Pesquisar

5 de fev de 2012

Todos os Tipos de Pianos Acústicos e seus tamanhos


PH Piano designed by Poul Henningsen now manufactured by Blüthner
Infelizmente, em língua portuguesa existe pouco material sobre os tipos de pianos e seus tamanhos e as poucas informações são dispersas. Assim, no intuito de munir estudantes e pianistas de dados imprescindíveis na hora de eleger um piano para ser amado, compilei todos os tipos de modelos segundo os tamanhos (acompanhados das medidas imperiais, porque elas são usadas nos pianos importados), juntamente com os prós e contras de cada um.

A principal característica aquilatadora da qualidade de um piano fica por conta do comprimento das cordas. Quanto maiores são, menos grossas elas serão, portanto, menos rígidas e menos propensas a introduzirem distorções harmônicas.
Nos pianos verticais, a dimensão das cordas é mensurada pela altura de instrumento, enquanto nos horizontais é pelo comprimento.

Tipos de Pianos Verticais
Espineta (Spinet)
Altura: 89 – 94 cm (35” – 37”)
Descrição: solução adotada pelos fabricantes nos anos 30 para abastecer de pianos grande parte da população dos EUA empobrecida pela grande depressão. Trata-se de um piano vertical extremamente pequeno e barato, consequentemente, apresenta profundidade tonal e volume sonoro bem ruins.
Prós: dependendo do espaço da residência e/ou da disponibilidade orçamentária, às vezes é a única opção da pessoa ter um piano acústico.
Contras: devido à altura extremamente reduzida, este piano é dotado de sistema de mecanismo de acionamento indireto, ou seja, ele se localiza abaixo da linha do teclado. Isto significa que além da pouca sonoridade, o pianista enfrenta uma mecânica pouco sensível. Com o advento dos pianos digitais, a produção de Espinetas praticamente se extinguiu.

Consolette
Altura: 95 cm – 99 cm (38” – 39”)
Quase idêntico ao tipo Espineta, só que de formato um pouco mais retangular. Como também possui o sistema de acionamento indireto, apresenta as mesmas desvantagens do tipo Espineta.

Console
Altura: 100 cm – 114 cm (40” – 45”)
Descrição: É um piano equipado com mecanismo de acionamento direto (localizado acima da linha do teclado), fato que facilita grandemente a transmissão da força originada nas teclas. Muito popular desde os primórdios do século XX, este tipo continua sendo o mais vendido até hoje.
Prós: baixo custo e tamanho extremamente adaptável a espaços pequenos sem, contudo, sacrificar demasiadamente a sensibilidade do toque e o volume sonoro.
Contras: Naturalmente, devido ao menor comprimento das cordas, o timbre carece de profundidade e, devido ao fato da localização do mecanismo muito próxima ao teclado, a mecânica não apresenta o mesmo conforto e precisão encontráveis em modelos maiores.

Apartamento ou Estúdio (Studio)
Altura: 110 cm – 121 cm (44” – 47”)
Descrição: O nome se justifica porque normalmente estes modelos são escolhidos por estúdios de gravações, devido ao tamanho otimizado e ao bom desempenho acústico. Os pianistas de apartamento também acabam optando por este tipo.
Prós: muito bom desempenho sonoro.
Contras: ainda não é o piano ideal para quem deseja usufruir a máxima sonoridade possível de se obter num piano vertical.

Profissional (Professional)
Altura: 122 cm – 152 cm (48” – 60”)
Descrição: Hoje, somente alguns modelos muito antigos ultrapassam a altura de 132 cm. Pianos deste tamanho podem ter maior potência sonora do que pianos de cauda pequenos.
Prós: excelente volume sonoro e excelente sensibilidade dentro das limitações impostas pela estrutura verticalizada do mecanismo.
Contras: apesar de você ter um piano com tamanho (132 cm) de cordas igual um de ½ cauda (vide quadro abaixo), ele apresentando um som de caixão. Tudo porque as suas cordas estão confinadas dentro do gabinete e a parte traseira da tábua harmônica tradicionalmente é aposta contra uma parede. Ademais, os pianos verticais não possuem o sistema de duplo escape característico dos pianos de cauda, que permite a repetição rápida da nota sem que a tecla esteja totalmente baixada.

