Pesquisar

29 de set de 2012

Argumentos que derrubam Desculpas de Gordo

Gordo é o novo negro? Perante a sociedade sim, a pessoa acima do peso sofre bullying social e pode perder as melhores oportunidades graças a esse "defeito". Ou seria doença? A verdade é que, se por um lado a compulsão alimentar pode ser creditada ao culto pelo excesso, por outro, as pessoas imputam aos gordos má vontade, preguiça, malícia e uma propensão incansável para quebrar dietas. Estamos diante de vítimas indefesas diante da coação consumista, ou de pessoas realmente malévolas que se comprazem sabotando a própria saúde?

Quando ouvimos as velhas desculpas de gordo, temos as nossas dúvidas sobre a intenção dessa gente de se empenhar realmente na reforma de hábitos e parar com as justificativas. 

- Começo a dieta no ano que vem.
Claro, só podia ser coisa de gordo, pois ele é o ser mais procrastinador da natureza.

- Não fazem mais roupas boas como antigamente.
Pode acreditar, quando você é obrigado a esticar a suas camisetas depois de passadas, é sinal de que o problema não está no poder de encolhimento dos novos tipos de malhas.

- Ninguém é de ferro.
Desculpa padrão que o gordo dá para se soltar numa festança qualquer. Contudo, ninguém é de ferro, ninguém pode ser 100% tecido adiposo. Na realidade, a chamada massa gorda deveria ser no máximo 25% nos homens e 32% nas mulheres. Calcule o seu IMC e massa gorda aqui.

- Isso não é barriga, é calo sexual.
De onde vem esse mito de que os gordos são mais eficientes na cama? Gordos dormem mal, não têm fôlego e, portanto, cansam rápido. Ora, como é que pessoas totalmente sedentárias conseguiriam de uma hora para outra apresentar um desempenho atlético imprescindível para uma relação sexual de qualidade?

- Tenho problema genético, hormonal, hipotireoidismo, hereditariedade, etc.
Certamente existem problemas congênitos insolúveis, mas se limitar a culpar fatores intrínsecos é desconhecer o fato de que somos produtos da combinação entre a nossa biologia e as nossas escolhas. Então, aqueles que têm tendência para engordar, logicamente deverão envidar maiores esforços contra a balança do que as pessoas normais.

- Não é gordura, é gordelícia.
Elas têm razão, até certo ponto da curva de ascensão, o problema é quando a explosão de protuberâncias passa a enfeiar o conjunto.

- Quebro a dieta só hoje, depois eu compenso.
A compensação até funciona durante algum tempo, depois você poderá se dar por vencedor se conseguir sustentar o zero a zero.

- Antes de emagrecer, tenho que fazer uma plástica.
As células de gordura secretam o hormônio leptina, que transmite ao cérebro a sensação de saciedade. Quando você extrai abruptamente uma grande quantidade de gordura, o organismo se sente roubado e reage violentamente provocando uma fome infernal. Ou seja, se você não fez a cirurgia na culminância do processo de redução de peso, só se dará ao trabalho de depositar novas camadas de gordura em cima dos músculos recém conquistados.

- Gordo sim, com orgulho!
Não se pode cultivar orgulho pela doença e obesidade é uma doença terrível, causa de uma lista enorme de doenças decorrentes, tais como apneia do sono, artrite, diabete, hipertensão, cardiopatia, etc.

27 de set de 2012

Coisas que nunca deram certo na informática e outras sim

A origem do dito popular "a informática inventou problemas que não existiam" ninguém sabe, mas o que sabemos é que ele é uma grande verdade. Agora que a computação está sendo absorvida pelos dispositivos móveis, será que finalmente adentramos na era da "solucionática"? Quem migrou, já está percebendo que, enquanto algumas coisas se repetem, outras não.
BLUE SCREEN OF DEATH: o aviso de falha geral no computador sempre é real! Às vezes ela é azul, outras é preta, mas igualmente entidades mortais que paralisam tudo o que você esta fazendo e, pior, provocam a perda do seu trabalho.

ABORT, RETRY, IGNORE: botões mais inúteis da história da computação, ao apertar em qualquer um deles você descobre que o efeito é simplesmente o mesmo, ou seja, nenhum.

