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26 de nov de 2013

10 defeitos mecânicos preocupantes na compra do piano

Quando você está examinando um piano para comprar, sendo novo ou usado, é muito importante que o mecanismo esteja íntegro e confiável. Por ser o elo de ligação entre a sua expressividade e a batida final na corda, deixar problemas para serem resolvidos depois da compra pode ser um ato temerário, pois o custo da reforma da mecânica pode equivaler ao valor gasto na compra do piano.

É oportuno esclarecer que vários defeitos apresentados aqui ocorrem também em Pianos Digitais. 

1) Grilo na mecânica

Todo o mecanismo emite algum tipo de ruído perceptível e não seria diferente com pianos acústicos e digitais. Contudo, o excesso de cliques e outros grilos podem ser intoleráveis no futuro. Portanto, na hora de examinar um piano, leve junto alguém que toque, para você ficar escutado ao redor e tentar ouvir ruídos espúrios que às vezes o próprio executante não percebe.

2) Folga nas teclas

É fácil constatar esse defeito, basta empurrar a tecla lateralmente. Se houver folga excessiva, significa que as buchas de feltro das cavidades que alojam os pinos estão gastas e devem ser trocadas.

3) Teclas presas

Num piano teclas presas não apontam para um probleminha e sim para o problemão do instrumento ter ficado muito tempo exposto à umidade. É pouco aconselhável comprar um piano com este perfil de uso. Como a mecânica dos Pianos Digitais é feita inteiramente de plástico, teclas presas indicam componentes quebrados, que devem ser substituídos ou colados por alguém devidamente habilidoso.

4) Teclado desalinhado

Este piano digital Kawai foi posto à venda com este pequeno defeito aparente. Quando as teclas não estão perfeitamente alinhadas, é sinal inequívoco de que o antigo dono tocou nele como se fosse piano acústico, o que é um erro, pois os mecanismos feitos inteiramente de plástico dos pianos digitais não aguentam o mesmo sarrafo que os pianistas sentam em cima dos pianos acústicos.

5) Som fanho

Num piano em estado normal de funcionamento você tem que premir um tecla e obter como reposta apenas um som límpido. Se algumas notas soam xoxas, significa que o martelo não está desgrudando da corda com a velocidade suficiente. Tal fato indica mecânica desregulada ou desgastada.

6) Toque irregular

Faça uma escala cromática usando todo o teclado e tente perceber se há diferenças de pressão para o acionamento das teclas. Nos pianos verticais é interessante fazer também a escala com o pedal de surdina acionado, pois se houver algum desbalanceamento, nesta condição ele se tornará flagrante. Uma vez detectado, a causa do desbalanceamento pode ser tanto uma simples desregulagem, quanto molas oxidadas e/ou cansadas, neste caso o orçamento do conserto pode fazer jus ao adágio popular "o barato que sai caro".

7) Notas que continuam soando

Com o tempo e o uso os feltros dos abafadores acabam se desgastando. Numa primeira instância é possível que uma regulagem dê conta do problema, mas em casos avançados só a substituição dos feltros resolve a situação.

8) Questão de peso

Para avaliar este quesito você tem que ter a exata ideia da sua pegada preferida: leve, média ou pesada. Logo, a pessoa deve ter certeza do seu toque antes de comprar um piano macio, equilibrado ou duro.

9) Teclas emudecidas

Na hora de avaliar um piano, fuja das explicações simples do tipo "é só afinar e regular". Teclas que não percutem as cordas podem significar desde defeitos bobinhos até demandar reforma completa da mecânica devido ao desgaste dos martelos e demais componentes.

10) Agudos muito débeis

Pode indicar desde problemas de entonação a martelos excessivamente gastos. Além disso, pode ser que o piano seja ruim de agudos, o por característica do projeto de escala, ou devido à perda do coroamento (curvatura) da tábua harmônica.


Toque final: numa situação ideal, a compra de um piano usado não deveria ser na base da loteria, pois o comprador tem o direito de ver o instrumento afinado e regulado no momento de examiná-lo e experimentá-lo. Na prática as coisas nem sempre correm assim, muito antes pelo contrário. Não vã esperança de aproveitar a pechincha, o comprador pode cair numa armadilha que termina custando mais do que ele pagou pelo piano.

17 de nov de 2013

Beber cerveja socialmente é alcoolismo? A doce ilusão do vício leve.

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Com esse artigo entenda porque o Brasil é um dos campeões mundiais de mortes no trânsito, afinal, bêbados não dirigem sozinhos; carregado de familiares e amigos, se despedaçam contra desconhecidos, normal, porque aqui encaramos o ato de beber uma cervejinha como um gesto mínimo de socialização.


Tanto a sociedade quanto as redes sociais endeusam a cerveja, glamourizam um estilo de vida que pode ser doentio, doentio porque se trata do consumo contínuo de substância tóxica.

Por que deveríamos nos preocupar com um hábito tão inocente arraigado até mesmo em festinhas de comemoração de aniversário de um ano? Porque o nosso coração deve ser movido pela compaixão, porque dói ver parentes e amigos mergulhados num vício insidioso sem terem a mínima consciência.

