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23 de nov de 2011

Belíssimas impressões sobre o piano de cauda Palatino PGD-59

Depois de decretar o fim da era do meu piano de armário, passei a pesquisar em todos os lugares um bom piano de cauda que nos desse prazer em primeiro lugar. Então, decidimos eu e a minha mulher, que merecíamos qualificar os nossos momentos lúdicos, ainda mais porque não temos TV, portanto, nos desobrigamos de perder a metade da vida vegetando em cima do sofá.

Logicamente, a primeira opção recaiu sobre um piano usado. Todavia, a realidade do mercado não coopera com que tem no máximo uns 30 mil de suado dinheirinho para dispender num piano. Nessa faixa de preço, você só encontra sucateira caindo aos pedaços. Logo, a solução seria tentar alguma coisa no, antigamente, caríssimo comércio dos novos.

A minha ideia inicial foi um piano ¼ de cauda daqueles bem pequenininhos mesmo, cheguei a pensar no Yamaha GB1 de 149 cm de comprimento. Mas as resenhas dos gringos foram desanimadoras: seus martelos não tem revestimento interno (aquela borda vermelha na borda interna do feltro do martelo) – o que faz com que não retenha por muito tempo a entonação, sua estante de partitura é fixa, as notas agudas não tem dupla escalada e vários outros senões que me fizeram desanimar em dispender 27 mil e não ter um produto à altura das minhas expectativas.
Veja aqui uma comparação entre o Yamaha GB1 e o Wendl &Lung 161: Roberts Pianos
Entenda a dupla escalada (duplex scaling) e saiba a nomenclatura em inglês dos componentes do piano aqui: Piano Construction

Felizmente, soube através da minha professora de piano que a loja MilSons de Porto Alegre estava representando uma nova marca, que soube mais tarde ser a Palatino, pianos fabricados na China. Depois da desconfiança inicial em relação aos produtos chineses, passei a pesquisar na internet todo o material possível sobre a tal marca da qual nunca tinha ouvido falar. Descobri que os americanos estão comprando pianos Palatino desde 2004 e há vários relatos bastante favoráveis, enquanto outros nem tanto assim, talvez em função da velha guerra entre dealers.

A resenha crucial para definir a minha preferência, foi escrita em 2009 por Mary C. Smith por ocasião da visita à famosa feira de instrumentos musicais NAMM, realizada anualmente em Anaheim na Califórnia:
“Meu segundo favorito foi o piano Palatino de cauda PGD-59 (profundidade de 178 cm*), produzido pela AXL em sua moderna e automatizada fábrica localizada em Shangai, China. O  59, dotado de martelos Abel (Alemanha), tem uma dinâmica extensa e uma sustentação moderadamente boa. O mecanismo é extremamente macio, que dá a impressão do piano tocar por si mesmo. A região do tenor e baixos superiores (uma oitava e meia acima do dó central), por seu tom mais lírico, dá um retorno bastante prazeroso ao pianista.”
A autora dessa resenha também avaliou o piano PGD-62 (profundidade de 188 cm) no site: Piano Buyer Chinese-made Grands.
Leia também um pequeno Histórico da marca Palatino

Além disso, achei uma sequência de vídeos produzida para o site myfirstpiano contendo testes das mais diversas marcas de pianos usados, desde um Steinway antigo, passando por Yamahas, Kawais, até chegar ao Pramberger. Para mim o teste do Palatino foi decisivo para o início da paixão: seu tom não era tão estridente quanto o do Yamaha, nem tão abafado quanto o do Sohmer (sejamos francos, nem divino como o tom do Steinway!); o meio termo financeiramente possível estava justamente no Palatino PGD-59, cuja demonstração você poderá apreciar no vídeo abaixo:
O set completo dos vídeos de teste de pianos está publicado no Vimeo na conta do usuário Josh Wallace

A rede de lojas MilSons, como recentemente pegou a representação exclusiva no Brasil da marca Palatino, tinha os primeiros pianos de cauda expostos no showroom, que eram um PGD-50 (152 cm) e o PGD-59. Finalmente marquei com o vendedor uma visita e fomos lá descobrir se ao vivo se confirmariam nos dedos e ouvidos as minhas impressões virtuais. Não pudemos tocar no PGD-50, porque havia sido vendido no dia anterior, mas nos deliciamos com o modelo maior e decidimos sair com “o piano nas costas”, no sentido figurado é claro!

