na filosofia como na ciência:
É possível o acesso ao real?

Ora, mesmo quando o método de investigação silogístico grego foi substituído pelo método científico experimental característico da idade moderna, jamais a ciência chegou à “verdade”, concebida como o conhecimento definitivo e irrefutável. Justamente ao contrário, no final do século XIX, quando vários cientistas propunham o “fim da história” para o conhecimento humano, em que o universo se encontrava totalmente explicado pela mecânica newtoniana, o avanço científico tomou rumos inesperados.

Naquela época, uma parte da comunidade científica propugnava, sob um ponto de vista determinista, que a ciência apreendia o real e que soba a condição de ter os dados empíricos das condições iniciais de determinado fenômeno, a sua previsibilidade era absoluta, ou seja, pensava-se que a ciência trabalhava com a própria realidade.

O avanço científico ocorrido no início do século XX desmontou definitivamente o sonho determinístico do acesso ao real e a ciência teve que admitir que na suas constantes investidas de compreensão da natureza, somente consegue construir Modelos aproximativos que servem de ponte entre o real e a limitada capacidade humana de apreendê-lo

Exemplos de Modelos Científicos:
- Modelo do átomo: o clássico desenho do átomo que se vê nos livros escolares é um modelo científico. Ele, mesmo sendo a representação do átomo real, não é a verdade do átomo, porque inclusive este modelo já foi revisto várias vezes e continuará sendo;

- Modelo da molécula de DNA: é uma representação do real que levou anos para ter o aspecto que conhecemos hoje, mas não há nenhuma certeza de que não possa ser mudado;

- Modelos matemáticos climáticos: diferentemente dos modelos deterministas da física Newtoniana, em que bastava se conhecer as condições iniciais de um sistema para se prever posições futuras, o clima se comporta de maneira não linear, caótica. Assim, pequenas alterações nas condições iniciais podem provocar resultados imprevisíveis. Por isso foram concebidos modelos climáticos probabilísticos, que operam com faixas de janelas de possibilidades. Assim, as previsões obtidas por estes modelos são apresentadas através de resultados estatísticos, dentro de margens de erro/acerto;

- Modelo computacional: todos os computadores do mundo seguem o a lógica de funcionamento de um modelo de computador conceitual criado antes que fosse inventado o primeiro computador eletrônico. Ele descreve e sistematiza os passos avantes e retrógrados que uma cabeça leitora perfaz para ler uma fita onde estão armazenados dados binários ZEROS E UNS. Até hoje, nenhum computador do mundo conseguiu romper o paradigma imposto pelo modelo computacional imaginado pelo matemático inglês Alan Turing. A ciência antevê que este modelo possa ser superado pelos novos paradigmas da computação quântica.

- Modelo semiótico do aprendizado: assim como no modelo computacional conceitual em que a informação é reduzida a ZEROS E UNS, o modelo da aprendizagem humana reduz o conhecimento a noemas, ou seja núcleos básicos constituintes dos conceitos. O conceito “cavalo” não é armazenado apenas como imagem, ele é informação léxica e também é figura que pode ser evocada por inúmeras imagens que lembram cavalos, mas também pode ser evocado por sons, cheiros, tato, conceitos associados, etc. Apesar de o modelo semiótico descrever a formação do conceito, ele não dá conta do fenômeno total, da coisa em si, tanto que até hoje as pesquisas na área de Inteligência Artificial continuam engatinhando sob o engessamento do Modelo de computador conceitual binário proposto por Turing.

A derrota do determinismo, iluminismo e mecanicismo sob a inexorável transitoriedade do conhecimento humano.
Todo o conhecimento humano é formado de modelos de aproximação que sintetizam a observação humana sobre os fenômenos da natureza, porém sempre distante do real, das coisas em si mesmas, que continuam escapando da apreensão total. A concepção da ininteligibilidade do real pela mente humana derruba as certezas adquiridas nos primórdios da história do conhecimento moderno, construídas através do determinismo, iluminismo e do mecanicismo defendido por toda uma geração de Filósofos e cientistas iluministas, tais como René Descartes e Francis Bacon, que desembocou no dogmatismo preconizado pelo positivismo científico no século XIX.

Conclusão:
Só existem modelos científicos porque o conhecimento científico e filosófico se constitui de aproximações do real e não na apreensão do próprio real. No momento em que a mente humana pudesse apreender a realidade, não precisaria mais criar modelos conceituais precários para compreender o mundo.

Referências:
http://www.guia.heu.nom.br/modelo_cientifico.htm
Um Modelo Conceitual para Integração de Modelos Científicos e Informação Geográfica
Bizzocchi, Aldo - Cognição Como pensamos o Mundo, Revista Ciência Hoje nº 175/setembro de 2001

Por que usar o formato RAW ao invés do JPG?

Formato RAW significa em bom português um arquivo bruto que contém apenas aquilo que foi captado pelo sensor CCD da máquina fotográfica digital. É um formato cru por excelência, que não possui não compactação, nem balanceamento de branco, nem calibragem de temperatura de cores e nem correção de exposição.

Comparando-se com o mundo analógico, é como a revelação do negativo de um filme 35 mm, onde todo o processo de regulagem de cores, enquadramento, tempo de exposição, compensação de áreas sombreadas e áreas queimadas pelo excesso de luz, serão realizados no processo de cópia para o papel.

A maioria das máquinas digitais populares só trabalha com o popular formato JPG, que oferece algumas vantagens interessantes:
- ocupa menos espaço nos cartões por ter sua compressão nativa;
- tem total intercambialidade no mundo digital – é lido por qualquer visualizador de fotos;
- permite embutir informações EXIF; nome da câmera, data da foto, tempo de abertura do obturador, medida de zoom, flash, balanceamento de cor, temperatura de cor, etc.

Mas as vantagens param por aí, porque as desvantagens são grandes para os fotógrafos, mesmo amadores, que querem imprimir fotos em tamanho maior, de A4 para cima:
- pouca profundidade de cor – as especificações do JPG aceitam no máximo 8 bits de largura de informação de cor – enquanto que os formatos sem compressão trabalham com 12, 16, 24 bits, o que aumenta a quantidade de matizes de cores possíveis de ser exibidas;

- a pouca profundidade de cores decreta que os arquivos em JPG exibirão sempre aberrações cromáticas facilmente detectáveis, o que não permite jamais que um trabalho fotográfico seja reproduzido em formato grande, sem perdas dramáticas perdas de qualidade. (Não dá nem para pensar numa exposição de fotos geradas em JPG!);

- degradação da imagem devido à compressão. Quem edita uma foto em JPG e salva em JPG, age como quem tira fotocópia de fotocópia. Cada processo de editar/salvar submete o arquivo a uma nova compressão, resultando em perdas gradativas de nitidez e de resolução de cores.
Um arquivo JPG não permite edições. Caso você queira editar um JPG, deve convertê-lo para outro formato sem compressão;

- a grande degradação do JPG é a nitidez: se você tiver dois arquivos, um gerado sem compactação em TIFF e o mesmo convertido para JPG, dê um zoom na mesma área dos dois arquivos e constatará que os contornos no arquivo TIFF são muito mais nítidos do que no arquivo JPG.

A grande procura atual pelos formatos sem compactação se deve às decepções que os usuários experimentam, principalmente quando imprimem seus trabalhos. Existem na Internet vários exemplos comparativos do nível de degradação experimentado pela compactação JPG.

Como no artigo anterior, abordei o processo de habilitação da câmera Canon PowerShot S5 IS para operar com formato RAW, neste post trago os resultados de uma foto em três estados: em RAW puro, em RAW convertido para o formato DNG (Digital Negative) compatível com os produtos da Adobe. Apesar do PhotoShop poder ler o DNG, ele não lê os metadados presentes no arquivo. O programa que pode ler a integralidade do EXIF e dos metadados é o PhotoShop LightRoom, que apresenta na tela o arquivo RAW original + calibragens feitas quando a câmera foi posta em modo manual, em que foi feito o balanceamento de cores e de branco.

No arquivo JPG gerado pela máquina, os dados de balanceamento são incorporados no próprio arquivo e no formato RAW, estes dados ficam disponíveis na seção de metadados do arquivo, não sendo incorporados na própria imagem, permitindo que o fotógrafo possa fazer ajustes posteriores de exposição e balanceamento ao gerar o arquivo TIFF final, que vai incorporar os ajustes que vão definir parâmetros importantíssimos e contrastantes, tais como a nitidez das áreas sombreadas versus suavização das áreas “queimadas” pelo excesso de luz.

A foto seguinte é a mesma que foi gerada em formato RAW pela minha Canon S5.
Aloe Vera Flower
Ela foi publicada no Flickr em formato JPG em 1024 x 768 com compressão de 90%. Para os que quiserem dar algumas mexidas no formato RAW, disponibilizo-o no RAW original com terminação .CRW e fiz a conversão para o formato RAW DNG usando o programa DNG4PS-2 (compatível com o RAW da Canon I5) encontrável na página CHDK da Wikitecnology, conforme explanado no artigo anterior.

Download do arquivo RAW da Canon PowerShot S5 IS  Aloe_vera_flower.CRW

Download do mesmo arquivo RAW, convertido para o formato Digital Negative da Adobe  Aloe_vera_flower.DNG

Não disponibilizei o arquivo TIFF resultante, por ocupar 45 Mb de espaço e porque o usuário que se interessar nos RAWs poderá ele mesmo gerá-lo com o programa PhotoShop, ou com o PhotoShop LightRoom.

Referências:
The "Art" of CRW Conversion
RAW captured from S5IS
Gerenciando os arquivos RAW de sua câmera digital
RAW: você já provou uma imagem “crua”?

