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18 de nov de 2009

Barangas rebeldes ou beldades revolucionárias?

O Dicionário Aurelião define sinteticamente baranga como: "de má qualidade, de pouco valor ou nenhum valor, mulher muito feia ou muito maltratada, sem trato". Porém, o assunto, por carecer de maior exatidão e aprofundamento, requer um detalhamento etimológico mais demorado. E a razão é muito simples, as barangas estão dominando o mundo!

Então, o que define uma baranga?
Uma série de fatores contribuem para que algumas mulheres mereçam este rótulo, tais como idade avançada e comportamento de menina, extrato social, peso, cor, comportamento, fama, vestimenta, etc.

Há abarangadas injustamente?
Porém, algumas figuras tidas como barangas, só o são em razão dos preconceitos sociais, pois uma das etimologias cabíveis é a mulher que foge ao padrão dominante. Ou seja, mulheres bonitas cujas medidas não se enquadrem naquelas usualmente aceitas pelo grupo social. É o caso da Preta Gil, bonita mas atacada nos quesitos peso e cor.

O conceito da baranga clássica.
Alguns sintomas reunidos denunciam a baranga clássica: feia, gorda, vestida com roupas escassas, putosa, cabelos aloirados, maquilagem superlativa, caras e bocas, etc. Qualquer semelhança entre a baranga clássica e a Geyse Arruda, do episódio da minissaia cor de rosa que tumultuou a Uniban, é mera coincidência.

O processo do Embarangamento.
Há duas maneiras de embarangar: a primeira é quando alguém luta para desembarangar e a emenda fica pior do que o soneto.
A segunda maneira, surge como um dos efeitos colaterais da fama. Dois exemplos clássicos na música Pop são a Amy Winehouse e a cantora Stefani Angelina Joanne Germanotta. Esta, depois da fama virou a estranhíssima e bizarra Lady Gaga. Confira o vídeo da Landy Gaga cantando em 2006, no tempo em que era apenas Stefani... o que não significa que antes ela fosse uma beldade a toda prova! [Pop Music Scene].

Baranguice por gordura.
A cantora de Rock Beth Ditto é o exemplo mais “massivo” da superação da ditadura da balança. Como gorda assumida, ela não se sente intimidada só por possuir dezenas de quilos sobrando além das roupas. Talvez o problema seja por que as pessoas recalcitrem em aceitar os seus escassos modelitos.

Baranga por idade.
Até que ponto uma Rainha do Pop pode envelhecer em paz? Aos 51 anos e depois de muita água passada em baixo da ponte, Madonna admite que se sente como a velha mulher que morava numa bota, numa alusão ao personagem de conto infantil da língua inglesa. [Cidade Verde]
Numa sociedade que cobra a eterna juventude das celebridades, envelhecer pode se transformar em sofrimento público. É o que atestam os tabloides internacionais, quando confundem a sucessão natural das coisas com embarangamento.

Chutando o balde da barangagem.
Para chutar de vez o balde dos paradigmas, eis que a irascível e polêmica escritora/ apresentadora de TV toma a si o direito de mostrar na Playboy o seu E=mc2 (*), suscitando toda uma onda de discussões em cima de dois pressupostos da baranguice: idade (chegando aos 40) e corpo não adaptado(siliconado) às preferências do segmento adulto.



Conclusão.
Como estabelecer um consenso sobre a legitimidade da classificação de baranga, quando esta é muitas vezes baseada em critérios espúrios? Contudo, apesar da rotulagem pejorativa, a heterodoxia dos dias atuais está lançando as luzes da ribalta sobre figuras que antigamente teriam sido execradas: mulher melancia, Taty Quebra Barraco, Stefhany, mulher maçã, mulher melão, mulher filé, mulher jaca, Ângela Bismarchi, etc.

Diante deste lusco-fusco conceitual, os qualificativos “feia”, “pouco valor”, “má qualidade”, “muito maltratada” são exíguos para abarcar o contraditório fenômeno do sucesso da barangagem. Assim, uma maior precisão etimológica exige a depuração desses componentes mais subjetivos, para que cheguemos à essência do assunto: antes de uma questão formal, baranga é uma escolha voluntária de ser.

