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4 de abr de 2010

As Gimnopédias nuas e descarnadas de Erik Satie.

O compositor francês, mais reconhecido no seu tempo por suas excentricidades do que por sua música propriamente dita, inaugurou a era da chamada música de elevador. Nela, melodias óbvias e titubeantes são sobrepostas em estruturas harmônicas dissonantes baseadas em modos antigos.

O resultado no ouvinte não se faz esperar, sentimentos de nostalgia e agradável melancolia. Este é o tipo de música para ser tocado em halls barulhentos, restaurantes e ambientes an passant de onde as pessoas colhem o suficiente, como se fosse um vislumbre luminoso, que abrilhanta um pouco suas vidas pasmacentas.

Na minha qualidade de eterno estudante de piano, me tocou a estudar este ano a Gymnopédie número 1, a qual começo a fazer com muito prazer e afinco, já que as Gymonpédies, Gnossiennes e outras peças em forma de pera (trois morceaux en forme de poire) de Satie tem frequentado há tempos os meus ouvidos.
» Erik Satie, o primeiro Emo da história?


A confirmar a sua predileção pelos modos antigos (jônico, dórico, lídio, etc.) o nome da série Gymnopédie tem a ver com uma antiga festa espartana realizada na cidade de Tiréia no mês de julho, em honra aos Deuses e guerreiros mortos em combate. Os festejos eram celebrados com ginásticas e acrobacias, nos quais os oficiantes participavam nus.

É o que a textura da maior música de Erik Satie nos passa, a nudez estrutural, ao contrário das propostas teóricas inovadoras do seu amigo Debussy, ou da densidade de um Rachmaninoff, ou do vanguardismo de um Prokofiev.

Não, aparentemente tudo em Satie, que poderia ser tomado como previsível e rarefeito, esconde nas suas entranhas grandes desafios interpretativos. Ou, como minha professora de piano costuma dizer, por trás de partituras claras e com poucas notas, pode se esconder um mar de dificuldades, a exemplo do que acontece com o primeiro prelúdio do cravo bem temperado de J. S. Bach, que poucos intérpretes atinam a melodia roubada.
» A melodia perdida do prelúdio BWV 846.

Para comemorar o meu début na obra minimalista de Erik Satie, selecionei três vídeos representativos da Gymonpédie nº 1 em três instâncias que tem muito a contribuir para a assimilação dessa música, tida como menor, mas profundamente significativa para quem concebe a música também em suas dimensões recreativa e alimentativa.

O primeiro vídeo é a interpretação propriamente dita, realizada por um amador e por isso mesmo autêntica, com seus erros e hesitações, que de certa forma agradariam o mestre, por este ter-se julgado capaz de entreter pessoas amorfas e distraídas.

O segundo vídeo é uma animação surrealista utilizando Characters de videogame.
Erik Satie - Gymnopedie No.1
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O terceiro é uma viagem lírica que fala alto ao coração, uma vez que explora os componentes melancólicos e lúdicos suscitados pela ambiguidade estrutural desta música verdadeiramente inspiradora.

Partitura Gymnopédie número 1 em PDF.

Fonte da foto [fineart america].

2 comentários:

  1. kerengremista@hotmail.com06/04/2010 16:31

    oi tiu bem legal o seu blog ta bjsssssss aha e entra na minha comunidade ta bjsssssssss

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  2. a melodia perdida do prelúdio mwv 846 é uma malodia maito legal e maito enteressante pos pode ver que tudo é arte

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