Fotografia digital, Canon, formatos, RAW, JPG, CHDK, DNG, compactação, profundidade de cores, nitidez, balanceamento

Como transformar a Canon I5 numa câmera profissional?

A minha escolha pela câmera Canon PowerShot S5 IS sua relação custo/benefício:

- seu tamanho compacto – resolução de 8 mega pixels;

- zoom ótico de 12x;
- LCD móvel que permite filmagens confortáveis e botão específico para filmagem;
- não usa baterias proprietárias, o que permite o uso de pilhas comuns tamanho AA;
- usa cartões SD, os mais baratos do mercado e aceita cartões SDHC, os que tem tamanhos acima de 4 Gb;
- tem recursos de máquinas DSLR: operando também em modo totalmente manual – o que permite que o fotógrafo tenha poder completo sobre as configurações de foco, exposição, abertura de obturador, etc;

Paralelamente aos prós, eu sabia que ela tinha alguns contras:

- incrivelmente a Canon não disponibilizou para este modelo o formato RAW, um sério e inaceitável pecadilho;
- o foco manual dela é impreciso e tedioso de acertar. O melhor foco manual ainda é o das câmeras profissionais que têm anel de foco e não o tosco ajuste eletrônico;
- pouca sensibilidade noturna excesso de granulação acima do ISO 400;
- a tampa da lente cai facilmente.

Como fazer uma câmera Canon PowerShot S5 gravar em formato RAW não comprimido?
O insolúvel problema da falta de formato RAW, que permite ao fotógrafo com mais ambições se livrar das limitações de falta de qualidade e pouca profundidade de cor do JPG, foi resolvido por um esquema de um “firmware bootável” através do programa CHDK. A PowerShot S5 usa o processador DIGIC III, que tem o recurso do formato RAW e outras inúmeras funções desligadas na S5, por cobiça da Canon em querer vender os caros modelos profissionais EOS.

Atenção: PARA TRABALHAR COM O PROGRAMA CHDK É NECESSÁRIO TER UM LEITOR DE CARTÕES, porque é a única maneira de transferir os arquivos .CRW para o computador. O programa de original de captura da Canon, o CameraWindow, só reconhece o JPG.

Ao tornar um cartão SD bootável, quando a câmera é ligada com a trava lock acionada, o boot carrega para a memória um firmware concomitante ao firmware original da câmera, o que significa que o usuário pode dispor de todos os recursos nativos, mais os recursos do firmware provido pelo programa CHDK. É importante frisar que este processo acontece a cada vez que a maquina é ligada e somente com um cartão bloqueado que tenha sido instalado o programa que é uma espécie de update temporário de firmware.

O programa só vai funcionar num cartão que tenha partição FAT16, ele não funciona em FAT32. Para instalar o CHDK usei um pequeno aplicativo com interface gráfica chamado Card Tricks. Escolha a opção DryOS para transferir o boot para o cartão - é o sistema operacional utilizado pela PowerShot I5.

Há uma complexa discussão que dá dicas e truques para aproveitar um cartão de mais 4 Gb, porém o procedimento é muito complexo e exige uma modificação no drive do leitor de cartões que muda o status do drive de “removível” para “fixo”, já que o Windows não reconhece mais de uma partição num drive removível.

Eu preferi comprar um cartão SD de 2 Gb só para as situações em que queira usar os recursos do firmware estendido.

Como visualizar/editar os arquivos RAW da Canon I5?
Como esta câmera não trabalha oficialmente com o formato RAW, o programa nativo dela, o ZoomBrowser EX, não reconhece os arquivos .CRW gerados. Cada tipo de câmera tem uma estrutura RAW própria, fazendo com que quase nenhum programa existente que lê arquivos RAW consiga ler os RAWs da I5. Além disso é recomendável que o programa que vai interpretar corretamente o RAW consiga recuperar os metadados e o EXIF contidos no RAW.

Nos metadados estão as informações de balanço de branco e de cores, ou seja, as configurações de balanceamento que você fez quando tirou fotos em modo manual.
O site Wiki Tecnology sugere um pequeno conversor que transforma os arquivos de .CRW para o Digital Negative (DNG), o format RAW do Adobe PhotoShop. Porém, apesar do PhotoShop poder ler os arquivos DNG, ele não consegue recuperar os Metadados que foram usados para gerar o JPG. Depois de editado, se o fotógrafo quiser manter a altíssima qualidade da sua foto, a sugestão é armazená-lo no formato TIFF sem compressão.

O programa que faz isto perfeitamente e permite quaisquer correções posteriores no arquivo RAW é o PhotoShop LightRoom, um programa genial para fotógrafos fuçadores! Pena que ele não seja diretamente compatível com o RAW gravado pela PowerShot S5, portanto, a conversão de .CRW para DNG usando o programinha russo DNG4PS-2 continua sendo imprescindível.

Canon PowerShot S5 IS, Adobe, RAW, EXIF, DNG, JPG, TIFF, metadados, CHDK, CRW

24 de jun de 2008

Qual é o melhor buscador brasileiro?

Lancei no Google esta pergunta e os resultados foram magros. Então tive que ir na marra catando buscadores brasileiros, peneirando os links mortos e selecionando os que funcionam.

A grande verdade sobre os buscadores de internet (web searchers) é que, pelo menos para nós brasileiros, eles se reduzem a três: Google, Yahoo e Live.

Além disso, os principais buscadores do mundo abocanham uma fatia do mercado de aproximadamente 90%. No Brasil, a maioria dos buscadores tidos como “brasileiros”, usam os mecanismos Google ou Yahoo:

Buscadores que usam o mecanismo Google:
Buscador Terra
IGBusca
Uol Busca

Buscadores que usam o mecanismo Yahoo:
Cade
Alta Vista

Critérios de análise da qualidade dos buscadores:
1 – Relevância.
Para mensurar a qualidade de um buscador é necessário usar o conceito de Relevância. Isto significa o grau de importância que o buscador mostra ao primeiro resultado, que diminui no segundo e sucessivamente. Alguns buscadores dão mais importância aos seus links pagos, do que ao conteúdo que o usuário busca, ou seja, o seu nível de relevância caiu muito, porque o usuário é obrigado a engolir coisas que não está buscando.
No critério relevância, definitivamente o Google é o melhor. Os primeiros resultados mostrados nas pesquisas no site são em função da busca do usuário e não uma forma maliciosa de meter na frente os links pagos por empresas interessadas em “vender seu peixe”.

2 – Quantidade de lixo.
Uma das coisas que mais irritam o internauta é a quantidade de excessiva de links que não têm nada a ver com as palavras-chave procuradas. O antigo RadarUol, agora baseado no motor Google, era o campeão do lixo. Quase todos os seus resultados eram inúteis e dificilmente tinham alguma ligação com as palavras-chave pesquisadas.

O Yahoo é considerado mundialmente como o buscador mais “enxuto” em seus resultados. Se o internauta está buscando concisão, o Yahoo é o que vai dá o menor número de resultados. Com palavras-chave de resultados abundantes, isto é uma vantagem, já com as palavras muito específicas e raras, se torna desvantagem.

3 – Atualização do Cache.
Cada buscador tem seus robôs de busca que ficam rastreando milhões de páginas todos os dias. A glória de um Webmaster é que os robôs visitem seu site o mais freqüentemente possível e o pesadelo é ser esquecido por eles.
A cada visita, o robô fotografa a página principal do site visitado. Pela página armazenada é possível saber a data da última visita do robô, de forma a avaliar o quanto o buscador se preocupa em atualizar as páginas constantes nos seus bancos de dados.

Dou o exemplo dos arquivos de cache do Blogpaedia-Respostas nos três principais motores de busca:
Google: atualizado em 21/06/2008;

Yahoo: atualizado em 16/06/2008

Um pecadilho do Live; ele não publica suas páginas armazenadas em cache, só informa a data da última visita do seu robô através das Ferramentas para Webmasters, um site que necessita de cadastramento e login.
Entrando no MSN Live Webmaster Center, vejo que a última visita do robô do Live aconteceu no dia 9/06/2008 (Last Crawled). Ou seja, o robô deste buscador é o menos freqüente dos três, portanto o Live é o que menos atualiza as suas páginas. Quem sai perdendo é o usuário, que termina pesquisando em um banco de dados com páginas quase um mês defasadas.

Fora do círculo dos três grandes buscadores, lancei a pesquisa “blogpaedia” em outros buscadores brasileiros para avaliar o desempenho, mas os resultados foram desanimadores. A maioria dos links constantes na Lista de Buscadores Brasileiros estão mortos, ou não são de buscadores.

Os resultados:

Aonde: retornou zero links e links patrocinados.

GuiaWeb: só retornou o único link que eu submeti no site, o que significa que não é um buscador e sim um diretório de links.

Lycos do Brasil: retornou dezens de links com a palavra-chave pesquisada “blogpaedia”, mas não consegui acionar nenhum deles. Todas as tentativas terminam numa aba chamada “(Imagem GIF, 1X1 pixels). Não é a primeira vez que acontece isto – já faz algum tempo que não consigo fazer funcionar o Lycos. Será alguma incompatibilidade com o FireFox Mozilla?

Qual é o melhor?
O “overall” do nosso pequeno teste comprova porque o Google detém cerca de 80% do total de cliques das pesquisas na Internet. Ele realmente é o melhor em todos os quesitos: apresenta os resultados mais relevantes e é disparadamente o buscador que mantém os seus bancos de dados mais atualizados.
O fato mais significativo que atesta a supremacia Google se dá quando um site é punido pelo Google: seus acessos sofrem um decréscimo de mais 80% da noite para o dia.

