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31 de jul de 2009

Darwin e as aplísias vinagreiras

Diário de Darwin1 Comentado - parte 5

aplísia esverdeada
Aplysia dactylomela Rang, 1828 (por Jorge Sousa Brito).

As aplísias ou lemas do mar são espécies de moluscos marinhos, belas e coloridas. Seu tamanho pode variar desde pouco mais de um centímetro até cerca de 40cm.Sua variedade é enorme e chega a atingir 3000 espécies diferentes.

Em seu diário, Darwin descreve a alimentação e defesa destes fascinantes animais, chamando a atenção para espécies que comem anêmonas e conseguem transferir os arpões urticantes integralmente para o seu próprio corpo, adquirindo uma proteção extra.

Para ler as impressões de Darwin consulte o artigo completo no Teliga.net.

Referência e leituras complementares:

1- Texto usado nas citações: Darwin, C., Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo - Vol.1, Nova edição, 1871. Abril Cultural. Companhia Brasil Editora, São Paulo, s/d.

2- Um artigo muito divertido sobre aplisias de Cabo Verde foi publicado no blog do Jorge Sousa Brito. Através dele descubra por que o termo aplisia é usado para designar parte da anatomia feminina.

3- Informações sobre cnidários e queimaduras causadas por águas-vivas podem ser lidas no blog do Guia Rio Claro 12 anos.

Partes anteriores: *1* *2* *3* *4*

Próxima parte: *6*

O pouso impossível do caça militar que voou sem asa.

Quem vê o vídeo pensa que é mais um daqueles fakes do YouTube, como este:

Vídeo Fake de pouso sem uma asa, em que foi usado aeromodelo e truncagens de edição.


Apesar de a Internet ser a terra de ninguém dos Fakes, nem tudo nela é falso. Para discernir a verdade da mentira é necessário que o internauta tome as devidas precauções confrontando as fontes e se inteirando do assunto.

O pouso de avião mais bizarro de todos os tempos aconteceu em 1983 e foi realizado por um manicaca* pilotando um F-15 da Força Aérea Israelense durante uma batalha aérea simulada chamada de “Dogfight”. A batalha consistia na luta de dois F-15 contra quatro A-4 Skyhawk.



Durante uma manobra evasiva o F-15 se chocou acidentalmente contra um dos Skyhawks, que devido à avaria catastrófica, começou a cair. Felizmente o piloto do Skyhawk se ejetou e caiu de paraquedas em segurança.

O mesmo não aconteceu com o piloto do F-15, que passou a enfrentar um comportamento animal da sua aeronave, girando loucamente e fora de controle. O problema é que o piloto não percebeu em nenhum momento que o choque com Skyhawk havia lhe custado muito caro: a asa direita fora decepada quase que inteiramente, restando um cotoco de 60 cm. O único indicativo de que havia algo muito errado, além do comportamento anormal do avião, era um rastro de fumaça branca que o piloto podia observar pela janela. Na realidade, o rastro estava sendo produzido pelo resto de combustível escapando do tanque da asa destroçada.

Nos instantes cruciais de descontrole o piloto quase apeou daquele cavalo doido durante 2 vezes e colocou a mão na alavanca de ejeção. Passado o perrengue, ele conseguiu assumir o controle do jato e passou a voar razoavelmente bem. Apesar do seu instrutor em terra ter imperativamente ordenado que o piloto se ejetasse, diante da ignorância do problema o manicaca preferiu fazer a coisa do seu jeito, ou seja, levar o caríssimo F-15 de volta ao ninho.

Quando se aproximou para a rampa final de pouso, o piloto intuiu que não poderia fazer o procedimento usando os padrões habituais de velocidade final, altitude, etc. Assim, ele fez o pouso no dobro da velocidade indicada pelo fabricante a cerca de 450 Km/h, quando a velocidade padrão é de 220 Km/h. Diante da emergência, o pessoal do controle da base aérea decidiu estender a rede de pânico no final da pista para tentar “pescar” o avião no caso dele “comer” a pista. Não foi necessário, já que o piloto conseguiu brecar o monstro veloz a apenas 10 metros da rede!

Somente quando saltou da cabine é que o piloto pode perceber o tamanho do estrago e a proporção da sua sandice. O resultado da sua façanha é que ele recebeu uma suspensão do seu instrutor e... uma promoção dos superiores por ter trazido a salvo o patrimônio de milhões de dólares da Força Aérea Israelense.

A fabricante do avião, a McDonnel Douglas, tinha poucas explicações para dar sobre o feito. Segundo a empresa, eles não conseguiram repetir algo semelhante nas simulações em túneis de vento. Logo, atribuíram a uma série de fatores o sucesso do vôo impossível:

- fuselagem do avião larga o suficiente para funcionar como uma pequena asa;

- este tipo de avião voa mais graças ao empuxo gerado pelo motor, do que pela força de sustentação gerada pela sua forma aerodinâmica;

- em nenhum momento o piloto deixou o avião perder velocidade, logo, ele continuou voando muito mais graças ao efeito “foguete” do que ao conjunto de leis aerodinâmicas que permitem o vôo aos aviões normais;

- o manicaca se revelou um piloto danado de bom além da conta. Esta aí o rapaz, com sua cara vitoriosa.
Em tempo: depois de consertado, o F-15 voltou à ativa na IAF (Israeli Air Force).

(*) Manicaca – no jargão aeronáutico é o alunão, aprendiz, aquele que está fazendo os primeiros vôos solo.

Leia também: O Segundo pouso mais impossível de todos os tempos [Blogpaedia]

Fonte: [StrangeMilitary]

30 de jul de 2009

Pequena Galeria dos Extremos.

A existência é o ato extremo de viver na corda bamba. Mergulhamos diuturnamente em direção ao poço do desconhecido rumo à morte certa, que mesmo não sabendo quando vai chegar, chegará cedo ou tarde. Diante disto, enquanto alguns aconselham a viver prudentemente para empurrar com a barriga o destino inevitável, outros pregam o caminho da ousadia em termos físicos e dispêndios financeiros e outros seguem isto ao pé da letra.

