Pesquisar

4 de set de 2008

Gloster Meteor, o avião que foi trocado por algodão!

O Gloster Meteor Mk-8 marcou a aviação de caça brasileira, por ter sido o seu primeiro avião a jato. Na sua qualidade de pioneiro a usar a tecnologia do jato, ele era simples. Ele chegou a ser usado no apagar das luzes da II para na busca e interceptação das famosas bombas alemãs V1.

A as fotos abaixo, exceto a 3ª e a 8ª, foram feitas por mim de um exemplar do Gloster Meteor doado pela base aérea a cidade de Canoas, Rio Grande do Sul e instalado numa praça. A partir do dia em que a praça localizada no centro da cidade, às margens da rodovia mais movimentada do país, a Br-116, ganhou o aparelho, passou a ser conhecida como a “praça do avião”.

As compras de avião pela FAB têm uma longa tradição de mistérios e fatos inusitados e não foi diferente com os Gloster Meteor, que dizem ter sido trocados por toneladas de algodão com a Inglaterra, que estava quebrada ao término da guerra. A opção primeira teria sido os jatos americanos F-86 sabres, que nos foram negados pelos EUA, no exercício da sua costumeira paranóia geopolítica. Tempos depois e arrependidos, os americanos tentaram nos enfiar goela a baixo os F-86 por um preço exorbitante.

Adquiridos em 1953, os primeiros Gloster Meteor equiparam o 1º Grupo de Caça em Santa Cruz em substituição aos P-40. Na Coréia ele foi usado pela Austrália, com resultados terríveis frente ao poderio dos MIG 15 russos e dos F-86. Mas, segundo o piloto Paulo Pinto, que foi um dos pioneiros a voá-lo no Brasil, por aqui ele ainda era o rei do pedaço em 1962!
Exemplar do Gloster Meteor exposto no Aeroporto de Pirassununga, Campo Fontenelle, Academia da Força Aérea.

O Gloster era equipado com dois motres Rolls Royce Derwent V com 3.500 libras de empuxo. Nem para a época isto era considerado muita potência. Mesmo assim, a motorização o tornava superior aos F-80 que foram trazidos pela FAB em 1957.

A superioridade do Gloster se impunha, tanto em ganho de altitude, quanto em baixa altura. Ele podia desengajar a hora que quisesse de um combate com o F-80. Usando a superioridade de altura, o piloto do Gloster usava a tática seqüencial, sempre impondo a vantagem da altura, obrigando o piloto do F-80 a “quebrar o pescoço”.


Uma das peculiaridades do Gloster era o freio a ar. No motor esquerdo havia um compressor que alimentava o sistema pneumático, que alimentava simultaneamente os freios e o engatilhamento inicial dos canhões.

Numa época pré-aviação a jato, a aviação comercial brasileira era operada por Constalations, DC-7, DC-6, Convair e outros aviões antigos, naqueles tempos o vôo em altitude era uma prerrogativa da aviação de Caça. O espaço aéreo controlado chegava até os 3.900 metros, a partir do qual começava o reinado dos únicos que conseguiam atingir 13.000 metros.

Considerado pelos pilotos como o avião perfeito para o piloto, até o taxi dava prazer, de capota aberta, apitando a cada acionamento do freio a ar. Paulo Pinto nos fala da nacele confortável e bem climatizada, dos motores confiáveis e da ausência de nariz, tudo era motivo de satisfação.
Ele ainda lembra do vozerio dos quatro canhões atirando juntos! Mesmo que para os padrões modernos não seja muito poder de fogo, os tiros espaçados, quase podendo ser contados, infundiam no piloto uma imensa sensação de poder!
Fontes:
Tempos de Gloster
Gloster Meteor
Gloster Meteor F-8 (FAB)

14 comentários:

  1. Amigo, os Migs que operaram na Coréia foram os 15.
    Os 21 entraram em ação no Vietnã.
    No mais, a matéria está excelente.

    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Informação interessante! Vou checar com o autor do texto fonte, o piloto de caça que primeiro pilotou os Gloster no Brasil.