O resumo da ópera é que ao ser banido dos índices do Google, um site deixa praticamente de existir.


Google, Yahoo, Live, buscadores, web searcher, Lycos, UOL, Webmaster, crawler, cache, robô, motor de busca

Quais são os sintomas do vírus TEL.XLS.EXE?

É bastante comum por aí ver os usuários apavorados gritando: “Socorro, não consigo mais abrir o meu drive “C”!

Isto acontece quando o sistema está infectado por um vírus de inicialização. É um tipo de código malicioso escrito para se aproveitar da vulgarização dos drives removíveis do tipo pendrive, Ipod, cartão flash, mp3, mp4, telefone celular, etc. Tais virus trabalham ao nível da função do autorun do Windows, aquela que faz com que o sistema abra automaticament o drive, quando ele é inserido na porta USB. O TEL.XLS.EXE infecta o arquivo AUTORUN.INF presente no diretório raíz dos drives e fazem modificações no registro do windows. Então ele fica residente na memória, se copiando a cada vez que um comando AUTORUN é disparado.

Nomes alternativos: worm_vb.cbw, Worm_vb.bnr, foool.exe, fun.xls.exe, sal.xls.exe, algssl.exe.

Sintomas:

1 – Um belo dia você clica em “Meu Computador” para visualizar os arquivos de um determinado drive e o Windows mostra uma janela de “Abrir com...”, a famosa pergunta com qual programa você deseja usar para abrir, que acontece sempre que você tenta ler um arquivo que não tem nenhum programa instalado para ele.

2 – O TEL.XLS.EXE desabilita a visão de arquivos ocultos nas opções de pastas, mesmo que você entre lá e habilite a caixa “Mostrar arquivos ocultos e de sistema”.

Remoção manual:
Para quem é fuçador de informática e tem saco para meter a mão na massa, há um tutorial bem completo no site da Trend ensinando a remoção do bixo “na unha”.

Remoção automatizada:
A Trend garante que o seu Scanner Online faz o trabalho, removendo gratuitamente o famigerado TEL.XLS.EXE do computador e desfazendo as alterações que o vírus faz no registro do Windows.

Se o seu antivírus estiver atualizado e o seu computador não estiver atulhado com dezenas de spywares, malwares, trojans, worms, etc, ele vai conseguir limpar um simples vírus de inicialização.
A pergunta que não quer calar é: se o seu computador está com as atualizações em dia, como o seu antivírus deixou entrar o TEL.XLS.EXE? Neste caso, troque-o imediatamente!

Referência: Outros tipos de vírus de inicialização.

Vírus de inicialização, pendrive, chave USB, drive removível, arquivos ocultos, scan online

23 de jun de 2008

Por que há dois Brasis, um melancia e outro Gisele Bündchen?


Gisele Bündchen e Andressa Soares são dois ícones atuais situados nos extremos do espectro econômico/cultural/estético que servem para ilustrar a situação de desigualdade crônica nos dois Brasis: o Brasil-Fashion da Avenida Paulista, da Versace, Daslu, Louis Vuitton contrapondo-se ao Brasil-Brega da Rua 25 de Março, da Daspu e das clonagens de grifes famosas.

É consenso que o Brasil é um dos países do mundo com pior distribuição de renda. Tal desigualdade se arrasta incólume ao longo da história, perpetuando o modelo excluidor consolidado nas Ordenações Filipinas publicadas no início do século XVII.

As diferenças entre duas figuras femininas públicas vão além da obviedade superficial; Gisele Bündchen oriunda das classes dominantes financeiramente e
intelectualmente, porta em seu corpo as linhas do padrão estético universal. Seu fenótipo europeu lhe garantiu inserção instantânea em Paris, Amsterdã ou Bagdá e as suas linhas esguias de mulher magérrima fizeram o resto, lhe trazendo fama, sucesso e muito dinheiro.

Contrapondo o mundo fashion, sofisticado e endinheirado de Gisele, o Brasil burguês assiste estupefato personagens saídos do pomar da tropicalidade: jaca, jambo, melão, uva, pêra, melancia. Do Brasil marginal emerge uma silhueta arredondada de nome prosaico: Andressa Soares. Sabe-se que tem aproximadamente 20 anos e que nasceu do funk do Créu, de onde fez ligação direta para os ensaios sensuais em revistas de mulher pelada. Enquanto o Brasil-Gisele é branco, esguio e recatado, o Brasil-Melancia é moreno, repleto de curvas e tremeluzente em sua imensa poupança glútea de 120 cm.

Mas, qual é a origem dos Brasis simbolizados por essas duas figuras femininas, uma de natureza esquálida e pálida e outra estourando curvas e morenice?

Depois de ter vigorado em Portugal, as Ordenações Filipinas foram exportadas para o Brasil colônia. Elas foram resultado da revisão, reforma e codificação de toda a legislação portuguesa anterior, a saber: Ordenações Afonsinas e Manuelinas. As Ordenações Filipinas, apesar de ter os direitos romano e canônico como referência, foram consideradas retrógradas, por reproduzirem a essência dos vícios presentes nos códigos anteriores. Tal é o ponto chave que os analistas ressaltam para censurar a incúria e o espírito retrógrado dos compiladores, admitindo que tais ordenações eram sobeja prova da decadência em que iam as letras e a jurisprudência de um Portugal recém emergido da Idade Média.

As Ordenações Filipinas, apesar de novas, já nasceram envelhecidas, mais como simples versão atualizada das Ordenações Manuelinas, constituindo verdadeiramente um sopro tardio do espírito medieval a se imiscuir nos tempos modernos.

Um traço persistente até hoje como reminiscência do velho espírito das Ordenações Filipinas é a desigualdade no tratamento de criminosos em função da sua classe ou ordem. O reflexo desse espírito contamina a execução das leis e deixa escapar das suas malhas os cidadãos ricos, políticos, magistrados, portadores de curso superior, apadrinhados, etc. Na raiz da impunidade está a ontologia da formação de duas realidades sociais incrivelmente opostas.

Os dois Brasis contrastantes que não se confundem e nem se fundem, não pode ser explicada pela letra morta dos códigos atuais, mas pelo espírito persistente de leis eivadas do espírito do antigo regime, que subsistem implicitamente.

O ordenamento jurídico brasileiro que aplica impiedosamente as penas da lei ao Brasil-Melancia, ao mesmo tempo em que é condescendente com o Brasil-Fashion, transmite a idéia pouco educativa de que aos pobres nada mais resta do que cumprir rigorosamente as leis, enquanto aos ricos e protegidos pelos fóruns privilegiados toca a indulgência do Estado, concebido para protegê-lo.

O futuro dos dois Brasis pode ser antevisto nas trajetórias das duas mulheres emblemáticas que os simbolizam. Quanto a Gisele Bündchen, ela continuará surfando ao longo dos anos na crista da onda, passando paulatinamente a tocar projetos no mundo fashion, enchendo cada vez mais as burras de dinheiro. Já o destino da mulher melancia tende a ser marcantemente distinto: depois de várias sessões de lipoaspiração e plásticas, na tentativa de assumir contornos mais palatáveis pelo Brasil-Fashion (por imposição da indústria estética do PhotoShop), irá pouco a pouco branquear e murchar até desaparecer do mercado, até aterrissar novamente na realidade do Brasil-Favela, de onde o Brasil-Fashion supõe que nunca deveria ter saído.

Referência: Revista Ciência Hoje, À Sombra do Passado, Nº 159, abril 2000

Gisele Bündchen, Fashion, Celebridade, Ordenações Filipinas, mulher melancia, história

22 de jun de 2008

O que é a MFT e como configurar o seu tamanho?

A MFT (Master Table File) apareceu quando o Windows começou a usar um tipo de partição que prometia ser invulnerável à fragmentação, a NTFS. É uma tabela que contém o índice de todos os endereçamentos físicos dos arquivos contidos no disco. Tal tabela é a interface entre a parte lógica e a física. Resumindo: quando um arquivo é solicitado ao sistema operacional, ele precisa encontrar o seu local exato no disco. Caso não existisse uma tabela de índice, a cada solicitação o sistema deveria varrer o disco para descobrir a localização de cada arquivo. Se a coisa fosse feita assim, os tempos atuais de milissegundos para subiriam para horas, talvez dias, num “revival” de volta ao tempo das carroças.

O problema:
De acordo com o programa Diskeeper 2008, o meu HD está utilizando 98% do espaço destinado ao MFT Com o Windows XP é fácil aumentar o tamanho do MFT através da barra “Frag Shield”, porém no Windows Vista, o controle esta desabilitado.

Ou o Vista ou o Diskeeper mudaram. Parece que o Diskeeper mudou. O Windows aloca inicialmente cerca de 12% do drive como zona de MFT, para permitir o crescimento posterior. Na medida em que o número de arquivos aumenta, a tabela de MFT também aumenta, podendo se expandir além da zona inicialmente alocada. Contudo, a nova alocação de espaço físico pode não ser contígua, seguindo o padrão da zona originalmente alocada, levando à fragmentação da tabela de MFT. Quando isto acontece, a velocidade geral de acesso é rebaixada, porque o sistema perde mais tempo procurando os endereçamentos físicos.

Quem pode mudar a configuração da MFT além do Windows?
O Diskeeper é o único aplicativo que mexe diretamente no tamanho da MFT, para torná-la contígua e prevenir a sua fragmentação. Não há como configurar manualmente o valor. O Diskeeper que disponibilizara este recurso até a versão 2007, agora não permite mais que o usuário intervenha na escolha da alocação da MFT, apesar de continuar dando o aviso de MFT pequena na sua análise do disco.