GENERAL FAILURE: é o aviso mais verdadeiro da história da informática, na maioria das vezes indica que o seu HD, SSD ou flash memory foram para o saco. Sem dúvida, é o General mais odiado de todos os tempos!

MOUSE DE BOLINHA: nunca funcionou direito, a única coisa que funcionava 100% era a captação de sujeira. O engraçado é que o mouse ótico padece do mesmo problema, só que em escala reduzida – eventualmente você tem que desmontar o bichinho e limpar a sujeira que se acumula no conjunto ótico.

CMOS battery low: acaba a carga da bateria de lítio de backup da BIOS que você nem sabia que existia e, por azar, você não tem uma daquele tipo em casa – o problema depois é que você terá que configurar a sua BIOS novamente.

HELP: quando algo dá errado, os programas oferecem o famoso Help, que nunca ajuda coisa alguma. O certo é que você só conseguirá uma informação útil n'algum fórum da internet.

ESC: é o legítimo botão de pânico no computador! Funciona sempre nos piores momentos. A indústria deveria ter convencionado desde o início fabricá-lo na cor vermelha.

IMPRESSORA JATO DE TINTA: esse dispositivo nasceu com tudo para dar errado e, de fato, confirma a lógica. Ou subitamente acaba a tinta, ou o cartucho novo reciclado para de funcionar, ou o cartucho entope devido à sujeira, ou a tinta vaza dentro da impressora e escorre pela casa, ou milhões de outros problemas. A minha casa traz até hoje no assoalho de madeira os vestígios das guerras tintureiras.

24 de set de 2012

Os 4 cavaleiros exterminadores da sua dieta

A sociedade está doente e o hábito de comer lixo pode ser a causa
Diante da epidemia mundial de obesidade que se espalha pelos quatro cantos do mundo, eu me pergunto quais são os elementos chave que deixam as pessoas gordas. Ora, o sobrepeso e os diversos graus de obesidade são frutos diretos do estilo de vida ditado pela revolução industrial e a decorrente fartura ilimitada de alimentos desnutrientes e ricamente calóricos.

Graças ao meu convívio com dietas alternativas baseadas em insumos naturais, posso afirmar seguramente que a gênese de uma um gordo passa necessariamente pela capitulação aos 4 cavaleiros do apocalipse que dominam a base alimentar que nos foi empurrado pelo colonialismo cultural americano.

Assim, quem tem grande tendência para engordar deve saber que o açúcar branco refinado, sal, gordura vegetal e farinha branca são os verdadeiros inimigos a temer, evitar e passar longe.  O problema é que esses ingredientes estão na base do alimento consagrado nas festas e eventos sociais de todos os tipos.

1 - Açúcar branco refinado:
Menina apresentando os sintomas de "Sugar Blues" intoxicação por açúcar branco
Precisamos bastante de energia para enfrentar a correria do dia a dia. Mas, aí o diabo inventou o açúcar branco, cujo processo industrial de branqueamento tem como único objetivo deixar a sacarose pura, sem as "impurezas" da cana de açúcar. O problema é que as tais impurezas são vitaminas e outros elementos que retardam a metabolização da sacarose e o resultado disso nós vemos nas ruas: muita gente acima do peso em virtude do consumo abusivo de energia instantânea, cujo excedente vão se sedimentando em camadas que constituem os temidos pneus.

- inventou o diabetes, inflamações, cáries, descalcificação, alergias, em suma, o seu consumo é a causa primária de quase todas as doenças modernas;

- solução: a eliminação radical do açúcar branco é condição imperativa para o sucesso da adoção de um estilo de vida saudável. Veja bem, isso não implica na adoção dos venenosos adoçantes artificiais.

2 - Sal:
A hipertensão foi inventada pelo consumo excessivo de sal
Necessitamos primordialmente do sódio para sobreviver. No entanto, enquanto os nossos antepassados das cavernas faziam grandes esforços para obter o sódio de cada dia, passamos há muito do limite aceitável de consumo. Depois da industrialização, nos acostumamos ao sabor salgado e não conseguimos nos imaginar abdicando desse prazer.

