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24 de jul de 2015

Golpe do Oi Suporte Multidispositivo Residencial



Há mais de ano tenho o plano Conta Total da operadora de telefonia Oi e a coisa vem vindo a contento. Apesar de ver na internet muitas reclamações da contra a Oi sobre cobranças indevidas, esta companhia reconhecidamente patife nunca tinha aprontado comigo.

Até que um belo dia me depara com uma fatura avulsa vindo pelo correio com o valor de R$ 14,90 referente a serviços de “outras empresas” sob o código ARREC TERC SUPORTE ACESS REMOTO”.

Ora, como o meu fixo é Conta Total, as faturas vêm todas numa conta só, fixo, celular e internet, inclusive não vêm pelo correio, uma vez que optei por recebe-las pela internet. Eu acabava de ser enredado nas teias de cobranças indevidas da gigantesca Oi que esmaga os seus clientes num moedor de carne!

Fiquei UM dia inteiro lutando de atendente em atendente tentando cancelar a bosta de serviço que eu não havia contratado! E o pior que não são apenas 14,90, isso é um pacote cobrado mês a mês. Fazendo os cálculos, seu deixo passar a iniquidade, a coisa vira um acréscimo de 10% na minha tarifa! Se você consultar o verbete Oi Suporte Multidispositivo Residencial na internet, descobrirá que é virtualmente impossível cancelar a cobrança se não for por via da ANATEL ou PROCON, ou seja, se não espernear, não tem choro! Talvez os gigantes pensem que só a minoria dos otários vai espernear por um valor tão irrisório e é o que as pessoas acabam fazendo, pagando para não se incomodar.

Cansado dos inúmeros fracassos das tratativas com a Oi, resolvi apelar para a ANATEL. O detalhe é que lá, para fazer a denúncia, você precisa ter em mãos o número do protocolo que a operadora te dá toda a santa vez que telefona para eles. Pois bem, peguei o tal protocolo e telefonei para o número 1331 da ANATEL. Expliquei a situação para eles e disseram que a própria operadora daria uma resposta em 5 dias úteis.

No próximo dia depois da denúncia chegou o comunicado da Oi avisando que havia cancelado o tal de serviço Oi Suporte Multidispositivo Residencial, conforme vocês podem notar no printscreen abaixo:
Resumo da ópera: até agora não sei do que se trata o serviço, não me avisaram que benefícios eu poderia usufruir e, se tivessem me consultado, eu não teria concordado com a majoração de 10% na minha conta.

PS: agora só resta saber se eles vão desistir da cobrança dos 14,90 pelo período de quase um mês que vigorou a porcaria (pois não tinha forças para perder meu tempo de ficar pendurado no 10314), ou se vou ter que brigar de novo. Se eles querem uma boa briga, vão ter!

23 de jul de 2015

Todo mundo quer uma geladeira Frost Free? Então saiba de seus defeitos e problemas



Frost Free Electrolux na saga da carroça
Antigamente, um refrigerador significava aquele eletrodoméstico que você tinha num canto da casa e esquecia. O máximo de complexidade dele era o termostato, compressor, gás com perigo de vazar e vedação das portas. Excetuando-se as facas infalíveis que vitimavam a tubulação de gás do congelador, o resto era só alegria por décadas a fio!

Com o advento do sistema Frost Free e a eletrônica embarcada, nada ficou como dantes no quartel de Abrantes! E os consumidores querem única e exclusivamente o sistema que promete praticidade total, sem ter que degelar nunca. Além disso, querem elegância de design, muitas funções, muitos botões, muitas luzinhas coloridas, muito tudo!

Só que todo o aumento de complexidade costuma vir com um preço alto a pagar! Se você se der ao luxo de pesquisar na internet as reclamações dos usuários, verá miríades de queixas concernentes ao sistema Frost Free. Vejamos o que pode dar errado:

- timer, bimetal, resistência de degelo, damper resistência foil, fusível térmico, sensor de temperatura, placa de potência, caixa de controle, ventoinha, dreno, dutos, etc.

Antes de escolher marca e modelo, pesquise bastante sobre os problemas que acontecem com o modelo pretendido. Evite marcas descartáveis que não fornecem gaxeta (borracha) de reposição (Electrolux, Mabe), pois diante de qualquer problema de vedação, a porta inteira deve ser trocada.

Evite integrar o imenso time dos que reclamam que o seu refrigerador congela até vodca em cima e deixa apodrecer os alimentos em baixo. Não engrosse a turma que reclama de barulhos de avião a jato, vazamentos sinistros e de geladeiras que têm que ser descartadas porque as placas eletrônicas chinesas só dão dor de cabeça.

Com vocês, deixo o vídeo da “saga da carroça”. O consumidor que, depois de encher o saco de tanto gastar com a sua imponente Electrolux DF80, paga o carroceiro para levar o trem embora!

Depois de tanto pesquisar, resolvi comprar uma humilde geladeirinha duplex equipada com sistema Cycle Defrost.


