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15 de jul. de 2014

Se chegamos ao piano definitivo para quê precisamos de outras sonoridades?


As inovações de hardware e projeto de escala introduzidas pela firma Steinway foram tão tremendas e definitivas, que podemos afirmar que TODOS os pianos são mais ou menos steinways. Graças aos aprimoramentos técnicos, hoje podemos afirmar com certeza que o piano é o rei dos instrumentos! No entanto, quando se pensava que todos se contentariam com a sonoridade definitiva, surge uma tendência revisionista no século XX de retorno às raízes. Então, imperiosamente a presença do cravo se fez necessária, assim como diversos outros instrumentos de teclas que veremos abaixo, nem todos vêm para atender à demanda de peças do passado, mas também para se prestar à exploração de sonoridades exóticas por autores contemporâneos.

E isso é muito bom, pois se toda a unanimidade é burra, todo o monopólio é péssimo para os nossos sentidos tão achincalhados pela institucionalização do volume de som abusivo. Como a indústria descontinuou ao longo da história a fabricação dos instrumentos aqui elencados, eles vão sendo reconstruídos artesanalmente com base nos exemplares existentes e nos projetos remanescentes dos tempos em que o barulho ainda não era interpretado como música. A propósito, há alguns luthiers trabalhando incansavelmente por esse Brasil afora, justamente construindo instrumento esquecidos através da história.

Fortepiano
O antecessor do piano moderno tem um som delicado, cristalino e intimista, devido à o seu quadro feito em madeira e aos martelos revestidos de camurça, mais estreitos do que o recobrimento de feltro grosso adotado hoje. Como soa no fortepiano uma sonata expressiva como a Appassionata de Beethoven? Para os meus ouvidos acostumados a trovões e relâmpagos, otimamente!

Cravo
Quem se interessaria pelo volume débil do cravo e sua inexistência de dinâmica? Acredite que não são só os revisionistas estão a revalorizá-lo, como também compositores atuais do porte de um Philip Glass (ouça seus consertos para cravo e orquestra) e outros.

Cravo-pedal
O cravo-pedal foi usado nos tempos áureos do período barroco como uma alternativa para se estudar órgão em casa, ou por indisponibilidade, ou pelo desconforto causado pelo frio dos longos invernos europeus. Atualmente, estão aparecendo álbuns executados nesse instrumento extinto e o bacana disso é o ganho em nitidez de conhecidas peças de órgão ecoadas nesse aparato menos ressonante.

Piano una corda
A maioria das notas do piano moderno é composta de três ou duas cordas. Como soa um piano que tem apenas uma corda por nota? Há um nicho garantido para este piano reduzido, feito sob medida para quem precisa de um piano acústico portátil.

Lautenwerk (cravo-alaúde)
Um instrumento extinto dotado de sonoridade mágica é esse! Ainda bem que ele ressurgiu nos dias de hoje para atender peças como esta, que foi escrita originalmente para alaúde e transcrita para cravo.

Claviorganum
Você não vai acreditar na combinação deliciosa de sonoridades que um claviorganum pode dar! Nascido da mescla dos projetos de um órgão reduzido e um cravo, o que permite inúmeras combinações,  é difícil entender porque  tamanha preciosidade foi esquecida pelo gosto estético da civilização. O mais famoso cravista do século XX Gustav Leonhardt gravou um álbum inteiro executando peças de vários compositores nesse instrumento.

Piano-Pedal
Um propugnador deste instrumento é Roberto Prosseda. Imaginemos empilhar dois Steinways de concerto modelo D, destinando a um deles os graves profundos, enquanto o outro se encarrega das demais tessituras! É um instrumento “simples” conceitualmente (desde que você tenha dinheiro suficiente para comprar dois grand pianos) que pode desempenhar perfeitamente a literatura para órgão sem recorrência a transcrições.

Clavicórdio
Único instrumento de tecla capaz de produzir vibrato. Apesar do débil volume sonoro, emite uma sonoridade transparente e agradável.

6 de jul. de 2014

Como trocar por maiores os rodízios (rodinhas) de pianos verticais



Quem tem um piano de armário sofre com o problema de não poder arredá-lo ou muda-lo de cômodo de maneira prática. E o motivo é muito simples: os rodízios são subdimensionados para o peso que suportam, que pode chegar a centenas de quilos.

Se o piano é antigo, então piora, pois eles costumam vir equipados com rodízios fabricados inteiramente em ferro, fator que além de dificultar a sua movimentação, risca a madeira, sulca e quebra lajotas.

