Pesquisar

16 de dez de 2009

Chineses exterminam a máquina do tempo da Robbilandia.

É com pesar que registro o falecimento da última lojinha de modelismo, brinquedos artesanais, miudezas e armarinhos da minha cidade.
Robbilandia 1

Trata-se de uma antiga lojinha que encontrou seu fim neste dezembro de 2009 na cidade serrana de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.
Robbilandia 2

Entre outros motivos alegados pelo dono do simpático espaço lúdico, está a concorrência predatória dos chineses. Quem pode fabricar artesanalmente brinquedos e concorrer contra os preços aviltantes dos produtos asiáticos?
Robbilandia 12

Em todo mundo é a mesma sina, clubes e lojas fechando em decorrência do monopólio dos amarelos no mercado dos brinquedos. Quando eu soube em outubro que a Robbilandia estava prestes a fechar, fiz uma última compra: ironicamente, um carrinho chinês Chrysler PT Cruiser de 13 reais. O proprietário questionou: quanto teria que cobrar um fabricante brasileiro por um produto equivalente?
Chrysler PT Cruiser: carrinho comprado na Robbilandia

Na minha última visita, foi com com um nó no peito que fotografei as magras prateleiras ostentando restos da antiga era analógica.
Robbilandia 10

Em tempos de Internet, quem se interessa por canivete suíço, decalque Harley Davidson, chaves allen, ou pirâmide de madeira?
Robbilandia 7

Por isso, ao longo dos anos a ruína foi se tornando a companheira mais assídua...
Robbilandia 9

... ao passo que o seu taciturno dono envelhecia, enquanto contemplava o mundo mudar freneticamente através das portinholas do seu estabelecimento.
Dono da Robbilanda pensando sobre uma vida inteira

Será que ele conseguiu vender o Cubo Fender de 65 Watts, 2 canais, por R$ 1.200,00 só hoje? Pateticamente, o "hoje" esteve ali por anos a fio.
Robbilandia 5

Vagão de trem na prateleira encimado pelo aviso: "Não trocamos mercadorias". Note o estado amarelado e a desatualização do papel com nomes e números de telefones de antigos Órgãos do Consumidor, tais como SUNAB e CODECOM.
Robbilandia 8

Últimos vestígios da máquina do tempo.
Robbilandia 6

Robbilandia 4

Robbilandia 2

Robbilandia 3

"Volto já", ou seja, nunca mais.
Robbilandia 7

Última foto da fachada da extinta Robbilandia. Hoje, mais um imóvel entregue à voracidade do mercado imobiliário.
Robbilandia 15
Não me surpreenderia se o espaço fosse ocupado por uma lojinha de produtos chineses, uma a mais engordando o número das dezenas que já infestam o centro da cidade. Aguardemos.

Link relacionado:
Máquina do tempo: Lojinha fechada há 40 anos é descoberta intacta na Inglaterra [Blogpaedia].

14 comentários:

  1. Caríssimo Isaias. É triste ver isso, mas é a pura verdade. Lembra quando éramos crianças? Tenho 36 anos e lembro-me quando eu tinha 6 anos. Ganhávamos brinquedos com Made in Brazil estampado. Eram caros, mas eu não trocaria aqueles brinquedos pelos de hoje. Tenho equipamentos de som dos anos 70/80/90. Aparelhos da marca Gradiente, linha System One, Esotech, etc e alguns Sony, Pioneer, Teac, Fostex, entre os quais gravador de rolo, MDs, Tape deck 3 cabeças, e um famoso Techniks MK 1200. Jamais venderei aqueles aparelhos, pois eles alimentam meu descanso, minha nostalgia, minhas lembranças que jamais quero esquecer. Isso eu não troco por nada.

    Abs. Dirceu JS

    ResponderExcluir
  2. Dirceu, uma pergunta que todos se faze é: como eles conseguem vender no mercado interno um brinquedo por 10 reais, se é impossível de produzi-lo por menos de 30? A resposta é singela: zero de custos com leias ambientais, trabalhistas, sindicatos, impostos, etc.
    Nós, sufocados pelo nosso famoso custo Brasil concorremos com o custo zero chinês.

    ResponderExcluir
  3. Também tenho alguns "aparelhinhos" comprados na época da casa dos gravadores na galeria do Rosário em Porto Alegre: tape deck CD-2 da Gradiente, equalizador ME-22 da Micrologic, amplificador Quasar QA-2200, prta Technics SL-Q03, caixas de som planas verticais Bertagni, o último par disponível na antiga Casa dos Gravadores.

    ResponderExcluir
  4. Isaias. "Naquela época" quando eu tinha meus 6, 7 anos o Brasil tinha as portas fechadas para importações. Lembra das carroças de Collor?

    Pois bem, o gigante adormecido estava fazendo sua parte, estava produzindo muito e precisava vender. Num regime que beirava semi-escravidão, acho que agora melhorou um pouco né, mas não tem como o Brasil competir abertamente ao sistema global que estamos vivendo hoje. É uma pena, mas é a nossa realidade. A China avança muito com sua necessidade de "dar trabalho" aos seus, e o Brasil..... Sempre esses assuntos levam horas para ser debatidos, nunca chegará ao fim, mas nosso país tem condições de fazer muita coisa boa, falta estímulo, falta organização, falta muita coisa para termos competividade. Olha a crise calçadista da minha região de Novo Hamburgo, Vale do Sinos. Faliu boa parte das indústrias daqui. Vi em 20 anos imensas fábricas sendo fechadas uma a uma sem que nada pudesse ser feito. É muito triste vermos pátios vazios onde outrora estava cheio de carros, materiais, etc.