Hoje chegou o bichão reluzindo de preto e estamos alegres que nem pinto no lixo. Ainda não tivemos tempo para conhecer melhor o instrumento, mas as nossas mãos/ouvidos já se sentem abençoados pela geniosidade dos nossos cérebros e, principalmente, pela generosidade dos nossos bolsos. Então, aqui vão algumas impressões iniciais:

Mecanismo
Realmente a Mary tinha razão, o teclado é docemente macio, sem deixar de apresentar uma certa resistência, o que conforta o toque ao conferir uma sensação de precisão.

Retenção da preparação de fábrica
No relato feito por um vendedor gringo de Palatinos, ele menciona a surpresa que teve quando tirou os pianos da caixa e constatou que eles praticamente não precisavam de ajustes e ainda retinham uma afinação bastante satisfatória. Verifiquei isto também na loja e até perguntei para eles se o piano havia sido previamente trabalhado, fato que ele negou; pois todos os pianos da loja não sofriam quaisquer ajustes ou afinações porque a empresa considera muito dispendioso, além de que a preparação final tem que ser feita necessariamente na casa do cliente. A melhor parte é que a MilSons dá de graça a primeira afinação!

Robustez
É impressionante o peso do PGD-59, os carregadores de piano falaram em 400 quilos! Tudo nele é robusto, até o banquinho ajustável que o acompanha!

Acabamento
Impecável! Desde a tampa de teclado dotada de amortecimento, laqueamento externo, aos detalhes internos, tudo fabricado com bastante esmero.

Tábua harmônica
A tábua harmônica feita da madeira Abeto (spruce) canadense de 1ª qualidade (AAA Canadian White Solid Spruce Soundboard) é excepcionalmente lisa e clara, muito bem trabalhada e acabada. Legitimamente, é um detalhe a ser admirado à parte!

* Como você pode notar, 178 centímetros não corresponde aos 5 pés e 9 polegadas especificadas no modelo Palatino PGD-59. A peça que eles me entregaram tem na chapa (harpa) inscrito Mod. 178, ou seja, corresponde ao tamanho 5'10" no sistema imperial de medidas. Como a AXL, fabricante dos pianos Palatinho não tem no seu portfólio o tamanho 5'10", provavelmente os fabricantes chineses operem em regime de O&M entre eles. Então, o modelo recebido tanto pode ser um May Berlin (fabricado para a marca alemã Schimmel - pianos fabricados na China, finalizados e preparados na Alemanha e vendidos no mercado europeu como Schimmel), quanto um Wendl & Lung, quanto o Hailun (que fabrica os pianos para a marca Wendl & Lung), todos eles absolutamente idênticos. Fico inclinado a pensar que é o Hailun por causa da inscrição idêntica na chapa, já que na tábua harmônica não há absolutamente nenhuma identificação (exceto os tipos de parafusos empregados na chapa e outros detalhes), mais um indício de transação O&M. No vídeo do Hailun Mod. 178 aparece claramente a identificação do número de série e do modelo em fontes idênticas e no mesmo lugar da chapa em que aparecem no suposto Palatino PGD-59. Devo salientar que tal procedimento em nada interfere nas minhas impressões, já que paguei por um determinado modelo e recebi um maior.

Hailun 178 Mahogany por NicksPiano-com

12 comentários:

  1. Olá, moro em Aracaju e gostaria de saber se voce sabe me informar se o peso das teclas do piano Palatino vertical são muito leves tendo como referencia um piano digital. Tenho interesse em comprar e este seria o meu primeiro piano porem aqui não tem para testá -lo. O acabamento dessa marca é bom? Você está satisfeito com sua compra?

