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13 de jun de 2008

Por que o fracasso da educação no Brasil é um fato?

Eu assistia ontem o jornal da Rede Bandeirantes das 7:30 hs, quando os apresentadores apresentavam os produtos mais presenteados no dia dos namorados. O campeão absoluto foi o telefone celular seguido de outros itens, até que o apresentador perguntou para a apresentadora em tom de riso: - o que você acha que ficou em último lugar? Ela não soube dizer e ele respondeu: - o livro.

Então, este é o primeiro indicador do tamanho do fracasso; a popularidade do livro despencando a cada ano, e provavelmente empatando com a dos políticos.
O impacto do fracasso educacional já seria trágico, se ficasse restrito à área da linguagem, ou seja, porque ninguém lê, quase ninguém consegue escrever. Porém, um povo burro não se limita ao assassinato da sua língua e à queima dos seus livros (como no episódio da queima do livro sobre o Roberto Carlos), ele ousa na infâmia e se torna indiferente à arte.

Para ilustrar a minha assertiva, trago à baila o recente episódio do roubo das obras de Di Cavalcanti e Pablo Picasso da Pinacoteca da Estação em São Paulo A reação do público segue o diapasão da absoluta indiferença de um povo que nunca aprendeu a apreciar obras de arte, porque nunca visitou um museu, porque o sistema de ensino lega ao estudante a mais absoluta indiferença pela educação artística.

O que faltava para sintetizar a incapacidade de escrita unida à leniência da apreciação artística? Encontrei o que procurava plasmado numa pergunta formulada no site Yahoo!Respostas sobre o roubo da Pinacoteca.

Cito o texto integralmente, com seus erros de ortografia, acentuação, concordância, etc., como uma amostra grátis do que se transformou o ensino neste país:

Pergunta:
“Você é do tipo apreciador de arte, e acha uma lastima ter sido roubado aqueles quadros??
ou você nem liga?? Sua opiniao ok?? Eu na verdade nem ligo, pois pra mim são rabiscos, essa é minha opiniao, sei q tem gente q discorda, mas pode colocar a sua.”

Resposta:
“Nem ligo também... Mas respeito quem gosta, respeito os artistas, e sei a importâncias que as obras têm, mas por mim, não faz diferença.”

O que é um Di Cavalcanti e um Pablo Picasso para esta gente? Nada, apenas rabiscos de um passado esquecido, um legado cultural que pode muito bem ser destruído, sem que se chegue a mensurar a grande perda cultural por trás disso.

Tenho pena dos professores que comparecem todos os dias para bater cartão nas salas de aula, porque o trabalho árduo de vidas inteiras pode ser resumido na inutilidade do produto que se vê por aí – milhões de analfabetos funcionais incapazes de decodificar a mensagem de um parágrafo sequer de qualquer livro da literatura portuguesa.

Termino o epitáfio ressaltando que o tipo de greve menos impactante é a dos professores, porque quando eles cruzam os braços, ninguém nota a mínima diferença, pois é como se o seu trabalho não suprisse nenhuma necessidade imediata, nem futura.

Educação, recepção da obra de arte, professores, pinacoteca, Picasso, Di Cavalcanti

14 comentários:

  1. Que a educação no Brasi já não anda bem das próprias pernas é fato há muito tempo, e isso agora é a consequência do que foi plantado "lá atrás" quando não se investiu na educação direito. Educação artística, então, nem fale, minha namorada que o diga...

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  2. Então a sua gata é da área artística?

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  3. O desinvestimento na área cultural tem sido acompanhado e apoiado nos média por um discurso neoliberal, pretensamente libertário, que afirma que a intervenção estatal nesta área deve cingir-se à preservação do património museológico.
    Segundo este discurso, os escritores não precisam de bolsas de criação para escrever, nem os pintores para pintar, e toda a actividade criativa que exija investimento prévio deve esfolar-se por arranjar mecenas.
    O Ministério da Cultura orçamenta os projectos e garante aos mecenas que cada cêntimo do dinheiro investido lhes será subtraído dos impostos.
    E há ainda outro problema, basilar: uma obra de arte que dependa do lucro imediato ou dos públicos já existentes é pouco susceptível de gerar inovação ou de ampliar os horizontes da sua época. Numa perspectiva mercantilista, o ensaio e a poesia acabarão por morrer nas gavetas de quem os escreve.

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  4. Por isso a oportunidade oferecida pela Internet é até hoje inapreensível: gente que jamais seria contemplada pelos conselhos editoriais aparece e subsiste.