A solução fora do alcance do usuário:
Portanto, para os usuários que como eu, estão pilotando recentemente o Vista, não há muita coisa a fazer para aumentar o tamanho dos registros destinados à MFT. Mesmo uma desfragmentação programada no Boot não resolveu o problema. Agora só resta esperar que o próprio Vista se dê conta de que o espaço dos registros da tabela está em 98% e mude para um valor mais confortável.

A moral da história é muito simples, enquanto não houver a mudança no tamanho da MFT, o HD se fragmenta rapidamente com o usu. Então o usuário tem que fazer checagens mais seguidas para evitar que a velocidade do seu sistema vá para o chinelo. O diabo é quando acontece isto com o HD de sistema (eu tenho dois HDs), aí a atenção tem que ser redobrada.

Referências:
Definição de MFT
Fórum de discussão

MFT, fragmentação, tabela, Vista, boot, HD, Diskeeper, disco rígido, frag shield

Quem é NERD?

O que é um NERD?
Não é segredo que NERD que é NERD adora resolver problemas sem nenhuma utilidade aparente. Na maioria dos casos, quanto mais inútil e desligado de qualquer compromisso, mais tentador é o problema. (Bruno Guedes)

Sob tal constatação da inutilidade prática das preocupações NERDS, vamos tentar definir uma personalidade complexa e “border line”, cujos portadores pilotam o monstruoso parque digital instalado no planeta composto pela rede internacional de computadores.

A gloriosa Wikipedia comparece com uma honesta definição de NERD, porém incompleta e carente de sabores picarescos. Lancei uma pesquisa do verbete no Google e também no Yahoo, sem obter resultados mais animadores. O MSN Live trouxe à tela um texto interessante publicado na revista Super Interessante, que adensa o presente tema.

Mas, vamos na prática definir o que é NERD através da confissão de um NERD anônimo:

Sempre fui um NERD, e tal maldição me acompanhou desde a infância. Fui sempre o garoto considerado o mais inteligente da classe, o “miolo mole”, meus colegas me chamavam de cientista maluco e o meu sucesso com as mulheres era próximo do zero grau Kelvin.
Porém, fui criança numa era pré-informática, uma época chata em que os portadores da síndrome de Asperger (autismo) ainda não tinham encontrado o trunfo que os elevaria acima das criaturas normais e perpassariam a categoria de seres gordinhos, feios e brancos para àquela de manejadores de máquinas que ninguém entende.

Hoje o meu autismo está justificado pilotando teclados na solidão das super vias, intransitivamente, sem ter que explicar a razão das minhas atitudes descoladas do bom senso.

O computador resgatou os NERDS da prisão dos seus quartinhos, não retirando-os de lá, mas levando a eles o convívio social que faltava. Seus computadores são seus seres gnonômicos e nanômicos, com quem interagem e recriam um mundo alternativo ao insuportável convívio social e às tenazes familiares.

Portanto, o NERD é portador de necessidades especiais, é um marginal social, é um pária no seu meio, é um ogro na festa da Rainha. O NERD tem vergonha de ser NERD, ainda mais quando se vê na triste e lamentável figura de Bill Gates, um planetário NERD bilionário que é um verdadeiro desastre de public relations, que causa horror nos entrevistadores devido a sua incapacidade de despertar interesse – eles não conseguem extrair dele a menor modulação emocional.

NERD quando encontra NERD, se restrigem a falar língua criptografada na gíria informata. O próprio sistema de contagem do NERD é obsessivo- compulsivo: 100011101010001111010001, causador da dualística NERD do claro/escuro, dor/prazer, quarto/rua, virtual/material, ficção científica/realidade, o que faz dele um sujeito avesso aos meios termos: ou é tudo, ou nada, branco ou preto, jamais bronzeado.

O reconhecimento da espécie NERD é obtido seguindo-se um script fenotípico bastante simplificado:
- Adoram tecnologia, ficção científica, história em quadrinhos, rock progressivo, solidão, lugares desertos, fenômenos climáticos severos, desertos e espaço;

- Têm extrema dificuldade em entabular uma conversação “normal” com uma mulher, um pavor típico de NERD, devido à incapacidade de entabular conversações fora de FC, programação, criptografia, computação quântica, algoritmos, caos, buracos negros, fractais;

- O NERD é programado geneticamente para lançar anticorpos contra o extrato de realidade da vida comum e corrente, ele nem se imagina mergulhado numa coisa destas, o que seria um suicídio psicológico de funestas conseqüências;

- O NERD odeia o cipoal familiar e tudo que ele implica em termos de perda de tempo e relações sentimentalóides. Quando alguém consegue arrastar um NERD para um enterro, ele pensa convencer os presentes com sua cara posadamente neutra e compungida, quando na verdade todo mundo lê na sua testa que ele vai se aproveitar da primeira deixa para sumir dali e voltar correndo aos seus assuntos crucialmente importantes;

- O NERD é um incorrigível paranóico de nascença que tem a absoluta certeza de que todos o acham estranho no ninho.

O NERD não sabe, mas todos nós sabemos, que a sua paranóia é plenamente justificada num mundo competitivo em que as formas físicas atléticas e os rostos torneados são IN, um NERD com a cara carcomida pela ACNE, portador de um corpo arredondado formatado pelo rigoroso sedentarismo imposto pelas incontáveis horas na frente de um computador, é definitivamente OUT.

Você pode até aceitar um NERD para consertar o seu computador, mas nunca vai concordar em tê-lo como seu genro. C’est la vie meu chapinha, o mundo talvez não esteja preparado para casar as suas filhas com NERDS autistas.

Referências
NERD segundo a Wikipedia
NERD na Super Interessante
Citação NERD do início da página

NERD, tecnologia, digital, síndrome de Asperger, computador, sistema binário

21 de jun de 2008

Um fenômeno de heterônimos?


Heterônimo, antes de apelido são pessoas habitando dentro da pessoa, como no exemplo famoso: o poeta português Fernando Pessoa, que poderia ser chamado de Fernando “Pessoas”, tão grande foi o número de personalidades a lhe habitarem o interior.

Quando conheci Pessoa, não imaginava se tratar de uma das pessoas, Alberto Caeiro – o viajante das estrelas, Ricardo Reis – o erudito, Álvaro de Campos – o prolixo, ou Fernando Pessoa – O Fingidor, que fingiu tão completamente, que chegou a fingir que era dor.

Por minha parte, também tenho meus heterônimos, interna corporis nominados, executores da minha literatura, e por vexo escandidos. Porém, existem autores menos vexados e mais brilhantes que dão muitos panos à manga ao deixarem caminhar à luz do dia seus heterônimos. Estou falando especificamente de um comentador deste blog, que em aqui chegando à larga voz, encomendou incontinenti um texto ao seu escritor Korso Asclepius.

A partir daí adentrei um enredo literário instigante, acreditando piamente que havia conhecido Bruno Guedes e 4 escritores associados, ou melhor, cinco cavaleiros de uma associação literária inspirada num rotundo mamífero subterrâneo chamado toupeira. Falando em toupeira, porque você acha que estou traçando paralelos entre as pessoas do Fernando e as toupeiras do Bruno? Simplesmente porque é uma questão do Karma do carinha declarante em alto e bom som: “Eu não tenho praticamente nada a ver com poesia, logo não devo fazer parcerias com sites de poesia.”

Então, um cara que nada tem a ver com poesia, mas que se socorre de tantas Pessoas Interiores quanto um certo poeta Fernando, há que admitir que o recurso de soltar heterônimos por aí certamente tem seu apelo poético. Um dos meus heterônimos anônimos, que escreve poesia escondido numa garagem um tanto ressentido contra toupeiras auto-confessamente antipoéticas, em encarecimento à poesia heteronômica implícita ao ato de heteronomizar, reconhece que há mais formas de poetizar do que a audácia de deitar em papel meras linhas egóico-transgressoras.

Seguindo a minha natureza crível, no princípio acreditei em toupeiras como sendo figuras autônomas sendo-aí-no-mundo, até que a crença caiu por terra. Deixei de acreditar tanto no Papai Noel, quanto em Toupeiras Sapiens Sapiens. A razão, por certo foi uma engenhosa resposta à minha pergunta, bastante para implodir a minha esperança na possibilidade da existência de um blog pilotado por 5 inteligências paradoxalmente harmônico/criativas e egocêntricas, um milagre da história cooperativa bom demais para ser verdade.

Para terminar este artigo, nada mais justo do que recorrer à tentativa de auto-definição do fenômeno Fernando heteronímico Mestre:
“Não encontro dificuldade em definir-me: sou um temperamento feminino com uma inteligência masculina. A minha sensibilidade e os movimentos que dela procedem, e é nisso que consistem o temperamento e a sua expressão, são de mulher. As minhas faculdades de relação e inteligência, e a vontade, que é a inteligência do impulso – são de homem.”

Referências:
As Pessoas do Fernando
As Toupeiras do Bruno
Livro “O Pensamento Vivo de Fernando Pessoa.”

Heteronímia, en passant Heidegger, BLOG, Fernando Pessoa, en passant poesia

20 de jun de 2008

Como mudar o tamanho de fotos digitais?

Uma das dúvidas mais frequentes dos usuários é sobre a manipulação e a impressão de fotos. Para começo de conversa, vamos supor que você esteja usando o Paint.NET, um programa bem simples que tem alguns recursos bem avançados.

