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8 de set de 2013

Porque odiei o filme Guerra Mundial Z?

A temática zumbi há muito tem sido frequentada pelo cinema. Em Cuba, uma taxista nos garantiu que os zumbis existem realmente (no Haiti, produzidos por magia negra) e que são utilizados em trabalho escravo. Afinal, o que você faria com um morto-vivo sem vontade própria?

Então, sendo um tema quentíssimo, me dispus a levar a minha pipoca para a frente da telona do projetor para ver mais esta produção hollywoodiana. E a experiência foi decepcionante porque é nitidamente um filme feito para ter sequência. Eles simplesmente renunciam a qualquer tentativa de explicação "científica" sobre as causas do fenômeno. Vírus ou bactéria? Como um espectador nerd, sai frustrado porque o roteiro desvia olimpicamente do aprofundamento, mais ainda, adota o pressuposto teórico imbecil de que a melhor maneira de ficar invisível aos zumbis seria a autoinfecção com uma doença mortal.

Os roteiristas perderam uma ótima oportunidade para esmiuçar o drama da zumbificação vivido nos nossos tempos. Na vida real, ao contrário do filme, vejo nitidamente a causa da proliferação dos nossos zumbis: a necessidade premente de conexão mandatória e imperativa.

Você pode passar uma semana, um mês, quiçá um ano teclando furiosamente o seu celular noite e dia, mas posso lhe garantir que ao cabo de alguns anos o seu cérebro terá se transformado numa geleia mole. Acho que no fundo e canhestramente é isso que este Blockbuster tenta nos passar; os futuros milhares, milhões de zumbis sequelados pela ansiedade provocada pela voracidade conectiva. Em tempo: quando os zumbis são deixados a esmo, sem nenhum estímulo auditivo, ficam se mexendo intranquilamente a todo o momento, mas estáticos e silenciosos, no máximo batendo os dentes – provando que nem a zumbificação elimina a ansiedade.

Não gostei daquele mar de zumbis se movimentando no filme, apesar de flagrá-los nas ruas, dirigindo carros, atendendo nos balcões de comércio, etc. Sou servido por zumbis, transportado por zumbis e almoço com zumbis, mas não gosto da ideia de ver um filme se desperdiçar tanto nos efeitos especiais de multiplicação de zumbis, que inundam as ruas e se amontoam aos milhares para sobrepujar o muro inexpugnável de Jerusalém.


Talvez eu não tenha gostado do filme por ter sido fantasioso demais ou realista demais? Talvez eu não tenha gostado porque ele não quis se apropriar do paralelo que acontece no mundo real. Estamos nos zumbificando e não nos damos conta disso, certamente, até porque a inconsciência é uma das principais característica da existência dos mortos-vivos.

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