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1 de mar de 2010

Cuidado, você pode ter se tornado nomofóbico sem saber!

Se você pertence à geração Y (nascidos na década de 80*), comece a se preocupar, pois corre altos riscos de ser mais uma das vítimas da legião de nomofóbicos que cresce assustadoramente nos países industrializados.

Nomofobia significa a dependência exagerada aos dispositivos eletrônicos, palavra oriunda das palavras inglesas “NO” + “MOBILE” + sufixo grego “PHOBIA (φόβος) = ansiedade por abstinência de comunicação portátil. Seria exagero defini-la como uma doença? Não, quando na falta dos aparelhos, a pessoa sente sensações bizarras, tais como palpitações, falta de ar, angústia, taquicardia, suor frio, fraqueza, pensamento fixo, etc.
Monges indianos tergiversam alegremente sobre os objetos da sua Nomofobia. Nem os templos budistas se salvaram do mal que consome a Geração Y!



O uso de modernas tecnologias não é por si mesmo benéfico ou danoso, mas o efeito que elas provocam em cada indivíduo pode desencadear uma compulsão psicológica, esta sim altamente prejudicial à qualidade de vida do sujeito.

Uma das prováveis maiores causas de desencadeamento da Nomofobia é a mania dos pais de abarrotarem seus filhos desde bebês de toda a sorte de tralhas eletrônicas, num gesto compensatório para repor aos filhos aquilo que eles julgam não ter tido na sua própria infância.

Para criar o Frankstein nomofóbico típico, os pais inundam a vida dos futuros doentes de brinquedos assassinos repletos de luzes, sons e movimentos, que cerceiam a imaginação e deturpam a criatividade.

Depoimento patético de um nomofóbico:
Sofro e Nomofobia desde criança provavelmente. Sempre fui dependente de brinquedos que traziam algo de mais avançado tecnologicamente, com muitos sons, movimento e iluminação. Hoje, se saio de casa sem o celular, mp4, som no meu carro, agenda eletrônica, se chego em casa e o computador ou os aparelhos eletrônicos não funcionam como espero, nesses casos entro praticamente em surto, em estresse de alto nível. Já busquei ajuda, como terapias, pois até no meu trabalho estava sentindo dificuldades, afinal só produzia estando conectada ao mundo cibernético! Já passei por crises de ansiedade por esquecer o celular em outra bolsa, e quando percebi que ele não se encontrava ao meu lado, obedecendo os meus comandos, pois eu poderia estar naquele momento perdendo oportunidades e perdendo ligações de amigos e namorado. Comecei então a sentir enorme falta de ar, e o meu coração batia aceleradamente, fiquei achando que aquele foi o pior dia da minha vida e luto atualmente para depender o minimo de tecnologia! [Tuga Trónica]

Conclusões:
Como se sucede com todas as compulsões, a Nomofobia não tem cura. Portanto, o indivíduo portador deste mal terá o resto da vida para lutar contra o sofrimento psicológico provocado inadvertidamente por pais ignorantes e/ou irresponsáveis que exterminaram o futuro dos seus filhos.

Assim, baseado nas informações acima, você já pode fazer uma auto-análise para tentar diagnosticar o seu grau de dependência ao universo cibernético. Se a sua ansiedade só tem crescido nos últimos anos, é hora de procurar ajuda em quanto é tempo e rezar para que encontre alguém que entenda o seu problema, pois apesar de no Brasil ainda não se falar em procedimentos clínicos de Desintoxicação Tecnológica, a coisa já é corriqueira em países tais como na Grã Bretanha e China, onde estão sendo internados crianças, adolescentes e adultos em clínicas e centros especializados para se livrarem ou mitigarem a compulsão.
Leia mais: Centro na China usa técnica militar para tratar viciados em Web [UOL Tecnologia].

(*) Geração Y [Galileu].

Leia também:
Brinquedos Assassinos.
Compulsão, o novo mal do Século XXI.

25 comentários:

  1. "Depoimento patético"

    Deveria existir pelo menos respeito para com essas pessoas que não são dependentes porque querem.

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  2. Não sei de onde você tirou esta conotação pejorativa para a palavra "patético". Vejamos, segundo o Aurélio: "que comove a alma, despertando um sentimento de piedade ou tristeza, confrangedor, tocante".
    A corroborar este sentido de enternedor, a sonata para piano nº 8, em Dó menor opus 13 de Ludwig Van Beethoven foi apelidada de "Patética" justamente por encarnar os predicados encerrados nesta palavra.
    Você pode apreciar a passagem mais patética, 2º movimento adagio cantabile, no You Tube sob a intrepretação do pianista Freddy Kempf.

