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29 de ago de 2009

João Bez Batti, o menino que ouve pedras de basalto.

Para quem não conhece quem é este escultor, deve ler a crônica de Milton Ribeiro1 sobre um convívio fortuito por uma semana e descobrir que por trás da pedra bate um coração humano.
João Bez Batti 1
Atualmente Bez Batti não mora mais no antigo ateliê referido pelo Milton, ele se mudou para outro local mais alto e ensolarado, uma vez que o próprio João resmungava que “não passaria outro inverno naquele buraco”.
João Bez Batti 21
Não fui conhecer ainda o novo ateliê, cuja mudança aconteceu ao longo deste ano, afinal, transportar pedras que pesam toneladas não é assunto para ser resolvido num domingo.
Pois bem, ainda na bifurcação da estrada que dava para o antigo atelier de Bez Batti, ressaltava aos olhos do visitante o monólito instalado no canteiro. Não sei se ele ainda está lá, mas seria uma péssima consideração com o público retirá-lo pura e simplesmente e nos privar de um pouco de arte, que surge no meio do nada rural, palmilhado de parreiras e lugares bucólicos em plenos Caminhos de Pedra2. (Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul - Brasil)
João Bez Batti 2
O escultor trabalha com o basalto, uma das rochas mais duras do planeta e, para quem resolve enfrentá-las, há que ter tenacidade e paciência. É o que não falta à João Bez Batti, um sujeitinho troncudo e mal encarado, que te olha de soslaio e desperta receio à primeira vista.
É que ele trabalha com o tempo da pedra, um tempo que só ele e elas entendem. Normalmente os visitantes chegam a jato e saem voando, sem dar o tempo necessário para que o João e as pedras possam se interessar por eles.
João Bez Batti 31
O pacto que João fez com as pedras o obriga a moldá-las em caprichosas formas, às vezes cabeças, às vezes abstratas, mas, todas alegres tinindo em polimento caprichado.
João Bez Batti 3
João Bez Batti 4
Quando visito o ateliê, gosto de captar um pouco aquele outro tempo mais pachorrento que se arrasta dia após dia sob o cinzelar incessante das mesmas superfícies endurecidas. E também gosto de contemplar o efeito meditabundo que aquelas obras todas induzem na humanidade apressada.
João Bez Batti 5
Vê-se uma visitante, a esposa de Bez Batti e a sua filha, numa prova de que o escultor semeou outras coisas em sua vida, além de fecundar a pedra bruta.
João Bez Batti 6
E o rebento do rebento pode ser visto aqui já desde pequeno dialogando com as filhas do avô, portanto, suas tias.
João Bez Batti 7
João Bez Batti não estava lá neste dia, já que ele se encontrava no novo local para montar a nova oficina de pedras e preparando o terreno para a chegada das suas filhas basálticas. Porém, a falta do criador em nada diminuiu o brilho da nossa visita, já que no antigo ateliê estava a menina dos olhos do artista, ou melhor, o menino-neto do seu coração, que foi como se tivéssemos visto o melhor do João, um João que escuta as pedras e as faz realizar a plenitude das suas vaidades.
João Bez Batti 8
É uma pena que o antigo ateliê tenha ficado para trás no tempo, mas o pequeno tempo em que João lá esteve dificilmente será esquecido pelas pedras lá residentes.
João Bez Batti 10
Certamente ele não conseguirá carregar todas as suas criações, assim, várias rochas trabalhadas ficarão fazendo companhia àquelas que ansiavam se entregar às mãos do João e as consolarão dizendo que a eternidade é uma criança e que muitos joões aparecerão dispostos a escutá-las e a burilá-las.
João Bez Batti 9
[ampliar]
A minha saída foi assaz melancólica, devido à certeza de que um ciclo se encerrava e de que somos demasiadamente apressados diante do tempo basáltico imemorável.
João Bez Batti 11
Passaram-se meses desde a minha última estada e posso assegurar que estou com uma saudade de pedra, melhor, do João das pedras, que espero já esteja alegrando as felizardas habitantes do seu novo local de trabalho.
João Bez Batti 12
A última recordação a me ficar na memória foi um enquadramento de janela, que mesmo em plena entrada de inverno, recepcionava os viajantes com flores sempre-vivas.
João Bez Batti 13

Referências:
(1) João Bez Batti por Milton Ribeiro.
(2) Caminhos de Pedra.

8 comentários:

  1. adorei a matéria.. quem dera tivéssemos artistas assim pela bucólica Pirenopolis que pudessem tranformar nossa pedra bruta em arte.

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  2. Então quer dizer que as pedras de Pirenópolis estão à espera de um João que as cative...

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  3. POXA . FIQUEI ENCANTADO COM ESSE TRABALHO DE João Bez Batti - SOU ARTISTA PLÁSTICO E GOSTARIA DE TER MAIS INFORMAÇÕES PARA PODER DESENVOLVER UM TRABALHO ASSIM .. JÁ TENHO TRABALHOS COM PEDRA SAÃO ESCULTURAS EM RESINA E ARGILA BRONZE .. MAS ESSE TRABALHO É MUITO SHOW .. AGUARDO CONTTOS E MAIS INFORMAÇÕES A RESPEITO.
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  4. Bel Alamini25/09/2010 20:01

    Tenho vontade de adquirir uma escultura de Bez Batti. O rosto negro esculpido em basalto. Tem como?

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  5. bez batti nao é escultor, mas sim um grosso.

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  6. Temos que separar o homem da obra. O Bez não chega a ser a figura mais simpática do mundo, isto não invalida o conjunto da obra.

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  7. Meu nome é Valquiria... Acabei de ver uma reportagem na tv sôbre esse escultor bárbaro. Me apaixonei. E não achei ele uma figura como alguns relatam aqui, q "O Bez não chega a ser a figura mais simpática do mundo..."

    Engraçado isso sôbre a simpatia, pois eu achei ele tão bárbaro em simpatia qto as suas obras. Fiquei com um desejo doido de conhecê-lo pessoalmente. Não pelas obras de suas mãos pura e simplesmente, mas gostaria muito de conhecêr uma pessoa que esbanja uma paciência que faz bem.

    Dei uma estudada sôbre paciência e tinha chegado a conclusão de que paciência não faz bem a saúde, o contrário tb não. Mas, o Sr. Bez me faz refletir um pouco mais sôbre a paciência.
    Ele deve ter coisas maravilhosas dentro de si, deve ter diamantes extremamente lapidados. Parabéns ao autor da matéria, e principalmente ao Escultor Bez Batti

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  8. A única vez em que tive contato com Bez Batti fui muito bem recebida por ele. Trocamos rápidas palavras, mas não percebi nenhuma animosidade por parte dele. Um artista da grandiosidade de Bez Batti não precisa ser simpático com ninguém. Sua obra fala por si mesma, não precisa de complementações do artista. Acredito que ele prefira estar com as pedras (que são mais sensatas) do que com muitos seres humanos.

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