Quando a foto é carregada no Paint.NET, no item do menu Imagem Redimencionar aparece algumas características fundamentais da foto: resolução e tamanho. Se uma foto digital é impressa num tamanho acima do que a sua resolução permite (veja a foto abaixo), sai uma impressão horrível, um borrão.

Por exemplo: a maioria das imagens de sites é publicada no tamanho de 300 x 400 pixels, na resolução de 72 pontos por polegada, o que permite a impressão de no máximo 10 x 15 cm. Se o usuário quiser imprimir uma imagem em A4 (29,7 x 21 cm), vai estourar a resolução e a imagem vai sair cheia de serrilhados e quadradinhos, que são os pixels que se tornam visíveis.

A maioria das máquinas fotográficas digitais é capaz de gravar fotos com qualidade de 3264 x 2448 pixels, na resolução de 180 pontos por polegadas, o que permite uma impressão do tamanho de 46 x 34 centímetros, ou seja, teoricamente o tamanho de uma folha A3 com qualidade razoável. Teoricamente porque num próximo artigo vão ser discutidas as limitações do formato JPG, significando que TODO arquivo JPG contém perdas irreparáveis de qualidade.

Como alterar o tamanho sem perder a qualidade?

O grande motivo para a redução do tamanho é o envio de fotos pela Internet, a publicação em sites e apresentações. A regra de ouro das conversões é: não adianta aumentar a resolução de uma foto para melhorar a qualidade, isto não vai funcionar. Se você tem um arquivo pequeno e de baixa resolução, não tem o que fazer para trazer de volta a qualidade perdida sem recorrer a sofisticados softwares profissionais, tais como aqueles vistos na série de televisa CSI.

Veja o exemplo da imagem abaixo, que foi reduzida para ficar menos “pesada” e depois ampliada. Há perdas consideráveis na qualidade, que é como a figura ficaria impressa no papel.

Sendo impossível devolver a qualidade perdida a uma foto, o nosso problema se resume a fazer a redução de tal forma, que minimize a perda de qualidade.

Obrigatoriamente, reduzir tamanho, resolução, ou aumentar a compressão sempre vai resultar em alguma perda de qualidade.

Para chegar ao tamanho desejado, o melhor é mexer simultaneamente nos três parâmetros de forma equilibrada. Não existe uma fórmula que sempre dê certo, pois cada foto tem que ser analisada em seus parâmetros. Se a resolução já está baixa, não adianta baixá-la mais ainda. O tamanho, quando for acima de 10 x 15 cm, pode ser reduzido. Para salvar em JPG, a taxa de compressão deverá ser alterada, obedecendo aos seguintes critérios:

100% - alta qualidade com compressão mínima;

90% - aumento de compressão, ainda preservando a qualidade;

80% - diminuição acentuada no tamanho do arquivo com algumas perdas na qualidade;

70% - neste nível de compressão, as perdas já se tornam perceptíveis e o balanço entre qualidade e tamanho do arquivo começa a ficar comprometido;

60% - deste nível de compressão para cima, as perdas de qualidade se tornam muito perceptíveis em termos de foco, distorção de cores e serrilhados nos contornos, se tornando utilizável somente em imagens muito pequenas.

JPG, fotografia digital, compressão, Paint.NET, editor gráfico, impressão, conversão

16 de jun de 2008

Que espécie de vírus é o Heur.Trojan.Generic?


Hoje, dia 16/06/08, recebi uma preciosidade. Um novo golpe da internet que estimula o usuário a clicar num link, que reporta ao domínio “http://emaildiversos.org”.

Como sou da área da informática e curioso, resolvi clicar no link para ver no que dava, mesmo sabendo que era uma fria. O site “emaildiversos” não existe, é apenas um nome de fachada que redireciona para o seguinte endereço “http://www.freewebtown.com/extrato1/relatorio.com”, ou seja, um site que tenta instalar o programa relatorio.com na máquina do usuário incauto.

Trata-se provavelmente de um cavalo de tróia, que foi denominado provisoriamente de Heur.Trojan.Generic pelo Kaspersky. Isto porque o antivírus Kaspersky que o detectou não tem ainda a sua descrição no seu viruslist, conforme informação constante no Blog Metacrawler.

O Kaspersky detectou um vírus que ainda não foi diagnosticado formalmente usando métodos heurísticos, ou seja, o programa detecta alguns comportamentos comuns a todos os vírus, que se repetem mesmo nos novos códigos espalhados no mercado.

Portanto, se você receber um email proveniente do seguinte endereço: Vivo Sac (pendencias@vivo.com.br), intitulado “pendencias financeiras” tenha muito cuidado e não seja maluco como eu, não clique nos links “detalhes” e nem no “Verifique Pendências”, porque é um email que espalha vírus através de uma mensagem alarmante que induz o internauta a crer que tem dívidas em alguma instituição financeira.

É importante ressaltar, que eu clico nos links dos emails suspeitos que recebo somente porque sou fuçador de informática e confio plenamente nos poderes heurísticos do Kaspersky, pois como este vírus é novo, outros antivírus poderiam passar e eu, ao invés de estar escrevendo um report, estaria narrando para vocês a minha trágica história.

A seguir, a íntegra do texto do email malicioso recebido:

Notificação

Prezado cliente,
Comunicamos que consta em nosso banco de dados várias pendências financeiras em seu CPF / CNPJ, das quais não foram quitadas nas respectivas datas de vencimento.
Dia 23/12/2007 No valor de R$ 987,00 Detalhes>>>
Dia 01/02/2008 No valor de R$ 1.980,30 Detalhes>>>
Pedimos a vossa atenção a este comunicado, pois, medidas legais serão adotadas, tais como a inclusão no Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) e Serasa.
Para sua segurança e praticidade e necessário baixar o arquivo do relatório de pendências.

Relatório de Pendências Financeiras Verifique Pendências
Se você efetuou a regularização, favor desconsiderar.

Vírus, trojan, kaspersky, heurístico, Heur.Trojan.Generic, relatorio.com

Inverno é tempo de engordar?


Chegou a estação do foundi, pizza, vinho, doces, chocolates e com ela a renúncia à dieta e aos exercícios. Nos estados do sul do Brasil, os meses frios são um convite ao recolhimento, ao abandono das caminhadas ao ar livre, ao esquecimento do problema das gordurinhas à mais, que vão começar a se tornar preocupação só lá em agosto, sob os primeiros algúrios da primavera.

O inverno, pelas suas características de clima inóspito, frio e desconfortável se torna uma verdadeira fábrica de produzir gordos. No entanto, o grande contra-senso para a saúde se dá quando no inverno as pessoas cessam os exercícios físicos, é justamente quando elas mais precisam de circulação periférica para evitar o fenômeno da decrepitude.

A minha esposa costuma dizer que o corpo humano é uma máquina criada para o movimento. Todo o processo de irrigação sanguínea se otimiza com o movimento e em todas as áreas do corpo que têm racionada a sua quota, entram em colapso e enrijecem.

Ora, o frio causa a contração das artérias e veias, ou seja, ele provoca a diminuição do calibre geral do sistema circulatório: quando você mais precisa de sangue para vencer o frio, mais o corpo encolhe os “canos” do sistema que, em última análise, espalham a vida pelo corpo. A contração não é um processo de autoflagelação inventado pela natureza para nos torturar, ela é resultante de um mecanismo de proteção contra as baixas temperaturas, porque é a única forma que o corpo encontra de manter maior quantidade de sangue quente circulando nos órgãos essenciais e mantendo a temperatura nos abençoados 36 graus característicos dos animais homeotérmicos. A diminuição da circulação periférica faz com que o sangue retornante ao centro do corpo perca menos calor, por ter circulado menos nas extremidades distantes e frias.

Como que impulsionadas pela natural contrição dos vasos sanguíneos e linfáticos, as pessoas se deixam cair mais facilmente na tentação da ociosidade. Elas se expõem menos ao ar livre, caminham menos e se movimentam menos, no afã de perder menos calor. Porém, o sedentarismo resultante cobra um preço alto demais: a decrepitude.

Todo o sedentário termina na decrepitude mais cedo ou mais tarde e a explicação é muito simples; a circulação periférica do sedentário passa a ser cada vez mais exígua, endurecendo cada vez mais as suas articulações. O simples levantar de uma mesa é uma tarefa árdua para o decrépito, quando suas juntas rangem e estalam, obrigando-o a elevar o tom dos seus gemidos de desconforto.

O sedentário caminha em passos curtos e incertos porque ele já não tem sangue em quantidade suficiente para irrigar as suas pernas e fazê-las entrar em funcionamento pleno. Então, o sedentário é um deficiente que morre aos poucos, de fora para dentro, começando pelo enriquecimento das suas extremidades e, pouco a pouco, se alastrando em direção ao centro da vida, ao músculo do coração, que é o último a perder a batalha para a preguiça e a falta de vontade de cuidar da própria saúde.

O exercício físico é o único antídoto conhecido para restaurar a circulação periférica. O desenho dos vasos sanguíneos é feito de tal forma, que eles são dependentes de movimento para ativar as inúmeras válvulas estaques que se encontram no seu interior. É por isso que quem se exercita, sente que o corpo inteiro esquenta principalmente as extremidades. No momento em que uma pessoa vence a preguiça e o desânimo e se impõe uma disciplina de não falhar nenhum dia a sua hora de exercícios, ela está propiciando irrigação ao seu corpo, está distribuindo vida a ele, que lhe retribuirá em saúde e bem estar.

Exercícios físicos, inverno, ociosidade, sedentarismo, vasos sanguíneos, decrepitude, saúde, dieta, emagrecimento

Como copiar DVDs no Vista?