A melhor solução que vi para resolver a mobilidade dos pianos verticais encontrei implantada no piano auxiliar da professora Regina Althaus Motta. Ela partiu de um dos Dollies (dolly como é chamada a peça no mercado global) disponíveis no mercado americano e adaptou às suas necessidades. Aqui está um dos modelos vendidos lá fora que mais se aproxima ao suporte do piano da professora, sem a mesma robustez:
Dollies para piano vertical
A profª Regina pediu ao serralheiro que tomasse as medidas do piano de forma que o conjunto ficasse justo suficientemente para caber uma camada de feltro entre o metal e a caixa do piano. Vemos que não há nada parafusado ao piano, já que o suporte se encaixa perfeitamente.
Detalhe do feltro
É necessário, por causa do espaço, que os rodízios originais sejam retirados. Nem sempre a visão de baixo do seu piano é lá muito agradável!

Rodízios grandes suficientemente podem ter roda de borracha
A vantagem desse sistema é preservar a altura original do piano, permitindo que rodízios maiores e dotados de rodas de borracha possam ser usados.
Conforto e robustez!
Depois de instalados, os suportes permitem a movimentação do piano por uma pessoa somente! Atualmente, se eu tivesse piano vertical, tal providenciaria essa melhoria imediatamente, pois toda a vez que tinha de arredar o piano era uma trabalheira!
Visão traseira
Nos pianos dotados de pernas, acho melhor posicionar os suportes no corpo e deixar as pernas “voando” conforme mostra a foto.

2 de jul. de 2014

10 vídeos de piano escolhidos segundo a emoção que provocam


Faço abaixo a rememoração dos vídeos que me tocaram de alguma forma, sendo que alguns levaram vários dias para ser novamente resgatados, mas valeu a pena, pois as coisas que marcam são como joias que levamos pela vida inteira!

1 - Piano do capeta: acredito piamente que o Diabo foi o inventor dos teclados eletrônicos, no entanto, mesmo no Seu instrumento é possível realizar a maravilha de um Beethoven num safado de um teclado de plástico! E viva a magia da música, pois o cabra comprova que é possível executar obras complexas até num tecladinho chinfrim!

2 - Piano mexido: tenho uma opinião muito canônica, pois acho que o pianista deve permanecer alijado das cordas, ainda mais porque a gordura corporal presente nos dedos termina por corroer o cobre dos bordões e enferrujar o aço das demais, mas gosto é gosto e gosto não se discute.

3 - Piano ideia-fixa: o minimalismo nos reserva surpresas estupefacientes! Tente ouvir esses 14 minutos e 59 segundos e depois me diga como foram 14 minutos e 59 segundos da sua vida!

4 - Piano transcendental: toda a execução que toca profundamente o coração pela sua sobre humanidade.

5- Piano lacrimoso: se você não chorar com isso daqui, definitivamente não tem coração!

6 - Piano divino: dizem que essa mulher é uma Deusa dos teclados, o que não deixa de ser uma retumbante verdade!

7 - Piano do Drácula: diz-se que são pianos do Drácula aqueles instrumentos absolutamente desafinados, que não obstante são tolerados por ouvidos moucos de pianistas complacentes.

8 - Piano suado: diz-se que tocar piano dá um calorão danado! (É impossível que as teclas deste Steinway não tenham ficado totalmente ensopadas...)

9 - Piano titânico:  a sonata “hammerklavier” de Beethoven é o tour de force definitivo que esgota as capacidades percussivas do piano!

10 - Piano angelical: não conheço alguém que tenha sido mais tocada pelos anjos tocando piano do que a eterna Guiomar Novaes!

Nota: foi de grande utilidade o acervo publicado no grupo Pianos & Teclas, pois graças às pesquisas realizadas nele, vários fragmentos esquecidos da memória retornaram ao seu legítimo dono.

21 de mai. de 2014

Por que as pessoas são fascinadas por pianos velhos?



Fruto da minha convivência de 8 anos com um piano velho, foi o impulso de buscar algo mais confortável. Dito e feito! Acabamos nos apaixonando por um reluzente piano novo de cauda na loja e o adotamos, sem vícios nem grilos.

Doravante, fica difícil entender a primazia que o piano velho goza na gosto das pessoas. Certamente as madeiras de antanho são insuperáveis, logicamente os processos construtivos eram muito mais manuais e deve-se relevar que tais instrumentos possuem uma rica história, por vezes compreendendo várias gerações.
(Cá pra nós, é simples entender a mística que envolve candelabros, madeiras maciças, entalhes, marfins, ébanos, notória robustez dos gabinetes, etc.)

Por outro lado, tenho que ser suficientemente racional para levar em conta que, ao contrário do violino, o piano pode ter até dezenas de milhares de peças móveis e um nível de complicações que o torna o rei da complexidade entre os instrumentos! E isto luta contra as possibilidades de se adquirir um piano íntegro, principalmente se for daquele time que não vê um pianista desde o tempo em que a vovó era mocinha.