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  5. Um mestre é uma pessoa que nos ensina qualquer coisa, como ler, escrever ou fazer um desporto. Não,é mais do que isso, é alguém que nos orienta no mundo, nos faz crescer,nos ajuda a sermos o que podemos ser. E isto sem nos oprimir e deixando desabrochar as nossas potencialidades.
    Há também uma relação pessoal em que entra em jogo a qualidade humana de ambos.
    Este tipo de relação mestre aluno hoje em dia está muito enfraquecida, tanto em casa como na escola. A relação entre a geração mais jovem e o mundo adulto está cada vez mais relacionada com as imagens, como os desenhos animados, os filmes da televisão, a PlayStation e também com actividades físicas como ginástica, natação, ténis, equitação,basquetebol, voleibol, dança, canto, música.
    É uma correria contínua de um sítio para o outro, uma indigestão de estímulos.
    Os jovens reagem criando uma comunidade própria na qual comunicam por meio de frases breves, músicas, imagens, mas também procuram um modelo, alguém que lhes sirva de guia.

    Noutros tempos, os mestres eram os sacerdotes, os políticos, os poetas, os filósofos, os escritores.
    Hoje são sobretudo os cantores. Através da junção música-imagens-palavras,indicam-lhes os caminhos da emoção, os estímulos vitais.

    Esquecemo-nos muitas vezes de que todos os seres humanos precisam de atribuir um significado à vida. É isso que procuram os jovens em todas as pessoas que conhecem:amigos, amores, cantores. Mas também querem que seja um encontro livre, não uma imposição.
    Querem descobri-lo como sempre fizeram, como farão sempre, com espírito crítico, virados para a novidade, para o futuro, para a criação. E vão em busca de quem perceba esta exigência e saiba dar-lhes respostas.
    Têm de sentir que acreditamos neles, que estamos implicados e que queremos trabalhar com eles, que queremos criar em conjunto e realizar uma obra comum, colectiva.
    Têm igualmente de sentir que sabemos para onde vamos, mas que eles são livres de nos seguirem, que são escutados e levados a sério.

    É só nessa altura que nos tornamos mestres: quando traçamos em conjunto o caminho a percorrer.

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  6. O meu problema, definitivamente, é ter tempo para pensar. Este já é um problema antigo, agora ampliado.

    A trilogia, infidelidade, politica e cultura o que é que têm em comum?
    Aparentemente nada. Mas têm.
    Quando falo de infidelidade, não é da carnal mas sim a de objectivos, anseios e promessas e porque não a do próprio. Aqui, entra a política, o expoente máximo das promessas não cumpridas. É habitual ouvir o comum do cidadão dizer “ A minha vida dava um romance “. Ele sabe que ninguém se vai debruçar sobre o anónimo e escrever um romance mas, a literatura está presente.

    Quem nos provou que a população está disposta a debates intermináveis sobre politiquice, mas não aguente um serão a discutir, o amor, a guerra ou a morte, na literatura? Ninguém.

    Vem isto a propósito de Machado Assis e Eça de Queiroz, escritores intemporais e não só.

    De Machado Assis costuma dizer-se, nas poucas vezes em que dele por cá se diz alguma coisa, que é o Eça de Queiroz do Brasil. É pouco, fraco e injusto, quer para um quer para o outro dos escritores, porque ninguém (mesmo que não seja escritor) é o clone de outro, e, como sabe verdadeiramente quem lê, a única nação que limita e engrandece a literatura é a língua em que ela se exprime.

    Machado Assis, por todas as razões, não só por ser um mestre da construção narrativa, mas porque é um escritor dotado de uma comunicabilidade transbordante, pode e deve ser lido muito cedo. Para isso era preciso que quem manda nestas coisas acabasse com a parvoíce arqueológica das “ literaturas nacionais “ e começasse a defender a literatura de língua portuguesa como um todo.

    Já há bastante tempo que percebi, o divórcio existente entre o país real com a sua sólida rede de bibliotecas e o seu número de leitores e, o país do Poder, que proclama, que o povo não dá para mais do que novelas, concursos ou shoppings.
    Não é verdade, apenas convém que seja.

    Um povo menos lido é naturalmente menos reflexivo, menos inquieto, menos exigente. Come o que lhe dão, e verga-se perante os grandes senhores que sabem ou podem mais do que eles.

    Acresce que a leitura é um antídoto do medo. Quem saboreia a leitura nunca está sozinho. Entende a transitoriedade de tudo, e a possibilidade de mudança. Entende-se a si mesmo, e aprende a saber o que quer.

    É isto que a União dos Senhores da Alta Cultura e do Baixo Entretenimento não quer.

    P.S. – Tem contribuído muito sem dúvida a Blogopaedia para ampliar o meu pensamento o que me apraz realçar e agradecer.

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  7. A reflexão de um português sobre o nosso Machado de Assis vem a calhar no MEA CULPA brasileiro sobre a negligência escolar com os autores de Portugal. Não é impressionante que nada saibamos de autores de outros povos lusófonos?