    Agradeçco desde já, Luciana

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  2. Luciana,
    quando estive na Milsons, filial de Porto Alegre, testei alguns pianos verticais Palatino e os achei com acabamento excelente. Aconselho o modelo PUP-126 que é a versão topo de linha profissional que reúne os melhores componentes - atrevo-me a afirmar que ele é muito superior ao modelo de entrada da Yamaha fabricado na Indonésia.
    Quanto ao toque, a sensibilidade do teclado de qualquer piano vertical é muito superior à qualquer piano digital.

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  3. Pois é .. toquei um na milsons e também me impressionei.. embora seja chinês eu gostei mais do que os yamahas que tinha por lá na mesma faixa de preço

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    1. Costumamos comparar alguma coisa com o mito "Yamaha", que eram instrumentos da Yamaha comercializados anos atrás e fabricados no Japão. Hoje o preço do piano vertical U1 made in Japan está na faixa de preço dos 23 mil reais, ou seja, nada a ver com os pianos de baixo custo fabricados sob encomenda na Indonésia. Quanto à piano de cauda, o preço do menor deles (C-2) feito no Japão começa a brincadeira em 52 mil reais.
      Isto significa que podemos realmente comparar o Yamaha com qualquer chinês de boa índole, que não estaremos cometendo uma heresia.

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    2. Os Yamaha estão bem superados pela Samick, que adquiriu recentemente 30% das ações da Steinway e estão produzindo com muita qualidade e tecnologia. Ligue na Gluck (representante exclusiva, 3892-0011) e fale comigo, há muitas opções e baratas - tem também as principais marcas de importados, os caros, lógico!

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    3. Quem estiver afim de um Steinway ou um Fazioli, logicamente que o Flávio Carrara estará de braços abertos!

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  4. Estou tentado a comprar um piano da marca Palatino e sua completíssima análise do PGD-59 está sendo o maior incentivo. Todavia temo pela qualidade dos pianos da marca a médio e longo prazos.
    A maioria dos comentários sobre os pianos Palatino encontrados em fóruns estrangeiros referem-se a pianos recém-comprados ou recém-testados, datados do período entre 2007 e 2010. Não se encontram comentários do desempenho e da manutenção desses pianos ao longo dos anos.
    No que tange os modelos de cauda, outra questão que tem me afligido são as afirmações de que os "baby grands", de 1/4 de cauda, independentemente do fabricante, sejam modelos por natureza problemáticos, dispendiosos e de sonoridade equivalente ou pouco superior ao de um vertical "profissional".
    Você poderia me dar alguma informação com relação (1) aos Palatino a médio/longo prazo (sobretudo em questão de afinação ou qualquer manutenção) e (2) sobre os problemas crônicos dos 1/4 de cauda? Uma última questão: (3)o profissional PUP-126 seria tecnicamente mais vantajoso quem um PGD-50?
    Agradeceria muito se pudesse me ajudar.

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  5. 1) Os pianos chineses entraram com tudo no exigentíssimo mercado americano desde os primórdios dos anos 2000. Apesar de terem apresentado problemas de durabilidade no início, hoje os melhores deles superaram isso. Além disto, atualmente você tem pouquíssimas chances de escapar de um piano chinês, a não ser que esteja disposto a dispender uma fortuna.
    2) Realmente, os pianos Baby são problemáticos por natureza. Escrevi um artigo sobre isto, procure na seção "Piano" na barra vertical direita.
    3) Prefiro o PUP-126 ao PGD-50, pois ele o supera em termos sonoros e precisão do mecanismo.
    O volume sonoro dos pianos de armário é em grande parte diminuído porque teimamos em instalá-los prensados contra uma parede e sem retirar os tampos frontais superior e inferior. Quando o som é convenientemente liberado, um piano de 126 cm supera surpreendentemente qualquer piano de cauda de 150 cm de profundidade, devido ao maior tamanho do encordoamento.

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  6. Sempre gostei de Piano, a marca que me chama mais atenção é o Palatino PGD-59, mas eu queria comprar um que tem todos os tons e de preferência que fosse o Palatino de cauda.Queria saber se tem algum piano que seja assim.

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  7. Queria saber se eu posso tocar todas as notas no Piano Palatino de Cauda ?

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