Afinal, o que define uma baranga não pode se restringir às dimensões feiura, gordura, cor da pele, esquisitice, loirice química, celulites e estrias, roupa de oncinha, idade, consideradas isoladamente, mas também a conjugação de fatores comportamentais, única maneira de minimizar as injustiças, a menos que este rótulo seja a alavanca de maior sucesso na luta por um lugar ao sol. Neste caso, Lady Gaga teve razão na sua metamorfose de borboleta em lagarta.

Definição de Etimologia na Wikipédia.

(*) A equação E=mc2 tatuada entre os seios da Fernanda Young significa que a energia é igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado, síntese máxima da Teoria da Relatividade do físico alemão Albert Einstein, que genialmente generalizou a equivalência entre energia e matéria.

12 comentários:

  1. apesar dos padrões e modelos predefinidos (mais ou menos) do que é ser bela ou do que é ser baranga, vivemos tempos de simulacros e distorções que impedem uma definição clara do que é ser uma coisa ou outra. a bela que ilustra a capa da revista é photoshopada até virar um boneco bizarro com uma cabeçorra estranha e pele semelhante a borracha. linda? sim, saiu bem na foto, mas vê-la ao vivo pode ser decepcionante, para se dizer o mínimo.

    contraditoriamente, todo mundo joga pedra nas barangas, mas elas estão aí, causando furor e arrebanhando fãs. lady gaga, geisy, mulher melancia. barangas? certamente e por uma soma imensa de fatores físicos e comportamentais. barangas, mas famosas! vá entender?

    e a fernanda young, menino, juro que fiquei chocada quando soube que ela posaria nua, mas não por considerá-la baranga e sim porque liguei preconceituosamente o fato de expor a nudez comercialmente com a burrice e futilidade feminina, características essas que não se podem relacionar à fernanda. ao ver as fotos adorei, achei-a muito bonita, no auge de seus 40 anos.

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  2. Fabi,
    Simulacros e Simulação de Baudrillard? Troco uma leitora como você por mil silenciosos!
    Você sagazmente captou os ganchos deixados no texto e os glosou imparmente, enfantizando a questão crucial: hoje, diante da industrialização em linha de montagem do simulacro photoshopado, só a baranga é real? Ou perdemos tanto a noção do real, que qualquer beleza sem retoques parece baranga?

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  3. O comentário da Fabi fechou o post com chave de ouro.

    Gostoso ler coisas bem escritas.
    Mais ainda se elas forem inquietantes.

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  4. Pois é Flor...
    Essa é a magia dos blogs, um texto suscita réplicas que se tornam coautorias. Nem por sonho o pensamento editorial do século XX imaginou uma coisa dessas!

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  5. Isaias: eu pessoalmente acho que a noção do real não foi perdida, mas a sociedade está perdendo a sensibilidade do que é belo ou não.
    Eu arrisco a dizer que atuamente belo é ter dinheiro e/ou ser famoso.

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  6. Me parece que diante da perda do fio condutor da realidade objetiva e do excesso de informação, o que chama atenção é o que aparece, a busca pelo bizarro/chocante pra, como a necessidade do diferente pra estabelecer parâmetros da nossa própria cultura, poder reconhecer o real como o estranho e o irreal como o verossímil.

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  7. Vivemos uma realidade de Photoshop, eu mesmo quando não gosto de uma foto, turbino. os Reality Shows vendem o cotidiano que as pessoas já perderam: ficar curtindo em casa o dia inteiro.
    Em resumo, quando paramos de viver o simulacro, nem notamos.

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  8. Acho que os realities são manuais de convivência social, entre outras coisas, na sociedade bem prevista pelo Guy Debord em que nos encontramos, o problema não é turbinar uma foto, e sim, não se reconhecer sem ter turbinado a foto.

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  9. Adebaran, belas falas, tive que ir atrás de referenciais sobre Guy Debord...

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  10. Recebi ontem e hoje o feed deste post. Estranhei porque é antigo. Já estamos em dezembro. Será problema no blogspot?
    Já assino os feeds há muito tempo.

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  11. Deve ser problema no Feedburner, talvez por ter reativado a opção de envio por email.

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  12. DEUS DEU A VIDA PARA CADA UM CUIDAR DA SUA, DEIXE AS BARANGAS VIVEREM A VIDA DELAS, E CADA UM VIVA A SUA.

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