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8 de nov de 2008

Já é possível decretar a morte da mídia física?

A filosofia industrial do século XX foi toda pautada pelos grandes Trusts, portanto pelos monopólios que fizeram a cabeça de várias gerações. Entre os exemplos, posso citar a Televisão Aberta, o cinema, os motores à combustão de derivados de petróleo e a indústria do entretenimento que fez milhões de dólares vendendo mídias.

Os grandes impérios formados pelas gravadoras de discos fabricaram megaídolos globais tais como Michael Jackson, Madonna, Prince, Tina Turner, Beatles, etc. Com a tecnologia da digitalização, os impérios pensaram que poderiam dominar o universo, graças ao barateamento dos custos de produção. A idéia se revelou um completo fracasso, já que se extinguiram os fenômenos de “mass-media” devido à extrema vulgarização das formas de produção de produtos culturais. Hoje, qualquer banda tem o seu próprio estúdio de gravação e qualquer um pode produzir o seu próprio filme em alta definição e qualquer escritor pode se tornar um best-seller na Internet, sem precisar contar com a anteriormente imprescindível estrutura logística das grandes editoras.

Antes da guerra terminar, o caldo já começava a entornar em 2006.
Um pouco de história: em 2006, saiu no Techbits um artigo minimizando a guerra ferrenha entre a Sony e a Toshiba pelo controle do formato sucessor do DVD. Já naquela época, o autor cita Bill Gates como um profeta que decreta: “Este vai ser o último formato físico, as coisas passarão a trafegar por download, que ficarão armazenadas no seu HD. Portanto, não temos certeza da real importância destes formatos.” O futuro foi severo com o Bill, ele se ferrou por ter escolhido o lado perdedor na guerra dos formatos High Definition, já que a console de jogos Xbox da Microsoft morreu abraçada com o HD-DVD da Toshiba

Em Janeiro de 2008 a Apple matou a mídia física.
A Apple lançou o primeiro NoteBook sem drive algum, que se vale apenas de tecnologia Wi-Fi, para promover alguma vampirização eventual via wireless de algum conteúdo de CD, DVD, ou Blu-Ray espetado num drive em algum desktop antigo perdido numa rede em extinção.

Sob este espírito ufanista, o blog Tecnocracia escreve BlueRay, HD-DVD? Tudo isso está ultrapassado, decretando a morte prematura do produto tecnológico que ainda não aconteceu.

O mercado de jogos: um forte bastião da mídia física planeja jogar a toalha.
A TecToy, líder do segmento de mercado que sempre se virou à base de cartuchos, fitas, CDs, DVDs, planeja lançar uma tecnologia de distribuição de jogos não mais baseada em mídia física.

Depois que a guerra acabou, a vitoriosa Sony enfrenta o terror da morte no campo dos destroçados.
Ganhada a guerra, a mídia vencedora do padrão HD não consegue ocupar o território conquistado. Segundo o site ZdNet, a Sony conseguiu abocanhar somente 4% do mercado de filmes nos EUA. Vamos convir que isto é um botim extremamente desprezível, para valer como prêmio pela vitória da desastrosa guerra de 10 anos, travada entre os formatos Sony/Blu-Ray e Toshiba/HD-DVD.

Na minha cidade, a única locadora disposta a alugar filmes de alta definição, a ShowCase, dispõe atualmente de apenas QUATRO títulos: 3 em Blu-Ray e 1 em HD-DVD. Ela esbarrou ao longo do ano de 2008 nas seguintes dificuldades:
- Poucos títulos disponibilizados pelas distribuidoras;
- Alto custo dos discos;
- Falta de agilidade das distribuidoras em entregar os cerca de 40 títulos encomendados por ela.

O mercado de software já se defende bem sem a mídia física.
Ninguém mais encomenda o CD do antivírus, todo mundo prefere fazer o download, para poder usar o produto instantaneamente. Os grandes produtores de software do mundo já se mobilizaram, a Apple disponibiliza versões Trial (uso gratuito por 30 dias) de todos os seus pacotes online. Depois, basta inserir o número de série que você vai receber por email, depois de efetuar o pagamento via cartão de crédito internacional.

A conservadora Microsoft também começa a aderir às vendas online e disponibiliza seus produtos para download no Windows Marketplace.

