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5 de out de 2010

Por que as pessoas votam em palhaços e corruptos?

Não necessariamente nesta ordem, mas o grande mote dessas eleições foi o grande sucesso do palhaço Tiririca que, certamente, abre precedente para muitos outros surgirem futuramente explorando este filão, no afã de provocar um fenômeno midiático puxador de votos.


A eleição do segundo deputado mais votado na história deste país enfeixa a nossa capacidade de rirmos da nossa própria cara. O bordão “vote no Tiririca, pior do que está não fica”, querendo ou não, foi o lema do ano de 2010. Se por um lado temos urnas eletrônicas e brevemente implantaremos a universalização da identificação biométrica, por outro, nos privaram do direito de votarmos em hipopótamos e gorilas, como nos velhos tempos da cédula eleitoral de papel.

Mas não ficamos de braços cruzados, pois o tempo passa e pior não fica. Agora os hipopótamos e gorilas SE CANDIDATAM efetivamente e passam a constar da telinha de LCD das urnas eleitorais. Paralelamente ao voto jocoso, ou de protesto, há aqueles que votam sistematicamente em corruptos, talvez porque são os únicos que cumprem o que prometem no regime do “toma lá, dá cá”.

Brasília, uma cidade povoada maciçamente por funcionários públicos, dá uma grande lição de moral às avessas de como manter sucessivas dinastias de corruptos no poder. Talvez, o nicho do eleitorado constituído pelos funcionários públicos seja o mais representativo da ânsia pelo curto prazo, do almejado aumento de salário garantido. Tudo o que está além dos muros e da família não lhes interessa. As suas casas são os seus castelos e o resto que se exploda.

Para desopilar, vejamos uma campanha eleitoral que explicita de maneira imagética (e magnética) tudo aquilo que tentei falar até agora.


O fenômeno de alienação política que toma conta progressivamente do processo eleitoral brasileiro pode ser explicado teoricamente. Foi o que fez o jurista italiano Luigi Ferrajoli, que atirando sobre o processo similar que ocorre na Itália, acertou em cheio nas nossas mazelas:

“O sistema constitucional como um todo não pode vigorar se não estiver em sintonia com as lutas sociais, com um senso cívico e democrático que identifique as garantias com os interesses gerais e até individuais. A crise da democracia ocorre sempre que além de eventuais ímpetos autoritários exista correlativamente uma despolitização da sociedade, uma passivização das pessoas. Há uma frase de Alexis de Tocqueville da qual lembro sempre: “a outra face do despotismo é a crise do interesse público”. Quando todos pensam apenas nos seus próprios interesses, se voltam apenas para suas famílias e seus amigos e tratam apenas de fazer negócios e divertir-se, é a outra face do despotismo e o fim da democracia. Uma democracia não pode se sustentar se não possui um forte alicerce social e um elevado senso cívico da sociedade. Quando esse senso comum é corrompido surge o despotismo. Foi o caso do surgimento do fascismo na Itália.”
Leia na íntegra a entrevista no Jornal Extra Classe do Sinpro/RS:
A grande pergunta que fica é: qual é o risco do palhaço lúdico e descomprometido se tornar corrupto, tão logo amealhe as benesses do poder? Penso que a resposta seja óbvia.

9 comentários:

  1. Pessoas votam em sua imagem e semelhança! falta-lhes caráter,honra,amor a seu país,inteligencia,honestidade,consciência...
    Ignorância tem em abundância neste país!

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  2. Pus-me a ler os programas dos candidatos, e afins, da eleição brasileira.

    Estudo Serra: "Não há perigo de eu assinar sem ler. Sou cricri. " Ser "cricri" - brilhante onomatopeia de grilo, aquele que faz o que faz com cuidado e gosto.
    Debruço-me sobre a vida privada de Marina: "Nunca fumei maconha, bebi álcool ou usei daime (chá alucinogénio): só Biotónico Fontoura." Candidato desarmando-me, adoro. Mas houve também programa de políticos avulsos, no caso Cristovam Buarque, ex-da Educação: "No futebol, o Brasil ficou entre os oito melhores do mundo e todos estão tristes. Na Educação é o 85.º e ninguém reclama." Ministro que faz frases melhor que publicitário, gosto".
    Até ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, falou e disse: "Eu só peguei crises financeiras. Lula, não. Eu criei ondas. Ele é um bom surfista.
    " Político matando com língua afiada, fascina-me. Para votar exijo pelo menos isso: que me encantem com palavras.