Extreme Body Modification.
Extreme Body Building
[Style Trash]
Desconfio que as práticas extremas de modificação corporal estejam associadas ao distúrbio psicológico chamado de auto-flagelação, tanto que uma técnica extremamente dolorosa de Tatoo, que não trabalha com tinta e consiste em abrir feridas com bisturi que vão dar origem a quelóides, se chama Scarification. Temos que elogiar a flexibilidade da orelha do rapaz!

Extreme Tuning.
Extreme Tuning
[ensor201]
Este carro um dia foi um Volvo C30? Como pouca coisa restou do desenho original, ele merece um lugar na galeria do tunings extremos.

Extreme Body Building.
8- Extreme Bodybuilding - Kim Harris
[Blogpaedia]
As provas internacionais de Fitness exigem corpos distantes do seu envelope natural, então surgiram os casos extremos de escultura corporal em que a pessoa se transforma literalmente em feixes de músculos intumescidos.

Extreme Overclocking.
Extreme Overclocking
[NexGenOverclocking]
Ventoinha é coisa para os fracos! Nos casos de necessidade de refrigeração extrema do processador, o pessoal torra muito dinheiro comprando botijões de nitrogênio líquido para deixar o “Core” do computador a -200 graus centígrados.

Extreme piloting.
Extreme Piloting
[English Russia]
As locações de um filme sobre acrobacias aéreas na Rússia exigiam que um jato de caça voasse sem o canopy. Então a produção contratou dois pilotos de elite que aceitaram a empreitada. Eles só poderiam fazer este tipo de vôo no inverno russo, que como é usual, tem picos de dezenas de graus abaixo de Zero. Durante o vôo o piloto conseguiu imprimir o dobro da velocidade do som a mais de 2.000 Km/h suportando um frio extraordinário e o ruído insuportável da passagem do vento. Para fechar com chave de ouro este vôo extremo, o co-piloto se ejetou em pleno vôo. Veja como as chamas dos foguetes ejetores se esparramam pela fuselagem do Mig russo.

29 de jul de 2009

Um pó capaz de fertilizar a amazônia

Diário de Darwin comentado - parte 4
bruma seca em Cabo Verde
Bruma seca em Cabo Verde1


Ainda em Cabo Verde, Darwin se impressiona com a atmosfera fosca, onde pairava um pó fino e impalpável, que chegou a causar certo dano aos instrumentos astronômicos. Quando analisou parte deste pó ao microscópio descobriu que o mesmo era repleto de protozoários de água doce.


Atualmente, sabe-se que esta bruma é carregada por um vento que provém do deserto e tem grande importância ecológica, pois pode chegar até a amazônia, influenciando a produção de plâncton.

conheça mais detalhes conferido o texto completo no Teliga.net

Notas:
1- Fonte da imagem da bruma seca em Cabo Verde. Bommar-casanova


Partes anteriores: *1* *2* *3*

Próxima parte: *5*

Novos sintomas dos viciados em Twitter.


1- A sua primeira ação do dia é olhar o Twitter.

2- 30 Unfollows estragam o seu dia.

3- Você ignora qualquer notícia que não tenha saído no Twiter.

4- Seu parceiro/parceira não aguenta mais seu papo monotemático, que versa adivinha sobre o que...

5- Seu Blog está morrendo de inanição porque o seu tempo e pautas são torrados no Twitter.

6- Quando um amigo(a) lhe dá Unfollow você sente que o perdeu.

7- Você mede o sucesso de alguém pelo seu número de seguidores.

8- O primeiro impulso diante de qualquer dúvida é perguntar no Twitter.

9- Você nota uma incrível coincidência entre seus surtos de enxaqueca e os baleimentos do Twitter.

10- Você acredita piamente que o #forasarney vai surtir efeito no mundo real.

11- Melhor ainda, você organiza pelo Twitter uma manifestação enorme contra a corrupção na política em plena Cinelândia no Rio de Janeiro e se espanta quando aparece meia dúzia de gatos pingados.

12- Você escreve involuntariamente #prontofalei nos memorandos do seu trampo.

13- A última imagem que você vê antes de dormir é a tela negra cheia de caracteres brancos do TweetDeck impressa na sua retina.

14- Ou melhor, se você tem terríveis dificuldades para dormir, então parabéns, seja bem vindo ao clube dos viciados em Twitter porque a maior queixa dos tuiteiros está justamente relacionada aos distúrbios do sono. Um deles chegou a se orgulhar num Tweet: “Dormir é para os fracos”.

Leia também:
Outros sintomas dos viciados em Twitter.

28 de jul de 2009

Confrontações entre M. C. Escher e os brinquedos.


O genial artista holandês Maurits Cornelis Escher não desenhou móveis, nem tampouco casas e muito menos brinquedos. Apesar de ter deixado poucas formas tridimensionais, tais como as esculturas entalhadas em madeira “Esfera com peixe” (1940) e “Poliedro com flores” (1958), sua vocação era brincar com a tridimensionalidade perceptual.
Esculturas de Escher
Esfera com peixe, Poliedro com flores.

Falei brincar? Pois graças aos modernos recursos do plástico e do Lego é possível tentar recriar as brincadeiras que Escher realizou no espaço bidimensional, transportando-as para o mundo real das três dimensões.
Escher Escada acima e escada abaixo
Reprodução em em Lego da litogravura “Escada acima e escada abaixo”.

Não sei até que ponto tais brinquedos são para gente grande, ou pequena, o que sei é que brincadeiras não tem idade e na medida em que você descobre mais e mais o universo escheriano, aumanta a sua fascinação pela forma pura que se entorta e se retorce.
Escher Relatividade
Reprodução tridimensional em Lego da litogravura “Relatividade”.

Vamos brincar de Escher?
Estes brinquedos são uma releitura das litogravuras originalmente bidimensionais de Escher transformadas em volumes e, através da confrontação entre as formas sólidas e as planas, é possível aprofundar a admiração que temos pelo Mestre das ilusões tridimensionais.
Escher Queda de água
Pequeno adorno de mesa que reproduz tridimensionalmente a litogravura “Queda de água”.

