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7 de abr de 2010

Rio de Janeiro: uma tragédia anunciada.

Catástrofes naturais: é preciso preveni-las.

Autor: Mário Ventura de Sá.
Culpar a Natureza e a sua fúria por tudo o que de grave sucede significa muitas vezes irresponsabilidade e indiferença perante a acção e a omissão criminosas dos poderes públicos.
Rio de Janeiro: uma tragédia anunciada
A construção desregulada, tal como o surgimento de pontes, de túneis, de estradas e de viadutos em locais onde não deveriam estar, ajuda a entender a dimensão de várias tragédias.

O que conta é fazer, é inaugurar, é construir a qualquer preço. Conluiados muitas vezes com quem constrói, os responsáveis pelo poder comportam-se como autênticos predadores do território e semeiam mais tarde o horror, a tristeza, a perda de vidas e de bens.

A prevenção e a segurança não constam dos seus códigos e, perante a calamidade, têm todos o mesmo discurso: pedem solidariedade, falam de interajuda e dizem não ser a hora de fazer política. Numa atitude cobarde, são incapazes de assumir falhas e escondem-se na azáfama do dia seguinte.

Alguns, mesmo que tenham sido autores ou cúmplices dos erros, até as mãos esfregam diante do dinheiro que podem ainda ganhar com a reconstrução.

Tal como os criminosos de guerra, estes criminosos em tempo de paz também espalham a destruição e a morte, mas, ao contrário dos primeiros, gozam de impunidade. Com efeito, não é de política que se trata, é de respeito pelos cidadãos, de humanismo, de defesa da vida. E estas questões são bem mais relevantes do que qualquer luta pelo poder.

Se um governante, despreza a vida de homens e de mulheres, de crianças e de idosos, permitindo e incentivando obras que colocam em perigo a segurança, ele é simplesmente um inimigo da humanidade. Não tem desculpa, porque não há palavras que calem ou sosseguem o desespero.

Não pode sequer esconder-se atrás do desconhecimento, evocar a boa-fé ou justificar-se com a brutalidade da Natureza. Há técnicos reputados que avisam para a possibilidade de calamidades naturais e para a necessidade de se prevenirem danos irreparáveis.

Os seus avisos ou são classificados de catastrofistas ou são ignorados. Quem decide não ouve. Em vez de corrigir, de substituir, de investir na recuperação das cidades e de as preparar para os gritos da Natureza, os responsáveis festejam a obra mal feita. Se justiça houvesse, o Ministério Público conduzi-los-ia ao banco dos réus. Como não existe, resta que a nossa ira os condene.

3 comentários:

  1. Nossa, fiquei impressionada com o que aconteceu com o Rio de Janeiro! Meu Deus, acabou com a cidade ! Quante chuva =X tomara que eles consigam se recuperar !

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  2. Exclenete este texto do Mário Ventura!
    Os depósitos de lixo colocados no topo ou enconstas de morros são totalmente temerários, pois são "avalanches" potenciais, esperando apenas por um gatilho que as detone, como é o caso de chuvas intensas.

    Tratar resíduos adequadamente é muito caro e também depende de leis adicionais que deveriam taxar as embalagens, que geram volumes enormes e denecessários de resíduos. Como um exemplo:é alarmante constar o quanto são baratos os refrigerentes envasados em garrafas pet, que são levadas em passeios e deixadas em qualquer lugar.
    Quem produz resíduos deveria ser co-responsável pela sua destinação e quem consome tais produtos deveria pagar por eles, incluindo os custos de destinação e tratamento adequados.
    Infelizmente, passadas as chuvas tudo volta ao antigo tranco com as pessoas não se preocupando em reduzir a produção de resíduos sólidos domésticos.

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  3. POis é todo ano as tragédia se repetem, cada vez pior

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