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19 de set de 2010

Por que a TV Digital não decola?

Ao contemplar 60 anos, esta poderosa senhora vive de glórias do passado e se sobressalta com as dúvidas do futuro. Na tentativa de manter o monopólio de poder, cultivado ao longo de seis décadas, o governo lançou na praça com todo o estardalhaço possível (logicamente, gastando milhões do nosso rico dinheirinho) o sistema de TV digital, que, no entanto, continua restrito somente à elite da elite moradora do miolo podre de rico das capitais.

Quais são os obstáculos no caminho desta nova maneira de ver TV em alta definição? Garimpando as informações disponíveis desta coisa surgida em 2007, que continua patinando no chão lamacento dos entraves burocráticos, tecnológicos, sociais, culturais, etc, chega-se à conclusão de que o furo é bem mais em baixo:

1) De 2007 para cá, nunca foi implantada a tão propalada interatividade. Dizem que o interesse de poucos se atravessa no caminho da maioria e ninguém aparece com um modelo de negócios que realmente agrade a gregos e troianos. Enquanto isto, o Google surge comendo pelas beiradas com o seu Google TV, que com certeza vai tirar o sono de muitos gigantes.

2) Ao contrário do que propõe o apresentador Marcos Mion no seu programa vergonha alheia “Legendários”, que convida o telespectador a arrastar o computador para perto da TV, será que as pessoas estão preparadas para abandonar o conforto bovino do controle remoto em prol da interação com espetáculos lamentáveis exibidos no circo de horrores da Televisão aberta?

3) Mesmo o maior ignorantão e pobretão acaba descobrindo que ter TV digital envolve o alto custo de colocar no lixo toda a parafernália que ele pagou em 64 suadas prestações a perder de vista nas Casas Bahia.

4) Quantos telespectadores tem um nível cultural tão sofisticado ao ponto de distinguir as nuances técnicas entre os padrões analógico e HDTV?

5) TV aberta atualmente é um artigo de consumo preponderantemente da classe D para baixo, fator inviabilizador de upgrades na eletrônica embarcada doméstica.

6) As zonas de sombra da TV digital são verdadeiros pesadelos, pois quando eventualmente o sinal enfraquece, enquanto na analógica você vê imagens com chuvisco, no novo sistema, ela desaparece completamente.

7) As poucas atrações em HD justificam a troca total de equipamento, sabendo-se que os consumidores pesados de TV se localizam justamente nas zonas onde o sinal digital é precário ou inexistente?

8) Uma pergunta que não quer calar: será que os consumidores de mídia, que se acostumaram ao modo on-demand vigente na Internet, conseguem voltar a depender de conteúdos transmitidos em regime realtime, mesmo que em HD?

Pelos cálculos do governo, três anos depois eles estariam deitados em cima dos louros da vitória da popularização da TV digital, coisa que não ocorreu e talvez nunca ocorra, pelo menos não sob os paradigmas atuais. Enquanto o governo federal dispendeu milhões no barco furado da TV digital, o nosso sistema de Banda Larga é um dos mais estreitos, precários e elitistas do mundo, comprovando que velhas cabeças só tem os olhos voltados para o passado. Bem que eles tentaram repaginar a velha senhora de 60 anos, que tantos serviços tem prestado às suas apetências políticas... mas, pena que tenham esquecido a Internet, cujo acesso está se configurando nos países desenvolvidos como um dos direitos fundamentais do homem.

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5 comentários:

  1. Clauber Lima20/09/2010 09:06

    Em 2009 quanto os EUA foram fazer o "switch-off" mais de 12 milhões de domicilios(~48 milhões de pessoas) não tinham receptores de sinal digital, o governo teve que distribuir quase de graça os setup-box , isso no país mais rico do mundo. Não é apenas uma questão econômica, mas qual a mudança no conteúdo dos programas? É trocar 6 por meia dúzia pagando mais caro? Qual o ganho? Melhoria de qualidade? Se nem os "consumidores de mídia, que se acostumaram ao modo on-demand vigente na Internet" ligam muito para isso, pois assistem vídeos de qualidade de imagem sofrível.

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  2. Clauber Lima
    Você captou a questão nevrálgica, pois as pessoas não estão mais nem aí para umas linhas a mais ou a menos de definição. O que elas querem é conteúdo de qualidade, mas infelizmente o governo, atendendo aos reclames imperiosos dos atuais donos da TV brasileira, preferiu dedicar a banda útil da transmissão digital à qualidade da imagem, em detrimento do aumento de conteúdo.
    Em suma, você faz um investimento danado para captar a TV digital brasileira, e se depara com a mesmisse dos canais de lixo Globo, Band, SBT, Record, etc.
    Pra quê investir tanto e ficar no zero a zero?

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  3. Também em Portugal esta ilusão já chegou. Como já vem sendo hábito por recomendação da Comissão Europeia, com o desplante de fixar um prazo para a transição, 2012, dando como limite para o encerramento (swict-off) das emissões analógicas.
    Este disparate, só está ao alcance de uma minoria. O custo é elevadíssimo. Tendo em conta a realidade existente, é obsceno.
    Pessoalmente, não obrigado.
    Felizmente, nem tudo é mau, refiro-me em concreto à utilização BD que está difundida e utilizada em +- 90% do país. O custo é acessível, existem inúmeros operadores o que possibilitou uma grande adesão.
    No caso vertente, navego a 24 Mb, com tráfego nacional ou internacional ilimitado por 25€ mensais. Evidentemente que existem velocidades mais baixas e a máxima é 100 Mb, possivelmente para o próximo ano vai para 200 Mb.
    Mais espantoso ainda, é que somos o 4º. ou 5º. país no ranking europeu. Verdade seja dita, que o Governo apostou forte e está a ganhar a batalha.

    Pena é, que não se empenhe noutras áreas importantíssimas. Isso é outro tema.

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  4. Essa tecnologia não existe aqui no Brasil, na região onde moro existe a cobertura do tal sinal digital, já gastei mais de R$ 800,00 com todo o equiparato eletrônico e não consigo usufruir deste recurso,sem contar o custo de cada equipamento que possui um valor bastante elevado, a única solução para o meu problema é pagar por um pacote oferecido pela TV por assinatura no valor de R$ 200,00 reais mensais e ainda pagar mais 19,90 fora da mensalidade pelo aluguel do aparelho, sendo assim do que adianta pagar tão caro para se ter o bel prazer de assistir 15 canais em "HDTV"?, acredito que se tal recurso existe ele tem de ser acessível á todos e não somente para uma parcela da população brasileira.

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  5. que linguagem preconceituosa quando fala sobre classes diferentes. Caixão não tem gaveta amigo.

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