Se por um lado o elã das madeiras nobres e da história são elementos de sedução, por outro, os preços convidativos terminam convencendo os incautos. E o raciocínio é muito simples: “compro um piano baratinho e, se houver algum problema, mando consertar”.

Ledo engano senhoras e senhores! Pois nem todo o piano velho está logo ali ao alcance de uma reforma. Às vezes ele não tem nenhuma condição de ser resgatado do mundo dos mortos, enquanto em outras, o bilhete de resgate é tão grande que não vale a pena jogar dinheiro bom em ruína. (Por isso a assistência de um afinador de confiança na hora de examinar um piano usado é de vital importância.)

Digamos que você tenha adquirido um piano velho mais ou menos funcionando. A coisa continuará no mais ou menos (muitas vezes menos) até você se se fartar da experiência. Nesse meio tempo, pode descobrir que algumas cravelhas já não seguram mais a afinação, rachaduras na tábua harmônica, cordas enferrujadas, molas oxidadas, feltros desgastados, mecânica necessitando de uma UTI, etc.

Tal é a rotina de um proprietário de piano velho, ele decora os rangidos, mapeia os abafadores que funcionam precariamente, sente gelar o sangue nas teclas que tendem a trancar e prende a respiração a cada afinação para que umas três cordas não se quebrem. Logicamente os pianos novos têm lá seus defeitos, digamos assim, num menu muito mais reduzido e passíveis de correção.

Fale com um proprietário de piano velho e ouvirá um rosário de reclamações, imprecações contra a displicência dos afinadores, queixas de cliques, grilos intermitentes, desequilíbrio tonal, teclas xoxas ou presas, pedais barulhentos, sostenuto que não funciona, etc. No entanto, provavelmente a paixão do dono continua inalterada pelo seu matusalém e a sua desconfiança nesses modernos pianos chineses feitos em série por robôs continua nas nuvens.

Por enquanto, há coisas que não saem facilmente de cena e a principal delas é a tradição.

18 de mai. de 2014

Algum dia essa imagem será considerada pornografia infantil?



Faço essa pergunta porque quando os tempos mudam, antigos comportamentos passam a ser considerados abuso.  O exemplo clássico dessa assertiva é a carreira cinematográfica da atriz Brooke Shields, que decolou depois da publicação de uma série de fotos eróticas quando ela tinha apenas 10 anos!* Aos 11 anos a Brooke participou do filme “Pretty Baby” em que ela interpreta a filha de uma prostitua vivendo num bordel, logicamente gravando cenas de nudez que hoje são consideradas pornografia infantil.

Participações de crianças e adolescentes em cenas de nudez e insinuação erótica não foram nem um pouco incomuns nas décadas e 70 e 80, tanto que apresentadoras mirins de programas infantis do porte de Xuxa, Angélica, Mara Maravilha, etc., apesar de adolescentes, apareciam semi-despidas nos programas de TV dirigidos aos “baixinhos”.

Hoje desenvolvemos uma cultura de repúdio à exploração sexual de menores de 18 anos, pelo menos no tocante aos menores, pois o nosso repúdio deveria extrapolar à coisificação e transformação do corpo humano em carne de açougue em qualquer idade (o que acontece com a “carne” explorada pela indústria pornô).

Contudo, a noção de abuso infantil deve ser estendida muito além da questão sexual, pois inclui violência física e psicológica e no nosso tema aqui, grave atentado contra o futuro da criança.

Mesmo diante de todas as precauções modernas com a integridade física e psíquica de crianças, adolescentes e vulneráveis, eis que me deparo horrorizado com a imagem publicitária de uma bebê de colo falando alegremente num celular. Pior ainda, a imagem está publicada em suas versões impressa e eletrônica no jornal “Extra Classe” editado pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul!**

Então quer dizer que os educadores, que deveriam representar uma rede de proteção a crianças e pré-adolescentes, ignoram o fato de que o uso precoce de aparatos eletrônicos emissores de radiação provocam câncer numa tenra faixa etária em que os indivíduos sofrem imensa multiplicação de células? É só lançar num buscador de internet as seguintes palavras-chave “uso de celular crianças” e temos a listagem de 5.500.000 textos abordando os riscos do uso de aparelhos transmissores de radiações eletromagnéticas por crianças.***

Sabemos que professores individualmente dão Coca-Cola na mamadeira aos seus bebês, os viciam em açúcar e comida-lixo desde o berço, os expõe precocemente à violência da TV, talvez por isso mesmo o seu órgão de classe manifeste tamanha ignorância. Infelizmente esse é o retrato da situação falimentar da educação no nosso país.