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14 de dez de 2014

Piano: em busca da afinação perfeita



A história do nosso piano de cauda começou em 11/11/2011 quando reservamos por telefone um piano de 178 cm na loja. No dia 19/11/2011 fomos experimentá-lo e nos apaixonamos imediatamente, tanto que procedemos os ajustes formais e o nosso “filho” rapidamente chegou na nossa mansarda nos alvoreceres do dia 23/11/2011.

De lá para cá o piano sofreu 5 afinações, até que antes da 6ª, impressionado com as informações que me caíram nas mãos através do grupo de piano do Facebook Pianos e Teclas, decidi proceder o rebaixamento do diapasão de referência do lá central para 432 Hz. Então, no dia 28/03/2014 o afinador aplicou o novo diapasão, mas manteve-se ao seu tradicional esquema de temperamento.

Chegando a esse ponto, convém esclarecer que a questão da afinação é nevrálgica nos pianos de tamanho menor do que o de concerto. A diminuição de tamanho dos pianos implica em problemas no tocante a inormonia e a perda de controle devido à diminuição do comprimento das teclas. Portanto, devemos aceitar o fato de que pianos de menor porte soarem mais desequilibrados e deficientes no concernente à tocabilidade, mazelas que seus “irmãos maiores” não padecem.

Tão somente o simples rebaixamento do diapasão de 440 Hz para 432 Hz não atendeu aos meus anseios estéticos. Eu esperava mais, muito mais, em face dos relatos de paz e harmonia que as pessoas relatam ao ouvirem instrumentos afinados no diapasão preferido da Giuseppe Verdi. Parecia-me que alguns intervalos, principalmente na música de J. S. Bach ficavam um tanto ruidosos, assim como outros estilos soavam aquém do que eu esperava.

A solução era propor ao afinador outro temperamento, mas qual? Diz-se que atualmente o padrão de afinação adotado universalmente é o 440 Hz e o temperamento é o igual, o que é uma pura bobagem, pois cada afinador acaba fazendo o seu, sendo que uns se afastam mais do padrão igual do que outros. Só que os pianistas não se ligam nesta questão, tudo que eles costumam reparar é em notas individuais soando estranho sem cogitar que possa haver algo a ser melhorado no conjunto inteiro de relações entre as notas, na formação das terças, quartas, quintas e assim por diante.

Depois de pesquisar bastante sobre os muitos temperamentos históricos não iguais, me deparei com um deles desenvolvido especificamente para o diapasão lá4 = 432 Hz. A violonista Maria Renold criou e o denominou de “12 Quintas Verdadeiras”. O interessante é que se você analisar os offsets a seguir, concluirá que o sistema proposto por M. Renold é um temperamento quase-igual.

No entanto, o resultado do temperamento feito em 24/11/2014 está me surpreendendo até agora, simplesmente ficou perfeito! Tudo soa melhor, os intervalos ficaram mais doces e os harmônicos mais orgânicos. O nosso afinador disse que trabalhava com 3 temperamentos diferentes:
1 – aquele herdado do seu pai que ele aplica na maioria dos pianos;
2 – o temperamento padrão Yamaha exigido nos pianos desta marca;
3 – um terceiro temperamento que ele não lembrava muito bem.

Agora ele trabalhará com este 4º temperamento que aconselho a quem adotar o diapasão 432 Hz. Resumidamente o temperamento de M. Reinold é construído partindo do eixo central do Dó3 afinado na frequência de 128 Hz, que segundo o antropósofo Rudolf Steiner é a frequência do Sol, ou seja, aquela que traz calor, alegria e harmonia ao coração das pessoas.

Este artigo “Sobre la frecuencia de afinación A=432 y c=128” é bastante esclarecedor sobre os fundamentos matemáticos de formação das quintas no temperamento de M. Reinold, assim como a questão dos harmônicos.

Não colocarei aqui nenhuma gravação feita no meu piano, pois ainda não tive tempo para tanto, talvez nas férias quem sabe. O que posso fazer é aconselhar você que quiser tomar contato com o trabalha de Maria Renold a adquirir o CD com interpretações de Chopin gravadas pelo pianista Graham Jackson.

28 de nov de 2014

Hitler fazia um tremendo sucesso entre as crianças!



Que estranhas propriedades alçaram um pequeno homem de aparência comum a construir um dos impérios mais poderosos da história da humanidade? Certamente o seu magnetismo era ímpar! Para ilustrar o dom do “tio Hitler” de influenciar pessoas, trago aqui um trecho do livro “Cosima a Sublime” de Françoise Giroud:

“Entretanto, as coisas teriam andado mais ou menos bem na casa dos Wagner, se Winnie (Winifred, nora de Richard Wagner casada com o seu filho Siegfried) não tivesse apresentado em Wahnfried um personagem engraçado, de bigode e metido em calças tirolesas, com gestos mecânicos e um olhar magnético que subjugava os cães e as crianças. Já se tinha começado a falar bastante desse homem – Adolf Hitler.