Ao contrário dos destilados, cujos usuários desenvolvem alguma autoconsciência de que alguma coisa vai errada, os bebedores habituais de cerveja seguem a vida flanando alegremente entre happy hours, comemorações e churrascos de fim de semana.

Nas redes sociais é fácil vislumbrar o "dependente social"; a cerveja aparece como uma espécie de leitmotiv, fio condutor para a vida, o dependente constrói seu centro de gravidade em torno do ato de beber, inclusive, toma decisões em função dele.

Mas porque deveríamos nos preocupar com um hábito tão inocente? Simplesmente porque o alcoolismo crônico, além de deteriorar o organismo do sujeito, termina corroendo as relações familiares e sociais. Digamos assim, é uma bomba relógio não muito bem percebida pela sociedade porque acontece lentamente ao longo do tempo. Dificilmente alguém lembrará que aquele bebedor pesado passou anos pela fase do beber social integrado na família e no círculo de amigos, até ter seu corpo inteiramente possuído pela fissura por bebida.

Contudo, a nódoa não é somente individual, aqui não se trata apenas da decrepitude do indivíduo. Quando falamos do hábito socialmente consagrado de tomar cerveja, temos sempre que levar em conta de que o bebedor social é solidário, ou seja, ele arrasta constantemente parentes e amigos para o hábito e os lugares. Ele convida, alicia, incita, tenta, "só desta vez" é o seu lema prontamente disparado aos recalcitrantes. Ocasionalmente as pessoas do seu círculo mais próximo de relações ficam de porre solidário devido ao poder persuasivo do cervejeiro(a), afinal, ou são pessoas amadas e muito próximas, ou magnéticas e cativantes, ou tudo isso junto.

Com o tempo, as zoeiras se tornam cada vez mais pesadas, fato que afasta as parcerias menos engajadas no vício, inclusive a família. Assim, algo que nasce insuspeitadamente no seio da família, pode ganhar as ruas. Contudo, observa-se que a maioria dos bebedores, alcoólatras em estado latente, se mantém agregada e acolhida no interior da família. Enquanto isso cooptam um ou outro para as jornadas etílicas de fim de semana.

Por isso aqui vai o alerta sobre as diferenças entre consumo moderado e crônico de psicotrópicos, que por serem muito tênues, é de difícil diagnóstico. Talvez você conviva com um alcoólatra e não saiba, pior ainda, talvez VOCÊ seja O alcoólatra sem nunca ter suspeitado, parado para analisar o seu grau de dependência. De qualquer maneira, tolerar o alcoolismo de incipiente de familiares e amigos é a mesma coisa que abraçar um rabo de foguete.

Leitura adicional sobre vícios leves:

16 de nov de 2013

Consumir gorduras causa obesidade

por Isaias Malta
A esclarecedora entrevista na revista Ciência Hoje nº 309 (disponível em PDF*) com o maior especialista em obesidade do país alerta para as causas da proliferação da "onda gorda" observadas nas ruas dos centros urbanos.

Como a minha intenção não é reproduzir literalmente aqui o texto publicado, pinçarei alguns tópicos importantes e tecerei algumas reflexões que ajudarão a organizar os pensamentos sobre essa doença.

- Obesidade é um processo inflamatório causado por dieta rica em gorduras saturadas;

- o especialista não menciona especificamente a gordura vegetal do tipo TRANS, não aqueles alimentos onde está escrito bem grande "LIVRE DE GORDURA TRANS", mas aqueles em que ela vem de maneira disfarçada, salgadinhos, doces, hambúrgueres, nugets, pipoca de micro-ondas, batatas fritas industriais, etc;

- o aparecimento da obesidade é provocado pela inflamação do hipotálamo e a consequente destruição dos neurônios responsáveis pela sensação de saciedade;

- gordos têm real predisposição genética para ser gordos, isso significa que se duas pessoas com programação genética diferente comerem os mesmos alimentos, há uma possibilidade de 50% de uma engordar e a outra não;

- uma forma de provocar a neurogênese (reconstituição dos neurônios perdidos) da área destruída do hipotálamo seria a administração de doses terapêuticas de gorduras insaturadas do tipo ômega 3 e ômega 9. O que não é esclarecido no texto é que para a suplementação surtir efeito, necessariamente o paciente deverá se abster do consumo de gorduras saturadas animais e vegetais TRANS. Essa é a parte nevrálgica, pois implica em mudança de hábitos e não na cura milagrosa através da pílula mágica. Com isso caímos no deserto do real: qual é a força de vontade dos pacientes em abandonar frituras e o ritual litúrgico do churrasco aos domingos?

- a cirurgia bariátrica, apesar de ser um remédio extremado para casos extremos, revela-se de alcance limitado no decorrer dos anos. Com o fim dos efeitos, muitos pacientes voltam a ganhar peso, apesar de continuarem com as sequelas que os impede de absorver nutrientes e vitaminas.


15 de nov de 2013

O intrigante piano de molas

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Sabe qual é o piano de molas? Por serem máquinas, todos são! Porém, alguns são mais do que outros, particularmente os pianos verticais, também conhecidos como pianos de armário.