Escher Belveder
Como pode ser visto nesta montagem em Lego da Litogravura “Belveder”, alguns problemas técnicos de representação tiveram que ser resolvidos através de alguma engenhosidade, inclinando-se as colunas.

Referências:
As possibilidades das figuras impossíveis: instalações de Escher no mundo real. [Blogpaedia]
M. C. Escher. [Universidade de Lisboa]
Móveis que M.C. Escher teria desenhado. [Blogpaedia]

27 de jul de 2009

Sou José Ribamar, o Inimigo público brasileiro da vez.

Meu nome é José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, mais conhecido como José Sarney, porque sou filho de meu pai Sarney. Atualmente sou o inimigo público número 1 brasileiro, assim como o foram Renan Calheiros, P. C. Farias, Rogério Magri, José Dirceu, Juiz Lalau, Severino Cavalcanti, Marcos Valério, Naji Nahas, Collor de Mello, João Alves, Sérgio Naya, Ricardo Fiúza, Roberto Jefferson, Georgina de Freitas, Salvatore Cacciola, Carlinhos Cachoeira e inúmeros outros.

Quando falei que a crise não era minha, mas do Senado, poderia ter sido mais ousado e dito que a crise é verdadeiramente do Brasil, que teima em se limitar a odiar o inimigo público da hora, esquecendo-se da máquina que permitiu tudo isto. Hoje sou a cara para bater, amanhã será outra e assim sucessivamente como tem sido.

As coisas que fiz foram dentro das regras vigentes e meus detratores não querem atacar o cerne da questão, porque esperam serem eles os próximos a usufruírem os privilégios. Assim como os inimigos públicos anteriores, vou terminar caindo e serei substituído por alguém, porque ninguém quer mexer nas mordomias do cargo e sim na pessoa que se desgasta e tem seu filme queimado.

Um dia voltarei a ser mais um Ribamar na várzea e serei esquecido, mais uma página virada da história e talvez um destes opositores atuais tenha ocupado o meu posto de inimigo público número 1. Mais um Judas a malhar, mais um desafeto popular a cair e o ciclo continuará como se tivessem resolvido todos os problemas da pátria.

Hoje me acusam de todos os crimes, já que represento a maldade boa de ser odiada, mas os pleiteadores a meus sucessores, longe de discutirem formas de moralização do cargo, querem-no intacto para si com todos os seus adoráveis penduricalhos. Assim, vão-se os anéis e permanecem os dedos das benesses do poder, pois sempre haverá um inimigo público de plantão a ser malhado e queimado. Até quando? Não sei, sou só um José Ribamar, apenas a bola da vez.

10 Leis bizarras vigentes nas terras da Rainha.

Ao contrário da maioria dos países que possuem uma única constituição consolidada, o Reino Unido tem a sua carta Magna emanada em três níveis: leis escritas, decisões judiciais e as convenções constitucionais. Assim, uma parte do arcabouço regulamentador é baseado em usos e costumes, o que origina certas situações bizarras que, quando transportadas aos dias de hoje, causam frouxos de risos em que as lê.

O certo é que a modernidade deve ter varrido do mapa o cumprimento da maioria dessas leis pitorescas, exceto talvez, no tocante ao alivio fisiológico das mulheres grávidas e na proibição dos taxis de transportarem cadáveres e cachorros loucos...

1- Se você planeja passear em Londres com um cão com raiva (hidrofibia) e/ou um cadáver, então vá de ônibus, metrô ou bonde, pois é ilegal transportar cães loucos e cadáveres em táxis.

2- Na Grã Bretanha é proibido morrer nas dependências do parlamento. Portanto, se você está se sentindo mal, evite entrar no congresso inglês, pois o seu cadáver poderá ser preso.

3 – Se você colar um selo numa carta com a efígie de Vossas Majestades para baixo, corre o risco de ter a sua própria cabeça enfiada num balde, uma vez que isto é considerado traição a Vossas Majestades.

4 – De acordo com a lei de combate à sonegação de impostos de 1996, é ilegal omitir do fiscal fazendário qualquer coisa que ele queira saber, embora ninguém seja obrigado a dizer algo que o fiscal não tenha perguntado.

5- Na Inglaterra as mulheres grávidas podem aliviar suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar que lhes aprouver, praças, teatros, estabelecimentos comerciais, locais públicos e até, excepcionalmente, no quepe de um policial.

6- Todos os homens a partir de 14 anos são obrigados por lei a praticar 2 horas diárias de arco e flecha. O objetivo da lei é manter gente em condições de defender o reino em caso de ataque nuclear.
7 – Na cidade de Chester os galeses são proibidos de entrar antes do nascer do sol e devem deixar a cidade imediatamente após o crepúsculo. Provavelmente esta lei tenha algo a ver com seus hábitos barulhentos de cantar a plenos pulmões canções dos seus times de rugby enquanto se encharcam de cerveja.

8- É ilegal quebrar o ovo cozido pelo lado mais pontudo. Esta lei foi introduzida pelo rei Charles, que, no entanto, a desobedecia sistematicamente, uma vez que invariavelmente ele começava a comer seus ovos pela extremidade mais pontuda.

9- A cabeça de qualquer baleia que encalhe nas praias britânicas é de propriedade do Rei e a cauda é da Rainha. Caso da rainha necessite dos ossos para fazer espartilhos, é justo que ela use a parte da cauda, porque ao rei certamente caberá a cabeça.

10- Em Londres é ilegal chamar um taxi se você tiver contraído peste negra, ou se o seu cão estiver com raiva, ou carregando um cadáver, salvo se o referido cadáver tenha morrido no parlamento, pois neste caso ele deverá ser necessariamente conduzido à prisão.

Referências:
10 Crazy Laws From Uk [Purple Slinky]
Equívocos sobre a inexistência de Constituição Inglesa [Jus Navigandi]

26 de jul de 2009

De anticorpos a um Nobel de Medicina.

O que são os anticorpos?
São um tipo de proteína classificadas como imunoglobulinas, que se ligam específicamente a determinado antígeno. Elas são formadas em resposta a estímulos antigênicos.

