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21 de mai de 2010

Proibições estritas num mundo livre nem tão livre assim.

O mundo civilizado se orgulha da democracia e da liberdade de expressão oriunda disto. Porém, isto não significa um laissez-faire onde as pessoas possam copular livremente na rua. Nem a liberal Holanda permite tamanho descalabro, uma vez que restringe os intercursos sexuais aos parques, tais como o Vondelpark em Amsterdã, e sob severas condições.

Assim, o que vemos no chamado mundo livre é uma série de engessamentos às liberdades universais e algumas iniciativas acontecendo no Brasil, que sob o pretexto de avançar na defesa dos direitos de determinadas minorias, cerceia o livre arbítrio das maiorias.

Fotografar americanos repatriados, mortos no Iraque.
Repatriação de soldados americanos
Há vários anos, desde a administração Bush, são censuradas as tradicionais fotografias de caixões embalados na bandeira americana, repatriando soldados mortos na infindável guerra do Iraque. Com isto, o Pentágono procura evitar o mesmo débaclê havido na guerra do Vietnã, quando os horrores da guerra foram parar na sala do americano médio.
Punição: banimento.
» Fotógrafo boicotado após publicar imagens de soldados mortos.
» US censors pictures of its soldiers' homecoming.

Manifestar homofobia.
Leis anti-homofobia
As leis anti-homofobia tramitando no Congresso Nacional brasileiro almejam criminalizar desde a violência e a discriminação contra gays, lésbicas, travestis e transexuais, até o simples humor feito em cima de personagens LGBT. A polêmica está solta nas ruas, pois daqui a pouco os homofóbicos correm o risco de serem caçados e abatidos com tiros de misericórdia.
Pena: de 1 a 3 anos de prisão e multa.
» Desdobramentos da lei anti-homofobia.

Ameaçar de morte o Presidente dos EUA.
Ameaçar o presidente
Ninguém no mundo livre tem o direito de ameaçar impunemente o presidente americano, seja por qual meio for.
Punição: 5 anos de cadeia e 250 mil dólares de multa.
» Homem do Texas é acusado de ameaçar Obama de morte pela Internet.

Fumar nas ruas da Turquia.
Fumar nas ruas da Turquia
Por incrível que pareça, os governantes turcos estão querendo acabar com o estereótipo do “fumar como um turco”.
Punição: multa de 4,3 mil dólares.
» Smoking in Public Places Prohibited in Turkey.

Possuir e/ou portar material pornográfico infantil.
Possuir pornografia infantil
No Brasil, Pedofilia não é crime, uma vez que se trata de um distúrbio mental, no entanto, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) passou a criminalizar a posse de pornografia infantil, nem que seja por “uso recreativo” e privado, graças a uma alteração ocorrida em 2008 no artigo 241-B, que capitula as pessoas flagradas no ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”.

Isto significa que, se por qualquer motivo a sua casa sofrer busca e apreensão judicial, certamente a primeira coisa que os policiais levarão serão os seus computadores... E se nos HDs houver material erótico com menores de 18 anos, você estará automaticamente enquadrado no ECA. Caberá aos seus advogados provar que pau não é pedra e glosar as sutis diferenças entre arte, erotismo e pornografia.
Punição: prisão de 2 a 6 anos e multa.
» Como diferenciar arte de pornografia?

Caricaturar o Profeta Maomé.
Caricaturar
Desde o episódio da edição do livro em 1989 “Versos Satânicos” de Salman Rushdie, o mundo conheceu a fúria contra os declarados “inimigos do Islã”. Depois disto, vieram à lume em 2005 as polêmicas caricaturas de Maomé publicadas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten: surgiam mais inimigos públicos do Islã que seriam ameaçados de morte e perseguidos.

Portanto, para o seu próprio bem, não se meta de pato a ganço a fazer e/ou a publicar caricaturas do grande Profeta e mais ainda, é altamente saudável cultivar o respeito pela religião dos outros.
Punição: condenação à morte.
» Os polêmicos versos satânicos.
» “Conversão” ao islamismo e deitação de conversa de Salman Rushdie.
» Cronologia da crise das caricaturas de Maomé.

4 comentários:

  1. "Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." Bertolt Brecht (1898-1956)

    Não gosto desta democracia.

    Uma democracia que sobrevive através de subterfúgios, que se não preveniu contra as desigualdades sociais, antes as estimula, autoriza-nos a combatê-la sem tréguas, como imperativo de consciência e necessidade histórica.
    Desejava-a equânime, fortemente representativa, sem a moral indecisa e sem a implícita conspiração de uma classe que me repugna e se julga acima do mal e do bem.
    A democracia não é isto que a violência simbólica tem promovido, e a ausência de debate tem consolidado.
    O discurso político é inassimilável, embora seja definível pelos traços essenciais das semelhanças de uns com os outros. Esse discurso apropriou-se, sobretudo, do lugar-comum, fruto de antigas e cediças tradições.
    Nada do que dizem suscita a mais escassa emoção ou o mais módico entusiasmo.
    A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos "políticos" algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição.
    Esta democracia é uma desgraça. E os protagonistas são pessoas inadequadas à construção da sua desejável e inequívoca grandeza.
    O que dizem reactiva,permanentemente, a colonização das mentes, porque o que dizem é baseado em velhos conceitos de exclusão do "outro".

    Esta democracia reflecte a debilidade de convicções morais de quem dela se diz paladino.

    O que por aí se vê de corrupção, de mentira, de fraqueza dos mecanismos institucionais, de hipocrisia, de inquietação social, resulta das enormes variações de carácter.
    O desfile de nulidades de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento,incrementa o rancor e não conseguiu, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia.
    Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão.
    A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes.

    Esta democracia é uma miséria. Mas é a minha.

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  2. "O que os olhos não vêm, o coração não sente." Bons tempos aqueles em que as coisas não sabidas não existiam. Não havia jornal nacional, datenas, internet e menos ainda um bando de 'sabe-se-lá-o-que' querendo uns poucos votos. Tudo o que sempre existiu agora é diabolizado em nome de um puritanismo inexistente, de tentar tapar o sol com a peneira e fazer furor na mídia. Infelizmente, os soldados continuam morrendo destroçados, literalmente, a pedofilia não acabou e, de minha parte, quero morrer antes que o homossexualismo seja obrigatório . . .

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  3. A título de mera curiosidade.

    Constituição da República Portuguesa

    Artigo 13.º
    (Princípio da igualdade)

    1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
    2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

    Artigo 24.º
    (Direito à vida)

    1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
    2. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos.

    Artigo 109.º
    (Participação política dos cidadãos)

    A participação directa e activa de homens e mulheres na vida política constitui condição e instrumento fundamental de consolidação do sistema democrático, devendo a lei promover a igualdade no exercício dos direitos cívicos e políticos e a não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos.

    Lindas palavras, porém a realidade é outra.

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  4. Estou horrorizado. A pedofilia náo é crime? Haja Freud.

    Sou heterossexual mas não entendo a razão da descriminação dos homossexuais e das lésbicas, tanto mais que a Organização Mundial de Saúde não considera esse facto como uma doença. Afinal, são seres humanos como todos nós. Em Portugal foi aprovada recentemente uma lei que aceita até a união de facto ou casamento (cívil). Claro que foi objecto de muita polémica mas o bom senso prevaleceu. As opções sexuais de cada um não me incomodam mas já me incomoda a falta de direitos consagrados na Constituição.

    Finalmente, ser homossexual não é obrigatório.
    Olhando para séculos anteriores sempre existiu.

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