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10 de jun de 2010

Odeio copa do mundo.

Minhas relações com o futebol são as piores possíveis, tanto que não me achei um representante da bola quando estive fora do país, mesmo diante de um bando de turquinhos que tomaram o trem entre Colônia e Dusseldorf, estes sim fanáticos pelo esporte bretão, com bola e tudo, fazendo poses de Ronaldinho e Cacá.
Turquinhos fanáticos por futebol

Depois que o Brasil entregou descaradamente o caneco para a França em 2006 e depois que o Grêmio baixou explicitamente as calças diante do Flamengo no Campeonato de 2009, deixei definitivamente de torcer por seleções e times. Enquanto os fanáticos doentes debulham-se de nervosismo na frente da tela, as agremiações decidem o que será mais rentável nas bolsas de apostas, ou seja, derrota ou vitória é somente um rito de cumprimento da sina do vício.
Fanáticos por futebol
Isto porque todo o jogo é viciado. Enquanto os torcedores se entregam incondicionalmente ao seu time de coração, os times visam unicamente os milhões, auferidos através de perdas e ganhos previamente combinados. Por isso, requisitei o meu coração de volta. Doravante, ele disparará somente pelos meus problemas (filosóficos de preferência) e pulsará de felicidade unicamente com as minhas alegrias.

E o grito de liberdade não tardou a ser ouvido: desmontei a ligação da parabólica, que virou peça de museu, agora um monumento erigido em honra às futuras e bem-vindas trepadeiras, às folhas invernais e aos ninhos de carruíras.
Parabólica desativada

Depois da libertação, não preciso me submeter mais à hora do rush para chegar apressuradamente em casa a tempo de assistir os jogos da seleção.
Hora do Rush

Agora, terei só para mim as ruas esvaziadas durante os eventos esportivos, onde poderei tecer ao bel prazer as filosofias que quiser,
Filosofia nas ruas vazias
quiçá ficar nu como ameaça Maradona. Um parente meu, outro odiador da copa, trombeteou que torcerá pela Argentina, todavia perdeu o senso de humor quando soube que levantar o caneco significará assistir as formas rotundas do Maradona correndo livres e soltas pela avenida 9 de Julho até o Obelisco.

14 comentários:

  1. Detestador de futebol10/06/2010 14:11

    Também detesto futebol e copa do mundo. O yahoo mail tomou a liberdade de colocar na seção "o que você está fazendo agora?", a resposta: "estou torcendo pelo Brasil". Logo retirei esse absurdo.

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  2. Sou suspeito. Sem saber a razão sou adepto do Sporting Club de Portugal, fui sócio, até que aos 18 anos, altura em que rompi com a militância. Despertei da hibernação. O futebol é uma indústria que envolve biliões, o apelidado "desporto mundial" arrasta multidões. A grande maioria vai descarregar as suas frustações do dia a dia nas bancadas. É o escape para as agrururas da vida. Não é em vão que se afirma que o futebol é o ópio do povo. A selecção foi a forma encontrada para nos manietar, ou seja, coesão nacional. Além dos beneficiados usuais o poder politico exulta. Toda a realidade é durante esse período esquecida. Como se dizia na época da ditadura " A Bem da Nacão "

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  3. Fora do contexto. Com a sua permissão gostava de prestar um tributo.

    A língua de Camões?

    Hoje 10 de Junho comemora-se, entre outras coisas, a obra de Luís de Camões. Mas o que parece preocupante é o facto de cada vez menos haver qualquer espécie de interesse por Camões e por aquilo que ele representa.
    As questões da identidade começam por estar relacionadas com a língua materna e esta deve a Camões a sua dimensão moderna. Mas estão à vista as consequências que, para a identidade, decorrem do actual estado de coisas: a língua materna está cada vez mais deteriorada, tornou-se uma espécie de caixote do lixo onde cabem todos os dejectos e, tal como é utilizada e falada, um dia destes mal conseguirá distinguir-se de um mero conjunto de grunhidos comunicacionais.
    Vivemos numa época de apoucamento da língua, de empobrecimento do vocabulário, de aviltamento de todas as regras de gramática. É também um tempo em que toda a gama de valores que ela transporta consigo (intelectuais, cognitivos, estéticos, expressivos, afectivos…) deixou de contar. Vêmo-la subordinar-se servilmente ao facilitismo e à tecnologia, quando devia contribuir para uma estabilização dos seus paradigmas próprios, procurando equilíbrios permanentes com as tendências que são sinal dos tempos.