Quando ocorre um estímulo antigênico?
Sempre que um organismo é invadido por outro organismo, por uma substância ou molécula estranhas ao organismo invadido. Ou seja, substâncias que não são reconhecidas pelo organismo constituem os antígenos e desencadeiam uma reação de defesa.

Que células produzem os anticorpos?
Qualquer célula que seja imunocompetente. Exemplos de células imunocompetentes são os Linfócitos B, que são atacados pelo vírus da AIDS.

As moléculas de anticorpos secretadas não são capazes, por si mesmas, de destruir os antígenos.
Apenas se ligam a eles e os marcam, tornando-os alvos de mecanismos de destruição como o sistema lítico do complemento (presente no soro sanguíneo) ou o de células fagocitárias. Assim, os anticorpos, além de reconhecer os antígenos, ativam sistemas capazes de eliminá-los.

As ligações entre antígeno e anticorpo são do tipo chave-fechadura pela sua especificidade.


Desse modo, há uma extraordinária heterogeneidades dos anticorpos ou imunoglobulinas
, que se relaciona com a diversidade dos antígenos. Ou seja, se o reconhecimento é feito pela ligação entre estruturas complementares de anticorpos e antígenos e estes últimos exibem enorme variedade de padrões estruturais, então o repertório de moléculas de anticorpos é potencialmente ilimitado.


A hipótese para explicar a genética dos anticorpos (de 1976) garantiu a Susumo Tonegawa o Nobel de Medicina de 1987. Ele elaborou uma hipótese que ia contra as ideias convencionalmente aceitas de que um gene sempre codificava apenas um polipeptídio e de que o genoma permanecia inalterado durante o desenvolvimento.

Seus experimentos o levaram a concluir que as cadeias polipeptídicas das imunoglobulinas são codificadas por diversos segmentos gênicos dispersos ao longo do cromossomo. Durante o desenvolvimento celular, tais segmentos são rearranjados de modo a formar um gene completo de imunoglobulina no linfócito B ativo.

Linfócito B
Quando formulou sua hipótese acreditava-se que havia cerca de 1.500.000 genes estruturais ativos no genoma humano. Apesar desse número estimado de genes estruturais ser enorme, ele era insuficiente, porque somente os anticorpos possíveis já o ultrapassavam e os genes deveriam dar conta de todas as demais proteínas presentes no organismo humano.

Após a conclusão do Projeto Genoma Humano, a hipótese de Tonegawa tornou-se ainda mais fundamental porque ajudou-nos a compreender como é possível que apenas 30 a 35 mil genes possam formar todas as proteínas do organismo humano, incluindo todos os tipos de anticorpos?

Atualmente, aceita-se que os genes dos eucariontes1 (como nós) são formados por diversos segmentos descontínuos, que podem ser interligados de várias formas alternativas. Desse modo, um mesmo gene pode produzir vários tipos de proteínas, algumas delas, inclusive, com funções antagônicas. Foram as explicações de Susumo Tonegawa que criaram o lastro teórico para essa compreensão da estrutura e funcionamento dos genes eucarióticos.

Susumo Tonegawa também respaldou a teoria de que a mutação é um importante diversificador somático dos anticorpos.

Por: Gladis Franck da Cunha.


Referência
:
HORTA, Maria de Fátima M. Nobel de medicina de 1987. Ciência Hoje, São Paulo, v.7, n. 39, p. 12-13, 1988.

Notas:
1- Organismos eucariontes são aqueles formados por células com núcleo. Os cromossomos eucarióticos são lineares e possuem genes estruturais descontínuos. Esse é o caso humano.

2- Fontes das imagens:
Brasil Escola; Luiz Meira; Marta Costa

Galeria da destruição dos Ecossistemas frágeis.

Quando se fala em Ecossistema, logo vem à cabeça a Amazônia e a Mata Atlântica, biomas gigantescos constituídos de árvores frondosas. Mas, o que acontece com os Ecossistemas menos glamorosos e nem por isto menos importantes?

Estes em todo o planeta estão relegados a um segundo plano por vários motivos, entre eles o menosprezo com que os governos os tratam e a dificuldade apresentada pelos gestores públicos em barrar a ocupação humana desenfreada, devido ao receio do ônus político.

Cerrados e Savanas.
Brasília e o Cerrado
Brasília foi construída em meio ao segundo maior bioma do país (ocupa cerca de 20% do território) numa época de preocupação ecológica Zero. Hoje, a região que abriga nada mais e nada menos do que as nascentes de todos os rios do país agoniza sob o fogo e a incúria política. As frágeis plantas que compõem o cerrado constituem a única barreira entre o coração do Brasil e o deserto.
Leia também: Brasília, o fracasso da Utopia Modernista.

Caatinga.
Caatinga
Apesar de ocupar 11% do território brasileiro, o bioma caatinga não está nos planos dos políticos nem traz votos nas eleições. Devido à nossa equivocada tendência de considerar este ecossistema pobre e de pouca importância biológica e financeira, nada tem sido feito para frear a sua destruição. Assim como o cerrado, a destruição da caatinga deixará como herança o deserto, então o sertão nordestino terá o seu status rebaixado de semi-árido para clima desértico. Estamos plantando hoje a semente dos futuros desertos brasileiros que ocuparão quase 40% do território nacional.
Mais detalhes sobre a Caatinga aqui.

Manguezais.
Mangue
Uma das áreas de contenção que separam a terra do oceano são as zonas de mangues. Infelizmente a omissão dos gestores públicos tem permitido que os mangues se transformem em lixões, ou sejam irresponsavelmente aterrados e entregues à voracidade imobiliária.

Praias.
Erosão marítma
Com o aumento populacional, o Brasil tem ocupado zonas de praia e manguezais que deveriam ter sido mantidas intactas, pois representam barreiras naturais contra os sazonais avanços do mar. Vários municípios brasileiros estão enfrentando graves erosões provocadas pela diminuição da faixa de areia, mas a culpa não cabe apenas ao aquecimento global e sim à falta de políticas efetivas de zoneamento costeiro que ponham um freio na especulação imobiliária predatória.