- inventou a hipertensão, insuficiência renal e, principalmente para os gordos, a retenção de líquidos. (A propósito, os males oriundos do consumo excessivo de sódio podem encher tranquilamente vários compêndios médicos.)

- Solução: a redução drástica da ingestão de sódio é a única forma de aumentarmos a nossa qualidade de vida – claro, à princípio a custa de renúncia ao prazer, mas aos poucos a pessoa se acostuma e passa curtir outros temperos tão ou mais prazerosos do que o sal.

3 - Gordura:
O volume que 1 Kg de gordura humana se fosse carregada na mão
A ingestão de gordura é muito importante porque ela é usada em vários processos metabólicos, tais como formação dos ossos, sintetização de hormônios, controle da glicose, etc. Funções do Tecido Adiposo

Por isso, o alimento gorduroso é muito mais saboroso, mas graças ao excesso do elemento difícil de conseguir na antiguidade, a gordura excedente é estocada no corpo e cria aquelas saliências típicas da obesidade.

- inventou o colesterol alto, triglicérides altos, entupimento de artérias, etc.

- bolução: é simples, para iniciar basta parar com o consumo de todos os tipos de frituras. Com o tempo, você começa a sentir nojo de alimentos ultra engordurados.

4 – Farinha branca refinada
Feita para regalar, feita para matar
Não, ela não é necessária, nem nutritiva e, muito antes pelo contrário, a sua adoção inaugurou na civilização uma era de doenças antes desconhecidas. Com o advento da industrialização, o produto exclusivo da aristocracia passou a ser consumido pelas multidões. O famoso pão branco desejado pelos pobres, que apodrecia os dentes, amolecia os ossos e deixava os nobres barrigudos, ficou acessível às pessoas comuns que repudiaram seus pães grosseiros feito de grãos pouco moídos.

- os farináceos de modo geral, pão, lasanha, pizza, bolo, doce, inventaram a prisão de ventre (constipação) e a subnutrição ocasionada pelo superconsumo de alimentos altamente calóricos e sem valor nutricional algum.

- solução: a alimentação baseada em farinhas refinadas foi inventada pela indústria para que as pessoas comessem muito o tempo inteiro. E não é que deu certo? A praga de obesidade é a comprovação de que enquanto a indústria enche as burras de dinheiro, os consumidores entumecem as panças de lipídios.

Na questão dos cavaleiros do apocalipse da alimentação, a minha mulher aponta outro igualmente terrível para os programas de emagrecimento: o leite.
Leite de vaca: o inimigo público nº 1 das crianças alérgicas
Este personagem tão valorizado na alimentação ocidental é responsável, além do óbvio  engordamento – finalidade aliás para a qual foi criado, afinal, os filhotes dos mamíferos precisam ganhar peso rapidamente – também como elemento deflagrador de alergias, caspa, seborreia e é um velho conhecido produtor de muco, aquele responsável pelo pigarro.

O grande problema do leite reside na proteína lactose, que não é muito bem digerida pela maioria dos adultos e em muitas crianças ela provoca sofrimentos respiratórios ao longo de toda a infância – padecimento inútil, diga-se de passagem, pois é fruto único e exclusivo da ignorância e/ou teimosia dos pais.

21 de set de 2012

Você tem Facebook? Se não, cuidado você pode ser um alienígena!


Você tem Facebook? Essa pergunta já banalizou mais do que qual é o seu nome, endereço, telefone, filiação, local de trabalho, etc. Eventualmente, alguma pessoa revela constrangidamente que não tem Facebook!

Então, você fica olhado para a cara dela pensando no perigo que corre diante de uma súbita invasão de alienígenas. Pois o novo status quo determina que quando alguém abre um perfil lá na rede do Mark Zuckerberg, mesmo que atirado às traças, tem direito a um salvo-conduto rumo à humanidade e à aceitação social.

Por que esse salvo-conduto se tornou essencial à vida moderna? Ora, visionariamente o Facebook engendrou o sistema de Linha do Tempo (Timeline) para abarcar a vida da pessoa na sua integralidade, desde o nascimento até a morte. Isto implica que a vida dos usuários é um livro aberto, nem que o perfil seja apenas para os amigos, pois os amigos dos amigos bisbilhotam, assim como os amigos dos amigos dos amigos e assim por diante, abranger as bilhões de almas anônimas habitantes da crosta do planeta.

