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10 de jun de 2008

Uma pintora do Arco-Íris?

Neste Blog um dos assuntos que desenvolvo é sobre a arte contemporânea, mais especificamente a provocação de tensionamentos sobre a mídia das aberrações que se vê tanto no Brasil, como no exterior. Os exemplos são encontráveis às pencas, como em recente visita ao Museu Ludwig de Colônia-Alemanha, encontrei no espaço destinado à arte atual uma coleção cheia de altos e baixos, tanto no relevo arquitetônico do museu, como no nível da qualidade das obras.

Não critico a arte moderna como um todo, tento me cingir apenas contra o lixo metido a luxo – lixo colado num painel no subsolo do Museu Ludwig, numa metaforização do descartável?

Como um crítico das minhas críticas, surge o Bruno Guedes, um excelente Blogueiro, portador de carta de recomendação do superblogueiro Cardoso, descobre esta humilde Blogpaedia e se insurge contra o pecadilho das minhas generalizações sobre a arte moderna.

No último comentário sobre o post “Um Rembrandt Revisitado?” ele revelou finalmente o fulcro das suas obtemperações: “Mas veja, nem tudo está perdido, há muita arte "própria" ainda à solta pelo mundo. Como, por exemplo, esta artista, que por coincidência é minha mãe.” Juro que fiquei tocado.

Em contraponto ao lixo pós-moderno, a arte própria (*).

Mais do que de repente, me remeti ao link e me deparei com as cores do arco-íris que fluem ao interior do ser. Encontrei uma pintora postulante da arte como uma passagem para muitas viagens, capaz de provocar no espectador reminiscências da infância. Cada objeto retratado remete a um tempo, o meu tempo, levando ao movimento, chamando a cor, muitas Cores! Seu leitmotiv é o arco-íris, ecoando a volta ao deslumbramento que cada criança sentiu ao contemplá-lo nas longas tardes de verão. Minha criança brincou com aquelas coisas que Maristela transforma em desenhos de apelo lúdico irresistível – tão transbordantes que mal se contém nos limites do papel.

A característica da fase lúdica de Maristela Guedes é que ela usa motivos de crianças sem querer pintar como uma criança. Ao contrário, ela modula a sua robusta formação acadêmica para aspergir de espontaneidade a sua expressão, graças ao uso econômico dos recursos pictóricos. Várias peças expostas na galeria virtual do Barbacena Online (**) brincam com as dinâmicas da imobilidade/mobilidade, presente/futuro, na figura da crisálida que se desdobra em borboleta e dos manetes do pula-corda que são linhas curvas semi-visíveis da corda girante na brincadeira.

O enigma decifrado.
Só agora decifrei o que o Bruno queria dizer com “Mas regozijem-se, ainda existe arte pura por aí! É só saber onde procurar...” Este post em forma de desagravo é um reconhecimento de que os meus tensionamentos sobre a arte moderna devem contemplar também as exceções, e não ter como pano de fundo apenas um difuso culto a autores mortos e distantes.

(*) Arte própria: tentando definir a expressão do Bruno, é a arte de autoria, aquela que preserva a função de maravilhamento, em clara contraposição à arte aleatória das minhocas lambuzadas de tinta que se arrastam na tela, ou daquela das mãos que atiram à esmo na tela porções de tinta que vão compor motivos “abstratos”.

(**) O senão ao Barbacena é a miudez das fotos. Nós merecemos ver a obra da artista em tamanhos maiores do que 300 x 400, inclusive a foto dela na página inicial. Não sei como o Bruno, na sua qualidade de filho fã, Geek e Nerd, não providenciou ainda uma página exclusiva de divulgação do trabalho da artista.
Na página faltam dados absolutamente essenciais: onde adquirir a sua obra? Existem reproduções para vender? É possível comprar online? Onde estão se dando as exposições? Que galerias/museus têm o seu trabalho? Onde estão disponíveis informações mais detalhadas da biografia e da formação acadêmica da Pintora?
Discordo radicalmente do site quando eles afirmam que: “A melhor apresentação de Maristela Guedes se faz por sua própria obra.” Em tempos de Internet é preciso que se faça algo melhor do que eu vi na acanhada galeria virtual, é preciso um maior descolamento da antiga realidade analógica do século XX.

Um comentário:

  1. Realmente, as fotos não estão boas. Até as cores estão distorcidas. Falta-me uma câmera para conseguir fotos melhores.

    E além disso, "santo de casa não faz milagre".

    E não, não é possível comprar online, nem sei ao certo quais dessa estão à venda. Em Barbacena, periodicamente, o grupo Doidos por Arte realiza exposições em diversos locais, com venda de quadros.

    E, no mais no mais, essa galeria já está antiga. A artista muda de tema periodicamente. Talvez possa deixar o Korso encarregado da divulgação, já que ele é nosso correspondente artista...

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