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15 de jan de 2010

99 Luftballoons.

99 Luftballoons
Imagine que em período da guerra fria, alguém tivesse soltado 99 balões vermelhos de festa na Berlim ocidental e eles tivessem voado em direção ao lado oriental controlado pelos soviéticos. Este é o enredo da música que se tornou hit mundial em 1983/1984, emplacado pela banda alemã Nena. Na realidade é uma das únicas músicas cantadas em alemão que figuraram entre as Top 5 das paradas de sucesso de vários países de língua inglesa.
Note que a cantora é um dínamo de sensualidade típica da década de 80, no tempo que as mulheres ainda não raspavam os sovacos.

Considero a melhor versão, esta performance gravada ao vivo em 1984.
video
Hast Du etwas Zeit fuer mich
Dann singe ich ein Lied fuer Dich
Von 99 Luftballons
Auf ihrem Weg zum Horizont
Denkst Du vielleicht grad' an mich
Dann singe ich ein Lied fuer Dich
Von 99 Luftballons
Und dass sowas von sowas kommt

99 Luftballons
Auf ihrem Weg zum Horizont
Hielt man fuer UFOs aus dem All
Darum schickte ein General
'ne Fliegerstaffel hinterher
Alarm zu geben, wenn's so waer
Dabei war'n da am Horizont
Nur 99 Luftballons

99 Duesenflieger
Jeder war ein grosser Krieger
Hielten sich fuer Captain Kirk
Das gab ein grosses Feuerwerk
Die Nachbarn haben nichts gerafft
Und fuehlten sich gleich angemacht
Dabei schoss man am Horizont
Auf 99 Luftballons

99 Kriegsminister
Streichholz und Benzinkanister
Hielten sich fuer schlaue Leute
Witterten schon fette Beute
Riefen: Krieg und wollten Macht
Mann, wer haette das gedacht
Dass es einmal soweit kommt
Wegen 99 Luftballons

99 Jahre Krieg
Liessen keinen Platz fuer Sieger
Kriegsminister gibt's nicht mehr
Und auch keine Duesenflieger
Heute zieh ich meine Runden
Seh' die Welt in Truemmern liegen
Hab' 'nen Luftballon gefunden
Denk' an Dich und lass' ihn fliegen

Versão em estilo Pop que ilustra o enredo, até para quem não entende alemão.


Você tem um tempinho para mim?
Então vou cantar uma canção para você sobre 99 balões
em direção ao horizonte
Pode ser que você esteja pensando em mim
Então vou cantar uma canção pra você
sobre 99 balões
E eles vinham de todos os lugares....

99 balões em direção ao horizonte...
Acharam que eram UFOS vindos do espaço
e por isso um general enviou
uma esquadrilha de aviões até lá para ver se era isso mesmo;
Mas no céu não havia nada além de 99 balões

99 aviões à jato
Cada um deles como um grande guerreiro
Que se prepararam como "capitães Kirk",
e começaram um verdadeiro show de fogos de artifício
Os vizinhos não entenderam nada
e ficaram muito intrigados com tudo aquilo
Quando eles tentaram derrubar os 99 balões do horizonte

99 ministros de guerra
Um fósforo e um galão de gasolina pegos pelos homens maus
Ascenderam um grande saco e gritaram: "é a guerra, e querem o poder"
Mas quem pensaria... ... que tudo isso aconteceria um dia por causa de 99 balões?
Por causa de 99 balões... 99 balões...

99 anos de guerra
Não houve lugar para vencedores...
Ministros da guerra, não há mais nenhum e nem mais aviões a jato...
Hoje em dia eu ando por aí
E vejo um mundo está em ruínas... Eu encontrei um balão,
então lembro de você e deixo ele voar...

História de 99 Luftballons [Wikipedia].

11 comentários:

  1. Duca Isaias! Bem que tô precisando de um dinamo desses aqui na minha rede eletrica pessoal!

    E voce sempre enriquecendo de maneira impar a nossa cultura geral.

    Grandes abraços

    www.jotagebece.blogspot.com

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  2. Isaias, vc sempre surpreendendo, excelente matéria, nota 10. Essa música é linda, as eu nunca havia descoberto sua letra, mas vc foi na frente e trouxe de bandeja para nós. Começamos bem 2010 viu. Um forte abraço.

    Dirceu JS
    Estância Velha - RS

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  3. Obrigado Jonas, e Dirceu! Uma vez a solução dos problemas era a derrubada do Muro de Berlim.

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  4. O triunfo do multiculturalismo. Será?