Finalmente a tragédia se anunciou: a minha mulher quis que eu copiasse uns DVDs, estando eu com um computador e sistema operacional novos. Todavia, quando a esposa pede, é uma ordem e fui enfrentar o tigre com as mãos, ou melhor, tentar fazer com o Vista aquilo que eu fazia de olhos vendados no Windos XP.

Estive lendo por aí um pessoal falando de restrições do Vista a MP3, cópia de DVD, cópia de CD, etc. Tudo isto é MENTIRA, a única coisa é que, devido à falta de drivers, você tem maiores dificuldades de fazer um programa escrito para o Windows XP acessar diretamente o hardware, tipo gravar um DVD no menu do programa DVD Shrink.

O meu computador veio com o Roxio Creator Premier, e analogamente ao Nero, ele não consegue copiar DVDs protegidos. Então procurei um programa que quebrasse a encriptação dos DVDs e funcionasse n o Vista. A minha primeira alternativa foi o DVD Decrypter. Achei o programa na Internet o baixei. Ele funcionou perfeitamente no Vista e gravou a estrutura do DVD num diretório VIDEO_TS com o VOBs.

A minha segunda dificuldade é que o Roxio Creator não lê diretamente os arquivos de DVD, ele aceita somente arquivos de imagem .ISO. Porém, eu tinha uma dificuldade adicional, o tamanho do DVD extrapolava os 4,5 Gb dos DVD-Rs virgens, então eu tinha que fazer uma compressão para fazê-lo caber. A solução foi apelar para o velho e querido DVD Shrink, que funcionou plenamente no Vista, exceto gravar diretamente o DVD através da sua interface, pois ele usa o Nero para fazer isto, coisa que ainda não instalei.

A dica é usar o DVD Shrink para gerar um arquivo de imagem .ISO – Quando se tem a imagem, qualquer programa que tenha vindo no seu Vista serve para passar queimar o DVD. Como eu tinha dois DVDs: o primeiro eu queimei usando o programa CDburnerXP e o segundo usei o próprio Roxio Creator.

A vantagem de usar o CDburnerXP no Vista é que ele consegue ler diretamente os arquivos gerados pelo DVD Decrypter. Quando não for preciso fazer compressão, o que infelizmente ele não faz, é só ler o DVD com o DVD Decrypter e usar o CDburnerXP para gravar o DVD e pronto. O processo fica quase tão simples como no Windows XP, sem a complicação que o povo técnico tenta botar em cima do Vista.

Referências: DVD Decrypter, DVD Shrink, CDburnerXP
Como copiar DVD’s usando o DVD Shrink?

Imagem ISO, DVD Shrink, DVD Decrypt, Windows Vista, Windows XP, CDburnerXP, Nero, Roxio Creator Premium, cópia, mitos do Vista,

15 de jun de 2008

Qual é o melhor editor gráfico simples e gratuito?

Este artigo tem o objetivo de responder àqueles que necessitam fazer pequenas modificações em suas fotos e não podem, ou não querem, ou não sabem lidar com programas gráficos “porradões” e pesadões do tipo PhotoShop, ou não tem computador parrudo suficiente com toneladas de memória RAM para rodar os corpulentos editores gráficos usados pelos designers.

A solução para todos estes males vem com o substituto do Paint Brush do Windows: o Paint.NET em português do Brasil (veja o link nas referências). Apesar do Paint Brush permitir algumas coisas em termos de conversão, ele é muito tosco para outras, tipo redimensionar uma foto para o tamanho em centímetros que você quer e várias outras facilidades que o Paint Brush não tem e que foram desenvolvidas pelos criadores do Paint.Net. Eles partiram da idéia inicial do Paint Brush do Windows, ou seja, a de um programa simples, leve e fácil de manusear e acrescentaram funções importantes que a Microsoft nunca implementou no seu programa, tais como redimensionamento de fotos e edição em multicamadas.

Eu uso o PhotoShop, Corel Painter, Inkscape, Paint Brush, e o programa nativo da minha câmera Canon, o ZoomBrowser EX, mas os meus pequenos galhos de edição de fotos e gráficos, eu sempre recorro à simplicidade de uso de Paint.NET.

Ao se consultar os fóruns sobre programas gráficos, algumas perguntas são freqüentes, demonstrando que as dificuldades dos usuários nesta área são imensas, leiam as perguntas típicas:

- Qual o programa bom para mudar o tamanho das fotos? Como mudo o tamanho das fotos para impressão em 10x15?

- Como faço para converter minhas fotos para outro formato?

- Como posso fazer uma montagem de várias fotos em diversos planos?
- Como modifico uma foto para tirar uma pessoa?

- Como recortar a foto de uma pessoa e colocá-la numa paisagem de fundo?

- Como melhorar a qualidade de uma foto, alterando contraste, brilho, intensidade das cores, etc.

Todas essas necessidades e muitas outras são supridas por um programa tão simples como o Paint Brush, porém que conta com recursos extremamente avançados só encontráveis no PhotoShop, tais como a possibilidade de trabalhar com várias camadas (multi layer). E o melhor da história é que ele é completamente gratuito, freeware, você baixa diretamente do site fabricante e não precisa registrar, ou conseguir licença ou serial, é só instalar e pronto. Estou usando-o no meu novo computador DELL 720XPS com o Vista Premium, e ele se mostrou inteiramente compatível com o Vista.

Referências: Site de download do Paint.NET eles oferecem a opção do programa na língua Portuguesa do Brasil!
Como usar o Paint Brush

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14 de jun de 2008

Quando formatar o HD é a única solução?


No artigo anterior sobre o assunto, eu trouxe à cena algumas situações em que a formatação não é absolutamente necessária, mas que os técnicos preferem-na porque eles não dispõem de tempo para se dedicar a trabalhosos reparos, sem garantias de que realmente vão funcionar.
Porém, mesmo para os usuários que fazem as próprias manutenções, às vezes a formatação é a única saída, devido à problemas incontornáveis. Eis alguns deles:

1) Erros de disco: um problema comum com os discos rígidos é apresentar erros de acesso físicos causados por irregularidades, devido ao uso, na sua superfície magnética. Quando o Sistema Operacional começa a exibir mensagens de erro de leitura ou gravação – não tem jeito – a formatação é a solução, porque com a formatação o SO vai fazer uma marcação lógica dos BDs (bad sectors), o que impedirá que eles sejam usados quando o sistema for reinstalado;

2) Windows crackeado sem atualizações: peguei o laptop de um cliente que não funciona mais o teclado e o mouse quando roda o Windows XP. Não é problema de hardware porque quando o XP é inicializado em modo de segurança, tanto o teclado, como o mouse funcionam normalmente. O problema é que este cliente já comprou o laptop com Windows Pirata que nunca recebeu atualizações. No momento de comprá-lo os picaretas vendedores ofereceram duas opções: Ou um laptop com menos recursos e o Windows original, ou outro mais parrudo sem Windows. O cliente preferiu a última alternativa e agora o laptop ACER está parado enquanto ele não dá jeito de comprar legalmente o Windows, coisa que deveria ter feito há mais de um ano atrás;

3) Danos no sistema devido a vírus, spywares e outros bixos: alguns ataques de vírus são irreversíveis, quando eles comprometem partes importantes do S0, tais como o registro, seus arquivos e programas instalados;

4) Tempo de uso: computadores bastante usados, principalmente os de uso coletivo devem ser formatados uma vez por ano devido à degradação geral e aos problemas acumulados introduzidos pelos vários usuários, quando nem as limpezas e desfragmentações melhoram mais a performance geral.
Em chegando o temido dia do juízo final, ou melhor, da formatação total, o usuário comum não precisa temer, porque é uma tarefa possível de ser executada por qualquer macaco ensinado.

Veja o passo-a-passo:

1) Tenha certeza de que a BIOS esteja configurada para inicializar a partir do CDROM. Entre no programa de BIOS, se for American Megatrends, aperte a tecla DEL na inicialização e entre no item “Advanced Setup”. Configure “1ST Boot Device” para CDROM e o “2nd Boot Device” para IDE-0. Aperte a tecla F10 para salvar a configuração;

2) Insira o CD do Windows XP no drive e ligue o computador. Quando ele ler o sistema do CDROM, exibirá a mensagem “Aperte uma Tecla para iniciar do CD”. Aperte uma tecla qualquer e o sistema passará a iniciar do CD;

3) Depois do Windows carregar toda a tranqueira dos drivers e pedir a confirmação da licença, você será solicitado a Instalar, Reparar ou Sair. Escolha Instalar e no próximo passo o Windows solicitará o que você vai querer fazer com o HD. O sistema vai apresentar as informações de HD mostrando as opções Instalar, ou Excluir a partição. Escolha a “Excluir a Partição” apertando a tecla D. Depois da confirmação e a partição excluída, você deverá criar uma nova partição, apertando a tecla “C”. Escolha o tamanho total do HD para destinar ao Windows.

4) A próxima tela vai apresentar quatro opções de formatação: as duas primeiras são de formatação rápida, que você não deve escolher, porque a formatação rápida não faz o mapeamento dos setores ruins (bad sectors). Escolha o sistema de arquivos NTFS com formatação completa e espere até completar o processo. Depois o HD estará pronto para receber o SO e o processo de instalação decorrerá normalmente.

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O que é a Teoria da Relatividade Restrita?

Poucas pessoas no mundo dominam o pesado arcabouço matemático por trás da Teoria da Relatividade de Albert Einstein. Contudo, mesmo nós, fora do círculo restrito dos capazes de contemplar a beleza estética das equações, fomos profundamente afetados pela revolução relativística, já que a percepção de um espaço e tempo fixo foi completamente implodida. Doravante, depois de Einstein, estava inaugurada a era da incerteza.