    O poeta dizia não lhe faltar na vida honesto estudo com uma longa experiência misturado.
    Hoje, muito poucos podem repetir esta afirmação em causa própria. A língua de Camões está irreconhecível. Se ele voltasse ao mundo, decerto pensaria em rasgar a sua obra.
    Deixámos de ser dignos dela.

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  4. Mário,
    Saramago lamenta a progressiva degeneração das vogais na dicção da terra de Camões, talvez num afã de aproximação ao reino da Dinamarca (Kongeriget Danmark).
    Infelizmente, graças à corrosão fonética parte da eloquência lusitana se perdeu para dar força a tal verso:
    "Dai-me ũa fúria grande e sonorosa,
    E não de agreste avena ou frauta ruda,
    Mas de tuba canora e belicosa,
    Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
    Dai-me igual canto aos feitos da famosa
    Gente vossa, que a Marte tanto ajuda:
    Que se espalhe e se cante no universo,
    Se tão sublime preço cabe em verso."

    O amargor de nossos dias é que se poderá contar nos dedos lusófonos capazes de entender este 5ª estrofe, ou qualquer outra dos Lusíadas. Cada vez mais a obra do poeta magno cai como letra morta diante de ouvidos moucos.
    É a aspereza dos nossos dias, impregnados de funcionalismos e corrompidos pelos reducionismos.
    Deixemos que o poeta Maior nos vingue contra a impiedade e nos redima através da 132ª estrofe:
    "Tais contra Inês os brutos matadores,
    No colo de alabastro, que sustinha
    As obras com que Amor matou de amores
    Aquele que despois a fez rainha,
    As espadas banhando e as brancas flores
    Que ela dos olhos seus regadas tinha,
    Se encarniçavam, férvidos e irosos,
    No futuro castigo não cuidosos."

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  5. Meu caro Isaias, seu post tem mais tom de desabafo pessoal, coisa que se há de respeitar. Como era mesmo que diziam por ai? Não concordo com o que voce diz mas defendo seu direito de dize-lo.

    Minha discordancia: por favor não chame a todos de "fanáticos doentes". Tenho uma porção de amores garanto a você. Pessoas, musicas, literatura, esportes, comidas e bebidas e nos ultimos tempos até mesmo alguns blogues. Mas mantenho meus pés no chão.

    Fique em paz.

    Jonas

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  6. Análise do fenómeno futebol.

    Alguns governos dos países em crise têm hoje razões para descomprimir.
    Começa o Mundial de Futebol e nos próximos 30 dias muito se falará da bola que entrou, do penálti que ficou por assinalar ou do apuramento injusto deste ou daquele país.
    Aproveitando este estado hipnótico, muitos governos optarão por tomar medidas impopulares, atendendo a que o povo estará distraído com a paixão futebolística e terá mais vontade de festejar as vitórias do seu país do que de ir para a rua protestar contra as decisões que lhes dificultarão ainda mais a vida no futuro.
    Em abono da verdade, o futebol tem conseguido quebrar barreiras que nenhum político ousou ultrapassar. No campo, consegue-se colocar frente-a-frente inimigos figadais e unir povos desavindos. Também é verdade que algumas guerras começaram ou ameaçaram começar por razões aliadas a jogos que descambaram em confrontos entre claques.
    O Mundial que começa na África do Sul será um verdadeiro teste ao continente africano. Estará à altura de um acontecimento destas dimensões? Os problemas raciais não se farão sentir? Para já, os sul-africanos têm demonstrado uma hospitalidade invulgar.
    Em nenhum outro continente as selecções foram tão bem acolhidas.
    O país escolhido pela FIFA para organizar o Mundial, há 20 anos não aceitava que brancos e negros viajassem no mesmo autocarro, não permitia casamentos mistos e o acesso à terra era limitado a zonas onde não havia qualquer tipo de riqueza.
    O Presidente de então, F. W. de Klerk, conseguiu fazer aprovar o fim do apartheid,sobressaindo depois a figura mítica de Mandela que uniu um povo em torno de um sonho: igualdade de direitos e de obrigações.
    Não passaram muitos anos desde então, mas Mandela ficará para sempre ligado à História.
    Espera-se que este campeonato possa também contribuir para aproximar culturas tão distintas como são as dos vários continentes.
    Já agora que sejam um bálsamo para a depressão mundial.
    O futebol é magia. Esperemos que resulte.