Se você, ao procurar um emprego e declara que não tem Facebook, deixa margem ao subentendimento de que não possui vida. Nesse caso, as suas chances de conseguir a vaga são tão remotas quanto às dos seres quiméricos.

Vai iniciar um namoro? A resposta negativa à pergunta crucial, certamente desestimulará futuras possibilidades de estreitamento da relação. Em resumo, suas chances amorosas na vida real podem sofrer sérios danos se não tiver existência virtual.

Está partindo para a separação e quer que a pessoa suma da sua vida? Pois bem, o processo doloroso começa com a mudança do status para "solteiro" e a retirada dela do seu círculo de amigos, talvez até um bloqueio nos casos mais litigiosos.
Assim, suas comidas, dores, alegrias, férias, cachorros, bebedeiras, filhos, incertezas, mágoas, família, gatos, comemorações, todos essas pequenas coisas vão compondo peças do grande mosaico da sua Linha do Tempo, de uma maneira jamais vista na história da humanidade, quando as vidas das pessoas se convertem em livros públicos e abertos acessáveis a qualquer um. Essa implosão do princípio da privacidade será o cumprimento da profecia bíblica que previu como um dos sinais do fim dos tempos a irmanação de todos os seres humanos numa só nação, ou será essa a marca da besta? Quem viver verá.

18 de set de 2012

7 virtudes essenciais do piano acústico


Na hora de escolher um piano para chamar de seu (na realidade acho que é o contrário, o piano é que escolhe o dono), você se vê diante de muitos dilemas: novo, usado, cauda, vertical, meio-usado, marca, modelo, pechincha, etc. E a complexidade da escolha só aumenta quando você leva em conta que essa máquina maravilhosa concebida para produzir notas musicais pode pesar mais de 300 kg, tem de 14 a 22 mil peças móveis e aproximadamente 230 cordas que exercem pressões combinadas de 15 a 25 toneladas sobre a sua estrutura.

1) Integridade física
Assinalemos aqui que o piano não existe para ser belo, uma peça esplêndida de carpintaria e marchetaria, ademais, ele pode até ser bem surrado e mesmo assim não perde a sua excelência como instrumento musical. Contudo, determinados fatores podem simplesmente decretar a morte do piano, tais como as diversas formas de corrosão, ataque de insetos e roedores, umidade, longo tempo de armazenamento em ambiente sujeito a grandes variações térmicas, etc.
Isto quer dizer que não basta ao piano ser bonito por fora e detonado por dentro, apesar do contrário ser verdadeiro. Por isso, os leigos deveriam tomar cuidado quando se apaixonam por uma joia de móvel, se não pretendem levar para casa apenas uma mobília exótica.
É claro que as pessoas não seguem esse conselho, pois elas estão muito mais interessadas em madeiras ricamente trabalhadas envernizadas impecavelmente, do que num aparato acusticamente maravilhoso. Para ilustrar o quanto o senso comum está distante da expertise de um grande mestre, transcrevo abaixo* o relato da peregrinação que o pianista canadense Glenn Gould fez em busca do piano perfeito, aquele que foi usado nas últimas gravações da sua carreira – ao final ele acabou optando pelo mais instrumento mais ordinário e surrado jogado no fundo da loja, apesar de ter à disposição dezenas de modelos reluzentes novos e usados.

2) Toque e equilíbrio mecânico
Oferecer um toque suave é uma virtude essencial num piano, já que o teclado é o único ponto de ligação entre o executante e a maquinaria escondida embaixo do tampo. Além disso, é imprescindível que um bom piano ofereça a mesma tocabilidade em todas as teclas, ou seja, que você seja capaz de experimentar o mesmo toque ao longo de todas as oitavas.