    Em 1989, a Stasi, polícia política da República Democrática Alemã, tinha 97 mil empregados. E tinha ainda mais 173 mil informadores disfarçados, dentro de uma população de 7 milhões de habitantes. Além dos informadores em part-time. Calcula-se que a RDA possuísse um informador para cada meia dúzia de cidadãos. As estimativas apontam para um agente da Gestapo para cada 200 cidadãos, no tempo de Hitler, e um agente do KGB para 5830 pessoas, na União Soviética de Estaline. O filme de Florian Henckel von Donnersmarck, "A vida dos outros", deu-nos a imagem brutal do que é viver numa sociedade onde não se pode confiar literalmente em ninguém, e onde todas as palavras estão cercadas. "Stasiland", livro escrito pela jornalista australiana Anna Funder, desvenda-nos a pavorosa minúcia do cerco: havia microfones escondidos no forro dos automóveis, nas garrafas térmicas de café, nas jarras de flores. E mostra-nos a dor inominável dos sobreviventes - aqueles que procuram até hoje os restos mortais das pessoas amadas que oficialmente se 'suicidaram' nas masmorras da Casa dos Mil Olhos, nome que a população dava à sede da polícia política, ou aqueles que passaram a vida inteira sem direito ao trabalho, pelo crime de terem tido um namorado ocidental, sem sequer poderem dizer que estavam desempregados - num país onde o desemprego estava decretado como inexistente, alguém que se afirmasse desempregado era acusado de traição à pátria.
    O triunfo do multiculturalismo. Será? Nas páginas da "Exberliner", uma directora de teatro de origem turca diz: "Noutros países, quando um estrangeiro tenta falar a língua deles, as pessoas sentem-se lisonjeadas. Na Alemanha, quando falamos com sotaque, as pessoas acreditam que também pensamos com sotaque. Isso é preconceito". Os berlinenses ainda se dividem, entre si e mesmo que o não queiram, entre 'os de Leste' e 'os do Ocidente'. Foram quarenta anos de separação. Quarenta anos de dor, raiva, inveja - e desconfiança, a desconfiança visceral que já todos tinham aprendido com o nazismo. Por isso Berlim precisa tanto dos estrangeiros, dos que cresceram a confiar, a contestar, a criticar livremente. Dos que não foram vergados pelo absoluto inumano do servilismo.
    Os alemães não atravessam a rua com o sinal vermelho, mesmo que não haja nenhum automóvel no horizonte e que a temperatura seja de zero graus. Os alemães convidam-nos para um 'passeio literário' e levam-nos, numa tarde de gelo, para o cemitério onde jazem Brecht e Hegel, com uma guia que narra, estóica, diante dos túmulos, todas as desgraças que aconteceram em vida a cada um daqueles grandes mortos. Os alemães de Berlim criaram um site dedicado à poesia contemporânea em todas as línguas. Uma Babel de poemas chamada lyrikline, que celebra agora dez anos - e que procura a contaminação das palavras e das linguas, sem olhar aos muros das nações, que sempre desunem.

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  5. Mário, estive na Alemanha durante um mês e pude chegar à conclusão de que é o pior país do mundo para morar. A tristeza e a indiferença fazem-nos acreditar que o muro continua de pé, só que nos corações. Onde, por força das circunstâncias, se é obrigado a gritar e a brigar por qualquer coisa comezinha, algo deve estar muito errado.

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  6. Isaias, estive lá durante uma semana em casa de familiares (imigrantes da década de 60 e já não voltam)e fiquei exactamente com a mesma ideia.
    Um povo triste e muito revoltado. Viu como eu que eles não atravessam a rua como escrevi, fiquei aparvalhado, parecem máquinas. Não queria lá viver.

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  7. Este quesito a minha mulher adorou, ao gosto do seu sangue germânico. Por mim, gostei mais do caos vienense e da balbúrdia psicodélica de Amsterdá, do que as hordas bem disciplinadas de Colônia, ou Berlim.
    Sem bem que na Alemanha diminui o nosso medo de sermos alvejados por um automóvel, como acontece facilmente em Minas Gerais no Brasil.

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  8. conheci essa música no filme Watchmen e fiquei encantada, pois não conhecia nenhuma música em alemão no estilo rock. fui pesquisar e li um pouco sobre a história dessa canção, história essa complementada por ti neste post. amei! :)

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  9. A Fabi aconselho procurar musicas de Rammstein e de Oomph!
    Poderá ter uma agradável supresa!=^D
    Assim como eu tive vendo estas duas versões desta musica tão legal!
    Sou de origem austriaca, minha familia saiu de lá fugindo da 1° guerra! Mas mesmo assim, depois de tanto tempo, senti na pele a dureza da educação e da obediencia a todo preço. Acredito que isso tudo é da propria formação do povo de origem germanica! Por isso, brasileiros se sentem aliens qdo vão até lá, somos muito espontâneos!Prefiro assim!
    Adorei teu blog! Muito bom mesmo!
    o/

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  10. Amigos, sou terceira geração alemã no Brasil por parte de pai e da mãe. Até certo tempo se alguém me perguntaria qual era meu sonho, eu diria que era morar definitivamente na Alemanha, mas de uns anos pra cá começo a achar nosso País e Estado um paraíso. Ainda tenho imensa vontade de conhecer aquele país, só para ver as diferenças de lá.

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  11. Pois você deveria conhecê-lo, é no mínimo uma experiência cultural que deixa marcas para toda a vida.

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