Quadro demonstrativo da equivalência de tamanho de cordas entre pianos verticais e de cauda:
¼ Cauda Crapô de 150 cm (4' 11") equivale a um vertical Espineta de 91 cm (36");
¼ Cauda Baby Grand de 160 cm (5' 3") equivale a um vertical Console de 107 - 114 cm (42-45");
½ Cauda Médio de 170 cm (5' 7") equivale a um vertical Estúdio de 121 cm (48");
½ Cauda Parlour de 180 cm (5' 11") equivale a um vertical Profissional de 132 cm (52").
Já houve pianos verticais maiores do que 132 cm, mas foram abandonados devido a problemas de ajuste de massa do mecanismo. Nos pianos menores, é possível incrementar o tamanho das cordas através do aumento do ângulo de inclinação das cordas, recurso chamado de “cordas cruzadas” usado pelo projeto de escala de todos os pianos modernos. Porém, isto aumenta a largura do piano e torna mais complexo o projeto do mecanismo.

Pianola (Player Piano – Player Piano Rolls – Auto Piano)
Descrição: Antes do advento do fonógrafo e das gravações, a grande chance das famílias ouvirem música era ter um pianista em casa, ou na falta dele, adquirir um piano que tinha um mecanismo eletromecânico de rolo, que tocava as músicas previamente gravadas num rolo de papel.
Prós: dispensa pianista.
Contras: apesar de custar mais do que os pianos verticais comuns, produz um som débil e tremeluzente parecido com um “piano de faroeste”. Além disso, as geringonças mecânicas necessárias para tocar o rolo complicam a afinação e a regulagem, fato que eleva os custos de manutenção.

Híbrido acústico/digital (PianoDisk)
Descrição: Alguns modelos, tanto de pianos verticais quanto horizontais, oferecem o recurso de reprodução automática a partir de arquivos digitais MIDI. Por terem toda a parte acústica concomitante com o aparto de piano digital, tais equipamentos são extremamente caros. Isto significa que se um Disklavier da Yamaha de ¼ de cauda na versão acústica custa aproximadamente 28 mil reais, na versão equipada com o recurso PianoDisk salta para 68 mil reais. Portanto, é um equipamento destinado ao nicho de mercado profissional.
Prós: pode ser usado em apartamento à noite sem incomodar o vizinhos, pois basta desligar a parte acústica e tocar usando somente a parte digital e usando fones de ouvido.
Contras: custa mais do que um belo piano de cauda bem maior.

Híbrido digital/mecanismo de piano acústico (Hybrid Piano)
Descrição: Mesmo que não seja um instrumento acústico, ele se apropria de um componente chave do piano.
O principal problema dos pianos digitais, mesmo os modelos Clavinova da Yamaha, é o seu mecanismo. Apesar serem equipados com teclas pesadas imitando as do piano, a sensação de estar tocando num piano de verdade nunca é completa. Para resolver este entrave, os fabricantes criaram um tipo de instrumento que utiliza a parte mecânica do piano de cauda. Contudo, os martelos não chegam a acionar cordas que não existem, ao invés disso eles excitam sensores de movimento que transformam o toque virtual em impulsos elétricos.
Prós: por ser um instrumento digital, não precisa de afinação. Equipamento procurado por quem, mesmo enfrentando severas limitações de espaço, quer usufruir de um instrumento que transmite a ambiência exata de um piano de cauda.
Contras: custo extremamente elevado e os sons, mesmo que sejam perfeitamente sampleados, jamais recriam inteiramente a riqueza harmônica do instrumento acústico.

Tipos de Pianos de Cauda
¼ de Cauda - Crapô – Mignon (Petite Grand)
Comprimento: 134 cm – 148 cm (4’ 5” – 4’ 10”)
Descrição: O menor dos pianos de Cauda, graças a Deus, está em extinção porque é uma bomba de três patas!
Prós: custo e tamanho reduzido podem ser as suas únicas vantagens relativas.
Contras: o tamanho das suas cordas equivale ao menor dos pianos de armário, do tipo Espineta. Por isso, você não pode esperar de um Crapô nada mais do que uma bela peça de decoração pode oferecer.