    ResponderExcluir
  3. Consultei o piloto Paulo Pinto e ele retornou o seguinte:
    "O Mig era o 15 . O 21 é mais moderno e foi usado no Vietname.
    Na escola de comabate aéreo da USAF e NAvy (Fighter Weapons School e Top
    Gun) eles usam F5 para simular o MIG 21. Ou melhor, usavam. No filme Top Gun dá pra ver bem."
    Portanto, fiz a devida correção no post.

    ResponderExcluir
  4. Os pioneiros a usarem a tecnologia a jato foram os alemães com o Me-262, que eu saiba.

    ResponderExcluir
  5. Interessante, o interessante que os Gloster só vieram para o Brasil graças a um oficial que pensava muito a frente de seu tempo: o Marechal-do-Ar Cassimiro Montenegro.Se não me engano,o Presidente da época Getúlio Vargas sugeriu que fossem trocadas 7,6 milhões de toneladas por 26 jatos.
    Ele veio para o Brasil pq os políticos da época vetaram a compra do Fokker S-14 sugerida também pelo Marechal-do-Ar Cassimiro Montenegro.

    ResponderExcluir
  6. Temos um exemplar do Gloster em frente ao CINDACTA II em Curitiba -PR. Todos os anos realizamos sua manutenção e pintura. Esse ano em especial no Natal ele será iluminado de forma especial.

    ResponderExcluir
  7. Excelente e interessante matéria sobre o Gloster Meteor ! Parabéns !

    Geraldo.

    ResponderExcluir
  8. Na veerdade eles substituíram os P-47 do 1º Grupo de Caça. Os pilotos brasileiros só voaram o P-40 durante sua preparação no Panamá.

    ResponderExcluir
  9. Tenho excelentes lembranças de ver o famoso F8 e os TF7 fazendo vôs razantes no Campo de Marte em São Paulo, onde se localizavam as oficinas de manutenção da FAB, ao se aproximar em alta velocidade o assobio das turbinas era inconfundível. Subia correndo no telhado de casa para apreciar as manobras dos pilotos que faziam a rota St. Cruz / Marte. Diz a "lenda" que havia um Gloster Meteor novinho em folha encaixotado e sem uso nos hangares da FAB no Campo de Marte isso nos idos da década de 60 qdo. já estavam obsoletos em termos de aeronaves de caça. Nesta época ainda voavam pelos nossos céus as B-17, os B-25, os Neptune P-15, os Grumman P-16 entre outros. Vi todos eles voando !

    ResponderExcluir
  10. Alfredo Mengai,
    isto é lenda, conheço pessoalmente o chefe da esquadrilha que trouxe os Gloster Meteor e sei que eles foram usados intensamente para treinamento. O nome dele é Paulo Pinto e pode ser contatado no sei site www.gaveasky.com.br
    Ahh, quando ainda estava na ativa da FAB, na condição de coronel, ele fez o termo de doação do seu Gloster Meteor para o museu da Força Aérea localizado no Campo dos Afonsos-RJ.

    ResponderExcluir
  11. o primeiro avião a jato foi o HE-178 (alemão)
    depois o Caproni Campini nº1(italiano)
    Mussolini e Hitler chegaram a discutir se eu não me engano pois Mussolini disse que o campini tinha sido projetado antes

    ResponderExcluir
  12. O que importe não é 'o primeiro' mas o que entrou em serviço regular em massa primeiro. Assim, o ME262 estava o primeiro e uns meses depois o Gloster Meteor, ambos os únicas 'jatos' realmente operacionais na 2o guerra.
    Frank Whittle, inglês, teve um patente para um turbojato em 1930. Mas o governo britânico não reconheceu a importância então somente em 1937 o primeiro turbojato Whittle se provou com investimento particular. Depois o Gloster E28/39 voou em 1941 e o Gloster Meteor em 1943.
    Muitas pessoas acham que se os britânicos tiverem o Meteor até 1939 a 2o guerra nem aconteceu. Também não é um aeronave muito bonito?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É lindo, muito elegante, possui um design que nunca foi superado.

      Excluir
  13. falam falam e ninguem disse que o brasil, com todo o seu espaço aereo comprou (ou trocou por algodão) apenas dez aeronaves...

    ResponderExcluir