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3 de jun de 2010

A face negra dos Amantes: o vampirismo afetivo.

A personagem vistosa e burlesca do Ricardão chega a ser folclórica, mas a sua contraparte feminina é cercada de reticências e mistérios, consonante com uma das principais características das mulheres: discrição.
Como é a vida cotidiana daquela, cujo estado civil é “Amante”?
Na qualidade de não “possuidor” de outra mulher por debaixo dos panos, me interesso por esta figura que vem se esgueirando através dos séculos tanto pelos catres miseráveis, quanto pelas alcovas mais importantes da história e, quem sabe, decidido o destino dos povos?

A alma feminina acalenta enigmas e um deles é a motivação de se prestar ao papel de filial. Como alguém pode atravessar uma vida inteira na suplência afetiva? Será que na esperança de um dia ganhar a titularidade? Esta premissa tem algum laivo de verdade, já que o espírito das mulheres é famoso por sua dedicação fervorosa às causas impossíveis.

Por mais que a Outra justifique o seu relacionamento e sobreviva graças às migalhas e à última esperança imorredoura, é inegável que consumirá os anos da sua juventude de maneira provisória e sobressaltada... até que um belo dia poderá perder subitamente o seu amor e se descobrirá em solidão irreversível, posto que em função do avanço da idade será, amiúde, impossível recomeçar vida sentimental do zero.

Assim como o Ricardão apresenta um misto de imaturidade, parasitismo e auto-destruição, a Amante no fundo, no fundo é uma mulher predestinada a jamais se entregar totalmente à relação. Vista sob este ângulo, a Outra pode ser entendida como uma pessoa que não usufrui a totalidade de um grande amor, talvez porque a sua natureza psíquica não resista à convivência em tempo integral com um parceiro.

Assim como há o vampirismo psíquico, acredito piamente na existência do vampirismo afetivo, quando pessoas de ambos os sexos, na impossibilidade orgânica de construírem as suas próprias teias relacionais, aderem-se às relações de outrem e sugam-lhe parte da energia, que de outra forma seria a dois – dando início ao famoso ménage-à-trois. Nesta categoria de gente estão os Ricardões, Amantes, Manteúdas, Amásias e outros tantos nomes dados aos vilipendiadores afetivos.

Outros poderão obtemperar, sob um prisma ecológico, que tal vampirismo se insere no ciclo natural da rapinagem e que Ricardões e Amantes só se dão bem diante de relacionamentos fracos e doentes. Então, sob este ponto de vista tais figuras, no seu papel de predadores dos casamentos fracassados, seriam os beneméritos da profilaxia social.

Perante essas duas visões, a primeira de cunho moralista e a segunda, de natureza holística, que se complementam na tentativa de explicação, ambas não negam que esses seres perturbam, desequilibram e destroem relacionamentos. As motivações básicas dessa ação predatória elas não explicitam, porque provavelmente estão além do alcance da nossa vã filosofia.

» Leia aqui porque o Ricardão jamais veste o pijama.

8 comentários:

  1. Pois é conheço as que adoram essa condição.

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  2. Que importa ser a outra?

    Possivelmente será bom. Tem até algumas vantagens.

    Quem cuida do lar?
    Quem trata da roupa?
    Quem lhe faz as refeições?
    Quem sofre com os seus problemas?
    Quem lhe dá amparo e cuida quando está doente?
    Quem o acompanha na doença ou morte de um familiar?
    Quem carrega o filho durante nove meses?
    Quem sofre com dores no parto?
    Quem cuida e educa os filhos?
    Quem o vê envelhecer envelhecendo juntos?
    Esta sou EU

    Quem recebe presentes a toda a hora?
    Quem recebe carinhos e palavras bonitas?
    Quem recebe elogios à sua beleza?
    Quem vai jantar a um lugar romântico?
    Quem faz amor em lençóis de cetim à luz das velas?
    Quem vai passar fins de semana de “trabalho”em hotéis na montanha ou à beira mar?
    Quem ao manifestar um desejo, seja de que ordem for é logo atendida?
    Quem a única preocupação é fazer-se sentir desejada?
    Esta é a OUTRA

    Espero para minha felicidade que essa nunca venha a existir.