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  3. ouch!! ;-)
    Belo texto e invariavelmente um ótimo assunto!
    Um abraço Isaias,

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  4. A Internet quebrou barreiras, aproximando a comunidade global, trouxe, por outro lado, os interdependentes do pequeno ecrã.
    Todos os dias essa imensa massa de gente que utiliza as redes sociais aumenta e com ela aumenta a ‘escravatura’.

    Adultos que podiam partilhar o seu tempo com os filhos, amigos ou desconhecidos agarram-se ao computador, armados,por exemplo,em agricultores virtuais, programando a sua vida por forma a não perderem a hora da rega ou do cultivo dessa imensa quinta global.

    Se no passado as pessoas temiam que os seus filhos entrassem na droga ou no jogo,hoje temem que se tornem prisioneiros dessa rede social virtual. Que em vez de conversarem à hora do jantar, altura em estão todos juntos,prefiram refugiar-se no computador.
    Os telemóveis com câmara de fotografar e filmar são, indiscutivelmente, uma das grandes invenções dos últimos anos.
    O planeta ficou mais próximo com essa arma poderosa.
    Não há ditadura que consiga cegar esse grande olhar.
    Se há vantagens infindáveis nos telemóveis, também há muitos aspectos negativos.
    A privacidade desapareceu, ninguém pode ir tranquilamente a um cinema ou a um lugar público sem se sujeitar a que esse acto fique registado por um paparazzo de serviço.
    Esses são os custos da modernidade. Aos aspectos negativos, podem sempre contrapor-se as vantagens. Que são muito maiores do que os inconvenientes.
    Quer isto dizer que as pessoas que fundamentam o seu permanente estado depressivo no número de horas que passam exibindo os seus traumas de infância como galhardetes que legitimam uma personalidade obscura, estão, a enganar-se a elas próprias,a justificarem a inércia com que se deixam sumir num cómodo papel de vítima que apela à comiseração.
    Eu nasci optimista, logo metade da minha felicidade está garantida.
    O que sinto é que é cada vez mais difícil permanecer optimista.
    O nosso papel como seres que têm alguma capacidade de controlo sobre a racionalidade é o nosso dever, para manter em forma este corpo que nos alberga, em sossego, com lucidez o cérebro que o coordena e em paz a alma que nos eleva, acreditar que é possível conciliar o máximo de coisas boas com o mínimo de coisas más.
    Não sou médico nem psicólogo,mas não creio que não haja cura,pois se é possível curar os toxicodependentes,os alcoólicos, além de outros vícios, certamente haverá tratamento se a comunidade científica se mobilizar.

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  5. O monge da esquerda não foi separado no nascimento do Dudú Nobre?
    xexongabaiano.blogspot.com

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  6. Alexandre,
    é o próprio Dudu Nobre versão budista.

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  7. Mário,
    Depois da invenção do lazer, os pais não querem e nem tem mais tempo para gastar com os filhos. Então, vemos o laissez-faire da educação doméstica moderna: todos podem tudo e ninguém manda em ninguém.

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  8. A palavra Phobia vem do grego e não é "oriunda das palavras inglesas"

    No e Mobile sim.

    Pronto agora se criou mais uma "doença psicológica", uma sindrome!

    Com o celular todas as pessoas são encontradas aonde estão. Não como na época que as pessoas ficava em casa esperando uma ligação de tal pessoa.
    Por isso que as pessoas se preocupam quando esquecem o celular. É normal.
    Psicologo adora achar uma loucura nas pessoas.E falar q isso é um problemão!

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  9. Phobia é um sufixo grego e o texto foi corrigido.
    Qualquer indício se configura em doença psicológica quando produz sofrimento no indivíduo.
    Se você ler atentamente os sintomas chegará à conclusão que são altamente incapacitantes.

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  10. Tirei do uso habitual brasileiro.

    Segundo o Aulete, " 1 Que desperta compaixão, piedade, tristeza (cena patética); TOCANTE; TRISTE.
    2 P.ext. Que encerra ou se caracteriza pela emoção, piedade, pesar, terror etc. extremados ou impróprios (às circunstâncias, situação, ou condições) (discurso patético; palavras patéticas; gesto patético)
    3 P.ext. Totalmente inadequado ou impróprio (desculpas patéticas)
    4 Que provoca sentimento de desprezo pela maneira de lidar com situações ou sentimentos (sujeito patético). "

    Os itens 3 e 4 são os mais populares, mais usados.

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  11. Tenho que admitir meus sentimentos patéticos com relação ao uso popular das palavras impopulares. Infelizmente, depois que a educação brasileira desconstruiu as três operações básicas da cognição, a saber, leitura, escrita e resolução de problemas, toda uma geração de indigentes léxicos está a infectar o vernáculo com reducionismos.