3) Equilíbrio e qualidade tonal
A virtude do equilíbrio é uma das mais requisitadas num piano. Ela define a capacidade do instrumento de gerar sons uniformemente distribuídos nas três regiões: graves, médios e agudos. É como se coexistissem 3 pianos num só. Quanto menos eles forem discerníveis ao ouvido, tanto melhor será o piano. A ruptura entre as regiões foi agravada pela adoção das cordas cruzadas, um artifício criado para aumentar o comprimento dos bordões, mas que introduziu no piano um momento de quebra timbrística no exato ponto da junção em que as cordas mudam a inclinação. Ainda bem que os projetos de escala bem executados minimizam essa deficiência ao ponto dela se tornar imperceptível aos ouvidos menos treinados.
Qualidade tonal:
Baixos claros e bem delineados, não débeis ou distorcidos, médios claros e sem estridência, e agudos atuantes com som semelhante a sinos são alguns dos predicados que se espera de um bom piano.

4) Estabilidade da afinação
Não se trata aqui de se discutir se o piano segura os 440 hz do Lá central. Mais importante do que isso é o piano segurar algum padrão de afinação, mesmo que mais baixo, pelos menos ao longo do intervalo de 6 meses em que se espera que ele seja afinado. O fato do piano conseguir ser afinado no padrão de 440 hz é importante apenas para os pianistas envolvidos em gravações, ou execuções conjuntas com outros instrumentos.

5) Inarmonicidade, quanto menor melhor
Você pode não sacar nada de teoria acústica, mas o seu ouvido tem mais ou menos prazer ao ouvir um determinado piano. E parte dessa percepção se deve ao fenômeno da inarmonicidade, ou seja, da estranha propriedade que os pianos têm de se afastarem do piano teórico ideal definido pelas leis da física. No piano ideal os sons harmônicos são múltiplos perfeitos da nota fundamental. Entretanto, no piano real e imperfeito a rigidez inerente à estrutura das cordas provoca um desvio progressivo das notas parciais (harmônicas), que aumenta na proporção da diminuição do seu comprimento. Por isso os grandes pianistas adotam como seu instrumento padrão o grande piano de concerto, cujo comprimento de mais de 3 metros ajuda a minimizar os efeitos da inarmonia intrínseca aos pianos.
A conclusão óbvia é que quanto menor é o piano, menores são as suas cordas e maior será a sua inarmonia – por isso os pianos pequenos soam piores – e isso é uma limitação física instransponível, conforme foi abordado nesse artigo:
Cordas de pianos velhos podem estar oxidadas, principalmente os bordões, cujo sintoma audível acontece quando são percutidas: produzem um som oco e "balofo".

6) Riqueza tonal
A qualidade do timbre é tudo num piano, pois de outra maneira você preferiria adquirir um tosco piano digital, que não passa a ideia de menor pulsação de vida, ou seja, é um instrumento morto por excelência.

Assim, por ser a beleza do timbre a virtude mais primordial do piano, há um grande contingente de pianistas que só cogitam comprar "pianos alemães velhos", por acharem que somente este tipo de instrumento antigo é (ou foi) capaz de atingir a excelência acústica.

Este artigo menciona um depoimento emblemático sobre o assunto que ilustra cabalmente o que estou falando:
Veja o som produzido por um modelo antigo do Chickering e sinta a diferença.  Era algo caloroso e magnífico, quase sinfônico.  Era suave e perfeito para os melhores repertórios.  Em comparação, esses novos pianos chineses são desafinados, desajeitados e pontiagudos.  O som parece com o de uma marimba.  É impossível tocar Schubert ou Brahms nesse lixo.  Ninguém quer ouvir essa coisa.  Eu quero voltar àqueles velhos tempos em que os pianos tocavam música de verdade!

Entretanto, comprar um piano velho não é uma tarefa tão simples, pois a possibilidade de adquirir um instrumento irreformável ou com altíssimo custo de restauração é um fantasma sempre presente.

7) Potência sonora
Quando você experimenta vários pianos percebe que alguns deles são pouco audíveis. Isto significa que se você levar um desses mudinhos para casa, certamente acabará pegando tendinite nos braços na tentativa de arrancar fortíssimo quando for necessário. Por outro lado, existem os pianos gritões – ironicamente, alguns alemães antigos – que berram o tempo todo, independentemente de você estar tocando pp ou FF. Com isso, chegamos à conclusão de que a característica da goela do piano é um fator importante na hora de se deixar apaixonar, ou guardar respeitosa distância daquele instrumento.