16 de jul de 2015

Quem tem medo de enfiar o pedal e não tirar mais no 1º mov. da Sonata ao Luar?


Beethoven começa a sua sonata Opus 27 número 2 de maneira totalmente inusitada. Ao invés do movimento rápido típico da forma sonata rápido-lento-rápido, ele coloca o adagio no início, o alegre emendado nesse e termina num prestíssimo. Considerada a música mais popular de Beethoven, por integrar incansavelmente as coleções do tipo “clássicos para milhões”, mais precisamente o 1º movimento, que é o realmente popular, está cercado de polêmicas desde que os românticos romantizaram tudo!

E a deformação começou depois da morte de Beethoven, quando o crítico e poeta alemão Ludwig Rellstab que apôs à sonata o título “Ao Luar” porque o adagio sostenuto lhe lembrava a luz da lua se espelhando na superfície do Lago Lucerna na Suíça.

A polêmica começa na indicação feita pelo próprio Beethoven sobre como ele queria que o adagio fosse tocado: “Si deve suonare tutto questo pezzo delicatissimamente e senza sordino”. Que em português quer dizer mais ou menos assim: “Se deve tocar toda essa parte com extrema delicadeza e sem surdina”. Traduzindo em miúdos, significa que Beethoven queria que o executante não aliviasse o pé do pedal de sustentação ao longo de todo o primeiro movimento.

O pensamento vigente alega que isso é impossível de ser feito no piano moderno porque resultaria em dissonâncias bastante desagradáveis. Portanto, os professores propugnam aos seus alunos limparem o pedal a cada mudança harmônica.

Mas a pergunta que fica é: Beethoven tinha em mente uma melosa “sonata ao luar” ou visava algo totalmente diferente? Quando a indicação é seguida ao pé da letra, desvanecem-se quaisquer reminiscências românticas, pois soa rude, selvagem. Ao não se limpar o pedal de sustentação, o adagio assume a característica de música tocada dentro de um túnel. À medida em que as sonoridades vão se somando e se embolando e criando as temidas dissonâncias, cria-se uma atmosfera meio fantástica, surreal, fúnebre, bem distinta das fisgadas secas obtidas com cravos da época do mestre.

Apesar do consenso unânime, alguns bravos guerreiros insistem em se rebelar contra o ranço acadêmico e nos brindam com interpretações que contradizem o apelido “ao luar” dado pelo imaginoso crítico alemão.

Trarei a seguir a interpretação “senza sordino” em dois diferentes tipos de instrumentos para fins de comparação. Comecemos pelo Fortepiano, o instrumento da época de Beethoven, podemos notar que os abafadores não retornam ao longo de todo o movimento pela imobilidade do joelho, já que a alavanca de sustentação é acionada com o joelho neste tipo de piano.

Fortepiano

Piano moderno de concerto
O virtuose e professor Andras Schiff propugna uma visão completamente diferente deste movimento. Ele toca o adagio ao estilo de prelúdio bachiano, seguindo a indicação “adagio alla breve”, ou seja, interpreta como andamento bem mais rápido do que o usualmente adotado.
As palavras de Andras Schiff proferidas num Master Class sobre a Sonata Opus 27 número 2 desmontam o argumento de que enfiar o pedal e não tirar mais ao longo de todo o adagio sostenuto não pode ser feita no piano moderno por causa da ressonância excessiva. Ele enfatiza que conhece bastante o Fortepiano Broadwood (o mesmo que pertenceu a Beethoven e gravou nele), e que as dissonâncias deste tipo de instrumento são exatamente as mesmas. Antes, apreciemos a sua versão e depois do vídeo, transcrevo as suas palavras.

“In his c-sharp minor sonata Op.27 Nr.2 the entire first movement is to be played “senza sordini”, with raised dampers (with pedal).
The effect is magical, the harmonies are washed together, creating sonorities that are truly revolutionary.
It would be reasonable to assume that pianists would follow what the composer had asked for; after all Beethoven was quite a decent musician and he certainly knew what he wanted. Wishful thinking, since in fact ninety-nine per cent of them fully ignore the creator’s instructions and diligently change the pedal at every change of harmony. WHY? Because, they argue, this effect would have sounded different on Beethoven’s fortepiano than it does on its modern successor. Have these people played on Beethoven’s Broadwood? No, they certainly haven’t but they pretend to know . Well, I beg to differ because I’ve played and recorded on it. The sound, the volume and the mechanics may be different but the actual musical idea is exactly the same. A dissonance remains a dissonance, regardless of the instrument.”Testemunho de Andras Schiff

Já que estamos discutindo aqui sobre a verdadeira intenção subintendida na escrita do adagio sostenuto, alguns pianistas fazem verdadeiras fuzarcas neste movimento e não é só o Glenn Gould que suprime o sostenuto e agita o adagio! Vejamos o que faz a pianista HJ Lim em cima dos famosos arpejos.

Lei mais sobre o assunto: Moonlight Trapped in the Sonata Form?