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10 de ago de 2012

Bem vindo à Sociedade do Espetáculo!

Silicones voadores: tão leves e insustentavelmente empinados, que se desmancham no ar!

Recuso-me a ser negativista, tampouco niilista, talvez cedendo à tentação de um pouco dos dois, enquanto contemplo a sociedade que se desmancha num eterno e retardado presente.

O tempo aqui e agora é definido pela duração do tempo dispendido nas redes sociais, onde o sexo é alimentado a pixels e o prestígio é proporcionalmente quantificado pelo número de "amigos" desconhecidos e tantos likes que consiga ecoar.

Estou perplexo diante da ausência de ausência. Não encontro mais ninguém de olhos perdidos no horizonte, nas esquinas e quebradas, uma vez que todos se mantêm fixos de pescoços inclinados, olhos esbugalhados na telinha iluminada do eterno instante.

Conexão, já não necessariamente Liga-Yoni, se transformou num fim em si mesmo, onipresente – sem lugar para o cérebro divagante.

A imagem autoexplicativa talvez explique a falta de vazio gerada pela desnecessidade de respostas, afinal, todas as revoluções fracassaram.

Quando caiu o muro de Berlim, o ocidente se limitou a correr para o lado da cortina de ferro e plantar McDonald's, Versace, Louis Vuitton; arrastando consigo as promessas da nova aurora que nunca se consumam.

Por isso permanecemos boquiabertos dentro da crise autogeradora, porque nos viciamos na adrenalina da ânsia de esperar a materialização do empurrãozinho, a tacada final que nos guindaria a reis na sociedade do espetáculo, este que se apresenta eternamente jovem, turbinado, rico, feliz... como numa imagem midiática de novela ou propaganda de margarina.  

Toda a perplexidade de um tempo sem passado nem história foi visionariamente expressada por Guy Debord em 1967, na pré-história da internet, numa época em que os microdispositivos comunicacionais se restringiam a objetos impalpáveis da ficção científica.
Livro disponível online: A Sociedade do Espetáculo

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