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    Romy

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  3. Visto de outra forma.

    Sexo casual.

    O sexo casual pode ser divinal. Mas tem regras.

    Este tipo de sexo não é nada mais do que sexo puro, por isso devemos considerá-lo como tal. Quando estão envolvidas emoções, o prazer erótico pode transformar-se em sofrimento atroz pelo menos para um dos amantes.
    Implica que não há compromissos, o que o torna distinto do sexo praticado dentro de um relacionamento. A regra de não haver compromissos permite que as pessoas envolvidas decidam ter um encontro sexual quando lhes convém, e não estão limitadas a uma única pessoa. Infelizmente, se vir a sua amante com outra pessoa, não tem o direito de se ficar zangado ou ciumento.
    A relação com esta pessoa é aberta e sem quaisquer compromissos, por isso amantes raivosas e ciumentas não são bem-vindas.

    Não se espere fidelidade. Não se espere receber declarações de amor.

    A relação se baseia unicamente no sexo, há obviamente uma razão, boa ou má, para isso. Podem ser muitas razões. Devemos pensar nas razões para não ultrapassar esses limites caso sejamos ambos solteiros ou não exista nenhum relacionamento estável.
    A situação é simples. Se o sexo é fantástico, porquê arruinar ao tentar transformá-lo numa amizade ou num relacionamento sério?
    As pessoas ficam muitas vezes fascinadas em momentos de solidão pela ideia de transformar «amigas do sexo» em parceiras estáveis. Se isto acabar por revelar ser uma má ideia, podem perder os dois.
    O silêncio é de ouro. Discrição e mistério tornam uma relação casual secreta especialmente excitante. Claro que é altamente aconselhável usar ambos porque se formos descuidados, pode levantar o véu do mistério.
    O sexo casual alivia a consciência: para um relacionamento casual deve-se escolher pessoas que não se ame, goste, ou aquelas de que não vamos recordar até à próxima vez.

    Se pensamos que se está a usar as pessoas ao fazê-lo, se tivermos a consciência pesada cada vez que as encontrar, devemos esquecer os relacionamentos casuais.

    Finalmente o sexo casual ajuda-nos a vestir bem: claro que seria estranho se os homens usassem sempre os mesmos boxers em todos os encontros sexuais casuais, ou se a mulheres usassem sempre o mesmo sutiã.
    Como o objectivo de um relacionamento sexual secreto é a carga sexual, a luxúria e a paixão, deve-se também comprar frequentemente roupa interior sexy sobretudo as mulheres.

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  4. não é vampirismo afetivo, mas sim vampirismo emocional ;)
    faça uma pesquisa além dos mitos e das cineses ;)

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  5. Uma parte boa e outra ruim. É assim que vimos as amantes. Fui até a terceira delas, jurando cada vez veementemente: "nunca mais!".

    Não é a amante em si, são os olhos dos homens que as vê assim, "amantes". Se...Se os homens vissem suas mulheres como amantes, talvez ficasse delas só essa parte boa.

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  6. Eu adoro Trepar. Já traí meu marido muitas vezes e ele nunca percebeu. Sou fogosa, gostosa e quente.

    Os homens que conheci são todos CHIFRUDOS.

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  7. Se os homens vissem suas mulheres como amantes, talvez ficasse delas só essa parte boa (achei perfeito!)

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  8. Lucas, preferi a conotação "vampirismo afetivo" porque vejo muitos vampiros emocionais "perfeitamente" casados, sem que se sintam incitados a viver das migalhas das relações dos outros. À propósito, os diversos tipos de vampirismo dão um bom tema para o Blog.

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