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3 de dez de 2013

Palavras ao vento

Palavras nunca estiveram tão ao vento
Hoje elas são quase perniciosas viciosas apequenadas hashtags
Não confinadas a livros preferem a transitoriedade dos dispositivos
Nem sequer rimam em decassílabos agora soltas de formalidades
Sem eira nem beira palavras jorram a revelia de Shakespeare
Sem Machado de Assis sem o paradigmático James Joyce
Hoje elas são jornalísticas secas anêmicas raquíticas
Consumidores de fotos desdenham textos por não lhes apetecer semântica
E o mercado dominante pressiona deforma cria um novo léxico da pior estirpe
Tanto que palavras ao vento se tornou palavrão não mais metáfora poética
E o vento continua a carregar palavras vazias órfãs de densidade borgiana

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