¼ de Cauda (Baby Grand)
Comprimento: 149 cm -  169 cm (4’ 11” – 5’ 6”)
Descrição: Todos estes pianos de cauda pequenos tem algum crime no seu passado, explico, eles tendem a apresentar problemas cíclicos, crônicos e insolúveis, seja nos pedais, na falta de sensibilidade do teclado, na falta de profundidade dos graves, na estridência e artificialismo dos médios, na deficiência dos agudos, etc. Portanto, engana-se quem pensa que o simples fato de adquirir um piano de cauda resolve todos os seus problemas.
Prós: preço bem mais baixo do que pianos de cauda maiores. Eventualmente, é o único modelo possível de ser instalado num apartamento.
Contras: os fabricantes não se limitam a fabricar um piano de cauda menor, uma vez que eles reduzem a qualidade dos componentes, na mesma medida em que barateiam o preço final. Portanto, por trás de um pequeno Baby Grand sempre haverá grandes problemas, mesmo que seja um Steinway.

½ de Cauda Médio (Medium Grand)
Comprimento: 170 cm – 174 cm (5’ 7” – 5” 8”)
Descrição: os problemas crônicos do Baby Grand começam a ficar para trás, mas o preço se torna mais salgado. É um tamanho de piano bastante interessante para alegrar a sala de uma casa que se preze.
Prós: excelente relação custo benefício e boa fidelidade timbrística.
Contras: custo elevado e tamanho que não se adapta com tanta facilidade a qualquer lugar.

½ cauda (Parlour Grand)
Comprimento: 175 cm – 199 cm (5’ 9” – 6” 52’)
Descrição: é o tamanho ideal de piano para famílias de respeito! Esta é a faixa de tamanho adequada para brindar residências que tenham um grande espaço que pode ser destinado à música.
Prós: como este tamanho não se ressente das limitações impostas pelas leis da física típicas de tamanhos menores, é a faixa ótima tanto para o pianista recreativo, quanto para o profissional.
Contras: custo elevado e ocupa muito espaço para ser instalado em apartamento.

¾ de cauda – semi-orquestral (Semiconcert or Ballroom)
Comprimento: 200 cm – 227 cm (6’ 53” – 7’ 45”)
Descrição: tamanho de piano que pode ser pensado para equipar uma sala pequena de concerto.
Prós: são modelos extremamente bem construídos e recebem os melhores projetos de escala.
Contras: alto custo, longe das possibilidades de posse dos comuns mortais. Além disso, é um tamanho que começa a apresentar algumas restrições ao uso em residências devido à grande potência sonora.

Orquestral (Concert Grand)
Comprimento: 228 cm – 300 cm (7’ 46” – 9’ 84”)
Descrição: conforme o próprio nome diz, é um piano que se destina a atender às grandes salas de concerto e se sobrepujar à orquestra.
Prós: é o instrumento que apresenta a menor taxa de inarmonicidade entre todos os tamanhos de piano. Logo, os seus sons são puros e cristalinos em toda a gama da sua tessitura.
Contras: não bastasse o altíssimo custo, que pode se elevar a centenas de milhares de dólares, há o inconveniente do grande volume sonoro, que se já acontece no modelo de ¾ de cauda, radicaliza-se neste tamanho. Portanto, mesmo que o pianista toque num modelo orquestral com o tampo fechado, ficará surdo ao cabo de algum tempo, se o instrumento estiver confinado num espaço restrito.

Referências

10 comentários:

  1. Não aguento mais essa conversa de pianos!

    ResponderExcluir
  2. Agora entendo o sucesso que o violão faz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conseguir um violão excelente também não é tarefa nada fácil. A grande maioria dos que são vendidos por aí a 300 pilas não servem nem para tambor.

      Excluir
    2. Qual o melhor tipo de piano para quem quer tocar clássicos? Sem pensar no preço e sim na qualidade do piano. Um piano clássico que seja bom. Vc sabe informar?

      Excluir
  3. Fico agradecido pelas informações precisas e altamente tecnicas. Muito ajudam na decisão da compra.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sinto-me lisonjeado que o Blog tenha te servido.

      Excluir
  4. Muito boas as explicações. Parabéns!

    ResponderExcluir
  5. realmente exelente,agora não passo mais vergonha em conversa de pianista.

    ResponderExcluir
  6. Mas com toda a evolução da tecnologia moderna poder-se ia sim, fabricarem pianos menores e com boa sonoridade.Mas os tabus relativos a esses instrumentos, assustam quem desejasse investir num empreendimento desses que restringem muito qualquer inovação...

    ResponderExcluir