*Tendo resolvido que as instalações para gravação da CBC eram tecnicamente inadequadas, Gould voltou-se ao estúdio da Columbia na East Thirtieth Street em Manhattan, que a CBS, por imposições econômicas próprias, estava a ponto de fechar. Variações Goldberg foram uma das últimas poucas gravações feitas lá. Mas Gould tinha uma outra razão para essa viagem a Nova York. Depois de todos os anos com um Steinway, ele queria procurar um piano novo, e embora quisesse experimentar mais Steinways, e especialmente os Steinways fabricados na Alemanha, também quis experimentar Bechsteins e outras marcas. Sua pesquisa por fim levou-o a um Yamaha novo na vitrine da Ostrovsky Piano Company, exatamente atrás do Carnegie Hall. Experimentou tocar aquele Yamaha novo e alguns outros instrumentos em exposição, um espetáculo tão pouco usual que a loja tentou fazer uma camuflagem. "Para assegurar a privacidade dele", de acordo com Robert Silverman, que havia arranjado a experimentação, "Ostrovsky pendurou lençóis nas vitrines da frente. Imagino o que as pessoas que passavam por aquela rua movimentada podem ter pensado, enquanto Gould tocava – apenas com uma lâmina de vidro funcionando como barreira de som."
Gould não ficou atraído por nenhum dos pianos em exposição na vitrine da Ostrovsky, mas quando já estava saindo, vislumbrou um Yamaha bastante usado num corredor dos fundos, e resolver experimentar aquele. Ninguém queria que ele usasse um instrumento tão velho, mas ele insistiu. Foi como uma redescoberta do maltratado Chickering do chalé à beira do lago de sua juventude, como o momento em que o príncipe descobre que o sapato de vidro serve no pé da Cinderela. Era "exatamente o instrumento que ele estava procurando", disse Silverman. "Ele ligou para dizer que a longa procura estava acabada." Gould comprou o velho Yamaha na hora e mandou que fosse enviado para a Thirtieth Street, para a gravação das Variações Goldberg. "Sentimos uma grande alegria e realização", escreveu Debbi Ostrovsky para Gould, "em ter cuidado de um instrumento que, afinal, vai achar seu lar com você."
Livro Glenn Gould: uma vida e variações de Otto Friedrich - Capítulo: Variações Goldberg II, página 307. Disponível no Google Livros.

12 de set de 2012

Por que o vício em pornografia online é pior do que drogas pesadas?


A principal diferença entre compulsão e vício é que a caracterização da primeira se dá por meio de um hábito repetitivo e danoso para o bem estar do indivíduo, enquanto o segundo, necessariamente está relacionado a um elemento externo estimulador do centro de recompensa do sistema límbico.

O elemento ativador do vício é normalmente associado a alguma substância química, o que dificulta a classificação da pornografia online como um vício. Contudo, ela apresenta os mesmos sintomas da dependência de drogas pesadas, inclusive a progressiva tolerância ao elemento desencadeador, fato que incita o viciado a buscar um estímulo cada vez mais potente.

- Os efeitos da pornografia sobre o cérebro têm toxidade comparável ao da cocaína, em termos de aumento da tolerância ao fator desencadeador. Um psicólogo propugna que "a exposição prolongada à pornografia deflagra o gosto por formas bizarras de sexo, tais como sexo grupal, práticas sadomasoquistas, fetichismo, pedofilia e contato sexual entre humanos e animais (zoofilia)".

- No momento em que a pornografia é colocada na categoria das drogas, é forçoso admitir-se que a internet é o meio mais otimizado de distribuição de todas elas, pois além de garantir o anonimato aos consumidores, os conteúdos pornográficos estão disponíveis gratuitamente no interior dos lares ao longo das 24 horas do dia durante 7 dias por semana. É o delivery perfeito! Além do mais, permite o acesso livre a crianças e adolescentes - que sabem usar a internet melhor do que os adultos. Assim, está se formando uma geração inteira de jovens viciados que nunca mais conseguirão expurgar tal droga dos seus cérebros.

