Pesquisar

28 de nov de 2014

Hitler fazia um tremendo sucesso entre as crianças!



Que estranhas propriedades alçaram um pequeno homem de aparência comum a construir um dos impérios mais poderosos da história da humanidade? Certamente o seu magnetismo era ímpar! Para ilustrar o dom do “tio Hitler” de influenciar pessoas, trago aqui um trecho do livro “Cosima a Sublime” de Françoise Giroud:

“Entretanto, as coisas teriam andado mais ou menos bem na casa dos Wagner, se Winnie (Winifred, nora de Richard Wagner casada com o seu filho Siegfried) não tivesse apresentado em Wahnfried um personagem engraçado, de bigode e metido em calças tirolesas, com gestos mecânicos e um olhar magnético que subjugava os cães e as crianças. Já se tinha começado a falar bastante desse homem – Adolf Hitler.

Winnie era uma admiradora frenética. Não parava de convidá-lo, ele aparecia, às vezes dormia em Wahnfried, e Siegfried cedia-lhe então sua pequena casa, as crianças viviam à volta dele, tiravam fotografias com o tio Adolf. Ignora-se se Cosima (esposa de Richard Wagner) participava da festa. De qualquer modo, já estava cega.
Quando Hitler esteve preso, Winnie enviou-se embrulhos, víveres, papel para escrever, chegando a vangloriar-se de não ter sido inteiramente estranha à redação de Minha Luta (Mein Kempf).”

Concluindo essa citação, evoco as palavras do Mestre Samael Aun Weor: “há muita maldade nos virtuosos e muita virtude nos maldosos”.

O trecho de outro livro “Todas as Mulheres de Hitler” de Erich Schaake aborda mais profundamente a empatia da família Wagner com o futuro comandante do III Reich. Leia o excerto no Google Livros.

25 de nov de 2014

Curta história da adoção do diapasão de 440 hz na música



Sabemos que grandes instrumentos produzem sons baixos e pequenos instrumentos sons altos. Leves mudanças na forma de um instrumento são responsáveis por um som mais agudo, ou com menos variações. Então, como é que se determina o tamanho exato e, consequentemente, a afinação exata?

A resposta é: tudo é feito arbitrariamente. Quando uma única nota é fixada, todas as outras a acompanham. Há séculos, o tom de referência é o lá acima do dó médio. Este é o som que se eleva de um oboé, quando uma orquestra afina.

Hoje,  esse lá, habitualmente, é fixado em 440 ciclos por segundo, mas nem sempre foi assim. Antes da invenção do diapasão, no tempo de Handel, as orquestras eram afinadas com um registro amplo, e o lá médio era entoado mais baixo do que hoje, em cerca de 420 ciclos por segundo. Isto corresponde a uma diferença de quase meio grau em relação à afinação moderna, de tal forma que o lá tocado antigamente seria, segundo o padrão atual, um lá sustenido.

Consequentemente, interpretamos hoje todas as composições do tempo de Beethoven, e de antes, mais ou menos meio grau acima do que se pretendeu. Os sopranos precisam alcançar essa altura muito maior numa ária de Mozart e muitos dos grandes violinos de Stradivarius e Guanierius tiveram de ser reforçados internamente para não desabarem sob o aumento de 12 por cento na tensão das cordas. Essa mudança de afinação também significa que tocamos composições pré-românticas num tom diferentes daquele com em que foram escritas. Lembre-se disso da próxima vez em que alguém lhe disser que o dó sustenido menor foi a escolha perfeita de tom para a abertura da Sonata ao Luar.

A mudança no padrão de afinação surgiu de uma longa rivalidade entre cordas e sopros. Não se pode fazer muita coisa para elevar o tom de um oboé, mas sempre se pode apertar um pouquinho mas as cordas de um violino. Com a afinação um pouco mais aguda, as cordas assumem uma clareza de som que prende a atenção do ouvinte – desviando-a dos instrumentos de sopro que permanecem aprisionados a um diapasão mais baixo.