Winnie era uma admiradora frenética. Não parava de convidá-lo, ele aparecia, às vezes dormia em Wahnfried, e Siegfried cedia-lhe então sua pequena casa, as crianças viviam à volta dele, tiravam fotografias com o tio Adolf. Ignora-se se Cosima (esposa de Richard Wagner) participava da festa. De qualquer modo, já estava cega.
Quando Hitler esteve preso, Winnie enviou-se embrulhos, víveres, papel para escrever, chegando a vangloriar-se de não ter sido inteiramente estranha à redação de Minha Luta (Mein Kempf).”

Concluindo essa citação, evoco as palavras do Mestre Samael Aun Weor: “há muita maldade nos virtuosos e muita virtude nos maldosos”.

O trecho de outro livro “Todas as Mulheres de Hitler” de Erich Schaake aborda mais profundamente a empatia da família Wagner com o futuro comandante do III Reich. Leia o excerto no Google Livros.

25 de nov de 2014

Curta história da adoção do diapasão de 440 hz na música



Sabemos que grandes instrumentos produzem sons baixos e pequenos instrumentos sons altos. Leves mudanças na forma de um instrumento são responsáveis por um som mais agudo, ou com menos variações. Então, como é que se determina o tamanho exato e, consequentemente, a afinação exata?

A resposta é: tudo é feito arbitrariamente. Quando uma única nota é fixada, todas as outras a acompanham. Há séculos, o tom de referência é o lá acima do dó médio. Este é o som que se eleva de um oboé, quando uma orquestra afina.

Hoje,  esse lá, habitualmente, é fixado em 440 ciclos por segundo, mas nem sempre foi assim. Antes da invenção do diapasão, no tempo de Handel, as orquestras eram afinadas com um registro amplo, e o lá médio era entoado mais baixo do que hoje, em cerca de 420 ciclos por segundo. Isto corresponde a uma diferença de quase meio grau em relação à afinação moderna, de tal forma que o lá tocado antigamente seria, segundo o padrão atual, um lá sustenido.

Consequentemente, interpretamos hoje todas as composições do tempo de Beethoven, e de antes, mais ou menos meio grau acima do que se pretendeu. Os sopranos precisam alcançar essa altura muito maior numa ária de Mozart e muitos dos grandes violinos de Stradivarius e Guanierius tiveram de ser reforçados internamente para não desabarem sob o aumento de 12 por cento na tensão das cordas. Essa mudança de afinação também significa que tocamos composições pré-românticas num tom diferentes daquele com em que foram escritas. Lembre-se disso da próxima vez em que alguém lhe disser que o dó sustenido menor foi a escolha perfeita de tom para a abertura da Sonata ao Luar.

A mudança no padrão de afinação surgiu de uma longa rivalidade entre cordas e sopros. Não se pode fazer muita coisa para elevar o tom de um oboé, mas sempre se pode apertar um pouquinho mas as cordas de um violino. Com a afinação um pouco mais aguda, as cordas assumem uma clareza de som que prende a atenção do ouvinte – desviando-a dos instrumentos de sopro que permanecem aprisionados a um diapasão mais baixo.

Em resposta, os artesãos construíram instrumentos de sopro com diapasão mais alto. Então, as cordas foram afinadas ainda mais alto, e a disputa prosseguiu incansável. Em meados do século XX, o lá médio, em algumas orquestras, já se elevava a uma altura de 465 ciclos por segundo. Mas os músicos tocavam um dia em Praga e outro em Los Angeles. Um clamor em favor de um padrão internacional levou ao compromisso dos 440 hz.

Naturalmente que nem todas as orquestras do mundo seguem tal normativa, por exemplo, a Orquestra filarmônica de Berlim usa 444 hz e algumas orquestras russas adotam os 446 hz.

Contudo, em consonância com o movimento que preconiza o rebaixamento do diapasão para um valor mais humanamente aceitável, que valorize o poder curativo dos sons e não objetive somente fazer mais e mais barulho, surgem orquestras com instrumentos afinados exclusivamente no lá4 = 432 hz, considerado como o lá de Verdi, visto por alguns como um padrão mais introspectivo e relaxante. The 432 Chamber Orchestra

Fonte: livro Música, Cérebro e Êxtase de Roberto Jourdain.

Leia mais sobre afinação no texto publicado pela Loja do Afinador