    Paródias à parte, tenho de admitir que há muita falta de ética.

    Há na história da ética dois exemplos famosos: o anel de Giges, de Platão, e o comerciante honesto, de Kant. Nem Giges nem o comerciante eram éticos, pois agiam como agiam no seu próprio interesse. Ora, a ética implica agir não por causa do próprio interesse ou da consideração dos outros, não por castigo ou por prémio, mas exclusivamente pelo dever, pela consideração da humanidade e da dignidade.

    Se todos mentissem, quem poderia acreditar em alguém?
    Querem viver numa sociedade na qual todos roubassem?
    Se toda a gente matasse, nem sociedade existiria. Se ninguém pagasse impostos, não poderia erguer-se uma vida comum em dignidade e todos perderiam.

    O grande desafio do nosso tempo é a formação ética, para os valores.

    Que fazer?
    Querem saber se esta ou aquela acção é boa ou má?
    Perguntem a si próprios.

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  3. Isso vai custar caro aos nossos bolsos. Uma grande bocada: no final da fama ou enquanto pseudo-fama quando se ve desesperado, sempre se pode contar com o aloprado brasileiro pra encher-lhe os bolsos.

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  4. Oie, eu só gostaria expor uma idéia aqui... eu sou morador do Distrito Federal. Vamos lar!!!
    O nosso amigo Isaias Malta mostrou que não entende INGUAS NENHUMA de política e do Distrito Federal. Disse que a maioria da população é concursados, de Brasilia sim, mas as eleições aqui soma Brasília e o Distrito Federal, onde a maioria da populução e classe baixa(pobre) e classe média e média baixa. A familia Roriz sempre ganhou pq agradou essa classe pobre, a classe alta sempre lutou contra o Roriz, mas sempre fora minória.
    A família Roriz sempre fora popular pq deu "vales" para as classes mais baixas, como "vale gás", "vale leite", "vale pão"... Mas depois que estorou sobre as suas fraucatuas, eles perderam mto, foram mto criticados, mas ainda são mto populares nas classes pobres, mas nas outras classes é escurraçado. Por isso existe uma briga mto forte nas eleições para tentar tira-los.

    Então Sr. Isaias Malta estude, pesquise antes de abrir a boca pra falar tanta besteira assim e respeite a população do Distrito Federal, tanto as classes baixas como os funcionários públicos que são os primeiros a se indignarem com políticos como o Sr. Roriz

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  5. Infelizmente, a corrupção política e a falta de comprometimento dos eleitores não é exclusividade brasileira, mas faz parte do Planeta Terra ou, talvez, apenas da América que foi povoada inicialmente por náufragos e desterrados. Uma crítica muito interessante é feita no filme “The Distinguished Gentleman” com Eddie Murphy. Ele representa um vigarista (Thomas Jefferson Johnson) da Flórida que, para poder entrar de forma limpa no cenário político, usa a semelhança do seu nome com um renomado senador de Flórida, Jeff Johnson que morre, pouco antes das eleições. Assim, o vigarista entra para um micropartido “Partido das Raposas Prateadas” e põe seu nome na cédula como "Jeff Johnson", confundindo bastante os eleitores. Ao conseguir a vitória na corrida eleitoral, ele descobre um mentor que mostra esquemas para ganhar dinheiro. Além disso, um assessor lhe explica como as coisas “funcionam” na capital. Este filme é muito instrutivo sobre o funcionamento da política americana, que normalmente não é revelado pela mídia.
    Acho que a maior virtude brasileira, na atualidade, é estarmos conseguindo tornar públicas as artimanhas políticas. Por outro lado, nosso pior defeito é fazer crer que todos são iguais e não há saída, favorecendo o voto nos palhaços. Ou então o voto enraivado que busca votar CONTRA, mesmo que eleja o representante de um partido que tenha elevado a dívida externa brasileira aos píncaros!
    Para quem deseja ver ou saber mais sobre o filme “The Distinguished Gentleman” pode consultar no blog Filmes de Cinema: http://www.filmesdecinema.com.br/filme-um-distinto-cavalheiro-1520/

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  6. Aditamento.

