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25 de nov de 2014

Curta história da adoção do diapasão de 440 hz na música



Sabemos que grandes instrumentos produzem sons baixos e pequenos instrumentos sons altos. Leves mudanças na forma de um instrumento são responsáveis por um som mais agudo, ou com menos variações. Então, como é que se determina o tamanho exato e, consequentemente, a afinação exata?

A resposta é: tudo é feito arbitrariamente. Quando uma única nota é fixada, todas as outras a acompanham. Há séculos, o tom de referência é o lá acima do dó médio. Este é o som que se eleva de um oboé, quando uma orquestra afina.

Hoje,  esse lá, habitualmente, é fixado em 440 ciclos por segundo, mas nem sempre foi assim. Antes da invenção do diapasão, no tempo de Handel, as orquestras eram afinadas com um registro amplo, e o lá médio era entoado mais baixo do que hoje, em cerca de 420 ciclos por segundo. Isto corresponde a uma diferença de quase meio grau em relação à afinação moderna, de tal forma que o lá tocado antigamente seria, segundo o padrão atual, um lá sustenido.

Consequentemente, interpretamos hoje todas as composições do tempo de Beethoven, e de antes, mais ou menos meio grau acima do que se pretendeu. Os sopranos precisam alcançar essa altura muito maior numa ária de Mozart e muitos dos grandes violinos de Stradivarius e Guanierius tiveram de ser reforçados internamente para não desabarem sob o aumento de 12 por cento na tensão das cordas. Essa mudança de afinação também significa que tocamos composições pré-românticas num tom diferentes daquele com em que foram escritas. Lembre-se disso da próxima vez em que alguém lhe disser que o dó sustenido menor foi a escolha perfeita de tom para a abertura da Sonata ao Luar.

A mudança no padrão de afinação surgiu de uma longa rivalidade entre cordas e sopros. Não se pode fazer muita coisa para elevar o tom de um oboé, mas sempre se pode apertar um pouquinho mas as cordas de um violino. Com a afinação um pouco mais aguda, as cordas assumem uma clareza de som que prende a atenção do ouvinte – desviando-a dos instrumentos de sopro que permanecem aprisionados a um diapasão mais baixo.

Em resposta, os artesãos construíram instrumentos de sopro com diapasão mais alto. Então, as cordas foram afinadas ainda mais alto, e a disputa prosseguiu incansável. Em meados do século XX, o lá médio, em algumas orquestras, já se elevava a uma altura de 465 ciclos por segundo. Mas os músicos tocavam um dia em Praga e outro em Los Angeles. Um clamor em favor de um padrão internacional levou ao compromisso dos 440 hz.

Naturalmente que nem todas as orquestras do mundo seguem tal normativa, por exemplo, a Orquestra filarmônica de Berlim usa 444 hz e algumas orquestras russas adotam os 446 hz.

Contudo, em consonância com o movimento que preconiza o rebaixamento do diapasão para um valor mais humanamente aceitável, que valorize o poder curativo dos sons e não objetive somente fazer mais e mais barulho, surgem orquestras com instrumentos afinados exclusivamente no lá4 = 432 hz, considerado como o lá de Verdi, visto por alguns como um padrão mais introspectivo e relaxante. The 432 Chamber Orchestra

Fonte: livro Música, Cérebro e Êxtase de Roberto Jourdain.

Leia mais sobre afinação no texto publicado pela Loja do Afinador

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