Recifes de corais.
Morte dos Corais
Os recifes de corais são resultado da associação simbiótica entre corais e microalgas fotossintetizadoras. O branqueamento maciço ocorrido, principalmente nos recifes a noroeste da Austrália são reflexo direto do aquecimento global, que causa a morte das algas zooxantelas. O problema da degradação dos recifes é que ele representa o substrato sustentador de inúmeras formas de vida marinha, que fatalmente também se extinguirão.
Maiores detalhes sobre Recifes de Corais aqui.

Banhados.
Banhado
Estes ecossistemas são as primeiras vítimas do processo de urbanização desenfreado. Por vezes é o próprio poder público que os utiliza para depositar lixo. No entanto, eles desempenham um pale crucial de mitigadores das cheias, além de serem habitat de espécies endêmicas.
Mais detalhes sobre Banhados aqui.

Permafrost.
Permafrost
As terras localizadas próximas ao círculo polar ártico fazem parte do Permafrost, que é constituído de solos congelados há milhões de anos. Como resultado direto do aquecimento global, estas terras estão derretendo numa velocidade impressionante e expondo a matéria orgânica (turfa) depositada no seu subsolo. Os cientistas não sabem exatamente a quantidade de óxido nitroso (N2O, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa) a ser lançada na atmosfera quando toda a turfa aprisionada estiver exposta. Um dos fenômenos mais impressionantes provocados pelo derretimento do permafrost é afundamento de casas e florestas no Canadá e na Sibéria.
Maiores detalhes sobre Permafrost aqui: Link 1, Link2.

Referência:
Conceituação de Ecosistema frágil: [Governo SP]

25 de jul de 2009

Tudo o que nós homens sabemos sobre as mulheres.

Era uma vez, um gaiato resolveu publicar um livro sobre este assunto e, para tanto, editou um volume ricamente encardenado, com capa dura e um monte de páginas. Os incautos que compraram a “peça literária” se sentiram logrados já nas primeiras páginas; todas em branco. Esta pilhéria reflete o quanto sabemos realmente sobre as mulheres, quase nada.

A dificuldade começa com a capacidade delas de tecer o mais requintado fingimento. Mulheres fingem desde o orgasmo ao humor e não só fingem, elas também esperam que adivinhemos suas expectativas mais profundas, como se tivéssemos uma espécie de 6º sentido apto a ler a alma feminina. Certamente que isto é um ledo engano, elas se frustram, choram e se sentem abandonadas, então disparamos a clássica pergunta do âmago da nossa ignorância completa:
- O que aconteceu?

Algum homem sábio que entendia um pouquinho as mulheres descobriu que elas operam em regime de multitarefa, enquanto os homens processam tudo em fila, uma coisa de cada vez. Talvez esta seja a dificuldade nevrálgica que nos impeça terminantemente de entendê-las, pois quando estamos indo, elas já estão voltando.
Mesmo diante das nossas dificuldades, a natureza manda que a maioria de nós case e conviva com mulheres. Assim, uma grande parte da vida de casado se resume em tentar decifrar o espírito feminino com a nossa perspicácia de toupeira:

- queimamos neurônios o ano inteiro para lembrar do aniversário delas, porque este tipo de esquecimento é considerado por elas como crime lesa majestade;

- quando estamos longe delas, sozinhos ou com amigos desfrutando de momentos ímpares de plenitude, devíamos botar uma pulga atrás da orelha e nos perguntar: será que tudo está legal lá em casa? Será que avisei a minha mulher onde estou? Será que não estou passando da hora? A situação clássica acontece inúmeras vezes: você chega em casa feliz e cantando como um passarinho e se depara com a sua mulher enfiada num canto com a cara inchada e vermelha de tanto chorar. Aí você descobre como faz falta uma pulga atrás da orelha;

- elogio: os homens definitivamente não tem aptidão para saber o timing certo do elogio. Ou eles disparam a coisa no momento errado, ou se omitem na hora certa. Devido à percepção altamente desenvolvida das mulheres, elas farejam um elogio insincero a dezenas de quilômetros. Portanto, jamais chame uma mulher de magra nem de jovem se você não está convicto da sua própria pureza de sentimentos. Com isto chegamos ao próximo mandamento mais importante ainda;

- não tente ser hipócrita e falso com as mulheres, porque vai se danar sempre. Meu chapa, saiba que elas estão anos luz à sua frente em matéria de detectar as mínimas inflexões da mentira na voz e os rastros deixados pela falsidade. Como rainhas da representação e do engano, elas nunca se deixam enganar facilmente, a menos que você seja o mais consumado canastrão da face da terra;

Neste ponto podemos chegar à brilhante resolução da seguinte pergunta:
- Quantas vezes você enganou uma mulher?
Resposta: tantas vezes quanto ela SE DEIXOU enganar, já que as mulheres, mesmo tendo a sua incrível perspicácia, fazem olho branco e ouvidos de mercador quando querem se deixar enganar. Já as mulheres que não aceitam de jeito nenhum cair nas falsetas dos homens, percebem moléculas de batom na lapela, nuances de perfume barato no corpo e o mais importante, lêem a culpa que desfigura o nosso rosto, entrecorta a nossa respiração e embarga a nossa voz.

Como responder cabalmente a pergunta do título?
Tudo o que sabemos sobre elas foi obtido sob a nossa condição de cegos andando em campo minado, quando menos esperamos somos sacudidos por explosões debaixo dos pés. E não é porque façamos sempre o papel de ovelhinhas indefesas. Nosso problema reside no fato de que, mesmo dentro da nossa sordidez, continuamos ingenuamente a pensar que podemos enganar seres que manipulam as nossas roupas, decifram os nossos hábitos, conhecem o tom da nossa respiração e percebem minúcias de insegurança na nossa voz. Veja que não estou falando de Deus, nem do Google, mas simplesmente das nossas amadas mulheres, sobre as quais descobrimos cada vez mais enigmas e jamais a chave definitiva que elucide todos os mistérios.

