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9 de set de 2009

Só se aposenta quem escolhe envelhecer!

Envelhecer deixou de ser um assunto exclusivamente cronológico, pois graças aos avanços da medicina e à elevação do padrão sanitário, as pessoas não ficam precocemente decrépitas aos 40 anos. Depois que foi inventado o lazer, o processo do envelhecimento se restringiu mais ao âmbito das escolhas pessoais, do que ao fatalismo geriátrico.

Em função da revolução social havida ao longo do século XX, hoje os paradigmas da aposentadoria e do vestir o pijama, foram quebrados. Quem continua construindo a sua vida em função da aposentadoria e do futuro incerto, certamente está marchando com o passo trocado, pois na era do lazer o usufruto é aqui e agora, já que o processo criativo jamais deve estancar.

Então, em face do envelhecimento não ser uma questão temporal e sim o resultado de escolhas existenciais, tanto poderemos ver alguns indivíduos de 90 anos em plena idade produtiva, quanto outros com 30 anos entregando os pontos. Assim, alguns sintomas insofismáveis denunciam aquele que chegou à velhice, independentemente do amarelamento da sua certidão de nascimento.

- Aposentadoria – ela foi criada numa era em que as pessoas morriam aos 40. Hoje, diante da expectativa de vida cada vez maior, quem se aposenta aos quarenta e ainda tem 40, ou 50 anos pela frente, se torna um sério candidato a passar o resto da vida sentindo dores no nervo ciático e sofrendo de "doenças de velho".
- Encerrar o processo criativo – enquanto uma pessoa for criativa, jamais será vítima da senilidade. Já, quem renuncia à criatividade, deu o primeiro passo irreversível em direção ao fim.

- Parar de viajar – conhecer novos lugares é o elixir da juventude mais revigorante já inventado, porque combate a tendência à acomodação que caracteriza a velhice.
- Renunciar a novos projetos - quem abdica dos sonhos se torna presa fácil da apatia. Ou você está querendo todo o tempo crescer como pessoa e disposta a encarar novos desafios, ou está fechando as portas para a vida, não há meio termo.
- Deixar de aprender – pessoas de qualquer idade que deixam de fazer cursos, faculdades, aperfeiçoamentos, etc., abdicam da saúde mental. Ora, o cérebro é um órgão concebido para funcionar e na ausência de novos desafios, ele definha. Como antídoto ao ocaso das faculdades mentais, quem é previdente deveria se empenhar em manter seu cérebro funcionando através da leitura, escrita, pintura, aprendizagem musical, poesia, etc.

O elixir da vida longa.
De nada adianta ter uma longa vida, se a vida não for longa. Explico, quem vegeta senilmente até os cem anos, não usufrui tanto quanto aquele que aproveitou até o fim, mesmo que tenha sido breve, as suas plenas capacidades física e mental, independentemente da idade. Todavia, para chegar íntegro a idade avançada é necessário cultivar os pilares da saúde, que são Religião, Arte, Filosofia e Físico.

Religião – para que a pessoa não se converta num cético amargurado, não falo estritamente de assuntos de Igreja, mas num sentido amplo da ligação do indivíduo com Deus, ela deveria devotar uma parte das suas energias(religare) Àquele que a tudo criou;

Arte – para que a pessoa mantenha os seus poderes criativos intactos, é imprescindível que ela jamais se aposente da arte, seja música, literatura, teatro, pintura, dança, etc. Quaisquer destas atividades lúdicas descolam o seu praticante da vala comum do cotidiano e o transporta ao mundo inefável das Musas.

Filosofia – renunciar ao pensamento, à especulação e à reflexão é morte certa. A vida da pessoa não deveria ser medida pelo declínio da sua potencialidade intelectual. Mesmo diante da crua realidade do decaimento da vitalidade física, ninguém tem o direito de envelhecer mentalmente.

Físico – depois que avançam em anos, os ocidentais tem a tendência a se alquebrarem, de ficarem corcundas, frágeis, ou seja, cedem facilmente à decrepitude galopante. Situação muito diferente é vivida pela maioria dos velhos chineses, que diante dos primeiros sinais de enrijecimento, passam a praticar a sua milenar arte marcial Tai Chi Chuan, que visa restituir o equilíbrio das energias corporais e devolver ao idoso a força, flexibilidade e vitalidade, perdidos ao longo de uma vida devoluta.
Tai Chi Chuan

Exemplos de quem não se aposentou da vida:


- Jacy Franck, um Blogueiro de 83 anos que atualiza pessoalmente o seu Blog [ByJacy].

- Oscar Niemeyer continuando a tocar os seus projetos, comprova que ter mais de 100 anos não é fator imperativo para renunciar à atividade.

- Ivy Bean, uma das usuárias mais velhas do mundo a ter conta no Twitter, completa 104 anos de idade na Inglaterra e atualiza todos os dias os seus perfis nas Redes Sociais [Terra].

Axioma: só se aposenta quem passou a vida inteira fazendo o que não gosta, quando finalmente descobre que o tempo de aproveitar a vida já passou.

6 comentários:

  1. Ah,depende do que signifique aposentadori;no meu caso não vejo a hora;mas para começar a viver de verdade:trabalhar na mesma área mas livre podendo fazer trabalho voluntário,por exemplo.

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  2. Anunciação,
    Depende do que você considera "livre". O grande problema dos aposentados é não ter tempo para organizar o seu tempo e se deixar engalfinhar numa atividade mais frenética do que antes.
    Tenho constatado duas situações antagônicas: se por um lado há os aposentados que literalmene penduram as chuteiras, por outro há aqueles que se enchem de mais compromissos.
    O certo é que a nossa sociedade não está sintonizada para a condição da aposentadoria.

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  3. Para envelher saudável tem que crer em um Deus! Fala sério! Quer dizer que um ateu não terá uma velhice saudável? Besteira!

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  4. Realmentre, aposentadoria não está com nada. É muito melhor sair diretamente do trabalho para um hospital ou cemitério.
    Que papo ruim , hein cara!!!

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  5. Orlando, imagine um Chico Anísio, Chico Buarque, Jô Sores, Saramago, Sérgio Brito, Hebe Camargo, Sílvio Santos, Ana Maria Braga se aposentando...
    Ninguém que gosta do que faz se aposenta e que passa a vida inteira fazendo o que odeia tem a decrepitude como prêmio na velhice.

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  6. Estão misturando tudo... "numa era em que se morria aos 40..." (sic);
    Ora, diminuindo da "idade em que se morria" os anos de contribuição imprescindíveis, temos um absurdo no texto!
    Aposentar ou não é uma prerrogativa pessoal. O que se vai fazer ou não, também é escolha individual.
    Pela volta da lei de murici!

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