Em 1905 um jovem desconhecido chamado Albert Einstein publicou cinco artigos que mudaram a física. A teoria da relatividade destruiu o espaço e o tempo absolutos, que haviam caracterizado a física moderna desde os primórdios da ciência com Galileu Galilei. A Teoria da Relatividade Geral revogou a cosmologia moderna, o universo estático e infinito foi substituído pelo universo finito e em expansão, que viabilizou da teoria do Big Bang. A mecânica quântica eliminou o princípio da casualidade imperativa, sobre o qual foi fundamentada a representação determinista.

A revolução científica do século XX mudou a nossa representação da natureza e os pressupostos epistemológicos sobre os quais se assentavam a Razão moderna da civilização ocidental. Einstein desempenhou um papel de protagonista em tal revolução, mesmo que mais tarde tenha ficado profundamente desagradado com o rumo probabilístico tomado pela teoria quântica, apesar dele ter feito contribuições essenciais para torná-la viável.

Brincando de relógios e réguas.
O eixo principal da Teoria da Relatividade se assenta nas equivalências estabelecidas entre dois sistemas: um se encontra em movimento e em velocidade relativa constante, o outro é um sistema inercial determinado. Ambos são equivalentes e nenhum deles é hierarquicamente superior.

Einstein modificou as equações de transformação de Lorentz, convertendo-as em equações de transformação relativísticas, que permitem que uma a informação oriunda de um sistema inercial de referência seja traduzida em informação válida para o sistema em movimento. Para ilustrar empiricamente a realidade matemática contida em ditas equações, Einstein lançou mão da metáfora dos relógios sincronizados e das réguas rígidas aplicados a dois sistemas de referência k (em repouso em relação ao sistema k’) e k’ (em movimento uniforme em relação a k). Ou seja, o estabelecimento de relações matemáticas entre uma régua em repouso e outra em movimento.

A metáfora dos relógios e réguas conduz a um experimento mental que culmina na seguinte constatação, depois de aplicadas as equações de transformação de Lorentz:
A régua em movimento (em k’) se torna mais curta do que a mesma régua deixada em repouso, e será tanto mais curta, quanto mais rapidamente se mova. Se o sistema de coordenadas de Galileu Galilei fosse usado, não se obteria um encurtamento do tamanho, causado pelo movimento.

O mesmo fenômeno ocorre simetricamente em relação ao tempo. Devido ao movimento do sistema de referência k’, o relógio avança mais vagarosamente do que no sistema em repouso. A velocidade da luz representa o limite máximo de velocidade do sistema em movimento. Caso à mesma situação fossem aplicadas as equações de transformação de Galileu, a medição do tempo permaneceria inalterada, ou seja, o movimento não criaria distorções de ritmo dos relógios.

Assim, se deduz que o teorema de comparação de velocidades não é o mesmo para as físicas clássica e relativista. Segundo Einstein o sentido heurístico da teoria da relatividade pode se resumir a uma aplicação da transformação de Lorentz, levando em consideração o princípio da relatividade.

Resumo do enunciado da Teoria da Relatividade Restrita.
Então, em linhas gerais a Teoria da Relatividade Restrita pode ser enunciada da seguinte maneira: Toda lei geral da natureza tem que estar constituída de tal modo que possa ser traduzida em outra lei de estrutura idêntica, mediante a substituição das variáveis espaço-temporais x,y,z,t do sistema de coordenadas original k, por novas variáveis espaço-temporais x’,y’,z’,t’ de outro sistema de coordenadas k’, onde a relação matemática entre as quantidades com linha e sem linha são dadas pela transformação de Lorentz.

Sintetizando...
As leis gerais da natureza coadunam com a transformação de Lorentz.

Referências: Carvajal, Luis Enrique Otero, Einstein y la revolución científica Del siglo XX, Cuardernos de Historia Contemporanea, nº 27 (2005), Universidade Complutense de Madrid
Teoria da Relatividade Restrita

Albert Einstein, física, física quântica, Galileu Galilei, probabilística, espaço-tempo, física clássica

13 de jun de 2008

Por que o fracasso da educação no Brasil é um fato?

Eu assistia ontem o jornal da Rede Bandeirantes das 7:30 hs, quando os apresentadores apresentavam os produtos mais presenteados no dia dos namorados. O campeão absoluto foi o telefone celular seguido de outros itens, até que o apresentador perguntou para a apresentadora em tom de riso: - o que você acha que ficou em último lugar? Ela não soube dizer e ele respondeu: - o livro.

Então, este é o primeiro indicador do tamanho do fracasso; a popularidade do livro despencando a cada ano, e provavelmente empatando com a dos políticos.
O impacto do fracasso educacional já seria trágico, se ficasse restrito à área da linguagem, ou seja, porque ninguém lê, quase ninguém consegue escrever. Porém, um povo burro não se limita ao assassinato da sua língua e à queima dos seus livros (como no episódio da queima do livro sobre o Roberto Carlos), ele ousa na infâmia e se torna indiferente à arte.

Para ilustrar a minha assertiva, trago à baila o recente episódio do roubo das obras de Di Cavalcanti e Pablo Picasso da Pinacoteca da Estação em São Paulo A reação do público segue o diapasão da absoluta indiferença de um povo que nunca aprendeu a apreciar obras de arte, porque nunca visitou um museu, porque o sistema de ensino lega ao estudante a mais absoluta indiferença pela educação artística.

O que faltava para sintetizar a incapacidade de escrita unida à leniência da apreciação artística? Encontrei o que procurava plasmado numa pergunta formulada no site Yahoo!Respostas sobre o roubo da Pinacoteca.

Cito o texto integralmente, com seus erros de ortografia, acentuação, concordância, etc., como uma amostra grátis do que se transformou o ensino neste país:

Pergunta:
“Você é do tipo apreciador de arte, e acha uma lastima ter sido roubado aqueles quadros??
ou você nem liga?? Sua opiniao ok?? Eu na verdade nem ligo, pois pra mim são rabiscos, essa é minha opiniao, sei q tem gente q discorda, mas pode colocar a sua.”

Resposta:
“Nem ligo também... Mas respeito quem gosta, respeito os artistas, e sei a importâncias que as obras têm, mas por mim, não faz diferença.”

O que é um Di Cavalcanti e um Pablo Picasso para esta gente? Nada, apenas rabiscos de um passado esquecido, um legado cultural que pode muito bem ser destruído, sem que se chegue a mensurar a grande perda cultural por trás disso.

Tenho pena dos professores que comparecem todos os dias para bater cartão nas salas de aula, porque o trabalho árduo de vidas inteiras pode ser resumido na inutilidade do produto que se vê por aí – milhões de analfabetos funcionais incapazes de decodificar a mensagem de um parágrafo sequer de qualquer livro da literatura portuguesa.

Termino o epitáfio ressaltando que o tipo de greve menos impactante é a dos professores, porque quando eles cruzam os braços, ninguém nota a mínima diferença, pois é como se o seu trabalho não suprisse nenhuma necessidade imediata, nem futura.

Educação, recepção da obra de arte, professores, pinacoteca, Picasso, Di Cavalcanti

12 de jun de 2008

O que é filosofia?

Ou, como responder esta pergunta sem cair no filosofêz?

Filosofia, ao contrário do que todos pensam não é um assunto exclusivamente da alçada dos filósofos, mas também não é verdadeiro que todos filosofam. O único ser vivo que tem duplo aspecto é o ser humano: biológico e gnosiológico (conhecimento) e a filosofia tem a ver com o conhecimento. Além de ser animal por natureza, o espécime humano aprende ao longo da sua vida os saberes culturais para interagir em sociedade. Cada ser social não se reduz às suas aptidões meramente biológicas de sobrevivência e reprodução, porque ele tem que aprender constantemente outros fazeres que lhe capacitem à interação social, tais como ler, escrever, dirigir carros, cantar, viajar, trabalhar, consultar terminais eletrônicos de bancos, apreciar arte, etc.

Para fins ilustrativos, o aspecto do conhecimento pode ser subdivido em três dimensões: senso-comum, moral e especulativo. A maioria das pessoas toca tranquilamente as suas vidas, carreira, sucesso, dinheiro, diversão, sem precisar socorrer à dimensão do conhecimento especulativo.

Antes de responder a pergunta principal, já estamos às voltas com uma outra que nem sequer foi formulada, mas talvez seja a mais importante: para que serve a filosofia? Ora, para nada, já que a maioria das pessoas dá conta de todos os desafios existenciais usando somente o senso comum e a moral. Para que a argumentação seja esclarecida, torna-se necessário definir os termos usados neste texto:

Conhecimento de senso-comum: É o conjunto dos conhecimentos aceitos por todos. Nele então a sabedoria de todas as profissões e ofícios, os conteúdos científicos formais, enfim, todo o patrimônio humanístico, científico, cultural e pessoal criado e pertencente à humanidade. Resumindo, a acepção abordada neste texto concebe o senso-comum como todo o conhecimento funcional, aquele que serve para alguma coisa. É, em última análise, o conhecimento que transformou a antiga sociedade agrária e rural do velho regime na sociedade tecnológico-industrial de consumo dos dias de hoje.