    O Brasil, o Estado endividado, que absorve quase 40 % de toda a riqueza nacional (PIB) e retém para as suas necessidades incríveis 80 % do crédito disponível, tornando ainda mais caro o restante para a nação.

    Em Junho de 2010, a dívida externa do Brasil estava em US$ 225 biliões. No mês de Março anterior, a dívida externa somava US$ 212 biliões.

    Do ponto de vista estrutural, entre vários exemplos, cita-se a ausência do Brasil no conjunto de países que, nos últimos dez anos, assinou tratados de investimento. Neste período, foram assinados no mundo 1.004 tratados, dos quais o Brasil não assinou nenhum.

    A expansão do mercado interno, graças ao assinalável crescimento do rendimento das classes mais abastadas, é uma das heranças de Lula e explica o relativo sucesso económico e a resistência à crise.

    A infeliz manutenção das estruturas de uma economia ainda financeirizada e rentista, graças às elevadas taxas de juro e a um real sobrevalorizado, passando pela corrupção mina a confiança nos poderes públicos.

    Não sou brasileiro, mas ao ver o vídeo senti-me muito triste, para não dizer outra coisa, imaginava, que as coisas não estavam bem, mas nunca assim tão mal.

    É no mínimo lamentável ver um país tão belo e com tantos recursos naturais, ter um povo tão maltratado.

    http://www.youtube.com/watch?v=6PcAkzW5sWQ&feature=player_embedded#

    Perante este factos, não basta constatar, reflectir é urgente e recomenda-se.

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  7. Um breve comentário de indignação... Que Meleca essa mania de generalizar, como bem dito acima, por um conterrâneo, moro em Brasília, sou concurseira e odeio a máfia Roriz. Aliás, falo pelas pessoas de bem da cidade, pq elas existem sim, apesar dos que só sabem generalizar e dos que se esquecem, que mtos dos políticos que fingem trabalhar em Brasília, são de fora, e no máximo passam uns 3 dias só na cidade. Voltando ao assunto, A Máfia Roriz já roubou e esteve no poder por 14 anos, por se utilizar da mesma política populista, assistencialista e demagoga do presidente cabo eleitoral, no resto do país, dando lotes, bolsa-gás, bolsa isso... bolsa aquilo...Portanto, não julgue o todo, por uma parte que vende seu voto, por qualquer assistencialismo ou populismo barato. Das pessoas honestas, de bem e informadas tanto no DF qto em Brasília, todas são anti-Roriz. Aliás, pesquise no Google referências a Odeio, Anti-Roriz e verá o que falo. E lembrem-se que aberrações eleitorais há em todo o país. Parem de ser o sujo falando do mal lavado e de pegar Brasília p/ Cristo.

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  8. Lilly,
    toda a generalização é burra, mas o que acontece em Brasília nos leva a questionar acerca dos motivos que levam a maioria miserável e despolitizada a dominar nos corruptos. Vendo os últimos debates na TV para o GDF, tem-se a impressão que a estrutura política de Brasília ficou confinada na década de 30.

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  9. Com Lula não faltaram escândalos financeiros, do mensalão à acusação recente de traficâncias no gabinete de Dilma.

    O PT, que era o partido dos de baixo, em chegando ao cimo actuou como o antigo governador paulista Adhemar de Barros, "roubo mas faço", como se, havendo obra, a desonestidade fosse pecado menor. Talvez não venham a ser essas questões terrenas -seja o bom governo, seja o roubo público, as determinantes na próxima eleição.

    Na verdade, a segunda volta das presidenciais está a ser discutida por questões etéreas.

    Dilma é falsa católica?
    A mulher de Serra ofendeu os evangélicos ao ter abortado na juventude?

    Quem é o mais crente dos dois candidatos?... Profundas e urgentes questões - e é ver os dois candidatos a acorrer à bênção das hierarquias eclesiásticas.

    Se era para ser assim, nem do presente nem do futuro mas para ser presidente do país do passado, pergunta o escritor Ruy Castro: porquê insistir em intermediários e não se elege logo o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal?

    Eu acrescentos à afirmação de Ruy Castro "O Brasil de joelhos"


    Mais, Madureira foi de uma clareza impressionante. Um homem com " H ".

    Confesso que fiquei surpreendido pela positiva, como eu costumo afirmar " outra gente "

    http://www.youtube.com/watch?v=bJVaLBrUMz8&NR=1

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