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3 de nov de 2011

Os perigos de se ter o carro dos sonhos


O recente crime ocorrido aqui perto na cidade de Nova Petrópolis, município da região da Serra do Rio Grande do Sul*, somente reforçou as minhas suspeitas; possuir um dos carros mais cobiçados do mercado não chega a ser um dos melhores conselheiros para a sobrevivência nas nossas cidades caóticas. Um rapaz trafegava na madrugada numa plácida cidadezinha interiorana, quando o seu Golf foi atingido por disparos de fuzil desferidos por bandidos que recém haviam explodido um caixa eletrônico.

Aí eu me pergunto: o que teria acontecido se o rapaz tivesse surgido na cena do crime com um modesto carro mil? Talvez, os bandidos não o tivessem cobiçado e ele poderia estar vivo e em paz com a sua família. Este pequeno episódio ilustra a aspereza dos nossos dias: se de um lado estamos submetidos à insegurança urbana, do outro, temos que sobreviver às fermentações invejosas dos nossos vizinhos.

Para os proprietários de veículos que querem se acautelar contra a insegurança social alastrante que infesta o país da corrupção governado por Dilma (a mesma que propõe resolver com um canetaço o problema da crise financeira global), há três remédios principais:

- escolha um modelo menos cobiçado por bandidos em fuga e por ladrões especializados em roubos de carros. Não necessariamente precisa ser um modelo inroubável, mas é altamente recomendável que seja um daqueles que ostentam menores valores de seguro;

- por falar em seguro, o maior item de segurança de um veículo é justamente o seguro total, pois a primeira pergunta que os meliantes fazem em caso de ataque é: “tem seguro?”. Em caso afirmativo, eles terão certeza de que você não lhes causará futuras complicações;

- NÃO instale em hipótese alguma qualquer tipo de rastreador por satélite, pois a segunda pergunta mais frequente que eles fazem é “tem rastreador?”. Se você declara em alto e bom som que não tem, é um obstáculo a menos entre o atual pesadelo e a luz no fim do túnel da sua vida poupada. Caso você manifeste a mínima hesitação, ou se confessa que tem rastreador, prepare-se para o segundo round matador: “onde ele está?”.
  • O problema é que a maioria das empresas que instalam rastreadores não avisa, por questões de segurança (pensando somente NELES obviamente), o local exato onde está o equipamento. Neste caso, prepare-se no mínimo para tomar umas belas coronhadas na cabeça, correndo o risco de levar uma azeitona no ouvido.
  •  Suponhamos que você declara que sabe onde está o rastreador, neste caso, a sua vida continuará ardendo no inferno por conta dos incontáveis minutos a mais de convívio e incerteza sob a tutela dos bandidos, pois eles não sossegarão enquanto não acharem o maldito equipamento. Enquanto a busca não tiver fim, você continuará privando das suas “belas” e aterrorizantes presenças.
  • Resta sempre a opção de mentir. Contudo, você está preparado psicologicamente para mentir convincentemente tendo um 38 enterrado na sua orelha, manejado por dedos trêmulos?

- NÃO instale alarmes, bloqueadores, corta-corrente e qualquer outra geringonça que impeça que os meliantes sumam rapidamente com o seu carro. Lembre sempre que, se você passar por este perrengue, a única coisa que lhe ocorrerá naqueles instantes é que o seu único bem precioso e insubstituível é a vida;

O primeiro remédio funciona perfeitamente contra a inveja dos vizinhos. Mas, por que me preocupo tanto com tal sentimento alheio, que é tido como uma merda? Porque a inveja e o mau-olhado, quando pegam, podem levar o sujeito a ter uma vida de cão, só porque ele não conseguiu se precaver colocando uma imensa réstia de olho na porta da casa – no caso – pavoneando-se com um carrão que desperta turbilhões de cobiça. O mais saudável seria desfilar por aí com um carrinho que desperta apenas um vago sentimento de pena.

2 comentários:

  1. É melhor ter uma bicicleta, exercita nosso corpo e não polui o ambiente. Não sei por que brasileiro gosta de se sentir superior. Compra um carro e se sente o rei do mundo.

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  2. Melhor mesmo é ter uma bici. Quem tem carro somente por status, acaba se quebrando cedo ou tarde.

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