Conhecimento Moral: Representa um avanço em relação ao senso comum, já que ele julga o senso-comum emitindo juízo de valor. Assim, como as pessoas não conseguem viver socialmente sem o senso-comum, elas não vivem sem definir constantemente o que é certo e o que é errado. Esta é a maior crítica que se faz à Filosofia Medieval, acusam-na de ter retrocedido a uma filosofia moral, depois de a filosofia pura ter avançado imensamente na antiguidade grega. Assim, pertencem ao universo da moral as religiões, credos, relações pessoais, relações sociais, a arte, a função da ciência, a política, etc.

Para se ter uma idéia da importância da dimensão moral, ela preenche a maior parte da vida das pessoas, pois mesmo aquelas que têm um pouquíssimo nível de instrução formal, vivem submersas no universo moral das suas relações familiares e sociais próximas. Onde quer que haja o mínimo vestígio de associação entre seres humanos, a moral se estabelece como intermediadora de conflitos e como definidora do mérito das ações. O imperativo categórico da convivência social é o julgamento do agir; toda e qualquer ação é julgada boa ou má, tanto pelo próprio indivíduo, como pela coletividade, e disso ele não se livra até a morte.

Conhecimento Especulativo: É o mais inútil dos conhecimentos e rigorosamente não serve para nada. Não obstante a maior parte dos seres humanos nunca chegar a precisar dele, ele é a fonte de tudo que foi produzido de senso-comum e moral. A dificuldade do entendimento do que é filosofia se deve à dificuldade dos filósofos em se fazer entender pelo público não afeito às coisas não funcionais.

Especular significa pensar. Ora, as duas dimensões anteriores também exigem pensamento, então não é o bastante para a filosofia. A complicação da filosofia surge quando se torna claro que não basta pensar para filosofar, é preciso pensar sobre o pensamento. Então são rigorosamente estabelecidas duas entidades: o ser que pensa e o ser pensado, sendo que os dois são um só.

A primeira questão que o pensador faz sobre o pensamento é sobre a origem do ser que pensa. A filosofia nasceu quando foi formulada pela primeira vez a seguinte questão: o que é o ser? É o ser pensante, tomando consciência de si mesmo, se perguntando sobre seu próprio ser. Isto é simultaneamente a essência da filosofia e da inutilidade, pois respondê-la satisfatoriamente nunca foi possível e porque até hoje as grandes questões filosóficas continuam em aberto.

No entanto, um punhado de filósofos especula, alçando vôo além das dimensões sensíveis do senso-comum e da moral, perguntando e criando engenhosíssimos conceitos para responder, sem chegar nunca à resposta definitiva, à verdade. Para quê? Eu disse anteriormente que a filosofia não é uma atividade funcional e permanecerá assim enquanto algum pensador continuar perguntando sobre o ser.

Filosofia, ser, verdade, senso-comum, moral, especulação

11 de jun de 2008

O que é crise?


Desde que eu me conheço por gente, a palavra crise ocupa as cabeças das pessoas, estrategistas, educadores, cientistas, governantes, etc. Uma crise se sucede à outra interminavelmente, quem lê a Revista Veja no domingo, dificilmente pode acreditar que o Brasil esteja em pé na segunda-feira, mas quando o cartão-ponto é batido pontualmente às 8 horas, lá está o Brasil firme e forte, impávido colosso que avança apesar da eterna crise a ameaçar as suas fundações.

E não só o gigante adormecido está em crise, cada um na sua vida pessoal enfrenta a crise dos 15, dos 20, dos 30, dos 37, quando a pessoa se dá conta que vai chegar inexoravelmente aos enta, dos 40, dos 47, quando surge a consciência de que os 50 são inevitáveis, dos 50, quando a pessoa começa a achar que o pessoal de 60 não é tão velho assim, dos 60, dos 70, dos 80, quando a pessoa acha que todo mundo é mais jovem do que ela, dos 90 e dos 100, quando o simples ato se equilibrar sobre duas pernas é uma tremenda crise.

O resumo da ópera é que todos nós sempre estamos em crise, porque se a palavra pudesse ser resumida numa só, ela seria “presente”. Ora, o físico Ilya Prigogine define os seres vivos como estruturas dissipativas, significando que cada corpo vivo longe de ser uma coisa é um processo, em que cada célula é constantemente descartada, assim como cada molécula e átomo. Ao cabo de alguns dias, apesar de não guardarmos nada da matéria do que fomos, “algo” sobrevive à mudança contínua, algo que se pode definir como o eu ou figura que remanesce da permanente extinção da matéria.

Ao se compreender o homem como um vórtice de energia dissipativo, pode-se entender a razão da crise que perenemente formata a vida. Ao contrário do axioma de senso comum postulante da morte como única certeza, reclamo outra mais universalizante: a certeza da crise em vida enquanto ela existir. Ademais, pode ser que a morte não seja mais do que outra crise, que sobrevém quando o vórtice dissipativo deixa de girar, implodindo sobre si mesmo – a crise da morte pode ser mais um ritual de passagem, ou seja mais uma crise enfrentada pelo ser, que sofre na vida e na morte as duas faces da mesma moeda.

Os seres humanos podem ser divididos em duas categorias: os que resolveram a sua crise fundamental e os que estão às voltas com ela. Na primeira categoria estão uns poucos que se entregam aos rigores das práticas da meditação, autoconhecimento e despertar da consciência e os restantes são os desistentes, viciados em drogas, álcool, etc.

Na categoria dos que estão no auge da crise se encontram eu e a torcida do flamengo, ou seja, todos aqueles que têm ambições de melhorias, lutam para dar certo na vida, querem ter sucesso, ansiam trabalhar no que gostam, querem ter filhos e se preocupam com o futuro, etc. Viver na roda viva da vida careta é viver a crise da insegurança, do sistema de saúde ineficaz, dos impostos escorchantes. É viver a crise da adolescência, da universidade, do primeiro emprego, da meia idade, da solidão, da velhice, da doença.

A verdadeira razão de eu estar escrevendo este texto é porque estou em plena crise de querer que ela seja lido e bem recebido pelos leitores. Vivo a crise da expectativa de que ele seja um sucesso e corro dois riscos, que igualmente desembocam em crise: o de penar a crise do fracasso, ou o de usufruir a efêmera crise dos louros da vitória.

Aforismo final: A vida pode ter solução (de continuidade), mas a crise não.

Crise, Ilya Prigogine, Revista Veja, estruturas dissipativas, vórtice dissipativo, adolescência

Como usar o Paint do Windows?


Ao lado do Bloco de Notas (notepad.exe), o Paint do Windows (mspaint.exe nas versões atuais e Paint Brush-pbrush.exe nas versões mais antigas), tem sobrevivido às mudanças da Microsoft no seu set de programas nativos. O motivo é muito simples, qualquer sistema operacional precisa ter um editor de textos TXT, um editor gráfico BITMAP (*), um editor de textos formatados RTF, um mapa de caracteres - e o nosso bom Paint tem servido muito bem para o "feijão com arroz" da área gráfica.

O editor gráfico do Windows nunca teve grandes sonhos de se tornar mais robusto, nunca se tornou multi-layer, não tem fundo invisível, não é bom para fazer montagem, não tem multiescalonamento de zoom, etc, e nunca teve maiores ambições do que ser um editor básico para computadores pelados recém configurados. Porém, no básico ele funciona maravilhosamente e, se bem aproveitado, pode fornecer serviços rápidos e descomplicados para quem está sem tempo.

Um exemplo de uso rápido: quando preciso imprimir uma partitura que está em formato A4 numa folha de tamanho Ofício, abro-a no Paint e aciono no menu o item “Imagem” --» “Alongar Distorcer”. No controle “Redimensionar vertical” coloco o valor de 125 % e pronto, a partitura estará pronta para aproveitar o espaço vertical a mais na folha de ofício, alongando um pouco a imagem tornando-a mais legível.

Outro uso clássico é a conversão rápida de formatos: você tem um arquivo BMP e quer transformá-lo em JPG, reduzindo o tamanho e customizando a compressão, tudo bem, o Paint faz sem muita complicação. Para alterar o tamanho da imagem, você vai usar o mesmo comando de redimencionar, só que usando o mesmo número tanto para a vertical, como para a horizontal – para valores abaixo de 100 %, a imagem vai encolher e acima, vai aumentar. Na versão do Vista desapareceu o controle de qualidade de imagem do JPG (define o tamanho do arquivo), mas nas versões anteriores ela existe.

O Paint, por ser um programa básico, chega a ser irritante se você quer um pouco mais de recursos e não pode, ou não sabe pilotar o canhão do Paint Shop. Para resolver as limitações que tanto irritam os usuários que querem um editor BITMAP básico, uns carinhas resolveram pegar o Paint Brush e dar umas turbinadas. Eles mexeram tanto ao longo dos anos que se transformou num novo programa chamado PAINT.NET.

Tudo o que você não conseguir resolver com o Paint, vai conseguir fazer com o Paint.net, eu uso os dois no Windows Vista, além de usar também a artilharia pesada do Photo Shop e do Painter X da Corel. O moral da história é que a robustez do programa gráfico não é o que importa e sim a imaginação do artista. Mesmo que você possa criar imagens belíssimas com o Paint, outros usuários não será mais capazes só porque são mestres em Photo Shop, nesta área tudo dependo do talento e talento não é coisa que dependa dos recursos do programa.

(*) BITMAP – É o formato gráfico que não trabalha com linhas geométricas e sim com um mapeamento de bits. No bitmap a tela é dividida em pixels como se fossem pequenos quadradinhos, onde os traços são definidos pela sequência de pixels “pintados”. É o formato mais popular que origina as terminações: BMP, GIF, PNX, TIFF, JPG, TGA, DDS, etc.

Programas gráficos, paint, Windows, photo shop, paint.net, jpg, bitmap, painter