O funcionamento do mecanismo concebido para os pianos verticais depende exclusivamente do bom desempenho de centenas de molas, pois o retorno dos martelos ao estado de repouso não ocorre por gravidade [como acontece nos pianos de cauda] e sim pela pressão exercida por molas, que devem estar intactas e equanimemente tensionadas, para que a uniformidade do toque seja garantida.

Em pianos novos tudo é uma maravilha, pelo menos enquanto as molas funcionam em uníssono, como se integrassem uma orquestra! Contudo, com o tempo de uso avança a fadiga dos metais, a ferrugem e as deformações, então os pianos verticais tendem a apresentar irregularidades no toque próprias deles. Para testar, basta tocar com o pedal abafador acionado e você poderá constatar possíveis problemas. Nessa posição em que o pedal abafador aproxima os martelos das cordas, qualquer desalinhamento entre os martelas é ampliado, ou seja, você conseguirá perceber bem melhor as irregularidades. Em pianos mais antigos, que não sofreram reforma séria nos últimos anos, é impossível usar razoavelmente o pedal da esquerda em virtude da desregulagem e desgaste das peças e a desuniformidade na tensão das molas.

A parte ruim da história é que a cessação dos sons também depende da ação de molas. Enquanto nos pianos de cauda os abafadores repousam em cima das cordas, não custa lembrar que, pelo fato das cordas dos pianos verticais estarem na vertical, os abafadores só são mantidos grudados nas cordas enquanto as molas que os empurram estiverem íntegras. Logo, é mais um fator na cadeia de fragilidades que uma mecânica construída verticalmente tem sobre outra disposta horizontalmente, esta que exige do pianista o único esforço de se embater contra a força gravitacional, que garantidamente exerce a mesma pressão sobre todas as peças.

Na cruzada contra as forças que mantém as peças da máquina pianística em repouso, quem tem mais sucesso são os felizardos que tocam em pianos orquestrais imensos, com mecanismos igualmente imensos que se aproveitam na plenitude do efeito alavanca (veja tocabilidade e efeito alavanca neste link). Assim, se tivermos que estabelecer uma escala crescente de tocabilidade no mundo dos pianos, teremos como menos tocáveis os verticais pequenos, passando pelos modelos médios até os grandes. Depois, a escala progride pelos diversos tamanhos de pianos de cauda até chegarmos ao modelo de perfeição, o rei dos pianos, o Grande Concerto, ironicamente (por ser exclusivamente destinado aos virtuoses), é o mais fácil de ser tocado porque é o que apõem menos inércia contra as investidas do executante.

Em caso de reforma do mecanismo de pianos verticais, se a coisa é encarada seriamente, TODAS as molas devem ser trocadas e não somente as detonadas, pois as novas tensionam mais fortemente do que as antigas.

Leia também:
Toques sobre reforma de pianos verticais: Replacing Upright Hammer Butt Springs
Diagrama do mecanismo: The Inner Workings of One Note in an Upright Piano

1 de nov de 2013

Cuidado com os anúncios maliciosos do Facebook!

Sabe aqueles pequenos anúncios pagos na coluna direita da página do Facebook? Alguns deles direcionam o usuário para página de phishing (página falsa que imita um site verdadeiro e cujo propósito é inocular vírus), ou página dedicada exclusivamente a fazer download de vírus no seu computador, tablet, smartphone.

Dificilmente o Facebook tem condições de checar o link de todos os anunciantes, mais ainda, como se trata de dinheiro entrando na caixinha, suspeita-se que eles não tenham lá muita vontade de fazer isso. Você não vê um botão de denúncia na coluna dos anúncios patrocinados, no máximo pode fazê-lo sumir da sua timeline apertando o "X" ao lado direito do anúncio.

O diabo é que os anúncios maliciosos são os mais atraentes! Este aqui promete revelar um vídeo do PM sendo preso depois que alvejou um bandido motoqueiro:

Aí, na suposta página do "Jornal da Globo" (http://jornaldaglobonews.com.br/) você descobre que se trata de uma clonagem da página real do Jornal da Globo, cujo endereço logicamente é diferente do site real (http://g1.globo.com/jornal-da-globo/).

Todos os links existentes na pretensa página "Jornal da Globo News" direcionam para um atualização do Adobe Flash Player. É nesse momento que o pessoal inocula o vírus, quando o usuário incauto, na ânsia de ver o conteúdo do vídeo, aceita a falsa atualização.

Outro anúncio (infelizmente não fiz o print-screen) mostra uma imagem de uma garota na frente da webcam prometendo "Tiro mais [roupa] na medida do aumento das visualizações". Quando o incauto acessa o site, um script dispara automaticamente o download do vírus "install.exe".


Em tempo: não confundir os anúncios acima com aplicativos maliciosos. Este promete revelar um vídeo bombástico de flagra, mas requer a instalação de uma "atualização de segurança", que provavelmente é uma extensão que vai transformar o seu browser numa usina de propagandas, que vai usar a sua conta do Facebook para mandar SPAM, etc.