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  7. Amauri Aurani14/06/2010 00:44

    Apesar de achar-mos que somos seres civilizados e desenvolvidos tecnologicamente, pra mim ainda somos fetos ou no máximo recém nascinos no campo da tecnologia,...Da moral então, nem se fala,...Mantemos ainda, nosso instinto primitivo e selvagem do tempo das cavernas, onde combatía-mos nossos ¨inimigos¨ até a morte em defesa de nossas posses. Hoje ainda combatemos uns aos outros com nossas armas ¨modernas¨ e caras mas com a mesma ignorância e selvageria do passado, e mesmo aqueles que se julgam civilizados e que são a maioria, precisam desse sentimento de vitória para satisfazer seus instintos pré históricos e se contentam com uma coisa simples e barata como o futebol que como uma droga lhes dá um falso sentimento de prazer e domina totalmente os quase 5% ativos de suas pobres mentes. São programados quando crianças e vivem nesse ¨Matrix¨ a vida toda, apenas alguns de nós conseguem se libertar e vivemos solitários e revoltados tentando libertar outros. Mas se nem JEJUS conseguiu, o que podemos fazer senão usar a mesma frase que ELE,...: Perdoai SENHOR, eles não sabem o que fazem!!

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  8. O futebol é o elo mais forte de ligação entre povos. Se as pessoas não estão de acordo nas opções políticas, religiosas ou sociais, encontram neste desporto, uma energia unificadora.
    O futebol é o maior desporto planetário.
    É visto por milhões e milhões de pessoas, sendo por isso uma marca de elevada exposição mediática para o país. No futebol somos mundialmente conhecidos; ocupamos a 3ª.a posição no ranking da FIFA logo a seguir à Espanha e ao Brasil. Temos o futebol mais sexy da Europa, fruto de um trabalho de formação, temos hoje uma geração de brilhantes jogadores e de treinadores entre os melhores do mundo.

    Por analogia vamos fazer um intervalo no jogo da economia, de modo a reflectirmos um pouco sobre a importância estratégica que o futebol pode ter na construção da prosperidade do país.

    Ao fazer sair o futebol do seu sentido estrito, usando-o na sua dimensão universal, podemos aproveitar o capital de notoriedade deste desporto e criar uma plataforma internacional que nos permita promover as nossas melhores marcas. Marcas essas que representam a determinação de alguns portugueses empenhados em promover uma imagem do Portugal contemporâneo ao nível dos melhores países do mundo.

    Convém lembrar que, depois do intervalo da crise, temos mesmo de entrar em campo com uma estratégia vencedora para as nossas marcas.

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  9. Futebol é coisa de viado, de filho da puta. E ponto final.

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  10. O povo tá feliz, então vamsimbora, né pq me p?
    Concordo: ouvidos moucos têm os loucos... mas eu acredito que adianta sim falar que é tudo maracutaia rsrsrrsrs Maracutaia da violenta ainda...

    grande abraço,
    e viva o pão e circo!

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  11. Começou a roubalheira a favor do Brasil, e a imprensa ufanista dá total apoio...

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  12. Odeio Copa do mundo!!!!

    Quanta papagaiada esse lance de tudo parar por causa de um jogo idiota!

    No Brasil, vive-se uma verdadeira ditadura, quem não curte esse clima de oba-oba sem motivo, não tem opção...cinemas, teatro, shopping tudo fechado...Quanta babaquise!!!
    Só lamento a vida daqueles que acham que esta ilusão tem algum sentido!

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  13. Torcer??? Não faz o minimo sentido, eles nem sabem que vocês existem!!!Tem que ser brasileiro...

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  14. O país inteiro para pra ver essa merda,e perdemos muitas aulas e dias de trabalho de pois é aquela correria pra colocar as coisas em dia,sem falar que nós perdemos muito tempo àtoa,quem esta ganhando muuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiitttttttttooooo bem são os jogadores,tem jente que trabalha mais do que eles e ganha uma micharia

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