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21 de set de 2008

As gravadoras voltam a prensar LPs, é o fenômeno do ressurgimento do vinil.

Uma pequena gravadora de Los Angeles nascida exclusivamente para produzir LPs.
Seguindo a nova onda do LP, Monti Olson e Jeff Bowers criaram em dezembro de 2006 uma gravadora exclusivamente de LPs, a Original Recordings Group (ORG). Neste ano, eles estarão lançando um total de 10 álbums, esperando dobrar o número em 2009.
Monti Olson e Jeff Bowers, sócios da Original Recordings Group (ORG).

A era de ouro da música em Long Play está voltando. Os antigos LPs, que sempre foram amados pela geração Woodstock, está despertando interesse cada vez maior nos jovens e diante da demanda, a indústria se mobiliza para satisfazê-los.

Quando a campanhia da casa de Mont Olson toca no meio da noite, só pode significar uma coisa, é Jeff Bowers seu sócio na Original Recordings, batendo na porta para trazer uma prova final de algum vinil que precisa ser examinado antes de ir para a linha de montagem. “Saio de pijama e dou uma olhada”, diz Olson e, “quando ele sai, volto para a cama”.

A campainha de Olson está tocando com mais freqüência atualmente. Desde o começo do selo em 2006, devotado exclusivamente ao vinil, só agora ele está realmente emplacando. Até o fim do ano, o lucro terá sido nulo, apesar da movimentação bruta de 1 milhão de dólares. Em vista disto Olson, manteve seu emprego diurno como vice-presidente de uma Editora.

Uma pequena estrela volta a brilhar.
Segundo a Associação das Gravadoras, as vendas de vinil subiram 36,6 % de 2006 a 2007, num total de 1.3 milhões de LPs vendidos em todos os EUA. Por enquanto, apesar de tais números serem insignificantes em relação à vendagem de 511 milhões de CDs em 2007, são extremamente significativos para uma indústria para a qual já tinha sido dada a certidão de óbito.

“Podemos dizer que a coisa já é uma pequena estrela brilhante”, afirma Jane Ventom, vice-presidente de Marketing de música da EMI, baseada em Hollywood. No próximo mês a Capitol/EMI reeditará dos seus arquivos 13 títulos em vinil, entre os quais: Radiohead – Okey Computer e Steve Miller Bands - Greatest Hits 1974-1978.

Baby boomers, a geração Woodstock e os jovens voltam a ouvir LPs.
A geração Woodstock, mesmo que muitos deles tenham se livrado dos seus velhos toca-discos, voltaram a sentir nostálgicas saudades da sua juventude e o que mais a lembra, o som quente do vinil. As novas gerações a que cresceram ao som de CDs e, mais recentemente, se renderam ao desfrute solitário da audição dos minúsculos mp3 players, estão trocando seus headfones por uma experiência musical menos isolacionista.

O vinil que há tempos atrás estava confinado a pequenas lojas de velharias, já pode ser encontrado em grandes lojas, tais como a Best Buy e a Costco. “Tenho amigos da família com 10 anos de idade interessados em adquirir toca-discos”, disse Tom Grover Biery, vice-presidente executivo de promoções da Warner Bros. Records e guru do vinil do selo sediado na cidade de Burbank.

Vendendo a produção de 40 meses em 1 dia.
Olson e Bowers foram surpreendidos quando eles venderam 4 mil cópias – a edição inteira – do album “Return to Cookie Mountain” da banda de rock “TV on The Radio”, em 24 horas. “Tínhamos projetado que venderíamos 100 discos por mês, mas no mesmo dia do lançamento, todos eles tinham ido”, disse Bowers.

A lâmpada acendeu na cabeça de Biery três anos antes, quando Neil Young foi aos estúdios da Warner Bros. para cantar alguns dos seus sucessos para a equipe. Ao fim da audição, Biery relembra, “Neil fez um discurso sobre a importância do som e a necessidade de se lutar pela sua qualidade”.

