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22 de ago de 2009

Guerras Secretas!


Em dezembro de 1990, Oswaldo Frota-Pessoa publicou as fotos de uma chacina, que durou dois dias e dizimou toda uma família!

A família em questão tratava-se de um grupo de larvas que começou a devorar um pé de maracujá, porém, elas foram encontradas por um percevejo e de comensais passaram a comida. O que, de certa forma, facilitou a vida do pé de maracujá.

A sequência de fotos abaixo relata esta guerra silenciosa, na qual o percevejo (um hemíptero) enfiava seu aparelho bucal em forma de tromba nas lagartas e as sugava completamente, deixando para trás apenas uma carcaça quitinosa vazia e sem vida. Tal voracidade foi testemunhada Osvaldo Frota-Pessoa, professor da USP e pioneiro da genética humana brasileira.

As imagens abaixo foram utilizadas para ilustrar uma resposta sobre adaptação dada a um leitor da Revista Ciência Hoje. No caso do hemíptero a “boca” em forma de uma tromba dura e perfurante está perfeitamente adaptada às suas necessidades alimentares.

Na foto um, o percevejo encontra a apetitosa ninhada e começa seu festim, que segue pelas fotos 2, 3 e 4, quando finalmente suga a última lagarta.

Hemiptera devorando lagartas num pé de maracujá - 01 Hemiptera devorando lagartas num pé de maracujá - 02

Hemiptera devorando lagartas num pé de maracujá - 03 Hemiptera devorando lagartas num pé de maracujá - 04

Por seu turno, as lagartas não dispunham de nenhuma estratégia evasiva para proteger-se desse famélico ataque. Elas não conseguem simplesmente separar-se e “correr” uma para cada lado, evitando que algumas sejam devoradas.

Um colega que desenvolve pesquisas com lepidópteros tentou criar este tipo de lagarta, separadamente, mas sozinhas elas não sobrevivem, mesmo recebendo cuidados e generosas porções de alimentos. De alguma maneira, através do cheiro ou do contato entre os indivíduos seu organismo é estimulado a produzir substâncias essenciais ao seu desenvolvimento (assim como os gafanhotos do deserto produzem mais serotonina graças aos estímulos de outros indivíduos da mesma espécie – veja mais no Blogpaedia).

Estas guerras secretas são uma das formas de manutenção do equilíbrio natural. Na natureza, nem tudo é calmaria e amistosidade, há predação, parasitismo, luta por territórios. No seu conjunto, estas relações biológicas desarmônicas ou negativas constituem parte da “Resistência Ambiental” que impede a superpopulação das diferentes espécies, garantindo sua saúde.

Os vegetais não são menos agressivos. Embora não realizem perseguições ou caçadas, podem lançar substâncias químicas, que alteram o pH do solo impedindo o crescimento de outras espécies. Algumas espécies são consideradas “agressivas” por crescerem rapidamente e impedirem o adequado acesso à luz de outras espécies que morrem à míngua.

Ao final, nestas guerras não há heróis ou vilões e a nós só resta conhecer estas relações para saber interferir, reduzindo possíveis desequilíbrios, mas preservando as teias de fluxo de matéria e energia, que garante a biodiversidade e a “felicidade” geral da biosfera terrestre.

Por: Gladis Franck da Cunha.

Referência:
FROTA-PESSOA, O. O leitor pergunta. Ciência Hoje. Vol 12. Nº 69, dezembro, 1990.

3 comentários:

  1. Tudo bem que isso não é uma guerra, é um massacre. Lagartinhas não tinham nem chance...

    Li em algum lugar que várias plantas tem a capacidade de produzir fitormônios que atraem predadores para eliminar pragas.

    E no final das contas o universo é cruel. Tem seus momentos de bondade, mas lá no fundo é frio e insensível. Completamente neutro, o que às vezes é bem mais pertubador do que o mal completo, aliás...

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  2. O universo não conhece bondade ou maldade. Estes são conceitos criados por humanos. E, inclusive, são conceito muito falhos.
    Só resta a humanidade deixar o medo de lado e passar a aceitar a realidade ao invés de buscar conforto no misticismo, nas religiões e etc.

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  3. A natureza é fantastica, até para a propria sobrevivencia rsrs.

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