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10 de out de 2010

Geisy Arruda justifica a nazificação pós-Hitler e explica a pós-modernidade.

Ao ensejo do evento midiático mais badalado de 2009, muitos veículos se manifestaram quanto ao mérito do evento responsável pelo guindamento do vestido rosa ao topo dos Trending Topics. Todavia, decorrido mais de ano da história extraordinária do expurgo da estudante de minissaia, hoje nos cabe refletir sobre as generalizações possíveis de se obter do fenômeno que continua assoberbando a mídia.

Certamente os bons professores de filosofia estão surfando nesta onda, ao pegarem o bonde andando do indivíduo pós-moderno consubstanciado na figura de Geisy Arruda, pois a sua história encerra um material riquíssimo que pode nos levar a esclarecer os pontos-chave deste movimento, cuja índole pode ser compreendida como a ruptura das rupturas, ou a instauração do reinado da absolutização relativizante.

Morte da metafísica.
Quando Friedrich Nietzsche sentenciou que "Deus está morto", foi o marco definitivo do sepultamento da metafísica. Ora, metafísica é a tentativa de explicação das causas primeiras (ontológicas), por exemplo, a busca pelo sentido da vida. Neste contexto, Geisy Arruda surge como o exemplo acabado do sujeito que vive visceralmente para o momento, não só caracterizado pelo interminável espectar bovino, mas pela busca desesperada pelos "holofortes". (Geisy Arruda, Sergio Mallandro e companhia já garantem baixo nível ao reality ‘A Fazenda 3’)

Nietzsche: "Deus está morto"
Carregado por pgjr23. - Festas, amigos e outros videos universitários

Coisificação do sujeito.
Com a decadência do sentido da vida, o sujeito troca o ser pelo aparentar e isto implica na constante modificação do corpo para adequá-lo às exigências do mercado, o que significa que alguém vale mais pelas suas próteses e lipoesculturas do que pelo que é ou pensa. Em nome da coisa, Geisy Arruda enfrentou 10 horas na mesa cirúrgica, antes de se “doar” inteirinha (com 5 Kg de gordura a menos) ao mercado.

Quero ser Geisy Arruda.

Niilismo.
“Difícil enquadrar o momento atual em um conceito, nenhum caminho está traçado para a humanidade, o discurso do progresso como uma linha reta rumo à felicidade desmanchou-se no ar. O pós-modernismo está marcado por uma atmosfera do vazio, do tédio e do completo niilismo; o niilista passivo, tal como previsto por Nietzsche, é marca fundamental dos personagens responsáveis pelo show. Nietzsche disse também que o niilismo poderia se “quebrar”, e a completa vontade de nada poderia não mais suportar a si própria, e novos sentidos poderiam ser inventados, mas por enquanto o incerto caminho da humanidade está em aberto, certo é que está bem mais para a destruição do que para a criação.”
O que é pós-modernismo, modernidade tardia ou era do vazio.

Instauração do império da colagem.
Os Blogs são uma das manifestações mais escancaradas do fenômeno do plagiamento: poucos produzem e o resto copia e cola. Assim, os fenômenos midiáticos de forte ascendência sobre o público, os lixos Pop Lady Gag, Justin Bieber, Luciana Gimenez, Geisy Arruda, etc, são o resultado de inúmeras colagens até o limite do insuportável, quando fica difícil distinguir cópia de original.
Galeria de Lixos POP.
O famigerado plágio de Bleach.

Hedonismo.
"Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação". Geisy Arruda é 100% espetáculo, consumível ao longo das 24 horas do dia no reality show da TV.
Livro "A Sociedade do Espetáculo" de Guy Debord.

Relativização do conceito de privacidade.
"Na sociedade pós-moderna a visibilidade de cenas tende a ser obscena, quando se exclui a dimensão cênica da subjetividade e da privacidade. Ou seja, anula-se a dimensão do privado, tornando tudo público, do cotidiano dos ansiosos por fama aos ex-anônimos do programa televisivo Big Brother...". Para que serve a vida privada, se não para render fama e dinheiro nos reality shows?
Para entender o pós-modernismo.

Hitler preocupa-se com a "Unibanização".
Como pérola final deste solilóquio sobre Geisy Arruda à propósito de Filosofia, ou vice-versa, mato a cobra e mostro o pau. Isto é, trago aqui a sensacional inserção produzida pelo blogueiro Carlos Cardoso durante o famoso escândalo da minissaia cor-de-rosa.

A queda da Uniban.

2 comentários:

  1. Excelente lição de “ Filosofia “.

    Perante o “ Mestre “, qualquer tentativa (do leigo) de argumentar é um atrevimento.

    Desde já queira aceitar as minhas desculpas pelas ideias ou disparates que vou escrever.

    Quando abordou o Niilismo, retive o termo “ vazio “. Se sou um leigo em Filosofia então em Física não encontro adjectivo.

    Lembrei-me de Aristóteles que apresentou muitas teorias no campo da Física.
    Uma delas, a impossibilidade da existência do vácuo. Com a limitação tecnológica para a sua época ele foi um génio.

    O Principio da Incerteza de Heisenberg é uma base da mecânica quântica. Em termos simples, penso que se pode dizer que o vácuo quântico é o “nada”.
    Li algures, que existe o vácuo condensado, uma espécie de “nada” se posso deduzir.

    Confesso que tenho uma grande admiração por Aristóteles e certamente posso afirmar que foi um génio e não errou assim tanto.

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  2. Mario,
    nunca a ciência chegou a produzir o vácuo perfeito, que seria a realização física do nada teórico. Por mais que se tire algo de algum lugar, sempre resta alguma coisa a tirar ad infinitum, o que suscita a tentação de ressuscitar o fantasmagórico tema do éter.
    Aristóteles errou muito pouco, tanto que o pensamento ocidental é 100% aristotélico. Considero-o como tendo sido o maior gênio de todos os tempos, que jamais será ultrapassado.

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