Pesquisar

9 de set de 2010

Os últimos Espécimes vivos vedores de TV.

Os especialistas em comunicações são unânimes em afirmar que a TV como a conhecemos está findando. O ciclo do conceito de Broadcast, em que uma informação é transmitida para milhões de pessoas receberem ao mesmo tempo, está dando sinais de decadência proporcionalmente à emergência das novas tecnologias que promovem o consumidor passivo a coautor.


No entanto, na grande maioria das casas ainda se vê o aparelho instalado, inseparável companheiro de desgarrados e desvalidos, ligado o dia inteiro. Assim, hoje cabe catalogar os últimos espécimes de consumidores vorazes desta tecnologia em extinção.

Homer Simpson.
Este personagem fictício enfeixa o grupo de cidadãos (principalmente homens decadentes de meia idade) que chega cansado do trabalho e se acachapa no sofá na frente da TV, onde cria raízes e de onde se arranca somente altas horas da noite, depois de ter enchido o pandulho de cerveja e salgadinhos. Ele é o famoso vegetal couch potato vicejante na sociedade estadunidense, que, no entanto, está em franca extinção, vitimado por mazelas crônicas: hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol alto, triglicerídeos nas alturas, sedentarismo, em suma, é o espectador televisivo compulsivo de alto risco e vida curta, por ser portador da síndrome plurimetabólica.

Criança.
Uma criança vidrada na frente da TV é a consubstanciação do conceito de babá eletrônica, quando os pais preferem deixá-la se transformando em Homer Simpson a lhe dar atenção, ou gastar dinheiro numa babá de verdade ou creche.

Pobre.
Pobre neste país, quando arranja emprego, compra a TV com o primeiro salário, em 60 suaves prestações. Diga-me o que vês e eu te direi se és um pobre diabo.

Doente.
Se você está empedrado numa cama de hospital, restam-lhe pouquíssimos entretenimentos que não exijam esforços físicos nem mentais.

Deficiente.
Paradoxo: será que as pessoas consomem televisão porque são deficientes ou são deficientes porque consomem televisão? Aparentemente, elas são dotadas geneticamente de estômago suficientemente forte para digerir esta turma da pesada: Gugu, Ratinho, Mion, Ana Maria Braga, Luciano Huck, Sonia Abrão, Pedro Bial, Faustão, Luciana Gimenes, Xuxa, Silvio Santos, Datena, Britto Jr, etc.

Idoso.
Quem nasceu no século XX, corre o sério risco de morrer no século XX, mesmo que a folhinha tenha virado para o século XXI. O que seria do Sílvio Santos sem as suas colegas de trabalho octogenárias?

Prisioneiro.
Se você está apodrecendo no fundo do cárcere, restam poucos prazeres na vida: o banho solar e a hora da TV, momento da sua mente se expandir para além do sol quadrado, já que a maioria das prisões do planeta impedem o acesso à Internet aos seus hóspedes, exceto as melhores:
» Conheça as melhores prisões do mundo e surpreenda-se, pois a melhor delas está no Brasil!

Epílogo: admito que a TV exerce um fascínio todo especial sobre as pessoas de espírito pueril, porque as entretém e relaxa, quando exige em troca pouquíssima coisa, ficar horas vegetando na frente da telinha, sem escrever, produzir, pensar ou fazer qualquer coisa útil ou inútil.

Como não faço parte da fauna jurássica dos últimos televisivos, tenho que estar aqui te escrevendo estas poucas reflexões sobre a mídia que foi uma grande fábrica de mentes ao longo da segunda metade do século XX. Hoje, as mentes mais privilegiadas se acordam de um logo sonho, como se estivessem despertando na Caverna de Platão e se apercebem do grande tempo perdido na frente do João Kleber e do Mion.
» A Caverna de Platão e a Filosofia em animação.

Referências:
» O fim da TV como a conhecemos.
» Fim da TV atual é questão de tempo diz pesquisadora.
» Uma Utopia sobre o fim da TV.

25 comentários:

  1. Cara, acho que já faz uns cinco anos que eu parei de ver TV. Em compensação viciei no YouTube e nas séries "importadas".

    ResponderExcluir
  2. Edu Aurrai
    mas o consumo de vídeo ondemand é outra coisa, você vê o que quer, quando quer e onde quer.

    ResponderExcluir
  3. Olá meu amigo !!!
    Felizmente eu só ligo a tv quando meu cérebro está exausto e quero vegetar kkk Mas eis que acabo me enfurecendo com os repetitivos anúncios e com uma programação péssima...
    Prefiro apreciar um filme e de vez em quando assistir algum seriado, adoro Criminal Minds por exemplo !
    Excelente texto !! Grande abraço !