    O Brasil tem muito que aprender com isso, aliás, já deveríamos ter aprendido. Quem sabe um dia.

    Abs
    Dirceu JS - Estância velha - RS

    ResponderExcluir
  5. Sobre os aparelhos, show de bola, conheço todos e são excelentes. Um forte abraço.

    ResponderExcluir
  6. Bacana, o caso é o seguinte: a lixaiada chinesa tá tomando conta do mundo, e ainda me aparece o presiMente Mulla e reconhece a China como economia de mercado, mesmo sabendo que lá o trabalha escravo rola à vontade do PC Chinês. EWm outros tempos ele estaria contra a importação de produtos estrangeiros (leia made in USA, porque pra esse analfabeto é o único pais estrangeiro do mundo...). Bom, paciência, quando o mundo acabar a gente diz: "eu avisei..." Abraço. E meus pesâmes.

    ResponderExcluir
  7. O lance também é o seguinte. Não adianta fechar as importações, pois a ação trará uma reação. O que se precisa é saber o que comprar. O Brasil é visto lá fora, pelo estrangeiro como um país dominado por corruptos e burros. Os chineses sabem disso e vendem muito pra nós, é só ver as lojas abarrotadas de lixo plástico reciclável, quebradiço e descartável que compõem as carcaças de muitos produtos. O brasileiro não se impõem sobre a qualidade, compra o primeiro lixo que vê pela frente, óbvio que isso não fará os chineses produzir algo melhor, ninguém reclama. Quanto a China produzir, nem se dicute mais, isso já é algo global, não percebem que o Mundo aceitou esse fato? Os Estados Unidos foram os pioneiros em deixar a China produzir quase toda a linha de consumo deles. Só que eles exigem muita qualidade, já o Brasil, compra produtos falsificados que os Chineses produzem.

    O Brasil ainda é um país muito jovem, temos muito que aprender. Nós devemos deixar de comprar lixo de má qualidade Made in China e pagar um pouco mais pela qualidade do que temos aqui.

    abs
    Dirceu

    ResponderExcluir
  8. Não podemos criticar a China como a culpada desta loja fechar. A Economia é volátil, várias economias passaram por este processo antes de se tornarem potência, ou você acha que o Japão é a segunda maior economia porquê? Muita engenharia reversa, a China tá fzendo o mesmo, mas numa velocidade muito maior..

    Fechar importação só faz o PIB decrescer, e como vemos o PIB e não o PNB, a confiança perante ao nosso governador decairá e não é isso que um político quer, não?

    O fato é que a lojinha está sendo fechada pois os brasileiros compram e incentivam diretamente a importação de tais produtos, pois são baratos, não há tributação em cima e a variedade é muito maior.
    Brasil, SIM, é um país muito mas muito jovem, chega a ser até infantil, a política é desestruturada, resquícios de uma mistura de ditadura com democracia de poucos, a economia é fraca perante o mundo, temos invetismento pois eles ganham na taxa-dólar, brasileiro odeia brasileiro por isso nunca iremos criar um estado Políticamente e Economicamente forte... não há necessidade de eu comentar a cultura deste país, sim? Gilberto Freyre e Sérgio Buarque escreveram um livro que diz muito bem sobre o retrato do típico brasileiro... é brasileiro que critica brasileiro e não muda sua posição, não há forças de vontade para que mudemos.

    Por fim, digo que me sinto um peso que esta loja esteja dando seus ultimos suspiros.

    Espero que minha futura profissão de macroeconomista e cientista político ajude este país que se encontra a beira de um caos social.

    ResponderExcluir
  9. Sr. futuro Macroeconomista,
    Certamente que a sua formação e conhecimento a ajudarão este país a sair do eterno sono esplêndido.

    ResponderExcluir
  10. Sr. futuro Macroeconomista
    Gostei da forma que colocastes. Concordo em tudo que vc escreveu. Bom texto.

    Isso que é bom, ter um bom assunto para discutir.

    abs
    Dirceu

    ResponderExcluir
  11. Cara, não podia ter sido melhor o teu senso crítico que soube transformar o que, para mim, era mais uma ocorrencia inevitável, óbvia, porém não destituída de uma reflexão, mas que eu nem cogitei em fazer.

    Obviamente, milhares de outras "robillandias" mundo afora estão fechando. Talvez esse mercado "restrito" perdure apenas em grandes metrópoles, mas no interior é impensável.

    Também fui cliente da robillandia e lá fiz uma compra que achei uma pechincha.

    Vou te mandar uma foto, se tu quiser adicionar ela ao teu post, tá autorizado.

    UM abraço.

    Tiago Carraro Tomasi

    ResponderExcluir
  12. Tiago, qualquer material é bem-vindo, já que a robillandia ficará apenas nas nossas memórias.

    ResponderExcluir
  13. A China destrói seu povo para destruir a indústria do mundo.

    ResponderExcluir
  14. Tanta sandice e bobagem tentando transformar um brutal erro de administração e marketing em ato político. O comércio é dinâmico, hoje não há mais espaço para gente"parada" e acomodada, tem que ter visão de futuro nas tendências de mercado, há mercado sim para aqueles produtos o que ocorre é uqe há ali uma sucessão de erros incríveis.
    Mas em suma o proprietário acomodou-se, e deu no que deu.

    ResponderExcluir