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18 de mai de 2014

Algum dia essa imagem será considerada pornografia infantil?



Faço essa pergunta porque quando os tempos mudam, antigos comportamentos passam a ser considerados abuso.  O exemplo clássico dessa assertiva é a carreira cinematográfica da atriz Brooke Shields, que decolou depois da publicação de uma série de fotos eróticas quando ela tinha apenas 10 anos!* Aos 11 anos a Brooke participou do filme “Pretty Baby” em que ela interpreta a filha de uma prostitua vivendo num bordel, logicamente gravando cenas de nudez que hoje são consideradas pornografia infantil.

Participações de crianças e adolescentes em cenas de nudez e insinuação erótica não foram nem um pouco incomuns nas décadas e 70 e 80, tanto que apresentadoras mirins de programas infantis do porte de Xuxa, Angélica, Mara Maravilha, etc., apesar de adolescentes, apareciam semi-despidas nos programas de TV dirigidos aos “baixinhos”.

Hoje desenvolvemos uma cultura de repúdio à exploração sexual de menores de 18 anos, pelo menos no tocante aos menores, pois o nosso repúdio deveria extrapolar à coisificação e transformação do corpo humano em carne de açougue em qualquer idade (o que acontece com a “carne” explorada pela indústria pornô).

Contudo, a noção de abuso infantil deve ser estendida muito além da questão sexual, pois inclui violência física e psicológica e no nosso tema aqui, grave atentado contra o futuro da criança.

Mesmo diante de todas as precauções modernas com a integridade física e psíquica de crianças, adolescentes e vulneráveis, eis que me deparo horrorizado com a imagem publicitária de uma bebê de colo falando alegremente num celular. Pior ainda, a imagem está publicada em suas versões impressa e eletrônica no jornal “Extra Classe” editado pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul!**

Então quer dizer que os educadores, que deveriam representar uma rede de proteção a crianças e pré-adolescentes, ignoram o fato de que o uso precoce de aparatos eletrônicos emissores de radiação provocam câncer numa tenra faixa etária em que os indivíduos sofrem imensa multiplicação de células? É só lançar num buscador de internet as seguintes palavras-chave “uso de celular crianças” e temos a listagem de 5.500.000 textos abordando os riscos do uso de aparelhos transmissores de radiações eletromagnéticas por crianças.***

Sabemos que professores individualmente dão Coca-Cola na mamadeira aos seus bebês, os viciam em açúcar e comida-lixo desde o berço, os expõe precocemente à violência da TV, talvez por isso mesmo o seu órgão de classe manifeste tamanha ignorância. Infelizmente esse é o retrato da situação falimentar da educação no nosso país.

Um comentário:

  1. Deixa ver se eu entendi. Vc está tentando comparar uma imagem como aquela acima, que obviamente correlaciona o uso de equipamentos eletrônicos por infantes com pornografia infantil? É sério isso?

    Que ambos comportamentos são danosos, não se questiona, mas não podem ser consideradas sinônimas nem agora, nem nos anos 80. Se não a gente pode entrar num relativismo absurdo como o que você está fazendo agora, amigo.

    Essa imagem nunca seria considerada pornografia infantil porque só o fato de você postar uma foto genuína deste tipo o levaria para a cadeia.

    Se quer levar a discussão para o modo como as crianças são usadas em campanhas é uma coisa, mas não nivele coisas que não são comparáveis.

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