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5 de out de 2012

Conhecereis o homem pela sua barriga, a maldição bíblica não documentada


Não é apenas uma questão de estética, já que a protuberância abdominal vai além, é uma maldição masculina, talvez uma das não documentadas lançadas por Deus durante a expulsão do paraíso. Enquanto elas engravidam de filhos, engravidamos das facilidades da vida.

A verdade é que um dos preços a ser pago pelo ato da Eva ter comido a maçã, foi o nosso embarrigamento, pois acreditamos que no Jardim do Éden não havia espaço para pneus e rotundidades lipídicas. Assim, além da condenação específica ao eterno e infrutífero trabalho no suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó te tornarás. Intui-se que Adão passou a sofrer a danação velada da barriga que se avoluma na medida do avanço da idade, ou seja, quando a volta ao pó se aproxima.

Logo, a personalidade do homem pode ser perfeitamente definida pelo tamanho da sua barriga. Se depravado de custumes, lhe surgirá o indefectível calo sexual, se bebedor, a famosa barriga dura de chopinho, se for rato de academia, ostentará os místicos "six pack" (mormente confundido com gay), se sedentário e comedor de lixo, terá a barriga mole escorrendo para fora, se vegetariano e fisicamente ativo, exibirá uma barriga chapada raramente encontrada em homens acima dos 40.

Quando me dei conta de que a minha barriga, fruto de anos de excessos que para mim não foram tão excessivos assim, não estava me levando a lugar algum, resolvi mudar a fotografia. Dois anos depois de dar adeus os churrascos, pizzas, jantas copiosas, Bib's, confeitarias (sinônimo de toneladas de gordura hidrogenada), cervejas, refrigerantes normais-ligh-diet-zero, açúcar branco, frituras, festas de fim de ano, sal, x-burguer, adoçantes artificiais, lasanha, sorvetes, batata frita, maionese, sobremesas, restaurantes, etc*, ainda espreito uma barriguinha teimosa.

Ela está lá resistindo bravamente sem dar sinais de se chapar, talvez num aviso de que o tamanho da minha continuidade de propósitos ainda é tenuemente curto. O bom é que descobri nessa altura do campeonato que a privação de gulodices gordurosas e açucaradas, que antes era uma autêntica renúncia ao prazer, hoje é renúncia fácil a itens que provocam uma leve sensação de enjoo. Saberei depois se a anulação da danação do paraíso tem a ver com a adoção irrestrita de vida de monge, ou se é de caráter irrevogável.

O bom resultado das renúncias é que viver sem barriga (ou pelo menos com uma pochete) é como voltar a vivenciar o paraíso do maior vigor sexual, fôlego redobrado, disposição, desaparecimento das dores articulares, sono tranquilo, etc. Certamente, por vias transversas, o jardim das delícias do Éden não foi afastado tanto assim do nosso alcance, desde que nos capacitemos a reconquistá-lo.

* não mencionei café porque acho que ele não engorda.

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