Inspirado, quando Biery foi ao seu chefe da Warner Bros com o disco em baixo do braço, não poderia ter sido mais enfático “ei-lo, feito com carinho, desde a matriz, prensagem e envelope”. Em três anos, desde que a iniciativa começou, a Warner Bros. que tinha começado com 2.000 cópias, pulou para mais de 15.000 cópias. “O Vinil ainda é uma coisa de nicho, que, no entanto, se tornando cada vez maior, ao ponto de agora, o departamento de contabilidade estar me solicitando projeções sobre o faturamento”.

O selo Rhino cria seu departamento de Vinil e manda clientes embora.
Nos últimos meses de 2007, a empresa sediada em Burbank-Califórnia, lançou 5 títulos. No mesmo período deste ano, o catálogo está em mais de 30 – alguns álbuns lançados na esteira do 50º aniversário da Warner Bros. “O vinil não pode mais ser considerado coisa do passado”, disse o gerente Cheryl Pawesky.

Assim como outros selos, quando o Rhino lançou em vinil a trilha Sonora do filme Juno, também incluiu uma versão em CD e uma versão digital para que as músicas possam ser baixadas via download.

Assim, o ressurgimento do LP vive um efeito bola de neve. Don MacInnes, dono da Record Technology Inc (RTI), que já teve uma planta de prensagem em Camarillo, disse que “o negócio está melhor do que esteve nos últimos 20 anos”. Antes deste novo boom do LP, a RTI operava em regime de 8 horas por dia, 5 dias por semana. Atualmente, “estamos trabalhando 16 horas por dia, seis dias por semana”, disse MacInnis, cuja empresa não está dando conta das encomendas e está recusando novos clientes. A prensagem média da RTI por título pulou para 3.000 discos nos últimos anos, sem falar em encomendas que alcançam 10.000 cópias.

O LP tem custo de produção no mínimo 4 vezes maior do que o do CD.
Enquanto as gravadoras esperam obter algum lucro e algo mais, produzir vinis ainda é, para muitos, mais uma questão de amor do que de obrigação. O custo de produção é 4 vezes mais caro do que produzir CDs e pode ser até maior, quando uma mídia de vinil mais pesada é usada. Um LP tradicional usa uma midia de vinil de 120 gramas, porém alguns selos utilizam gramatura de 180 gramas para lançamentos especiais, o que permite um som mais cheio e rico.

Neste verão, a ORG lançará um Álbum com 4 LPs da edição comemorativa ao 10º aniversário do Odeley de Beck. O CD original vai ser relançado em LPs de 180 gramas, com preço de venda sugerido de 60 dólares.

Rock que é Rock não sai da moda.
Muitos selos maiores estão lançando um mix de títulos novos e clássicos, porém para a loja de discos Record Surplus, localizada a oeste de Los Angeles, que vende vinis usados, CDs e DVDs, garante que os clássicos jamais saem de moda. “O Led Zeppelin nunca consegue ficar nas prateleiras por mais de dois dias”, disse Neil Canter, co-gerente da loja. Ele acrescenta que as vendas de rock em vinil dobraram nos últimos anos. “O Pink Floyd, por exemplo, tão logo eu ponho na prateleira, é vendido”.

A loja Amoeba Music de Hollywood vende cerca de 2.000 LPs por dia, aproximadamente 15% a mais comparado com o ano anterior, disse a diretora de marketing Ilene Barg, e suas vendas de toca-discos cresceram de 10% a 15% em relação ao ano passado.

Muitas destas vendas foram feitas para uma audiência que está experimentando o vinil pela primeira vez. “Vejo cada vez mais jovens atraentes entrando na Record Surplus”, brincou David Gorman, um dos sócios do selo HackTone Records, que está lançando o seu primeiro título em vinil com os Jayhawks Mark Olson and Gary Louris, pronto para estourar nas paradas de sucesso neste outono.

Fonte:
Los Angeles Times - Vinyl records make a return.

4 comentários:

  1. Meu caro, vc escreveu "mais maior" com certeza sem perceber. Corrija logo senão daqui a pouco aparecem os professorezinhos de plantão passando lição.

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  2. Opa! Erro corrigido, obrigado.

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  3. vinil - os classicos entram na dança - orquestra elcio alvarez

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  4. Quem sabe alguém aqui no Brasil relança os cartuchos atari (e o videogame também) até porque as vezes queremos repor alguma peça e é díficil encontrara algo.

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