Fotos [Ball of Dirt]

24 de jul de 2009

Poder computacional da Apolo 11 versus IBM PC versão 1.0

Uma das máquinas mais famosas de todos os tempos é o computador digital de navegação AGC (Apollo’s Guidance Computer) do projeto Apolo 11. Graças a esta mimosa velharia informática pré-histórica concebida ao longo dos anos 60, o homem colocou os pés na Lua e fez história.

Contudo, atualmente há uma dificuldade ímpar de compará-lo com o que há hoje. Se fôssemos nos atrever a confrontá-lo com um iPhone, não teria sentido porque o abismo entre eles é tanto, que é como se tivessem sido fabricados em planetas diferentes.

Para podermos usar um padrão mais viável de comparação, temos que pegar algo mais contemporâneo ao AGC, talvez o IBM PC versão 1.0 lançado em 1981. Porém, uma década mais tarde, a diferença entre um microcomputador doméstico e o antigo computador espacial se tornou gritante: o PC tinha 8 vezes mais memória RAM do que o AGC.
AGC = 2 Kbytes XT= 16 Kbytes.

O PC nasceu com um processador Intel 8088 de 16 bits com a “bruta” velocidade de 4,77 MHz. O computador da Apolo era de 16 bits e operava com clock de 1 MHz. Nenhum dos dois tinha disco rígido, porque isto só surgiu em 1983 no microcomputador IBM modelo PC XT.

Software multitarefa em tempo real.
O sistema operacional trabalhava em realtime e tinha capacidade para processar 8 tarefas simultaneamente de maneira não preemptiva. Isto era uma novidade tecnológica absolutamente inédita naqueles tempos! Porém, havia um detalhe, naquela época ainda não tinha sido inventada a hierarquia de priorização de processos (processamento multitarefa preemptivo), ou seja, uma vez iniciada uma tarefa, mesmo que ela tivesse menor importância e pudesse ser processada mais demoradamente, o processador não tinha condições de rebaixar a velocidade do seu processamento, ou suspendê-la temporariamente.

Por causa desta limitação, durante o sobrevôo do módulo na Lua em direção ao pouso, o computador exibiu vários alarmes com o código “1201”, o que significava de estouro de buffer no computador AGC devido ao excesso de processos que a sua extremamente limitada capacidade computacional não tinha condições de processar.

A razão dos erros era muito simples, para garantir um pouso perfeito os responsáveis pela missão resolveram dirigir simultaneamente ao computador as informações das antenas dos três radares, duas normais de navegação e a de pouso. O imprevisto aconteceu porque esta situação nunca havia sido simulada na maquete da capsula instalada no centro de treinamento em Houston. O erro do AGC, não obstante ele não ter deixado de processar nenhuma informação, foi ter delongado o processamento, já que os dados que chegavam foram ficando na fila, o que gerou um atraso na entrada dos pontos captados pelo radar na superfície e o consequente avanço em relação ao alvo inicialmente previsto para a alunissagem.

Neil Armostrong e Buzz Aldrin foram obrigados a assumir o controle manual, só assim conseguiram manobrar o módulo lunar para um local propício de pouso. Se eles tivessem deixado as operações por conta do computador, teriam ido para a morte certa, direto para dentro da cratera de um vulcão, atulhada de pedras e relevo irregular.

Por incrível que pareça e com toda esta precariedade tecnológica no final da década de 60, por pouco a primeira tentativa da humanidade de pousar em solo extraterrestre não acaba se espatifando nas pedras devido à problemas de automatismo. Isto não lembra um certo vôo 447 que entrou voando mar adentro, uma tragédia talvez tivesse sido evitada se o Airbus A330 dispusesse de modo de vôo completamente manual?

Referências:
O computador mais antigo do mundo ainda operando, não está mais neste mundo [Blogpaedia]
Por que o Mainframe do Ônibus Espacial americano é um infame computador IBM-PC com apenas 1 megabyte de memória RAM? [Blogpaedia]
How powerful was the Apollo 11 computer? [DownloadSquad]
Build Your Own NASA Apollo Landing Computer (no kidding) [Galaxiki]
IBM PC [Guia do Hardware]
IBM PC [Wikipedia]

23 de jul de 2009

Os cantos e encantos de Cabo Verde aos olhos de Darwin

Diário de Darwin Comentado - PARTE 3Esta parte do diário descreve um pouco da natureza de Cabo Verde ao relatar a viagem que Darwin fez de Praia até Ribeira Grande, hoje Cidade Velha.

A atual "Cidade Velha" de Cabo Verde, já foi a capital do arquipélago, tendo sido a primeira cidade construída por europeus nos trópicos.

Além de surpreender-se com as características da vegetação que muda radicalmente de ressequida a verdejante com a primeira chuva ou à proximidade de um riacho, Darwin encantou-se com a alegria e espontaneidade da população local.

Para saber mais detalhes de Cabo Verde aos olhos de Darwin leia o texto completo no TeLiga.

Partes anteriores: *1* *2*

Próxima parte: *4*

Causas da infidelidade feminina e a gênese do corno manso.

Falar sobre infidelidade feminina pode ser interpretado como um viés machista, mas perante a obviedade quase genética1 da infidelidade masculina, a traição das mulheres é mais instigante por ser a única a sofrer reprovação unânime, tanto de homens, quanto de mulheres.

Em ambos os sexos o motivo essencial da infidelidade é logicamente a insatisfação com a relação em um ou mais dos seus vários níveis: sexual emocional, intelectual, social, afetivo, etc. Assim, por ser um assunto tão complexo e volúvel, torna-se necessário reduzi-lo a, digamos assim, motivações mais picantes e palatáveis.

Excesso de hormônios2.
As mulheres possuem circulando nas suas veias um determinado hormônio do grupo dos estrogênios chamado estradiol, responsável, entre tantas coisas, pela sensação de feminilidade e auto-estima. Segundo as conclusões de um estudo feito por uma universidade americana, mulheres que apresentam quantidades excessivas deste hormônio ficam mais insatisfeitas com seus parceiros, o que as leva a tentativas de compensação fora da relação monogâmica.