    ResponderExcluir
  4. Samanta,
    depois que a pessoa se acostuma a assistir conteúdo on-demand, ela nunca mais volta para o Broadcast. Logo depois que me desfiz da TV, num domingo qualquer infeliz destes resolvi dar espiadinha no programa Pânico na TV, que é transmitido online pela Rede TV. Lá estava se desenrolando o quadro interminável da Sabrina Sato tentando enfiar o bordão da dancinha do muleque no José Serra. Vomitei e nunca mais tentei, desta doença me libertei!

    ResponderExcluir
  5. "Os especialistas em comunicações são unânimes em afirmar que a TV como a conhecemos está findando."

    Fazem parecer que os brasileiros são ricos. Todos possuem computador e conexão >= 10MB.

    Pouco dinheiro traz miséria. Muito, traz cegueira.

    ResponderExcluir
  6. 2 Mb de conexão já é considerado Banda Larga, uma coisa em falta crônica no nosso país. Infelizmente, os nossos candidatos à presidência da república não estão com muito tempo para discutir esta realidade, já que estão perdidos nesta porcaria do sigilo...
    Porém, mesmo no Brasil, vejo que a camada da população que com acesso a conteúdo sob demanda acaba desistindo da TV tradicional, é uma constatação, você não tem mais saco para não assistir o que quer, quando não quer e onde não quer.

    ResponderExcluir
  7. Olá,Isaias.
    Foi até engraçado,antes de ler tua matéria, estava sentada divagando com olhar fixo na TV desligada quando meu filho passou e me disse assim: Óh mãe, tô até preocupado te vendo aí na frente desse museu, tão quietinha. Ele tinha razão pois faz uma meia duzia de anos que não assisto TV.Abraços.Sílvia.

    ResponderExcluir
  8. Só não sei porque o "museu" insiste em roubar espaço na sua sala, rsrsrs, é isto aí, o meu museu mandei para a casa da faxineira, pois todo o pobre cultiva o hábito de ter mais de 10 televisores espalhados por toda a casa. Entenda-se pobre não somente na sua dimensão de falta de grana.

    ResponderExcluir
  9. Isaias, aqui também nos fazemos a mesma pergunta.
    A propósito vi um vídeo muito legal no acãocritica.blogspot sobre como a internet mudou a propaganda.Vai lá dar uma conferida.

    ResponderExcluir
  10. O ser humano lida mal com a sua realidade.

    Parto da premissa de que, com o cada vez mais excessivo volume de informação a que as crianças são submetidas, o mito da "ingenuidade" infantil acaba por ruir.
    As crianças passam directamente para a idade adulta, sem tempo para a adolescência.
    A massificação de mitos, símbolos e marcas a nível local e ou a nível mundial acabaram por criar uma geração global.
    A diferenciação deixou de ser um objectivo, dando lugar a uma padronização de hábitos e comportamentos.
    Apesar da análise dos especialistas, que respeito, não creio que nas próximas décadas a situação se modifique.

    ResponderExcluir
  11. idiotas sempre serão idiotas. o viver virtual apenas potencializa a idiotice e não nos torna menos idiotas.

    ResponderExcluir
  12. tavares,
    taí um epitáfio digno de túmulo pós-moderno.

    ResponderExcluir
  13. Ja declaram a morte da TV várias vezes, porem o lucro e faturamento das emissoras só aumenta, falavam que a internet iriam fazer a diferença nessas eleições e que o povo está mais inteligente e conectado, começou o horário politico e o povo vai eleger os mesmos de sempre. Tem certeza que é a TV que está em decadência?

    ResponderExcluir
  14. E eu te digo que os grandes impérios da mídia estão de cabelo em pé diante da evasão crescente dos telespectadores. Televisão é uma coisa cara de fazer e o faturamento deles não está assim tão em alta, tanto que o monopólio globo já apresenta desgastes perante a rede Record dos pastores e seu poder infinito poder de fogo para injetar grana em produções e eventos cada vez mais espetaculares.
    A Marina Silva representa um candidatura política estritamente emergida do meio digital e está aí ostentando 11% perante os figurões televisivos.
    O que quero dizer é que num ambiente de diversificação midiática, dificilmente a TV vai manter seu monopólio absoluto que a fez reinar por décadas. Por enquanto, estamos na fase da transição, quando os resultados não são muito palpáveis, mas os gestores do negócio já estão subindo nas paredes.

    ResponderExcluir
  15. olá, boa tarde, estive lendo sua matéria e constatei que é pura realidade, pois, a tv ainda consegue segurar as pessoas literalmente. Nós vemos que muitos a usam para acompanhar modas, estilos de vidas, status na sociedade, modus oerandi e outros por ai. Quer dizer a tv serve para alguns como instrumento para acompoanhar a realidade.

    ResponderExcluir
  16. realmente, a tv atualmente é uma perda de tempo, e o q mais me enfurece é q de 11 em 11 minutos tem uma propaganda q só fala sobre o próprio canal!