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  8. Dia do Professor.

    A escola, essa instituição central das sociedades modernas, pensada como instrumento de libertação dos indivíduos, sendo certo que a escola tem um papel decisivo na socialização secundária, logo depois da família, conseguiu criar o "homem novo".

    Pretendeu-se dar-lhe um papel central na superação do atraso económico dos países, na democratização das relações sociais e na construção da nova sociedade, agora racional,justa, meritocrática e moderna.
    A grande aposta dos governos na escola pública e gratuita justificava-se para garantir a igualdade de oportunidades.
    A escola permitiria a competição individual dentro do sistema de ensino que conferia a todos as mesmas condições de sucesso.

    Problema: os desempenhos escolares não dependem apenas dos dons individuais.
    A origem social, o sexo, a etnia, a localização geográfica, entre outros, justificam as disparidades.

    A escola não é imparcial, reproduz a cultura da classe dominante.

    Vem isto a propósito da possibilidade de acabar com as reprovações nas escolas. A ideia não é má. Os estudos provam que a retenção dos alunos arrasa a sua auto-estrada. E que a repetição do ano escolar tem um efeito nulo na sua evolução académica.
    A Finlândia, a Noruega, a Suécia ou a Islândia não reprovam os alunos. Na Alemanha, os alunos também não reprovam, mas a avaliação diferencia os que prosseguem os estudos dos que ficam pelo caminho. No Reino Unido, os encarregados de educação são legalmente responsabilizados pelas faltas injustificadas dos alunos.
    Dar oportunidades aos que ficam para trás é um objectivo decente; mas isso implica também criar mecanismos de exigência, meritocracia e rigor. As aulas de apoio, por exemplo, são obrigatórias para os estudantes. Os alunos terão de ser acompanhados desde que entram na escola, e a cultura do ensino tem de ser exigente.
    É possível encontrar mecanismos que, na escola, sejam correctivos de comportamentos e atitudes. É possível recuperar os alunos. Mas não é possível fazer da escola o que ela não é: a instituição redentora das desigualdades sociais.

    Felicitações aos ” Professores ” pois eles são diligentes e esforçados.
    Sem eles, o futuro seria sombrio.

    Não será a altura de repensar e olhar para eles com olhos de quem vê?

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  9. Com a sua permissão.
    Reflectindo sobre os problemas relacionados com o ensino.

    Há professores e professores é assim em todas as profissões.
    Ensinar não é fácil, exige vocação, sabemos a que ponto as vocações andam perdidas no turvo oceano do desalento.
    A autoridade dos professores foi, ao longo das últimas décadas, sujeita ao abandono, enquanto os direitos dos alunos cresceram de uma forma tão avassaladora que se viraram contra eles mesmos: podendo tudo, não aprendem nada.
    A autoridade dos professores não se repõe à força. Repõe-se promovendo uma cultura de responsabilidade e consequência, essa que desapareceu quando os programas escolares se vergaram ao "sentido lúdico" e aos supostos "interesses" dos alunos.
    Professores que não têm sido incentivados, nem material nem espiritualmente, a melhorar o seu trabalho, antes pelo contrário. Professores mal pagos e mal tratados que procuram meter qualquer coisa de futuro na cabeça dos meninos.
    Penso que as pessoas sabem que é na qualidade da "Educação" que se encontra a chave do desenvolvimento de um país. E que não há computador que compense a falta de um bom professor.
    A quantidade de professores efectivamente cultos e empenhados que ainda existem é um milagre.

    Urge proceder a reformas na “ Educação “, em que os professores sejam parte interveniente no processo.

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  10. Com a sua permissão.

    (Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

    Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)


    Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

    A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

    O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

    Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

    No início, foi o Maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

    E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidémica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários sectores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.

    Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

    Continua

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  11. Continuação

    Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”

    Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

    Ao assassino, correctamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

    EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

    EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

    EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correcto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

    EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranquilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

    EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, frequentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

    EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

    EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

    EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

    Continua

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  12. Continuação

    EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

    EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

    EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;

    EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

    EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;

    EU VEEMENTEMENTE ACUSO os directores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

    EU ACUSO os directores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é directamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

    Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos - clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

    Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

    Continua

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  13. Continuação

    A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

    Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adoptar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

    Igor Pantuzza Wildmann

    Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

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  14. Com a sua permissão.

    Estou solidário com o Professor.

    “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno”

    Esta afirmação enquadra-se na perfeição no meu país. Aquilo que eu apelido de facilitismo. Os resultados já são visíveis.
    Temo que a breve trecho o mesmo possa acontecer em Portugal. As agressões já existem, quer por parte dos alunos ou e dos familiares.

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