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17 de nov de 2008

Blade Runner, uma crítica pós-moderna às meta-narrativas.

O filme lançado em 1982 e dirigido por Ridley Scott, expressa algumas teorias contemporâneas que descortinam uma possível pós-modernidade. Sob o ponto de vista do detetive Deckard, o roteiro temetiza a questão da autenticidade. Um interessante aspecto da pós-modernidade é a perda da fé nas meta-narrativas tradicionais, ou seja no sistema de postulados que explicam e legitimam nossos conhecimentos e crenças.
Sob o peso das meta-narrativas hegemônicas da modernidade: cristianismo, capitalismo, comunismo, progresso científico, questionar ou perder a fé nestas narrativas significa que o sujeito passa a questionar a sua própria subjetividade, ao invés de simplesmente delegá-la à coletividade do sistema de autenticação social. A questão da história e do devir são temas centrais no filme Blade Runner, lapsos temporais transformados em narrativas linearizadoras dos eventos, em que cada um deles é instituído de causa e efeito; onde as eras se sucedem uma após outra seguindo a lógica dialética. Mesmo que determinados acontecimentos históricos não sejam imediatamente racionalizáveis à contemporaneidade, a história os reconstrói e os valida, retificando as incongruências e integrando-os ao patrimônio das narrativas inteligíveis e racionais.
No entanto, Blade Runner subverte o nosso senso histórico prosaico através da técnica do misancene(1). No filme, Rachel, travestida de arquétipo feminino fatal dos filmes “noir”, vai ao apartamento de Deckard com a intenção de lhe interrogar sobre os resultados do teste “Voight-Kampf”, de reconhecimento de replicantes. A cena se move lentamente no novo espaço do apartamento de Deckard, usando um tradicional Plano Geral (establishing shot), dando ao espectador o tempo necessário para que ele se dê conta da estranheza subjacente ao ambiente familiar. O misancene é obtido através da combinação da simultaneidade entre objetos domésticos conhecidos e outros de natureza bizarra e alienígena, produzindo a paradoxal sensação entre a familiaridade e o surrealismo.
Ao lançar mão deste recurso, o diretor suscita genialmente as questões “motto” do filme sobre o sentimento de ausência de herança hereditária. Embora os aspectos domésticos, tais como a pia de cozinha e o guarda-louças, sejam cotidianamente reconhecíveis, somos incapazes de estabelecer paralelos entre os avanços estéticos e tecnológicos do cenário de Riddley Scott e a nossa vida contemporânea. Eis a importância do misancene, pois é reveladora das questões de fundo acerca da autenticidade do passado de Rachel e da clara ausência de conexão entre a nossa sociedade e a mostrada no filme.

As estruturas que circundam os personagens, propositalmente desconectadas de qualquer sucessão lógica de cunho formal ou científico, fornecem o pano de fundo para a suscitação de questões concernentes à concepção histórica dialética. Neste universo de quebra das relações de causa e efeito, movimentam-se personagens sem passado nem futuro, ou mais especificamente, replicantes que possuem um passado implantado e um devir determinado geneticamente.
Durante as cenas da abertura do filme, podemos contemplar uma Los Angeles do futuro, sob a íris de uma visão alienígena desconectada do devir da entidade geográfica estabelecida no presente. A trama recria uma Los Angeles em linhas verticais, povoada por sombras e perpassada de brilhos fátuos intermitentes. A Los Angeles do futuro é mais tributária à Nova Iorque, do que a Los Angeles atual.
O filósofo Derrida sustentou que não há nada fora do texto e o uso freqüente do recurso de cena contínua (continuity editing) no filme pode ser um exemplo irônico disto. O clássico sistema narrativo hollywoodiano foi criado para organizar, explicar e legitimar o status quo e, assim como as meta-narrativas históricas, ele ordena os eventos de acordo com a lógica da causa-e-efeito. Ora, o filme Blade Runner ao se prestar à crítica do uso das meta-narrativas como fontes de explicação e racionalização, entretanto não consegue transcender à sua própria essência de subproduto moderno gestado dentro da lógica dialética que ele procura combater. O conflito que emerge ainda no seio da modernidade, é crucial na pós-modernidade: como derrubar um sistema, sem criar outro, ou como acabar com as meta-narrativas legitimizadoras, sem recorrer a uma?

(1) Misancene: nos filmes, diz-se das ambientações que não têm a pretensão explícita de passar a idéia de “realidade”. Um exemplo clássico é quando uma câmera se movimenta continuamente através das paredes, revelando ao espectador que tudo aquilo se passa, na realidade, num estúdio e que são cenários falsos, ou seja, tudo não passa de Mise en Scène.

Fonte:
Blade Runner and the Postmodern use of Mise-en-scene.

12 comentários:

  1. das duas uma: ou tu estuda psicologia, letras, filosofia e quer se passar por intelectual escrevendo esse monte de besteira do filme quando se pode explicar seu contexto de uma maneira muito mais simples, ou tu só copiou de um outro lugar. quanta frase abobada reunida em um só lugar, tá louco

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  2. Cada vez mais me convenço que o nosso sistema de ensino está falido...

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  3. Loko cara.....mui loko esse....esse.....ahhh...nem sei....essa idéia, esta observaçao, esta visão.....muito boa mesmo. Gostaria de aprofundar nesse tema....de forma imparcial e pieguismos.....pode ser?

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  4. ahahahhaah, quer ensinar a compreender um texto desses pra um cara q faz faculdade de eng? ja falei com muitas pessoas q fazem letras e acharam mais do estupidez expressar-se sobre um tema qualquer dessa tua maneira.
    no dia q tu conseguir calcular uma eq diferencial (ou descobrir o que é uma eq diferencial), um circuito de 'n' ordem ou simplesmente entender pq a TV liga quando tu aperta um 'botãozinho mágico' tu vem falar comigo

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  5. Se algum dia eu tive alguma dúvida de que quem faz engenharia é estatisticamente propenso a ser portador de deficiência disléxica...

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  6. ???
    a questão não é pelo fato de entender ou não o texto, até pq não é tão complicado assim, mas sim sobre a maneira de expressar-se sobre um determinado assunto
    deficiencia disléxica? pq não apenas 'dislexia'?
    é disso q eu estou falando!!

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  7. AS drogas ainda vão acabar com a juventude.. fumou o q ??

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  8. vai estudar criançada. ja ouviram falar de " livros " ?

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  9. Pois é... a criançada tem brigado muito com os livros ultimamente e, por incrível que pareça, sem um bom ferramental léxico ninguém vai longe na vida, a não ser que vá trabalhar no Senado.

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  10. A questão toda do filme gira em torno de nascimento, vida e morte. O resto é pra ninguém fugir do cinema. Um filme extraordinário mas que só a "inteligentzia" para pra discutir, besteiras, lógico. Assista o filme e ponto.

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  11. Luiz Carvalho02/03/2013 00:12

    Se aproveita muita pouca coisa desse texto, mas é interessante o método patético e NADA INTELECTUAL de tentar alongar um texto usando palavras desnecessárias de forma desconexa.

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