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    Respostas
    1. Fato, mas eu acho q o problema não é da educação brasileira(leia-se governo) é, sim , do sistema, cada geração tem que esquecer o que houve na anterior para que não haja perde de tempo para criar nada. Apenas copiar e chamar de novidade, ou algo do tipo; A industrial cultural é promíscua. Nunca houve tanta possibilidade de acesso à informação, o que é paradoxal, pois a pessoas estão se tornando cada vez ignorantes. Onde será que vamos parar com a massificação da "educação" do encarceramento da inteligência e da capacidade de rejeitar o efeito manada? Tá difícil! Será que o google acha resposta para isso? cordealmente, Roul

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  12. olá.

    NOMOFÓBICO? Pensei que fobia fosse medo, horror, ódio, lendo rápido parecia HOMOFÓBICO... é acho que tenho muito que aprender rs

    Pesquisa depois como é o nome de gente viciada em twitter e blog, aho que estou com alguns sintomas rs

    Abraço Bloguístico :)

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  13. Ana Karenina,
    é oportuno esclarecer que fobia não significa tão somente medo e aversão, como também ansiedade, compulsão e dependência.
    O conceito amplo de nomofobia abrange todos os nossos vícios particulares, tais como blog, twitter, facebook. A pessoa se descobre viciada quando ela sofre terrivelmente num fim de semana em plena natureza, quando ela se descobre sem possibilidade de conexão.
    O nosso colega blogueiro Bruno Guedes do http://blog.guedesav.blog.br/ não sofre deste mal, pois passa as férias de verão inteiras enterrado nos cafundós de Minas Gerais sem direito a nenhuma conexão de Internet decente. O sagaz toupeira está definitivamente livre da nomofobia.

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  14. Ótimo assunto!
    Venho falando isso a anos, porque eu consigo ficar sem tecnologia, mas alguns amigos não, eles tem os sintomas, aliás, TODOS os sintomas!
    E como foi mencionado, realmente a educação está ficando em planos inferiores nas prioridades.
    Quando passo em frente a algumas escolas, imediatamente fico me perguntando para quê uma criança de 7 anos precisa de um CELULAR? Isso é um absurdo! Um pai ou uma mãe que dá isso para uma criança deveria ser punido!
    Bom, o assunto renderia livros ...
    Abraço

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  15. Os pais, como não tem mais tempo, vontade ou condição de criar os filhos, dão gadgets compensatórios para que eles não encham o saco.
    Quer computador último tipo? Dão.
    Quer videogame último tipo? Dão.
    Quer iPhone último tipo? Dão. Só não dão atenção e o principal de tudo, TEMPO, artigo cada vez mais escasso na correria das grandes cidades.
    Assim, devido ao gigantesco complexo de culpa, estamos legando ao mundo gerações de doentes mentais.

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  16. "Monges indianos tergiversam alegremente..."
    Na sua opinião, qual o significado de "tergiversar"? Isso não ficou claro e o termo parece deslocado do contexto. Agradeço a bondade de seu esclarecimento.

    Abraço/Renan

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  17. Tergiversar no sentido de evasivo, virar as costas, usar de subterfúgios. Uma construção linguística que usei para descrever o momento em que os monges estão dormindo em Maya (ilusão) e, portanto, afastados da verdade.

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  18. Queira perdoar, Sr. Malta, definitivamente sua explicação é falha e puramente retórica. Na verdade, vc usou o verbo equivocadameente. "Tergiversar alegremente", é impossível, ninguém consegue fazer isso. Vc errou mas não se preocupe, não é necessário admitir em público. Faça-o para vc mesmo, se julgar adequado.
    Abraço/Renan

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  19. Por que uma pessoa não pode se evadir alegremente? Confesso que fiz uso um tanto quanto complexo do verbo e alegremente me disponho a discuti-lo. Necessitamos deste tipo de coisa em solo pátrio, onde a língua é um dos nossos valores mais renegados.

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  20. caramba! existe vida além do "first!" pela primeira vez em minha vidinha internáutica (?!) li todos os comentários até o fim. e não foi patético (1 e 2) nem patético (3 e 4).

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  21. Hehehe, legal que pela primeira vez na sua vida internética leu todos os comentários! Às vezes, obtemos as melhores informações neles.

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  22. Parabens existe vida depois de uma semana em um post !!! alias "Tergiversar alegremente" me parece extremamente oportuna, mas necessita de um certo conhecimento da filosofia monastica pra entender o sentido.

    Bem, parabens ! niiice blog ! espero um dia poder escrever com ( e como ) Você,

    com sincera admiração João Gabriel

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  23. João Gabriel,
    às vezes dá vontade de não fazer concessões linguísticas, então brotam essas pérolas. Obrigado pelos elogios.

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