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8 de mar de 2013

Quem entende a morte de quem tem tudo?

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Chorão, o líder máximo da banda Charlie Brown Jr. se despede da vida de uma maneira assombrosa: no auge da carreira, da força viril, da fama, do dinheiro, da juventude. Enfim, um cara que encarnava o paradigma da geração que está no poder, simplesmente desliga a luz e abandona o play.

Talvez a vibe dele não fosse mais a vida, dizem que a sua depressão estava sinistra, o certo é que Chorão não chorará mais por nada e todos choram pelo inusitado do seu ato. Como pode alguém que tem tudo simplesmente entregar a toalha?

As minhas reflexões, como não detenho a verdade verdadeira dos fatos que levaram Chorão ao fundo do poço, vão no sentido paradigmático das gerações que se formaram nos anos 90 e que cresceram em meio ao excesso.

Temos muito de tudo, telefones, carros, sexo, amigos, viagens, drogas, festas, carros, energéticos, remédios. Talvez nos faltem as causas. Temos que trocar o iPhone, mas não sabemos mais o que fazer com o mundo. Será que a vida se resume a um caleidoscópio de sensações a serem levadas às últimas consequências, sem refreamentos nem culpas?

A geração sem Deus de Chorão vive um eterno agora de usufruição e isso preocupa, porque à juventude foram sonegadas as causas. Numa sociedade que nos treina para a perpétua expectativa da aquisição do próximo bem, reformar o mundo saiu da lista de prioridades. E a morte neste contexto não chega ser um fim desejado, resultante de uma profissão ideológica, mas um miserável acidente de percurso.

Por isso, quem fica chora, sem saber muito bem o porquê.

Um comentário:

  1. As pessoas cansam da vida. E um direito delas.

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