- Ao contrário da cocaína, crack e heroína, que basta o paciente se submeter à desintoxicação para vislumbrar alguma esperança de remissão, o dano provocado pela pornografia ocorre de maneira muito mais sutil e profunda, tanto que ela é chamada de "a nova cocaína". Por que ela é tão poderosa? Os estímulos pornográficos afetam intensamente diversos tipos de conexões aos níveis emocional, biológico e químico. Assim, a exposição à pornografia libera hormônios do prazer que, apesar de serem secretados normalmente em pequenas doses, são liberados em quantidades muito maiores. Entre eles estão a dopamina, norepineferina, oxitocina, serotonina, etc.

- O grande problema causado pela pornografia é o mesmo das drogas pesadas: a hiperestimulação dos centros de recompensa. Uma vez danificadas, tais áreas cerebrais jamais voltarão à condição original, ou seja, praticamente não existem perspectivas de cura, só controle dia a dia visando evitar a recidiva.

- A doutora Mary Anne Layden, psicóloga da Universidade da Pensilvania-EUA, é uma das defensoras do enquadramento da pornografia na categoria de vício. Ela esclarece que os mesmos critérios usados para diagnosticar distúrbios, como dependência do jogo e dependência química, podem ser aplicados ao consumo abusivo de pornografia. Os terapeutas que tratam esses distúrbios relatam que o comportamento de viciados em pornografia é idêntico ao apesentado por dependentes químicos. Um dos mecanismos chave do vício é o desenvolvimento de tolerância à substância viciante. Em outras palavras, os drogados necessitam incrementar mais e mais as doses para alcançar o mesmo nível de prazer que obtiveram na primeira experiência – o mesmo fenômeno ocorre entre os viciados em pornografia, que buscam progressivamente gêneros cada vez mais pesados, mesmo ao custo de incorrerem em crimes de armazenamento e troca de material ilegal concernente à pedofilia.

- Infelizmente, esse é o caminho sem volta dos viciados que não se submetem à terapia; ou por negarem o problema, ou por vergonha, ou por medo de perderem as ligações afetivas com o mundo real, ou por já terem perdido os últimos laços familiares e sociais.


Referências:

8 de set de 2012

Conquistados os direitos individuais, lutamos pelos da espécie humana


Os movimentos coletivos de protesto sempre existiram, contudo, hoje eles são potencializados pelas ferramentas facilitadoras das redes sociais. Concomitantemente a isso, a imprensa está sempre de olho em matérias baratinhas e que provocam grande apelo, especialmente as que apelam para a nudez.

Todavia, será que o ato de protestar é apenas uma forma de dar voz a desequilibrados mentais? A história mostra que sem o protesto não teríamos jornada de trabalho de 8 horas, descanso remunerado nos finais de semana, férias, voto das mulheres, educação universalizada, saúde pública, etc. Enfim, os direitos humanos fundamentais somente foram adotados como tal pela via dos protestos e inúmeras vítimas que se sacrificaram em nome da liberdade e de condições melhores.

Hoje, com os direitos individuais garantidos, temos um longo caminho pela frente para avançar na direção de outros, mais abrangentes e que envolvem raça humana como ente, mais especificamente no que concerne à ecologia.

Go Veg - Stop Eating Animals – pare de comer animais
O consumo de carne de animais pelos seres humanos é grande responsável pela destruição dos últimos remanescentes de florestas tropicais.

Burn Fat Not Oil – queime gordura, não gasolina
O camarada aí está 100% certo em tentar trocar o seu faiscante carrão vermelho pelo transporte canela.

Occupy Wall Street – ocupação das praças financeiras
Guardando certas semelhanças ao movimento hippie dos anos 60, este protesto visa chamar a atenção para a ação corrosiva dos grandes especuladores que manipulam as riquezas mundiais.

No More Fur – contra o uso de pele de animais
Usar pele é para poucos, endinheirados e alheios aos problemas ecológicos e éticos envolvidos na criação de animais destinados à extração das suas peles.

One Less Car – um carro a menos
O espaço ocupado por um carro – normalmente usado por UMA PESSOA - numa cidade é absolutamente injusto aos demais humanos que se comprimem nos lamentáveis transportes coletivos.