Resposta à infidelidade masculina.
Um alegado motivo deflagrador da infidelidade feminina é a incorrência no adultério como mera resposta ao adultério do marido. Este tipo de alegação oportuniza a pergunta: um ato justifica o outro?

Em busca do homem perfeito.
As mulheres que buscam o Príncipe Encantado podem ser portadoras do Complexo de Cinderela3, sistematizado pela psicóloga americana Colette Dowling. Como jamais encontram o homem ideal capaz de lhes trazer satisfação em todos os níveis, tais cinderelas tem a tendência de pular de galho em galho, naturalmente mediante traições.
Achei no Yahoo!Respostas uma preciosidade que sintetiza singelamente o Complexo de Cinderela:
“A maioria das mulheres quer tudo, homem forte, bonito, sarado, gostoso, bom de cama, rico, auto confiante, carinhoso. Só que nem sempre é possível juntar tudo isso num só homem, então muitas vezes procuramos em mais de um, aí nasce a infidelidade feminina. Vocês concordam amigas? Estou sofrendo desse mal.”

Mulheres fálicas.
Um detalhe difere as Cinderelas das mulheres fálicas, estas apesar de não desejar o príncipe encantando, não querem um companheiro, mas um servo. Este tipo de mulher é amiúde infiel porque o seu grau de exigência em cima do homem é incrivelmente voraz. Elas exigem e cobram sistematicamente tudo do homem, desde a virilidade mais exacerbada até a satisfação das suas mínimas vontades. Como nenhum homem sozinho tem condições de satisfazer plenamente as mulheres fálicas, elas pulam a cerca em busca do escravo perfeito.
Maiores detalhes sobre mulheres fálicas aqui.

Beleza física superdimensionada.
A famosa mulher capaz de parar o trânsito, o “mulherão”, dificilmente será mulher de um homem só, quando basta um aceno para que 50 pretendentes se prostrem aos seus pés. Sempre me pergunto o porquê da verdadeira pandemia de loiras lindíssimas descasadas. Será porque não encontraram pretendente à altura, ou foram chutadas pelos parceiros corneados?





Aparelho genital superdimensionado.

O órgão feminino precípuo para a cópula é a vagina, que tem as seguintes dimensões: tamanho, espessura, elasticidade e lubrificação. O tamanho não é a nossa questão, mas as outras dimensões. Sabe-se que espessura, elasticidade e lubrificação tem uma estreita relação com a quantidade do hormônio estradiol4, já que no decorrer da menopausa5 estas dimensões tendem a definhar. Ou seja, a menopausa é um fenômeno caracterizado pela diminuição drástica do volume excretado pelos ovários dos diversos hormônios estrogênios.

A gênese do Corno Manso.
Alguns estudos associam o superdimensionamento da espessura da vagina à maior tendência de infidelidade. Isto quer dizer que as “superfêmeas” possuidoras de altas doses de estrogênio e, por consequência, dotadas de órgãos sexuais incrivelmente aptos para a atividade sexual, são potencialmente mais infiéis? Tudo leva a crer que quem leva uma superfêmea para casa corre o risco de não privar de uma Sociedade Limitada, mas de uma S.A. Acredito que este tipo de mulher atraia o tipo de homem corno manso, aquele que, mesmo em face da infidelidade contumaz, não consegue dispensar os colossais prazeres da cama.

Referências:
1Infidelidade masculina tem causa genética [MDIG]
2Hormônio pode ser causa da infidelidade feminina [Cabeça de Cuia]
3Complexo de Cinderela [Terra]
4Sex without Estrogen can be dangerous [Canada Free Press]
5Menopausa [UOL]

22 de jul de 2009

Existe vida fora do cabelo pintado?

As análises sobre a sociedade de consumo são unânimes em diagnosticar que vivemos na era das aparências. Neste contexto, as pessoas valem mais pelo que aparentam do que por aquilo que são, resultando na superação da questão formulada pelo grande William Shakespeare; substituindo a clássica pergunta “ser ou não ser...” da filosofia por “parecer ou não parecer, eis a questão”.



Como resultado das modificações operadas na modernidade, os fatores de diferenciação social migraram das castas para os estereótipos. Um dos indicadores mais fortes de reconhecimento do tipo social é o cabelo. Apenas pelo cabelo você reconhece instantaneamente um Emo, Perua, Jeca, Nerd, Punk, Gênio, Funk, Bicho Grilo, Hippie, Skinhead, descolado, etc.
Evolução dos Cabelos

O apelo do cabelo tem tanta força, que em torno do tema foi construída uma rentável indústria estética que bombardeia incessantemente através da mídia a necessidade urgente das pessoas assumirem estereótipo certo pintando, cortando, alisando, encrespando, implantando, etc.

A estética do cabelo produziu conceitos bizarros, tais como aquele formulado pelo jogador Ronaldinho que confessou ter “cabelo ruim”. Ou seja, o padrão aceito socialmente é a priori caucasiano. Nos comerciais de TV vemos que todos deveríamos ter nascido com cabelos fartos, loiros e levemente ondulados. Todos nós deveríamos ter saído da prancheta de Deus parecendo uma Gisele Bündchen, o símbolo por excelência do estereótipo caucasiano mais valorizado no mercado?
Tudo o que você fizer no seu cabelo vai servir para te enquadrar num estereótipo. Quer parecer descolado? Deixe os cabelos grisalhos. Quer enlouquecer, deixe-os crescerem. O que aconteceu com Rafael Vanucci é profundamente enlouquecedor... e olha que ele ficou muito mais feliz assim!
Se os próprios homens são aguilhoados sob a ditadura capilar, sobre as mulheres a pressão estética é elevada à enésima potência. A compulsão anti-aging é imperativa em comandar as mulheres a encharcarem a cabeça em produtos químicos tóxicos e corrosivos que comprovadamente contém metais pesados, que provocam contaminação e alergias. A pergunta intrigante que este texto deixa às leitoras que sacrificam a sua saúde em prol do estereótipo que exige cabelos pintados é: será esta a única forma de permanecer bela?