    ResponderExcluir
  17. Concordo com a afirmação de que a sociedade já está totalmente saturada de programas televisivos completamente vazios. Porém não devemos esquecer que em todas as épocas, toda vez em que uma nova tecnologia surgia sempre havia uma discussão de que o meio até então vigente iria se extinguir. Foi assim com as artes plásticas, o cinema, o rádio, etc., porém, o que acontece é uma adaptação do meio à nova realidade. Além disso,basta irmos em locais mais afastados que iremos preceber o quanto a TV tradicional ainda influencia, e muito, a população.

    ResponderExcluir
  18. Natty,
    concordo e o texto tem este enfoque, a TV não vai desaparecer, mas perder o seu caráter monopolista. Daqui a pouco, você verá que para sobreviver ela se transformará em puro programa de auditório, reality show e novela.

    ResponderExcluir
  19. Há desequilíbrio entre a duração do sono das crianças ao longo da semana e ao fim de semana. Programas tardios de televisão pressionam este hábito, bem como a elevada percentagem de casos (60%) em que o quarto tem aparelho de TV.

    A conclusão pertence a um estudo junto de 317 crianças entre os oito e os dez anos que frequentavam o 3º ano de escolaridade em estabelecimentos públicos do Grande Porto.
    O trabalho foi desenvolvido por Vítor Teixeira para a tese de doutoramento na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
    O autor referiu que o tardio horário de programas que apelam ao interesse das crianças é dos factores mais importantes para que mais de metade das que têm entre os oito e os dez anos ainda estejam acordadas, sem ajustamento à necessidade de se levantarem cedo.

    Certo é que 87% das crianças ouvidas tinham de estar a pé no dia seguinte às oito horas e muitas delas antes disso.

    A irregularidade do sono, lembra o psicólogo, invocando estudos internacionais, não é favorável ao desenvolvimento infantil. O seu estudo conclui que ao longo da semana as crianças dormem 9 horas e 21 minutos por noite e ao fim de semana 11 horas e 14 minutos. A média aconselhada é de dez horas por noite, regularmente.

    Fonte: Dário de Notícias

    Em face deste estudo, parece que a TV ainda vai permanecer dentro dos moldes actuais por muito tempo.

    ResponderExcluir
  20. Mario,
    folgo em saber que as crianças portuguesas dormem mais de 9 horas por noite, pois acredito que as brasileiras exibem índices mais precários.

    ResponderExcluir
  21. Tenho adiado reflectir sobre isto mas, a verdade crua e nua é que a película tem a morte anunciada. A substituição da projecção clássica pela digital é um processo de desmaterialização inevitável.

    As cartas, álbuns de fotografias, gira-discos e até os amigos se tornaram, penso eu, em copyright do Facebook.

    De facto, o digital tem vantagens em relação ao cinema: é incomparavelmente menos dispendioso, mais rápido e mais prático.
    Na comparação com a película perde em qualidade final e, perde a verdade mas, pouco gente dará pela diferença. Também permite produzir mais filmes, mais takes, mais experiências, até mais invenção. Vai mais longe, mais depressa e a mais pessoas.

    A nível pessoal, no entanto, lamento a redução da película a uma relíquia cujo destino será um museu. Lamento acima de tudo, que o digital até seja mais fiel ao real.

    O fascínio que o cinema me deu durante anos, a ilusão de que poderia tocar, acariciar o rosto das estrelas e porque não eliminar os vilões, está em agonia prolongada.

    Quanto tempo ainda vai sobreviver, não sei.

    ResponderExcluir
  22. Vez ou outra eu assisto TV. E sabe, eu já fui contra essa ideia de "consumir" o que é oferecido à grande massa, porém quando me disseram que nós precisamos saber o que a grande massa está consumindo a fim de conhecê-la, tive que dar razão à pessoa. De fato, é verdade. Então quando eu vejo TV eu gosto mais de prestar atenção no que estão enfatizando, o que estão construindo nas cabeças de quem assiste e etc.. Não dá para sair falando mal do povinho mais desprovido de senso crítico sem antes saber o que eles acessam. Por algum tempo já conversei com pessoas que afirmavam "Eu não vejo tv, sou inteligente" e até hoje algumas pessoas soltam umas pérolas dessas.. Ah, não faz sentido. Você pode ser a pessoa mais intelectual desse mundo e assistir Malhação, por exemplo, não te fará um retardado; desde que você não se deixe levar pelo o que está vendo. Esse é o diferencial de quem critica o que recebe e de quem não critica.

    ResponderExcluir
  23. É vero, assistir de vez em quando para formar massa crítica faz sentido.

    ResponderExcluir
  24. "Ibope mostra que volume de espectadores da TV aberta não encolheu"

    http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/850692-ibope-mostra-que-volume-de-espectadores-da-tv-aberta-nao-encolheu.shtml

    ResponderExcluir
  25. Ibobe vive da TV aberta, é o mesmo que perguntar para a raposa o que ela acha do encolhimento das galinhas.

    ResponderExcluir