Go Naked! – We'd rather go naked tan wear fur! - Prefiro andar nu a vestir peles
Este é o lema central da campanha nudista que visa conscientizar os abonados a abandonarem o costume milenar de se cobrirem com escalpos de animais.

Slut Walk – marcha das vadias
Contra a agressão das mulheres baseada no pressuposto de que elas provocam.

Picnic in the Street – piquenique na rua
Os futuristas da década de 50 jamais imaginaram que os nossos grandes centros urbanos expurgariam pessoas que não estivessem metidas em úteros de aço.

Naked Bike Ride – pedale nu
Protesto mundial contra a falta de espaço para as bicicletas nas grandes cidades.

5 de set de 2012

10 perguntas intrigantes que você gostaria de saber as respostas


1) Se dizem que a vida é curta, significa que a morte é eterna?
A percepção dos vivos é marcada pela efemeridade, por isso chegamos à conclusão de que os conceitos de vida e morte dependem tão somente da memória – porque de outra maneira perceberíamos que vida e morte se sucedem como se fosse uma roda.

2) Quem são os inventores das piadas?
Como os autores são sempre anônimos, é fácil concluir que nesses instantes algum sujeito está bolando uma piadinha infame que será incorporada ao anedotário popular (digo infame porque a compreensão de piadas passa longe das minhas habilidades mentais). Quisera conhecer um cretino desses, provavelmente um "atarefadíssimo" funcionário público!

3) Por que dentro da coxinha de galinha não há nem vestígios de coxa de galinha?
Farinha, gordura alaranjada e muito sal são os ingredientes dessa grande metáfora alimentar dos centros urbanos.

4) Para onde vai a brita jogada de tempos e tempos nas estradas de chão?
Sempre quis saber, só sei que ela some depois de algum tempo.

5) Por que as mulheres sempre reclamam que não têm roupa?
Mesmo com os roupeiros entulhados, elas juram que não têm um simples pedaço de pano para sair.

6) Se o universo foi criado pelo acaso, por que ele não lava a minha louça quando a deixo ao acaso?
Fiz o teste, mas tive que ceder, pois não aguentei ficar esperando que o universo conspirasse ao meu favor.

7) Se reclamam de tudo pela internet, como você pode escolher um produto baseado nas críticas postadas na internet?
É simples, basta traçar mentalmente os grafos do modelo desejado. Grafos são linhas que se distribuem espacialmente segundo as ocorrências de determinado fenômeno. Nesse caso, os vértices são os motivos das reclamações. Caso o produto sofra um grande número de reclamações sob poucos motivos, é sinal de que ele realmente apresenta problemas. No caso de motivos muito pulverizados, é provável que as reclamações resultem de problemas pontuais.

8) Por que as fotos de projetos de trânsito nunca mostram congestionamentos?
A enorme ênfase que os nossos gestores públicos dão ao transporte individual os induz ao paradoxo do coelho e da cenoura pendurada na vara: na mesma proporção que o coelho se aproxima a cenoura se afasta. Eis a sina dos grandes projetos que prometem desafogar o trânsito; tão logo tais obras de arte são inauguradas, se tornam ultrapassadas e obsoletas diante do número de carros que cresce geometricamente, ao passo que a infraestrutura só consegue crescer aritmeticamente.

9) Se estão cientificamente comprovados os males do cigarro, por que tantos jovens aderem ao vício?
Graças a quê os nossos jovens adentram nessa grande tragédia, se as propagandas ostensivas foram proibidas há décadas? A famigerada indústria do tabaco descobriu que a propaganda implícita é tão ou mais aliciante do que a direta. Por isso, os personagens de novelas e filmes exalam fumaça como chaminés - a ciência do comportamento comprova que a simples exposição da atividade tabagista é capaz de arregimentar novos escravos às hostes desse exército do mal.

10) Por que países e pessoas caíram na desgraça do desconhecimento do verdadeiro mal?
Tudo culpa do materialismo galopante que tomou conta dos nossos tempos. Uma sociedade que ignora os seres definitivamente perdidos, provavelmente está também no caminho da perdição definitiva.