Os fatos contradizem a voraz indústria dos cosméticos, pois pode existir beleza fora dos artificialismos das tinturas. Contudo, ter os cabelos grisalhos não significa renunciar aos cuidados imprescindíveis com a aparência. Um feliz exemplo de que pode haver luz no fim do túnel é dado pela modelo Cindy Joseph de 55 anos. O fato dela não ter renunciado à sua naturalidade grisalha, não a impede de trabalhar como modelo e estampar capas de várias revistas internacionais.
[More]

As mulheres que optam por desconstruir o estereótipo que associou indelevelmente cabelo pintado e jovialidade, passam a conviver com pechas menos glamurosas de intelectual, descolada, grunge e natureba. Aí fará a diferença entre manter o cuidado com os cabelos ou não, pois do contrário o povo não perdoa e dispara adjetivos desairosos tais como louca, desleixada, atirada, acabada, desmazelada, etc.

Para terminar, o flagrante de um belo exemplar de anônima beleza nevada que se assumiu e está em paz consigo mesma.

21 de jul de 2009

Agindo tal qual o Louco do Tarot!

O louco é representado por alguém que se move despreocupadamente sem notar que está prestes a cair em um abismo!

Uma situação muito semelhante está acontecendo atualmente em praias brasileiras, onde atratores luminosos usados em técnicas avançadas de pesca são trazidos pelo mar e por terem a inscrição MATERIAL NÃO TÓXICO são usados por várias pessoas como: formicida, bronzeador, óleo de massagem, remédio para dor nas juntas, inflamações e vitiligo.

Você sabe de onde vem a luz desses atratores?

Ela é o resultado da quimioluminescência, ou seja, resulta da reação entre diferentes substâncias químicas, produzindo outros compostos e liberando luz no processo. Nos bastões “virgens” estas substâncias ficam em compartimentos separados. Há uma ampola de vidro dentro do bastão, quando ela é quebrada as reações ocorrem até o momento em que não há mais reagentes, apenas os produtos.

Desse modo, estes bastões são concebidos para o DESCARTE, mas, ao chegarem à praia, são recolhidos para os mais diversos usos.

Pesquisadores da USP da equipe de Etelvino Bechara estão investigando vários efeitos dos compostos presentes nestes bastões luminosos descartados, que são nocivos à saúde, em especial dos ésteres do ácido clorossalicílico.

O efeito formicida ocorre pela analogia desses produtos com os ORGANOCLORADOS, que causam problemas reprodutivos, câncer e ‘cloracne’ (um tipo de cisto de pele que tem uma coloração escura).

Além disso, indivíduos expostos a altas concentrações de organoclorados podem desenvolver a “Porfiria”, que causa uma fotossensibilidade, de modo que, quando expostos à luz, ficam com a pele ulcerada.

A estrutura do ácido clorossalicílico é muito semelhante aos policlorofenóis, os quais são usados como herbicidas, biocidas ou conservantes da madeira. Por se acumularem em humanos e outros organismos, os policlorofenóis são proibidos em vários países, entre os quais a Alemanha, já que entre seus efeitos estão a mutação genética, câncer e desordens neurológicas.

Afinal, os bastões luminosos são ou não tóxicos?

Como ainda não há estudos específicos sobre os efeitos dos produtos presentes nestes bastões descartados, os mesmos são autorizados a ostentar na embalagem a afirmação de que não são tóxicos, favorecendo seu uso despreocupado por populações litorâneas, que, desse modo, ficam expostas, desnecessária e perigosamente a soluções que podem aumentar o risco de câncer ou desordens neurológicas.

Esse caso me fez lembrar o acidente com o Césio 147 em Goiânia, onde as pessoas se expuseram, despreocupadamente, à radioatividade de um material descartado indevidamente.

Por: Gladis Franck da Cunha.

Referências
BECHARA, E. J. H. et al. Atratores luminosos: poluição na costa brasileira . Ciência Hoje. São Paulo, v.43, n. 257, p. 42-48, março, 2009.

Fontes das Imagens de cartas do Tarot utilizadas: 1- Coaching do ser; 2- Retalhos de vida

Imagens de Inverno entre ângulos e cores esmaecidos.



Minhas andanças nas áreas urbanas da cidade de Bento Gonçalves me levam a descobrir ângulos insólitos sob a solidão provocada pelo Inverno. Nos vazios de pessoas, por entre densas camadas de névoa, um novo mundo se descortina às lentes do fotógrafo sôfrego de solitude.
Inverno entre ângulos e cores esmaecidos2
A pista abandonada de Skate emerge da névoa com seus ângulos exatos. A obra funcional feita para acolher gritos e piruetas, jaz imersa em seus próprios pensamentos.

Inverno entre ângulos e cores esmaecidos3
O menino verte lágrimas enquanto armas são apontadas contra a sua cabeça. Lágrimas de inverno sombrio, onde os folguedos e brinquedos do último natal pegam limo.

Inverno entre ângulos e cores esmaecidos4
A cidade de Bento Gonçalves tem uma peculiaridade na sua arte de rua. Numa das praças centrais a arte de rua é levada às suas últimas consequências: além de estar na rua, ela está integrada no chão da rua. São quadros de autores diversos emoldurados em vidros que substituem alguns ladrilhos da praça Valter Galassi.

Inverno entre ângulos e cores esmaecidos5
Ângulos insólitos surgidos da cooperação estética entre a pista concebida pelo arquiteto Arielso Copat e as escadarias da praça Centenário desenhadas pelo arquiteto Márcio Arioli.

Inverno entre ângulos e cores esmaecidos6
Paradoxal figura do cavaleiro da morte campeando em pleno inverno e decorando a pista de skate devotada ao lazer e à alegria.

Inverno entre ângulos e cores esmaecidos7
Quadro da praça que remete a cidade etílica, por força do fato de ser a maior produtora de vinhos do Brasil. Nele, uma figura jaz derreada adornada pelas cambiantes folhas de inverno.

Inverno entre ângulos e cores esmaecidos8
Este quadro mostrando a folha da parreira já caduca faz parte de uma metanarrativa sobre invernos. Lá e cá o inverno deixa as suas marcas, na pintura desgastada pelo tempo e no tempo inclemente que nos açoita e enregela até os ossos.