Em resposta, os artesãos construíram instrumentos de sopro com diapasão mais alto. Então, as cordas foram afinadas ainda mais alto, e a disputa prosseguiu incansável. Em meados do século XX, o lá médio, em algumas orquestras, já se elevava a uma altura de 465 ciclos por segundo. Mas os músicos tocavam um dia em Praga e outro em Los Angeles. Um clamor em favor de um padrão internacional levou ao compromisso dos 440 hz.

Naturalmente que nem todas as orquestras do mundo seguem tal normativa, por exemplo, a Orquestra filarmônica de Berlim usa 444 hz e algumas orquestras russas adotam os 446 hz.

Contudo, em consonância com o movimento que preconiza o rebaixamento do diapasão para um valor mais humanamente aceitável, que valorize o poder curativo dos sons e não objetive somente fazer mais e mais barulho, surgem orquestras com instrumentos afinados exclusivamente no lá4 = 432 hz, considerado como o lá de Verdi, visto por alguns como um padrão mais introspectivo e relaxante. The 432 Chamber Orchestra

Fonte: livro Música, Cérebro e Êxtase de Roberto Jourdain.

Leia mais sobre afinação no texto publicado pela Loja do Afinador

20 de nov de 2014

Meu auspicioso retorno aos campos do Senhor!



Há alguns anos sofri um incidente com o paraglider, que em nada me afetou fisicamente, mas animicamente a coisa foi catastrófica. Criou-se a fobia diante de quaisquer movimentações atmosférica mais bruscas.

Então, pelo tempo em que a terra abrigou o meu corpo, a alma continuava a percorrer trilhas de nuvens, acompanhar trajetórias de urubus, perscrutar ventos, especular pousos seguros, observar bandeiras e inclinação de fumaças. Por vezes eu me via vagueando na base escura duma nuvem, ou simplesmente imaginado como seria bom estar lá em cima novamente sem receios ou temores.

Para mim voar é sinônimo de easy rider, sem rumo, sem objetivos a cumprir, sem tarefas, sem geringonças eletrônicas, sem câmeras nem documentos. Para mim voar é alçar sem medo das alturas, sem timidez com a amplidão, é comunhão com a natureza, é posar quieto na abóboda do mundo.

Pois bem, tudo isso voltou, aos poucos, no dia da graça de 16.11.2014 num voo pleno de gratificações e quase nada de apreensões. Em situações mágicas assim não se repara turbulências ou ventos estranhos, só a natureza cantando a pleno vapor os seus sons ritmados e acariciando o nosso corpo com a sua potência.

Como a partir do acidente comecei a me estressar com o ruído eletrônico do variômetro, o substituí pelo “bundômetro”, melhor dizendo, pelo corpo e todo ouvidos para escutar o tom das ascendentes e descendentes. Cada corrente termal canta de maneira própria, tem a sua própria temperatura e avisa os limites do tubo da corrente de ar ascendente.

Sei que estar sozinho jogado nas alturas é uma experiência almejada por poucas criaturas, já que a maioria delas experimentaria verdadeiro pavor na condição de seres alados (observa-se o pavor correndo solto nos voos de avião). Por isso talvez voar não seja um privilégio, mas uma sina de gente com um parafuso frouxo. Talvez o voo provenha um suplemento alimentar para uma classe de pessoas que não consegue extrair todas as vitaminas essenciais na condição de animais terrestres.

Dizem que para os urubus é fundamental o périplo diário em ares rarefeitos para que consigam transmutar podridão em alimento vital. Acredito nisso e vou mais além, não só eles precisam das altitudes para transformar o empesteamento da terra, como também os humanos desprovidos de asas, mas carentes de trilhar os campos de nuvens do Senhor! Só assim conseguem amenizar as agruras de seres terrestres por natureza, mas alados internamente.