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11 de fev. de 2012

Checar compulsivamente é o fim último da geração smartphone?


Nem vou me dar ao luxo de falar do vício em internet, porque tais informações já são sobejamente batidas na própria internet e nos meios de comunicação tradicionais. Neste caso, a coisa mais importante é a constatação dos fatos que estão acontecendo ao meu redor.

E a situação não está nada boa, veja, por exemplo, o cinema. Pô, aqueles minutinhos preciosos que poderíamos usar para nos desligarmos do mundo lá fora, são torrados freneticamente por compulsivos checando seus smartphones. Mesmo que o incômodo não seja audível, o distrativo rastro luminoso dos aparelhos sendo manuseados acaba irritando quem deseja tão somente imergir na experiência por qual está pagando. Será pedir demais?

E a coisa não para aí, pois recentemente numa petshop aconteceu algo que dá o que pensar sobre a queda de qualidade dos serviços prestados por compulsivos. Quando chegamos na loja o atendente estava vidrado no seu smartphone e a muito custo levantou o rosto para ouvir o pedido da minha mulher. Com um olho na freguesa e outro no aparelho, ele chegou a repetir mecanicamente o produto solicitado, como forma de memorizar algo que deveria o seu objetivo primeiro: atender eficazmente os clientes. Ao longo do atendimento, na passagem ele sempre esticava os olhos para o smarphone e posso dizer que o atendimento se alongou somente devido à sua desatenção. Uma cartela de vermífugos que ele havia partido foi reposta indevidamente à gaveta onde estavam armazenadas as demais caixas. Enquanto esperávamos pacientemente que o camarada “reachasse” a caixa perdida, fiquei matutando sobre as perdas de produtividade que os checadores impõem aos negócios.

Acho que os selecionadores de mão de obra devem começar a se preocupar em evitar a contratação de possíveis checadores de smartphones (através de testes psicológicos?). Suspeito que o vôo 447 da Air France tenha acabado no fundo do oceano Atlântico graças às decisões imbecis tomadas por integrantes da geração smartphone. Afinal, quem nunca consegue se desgrudar das minúsculas telinhas, acaba transformando seu cérebro numa pasta gosmenta e inútil incapaz de se concentrar em coisíssima nenhuma.

Pense nisso e comece a ficar com medo da próxima vez em que avistar um checador compulsivo ao volante de um carro vindo na sua direção.

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