Morta a mídia física, surge outro problema: como preservar as montanhas de bytes obtidos por streaming?
Eis a pergunta que não quer calar, esboçada num comentário de um leitor sobre um artigo publicado no MeioBit.
“Está certo, as mídias físicas morrem, mas os HDs não são infinitos, você gostaria de "deletar" algo que lhe custou 10 reais por exemplo? Esse material tem que ser armazenado em algum lugar, imagine que a venda de Filmes por exemplo libere videos com qualidade de DVD, com cada filme ocupando de 4 a 5gb?
Por mais que os downloads acabem com as mídias físicas que são usadas na distribuição do conteúdo, algum dia teremos que armazenar todo esse material baixado em algum lugar. Comprar um HD novo pra guardar mais 10gb é economicamente viável? Quem não tem dinheiro para comprar um HD por mês vai se ferrar? Eu tenho mais de 30 DVDs com filmes gravados que baixei via Torrent."
A morte das mídias de distribuição não reduz o problema do lixo, talvez apenas o amenize. Sem contar que uma vez o conteúdo baixado, cópias podem ser feitas. Será que as empresas vão permitir, ou melhor, vão sobreviver a isto? Uma pessoa compra e dez copiam, parece injusto não?”
O futuro que se desenha é a segmentação do Mercado.
À parte a polêmica que o assunto gera, do tipo “gosto das mídias” ou “não gosto”, o leitor do MeioBit preferiu abordar o cerne do problema. Independentemente dos disquinhos caírem em desgraça, ou não, as montanhas de bytes armazenadas por nós todos os dias devem ser guardadas em algum lugar. Poucos Power Users podem se dar ao luxo de ter vários HDs de terabytes para armazenar toda a traquitana digital da família e até hoje a tecnologia não inventou algo mais barato para armazenar dados do que as mídias físicas.

Um vislumbre do futuro foi desenhado no artigo do ZdNet citado acima. A revolução digital implodiu os impérios monolíticos e volatizou o mercado das maiorias. O formato de vídeo de alta definição que foi criado objetivando abarcar o mercado bilionário do entretenimento está tendo que se conformar com o nicho dos cinéfilos, que dificilmente vai extrapolar muito 5% da vendagem total de filmes.

A maioria das pessoas nem se dá conta muito bem das diferenças de qualidade entre DVDs e Blu-Rays. Assim como as tentativas de superação do CD através do formato Super Audio CD, redundaram até hoje em pleno fracasso, pois os ouvintes nunca chegaram a perceber as limitações de fidelidade dos CDs atuais e mais ainda, preferem diminuir barbaramente a qualidade das músicas para fazer com que centenas delas caibam num único CD, comprimidas à exaustão pelo formato MP3 e outros.

Sob a crescente pulverização do mercado, é de difícil realização os vaticínios decretadores do fim de tecnologias. A Internet introduziu mudanças tão profundas no mundo real, que até hoje não foram completamente compreendidas. Uma delas é o estarrecedor paradoxo da convivência pacífica entre a extrema globalização paralelamente à sobrevivência de ilhas de um peculiarismo extremo, ou seja, os nichos, com quem os impérios industriais vão ter que aprender a conviver.

O retorno dos mortos-vivos: a volta de algumas mídias analógicas.
O blog Sem Rumo trombeteia no seu artigo “O vinil não ressuscitou, ele nunca morreu.
No Blogpaedia foi publicado que “As gravadoras voltam a prensar LPs, é o fenômeno do ressurgimento do vinil.”
Quando todo mundo já tinha enterrado o Vinil, eis que ele ressurge das cinzas, não com a força que as grandes gravadoras já experimentaram, mas como um mercado-nicho promissor capaz de lotar de encomendas as novas prensadoras de LPs que pipocam nos Estados Unidos.

Assim como o LP ressurge, não há horizonte visível para a extinção dos CDs, nem dos DVDs. As pessoas continuam precisando armazenar as suas informações digitais. Há uma parcela receptiva do mercado ainda querendo ter caixinhas, capa, enfim, um produto real na mãos das pessoas que comprove fisicamente o que elas estão comprando.

Medievalização Cultural.
Talvez, mais verdadeiro do que alardear a morte definitiva das mídias físicas, seja ressaltar que o mercado delas não alimentará mais o poder dos monopólios. Talvez o futuro nos reserve uma medievalização cultural, onde cada tribo seja atendida em suas necessidades por indústrias menores voltadas especificamente para cada um dos segmentos que não cessam de aparecer.

Aos cinéfilos, o Blu-Ray, aos audiófilos, o LP de Vinil e os amplificadores a válvula, aos Nerds, os discos de armazenamento ótico de alta capacidade, aos tiozinhos saudosistas da década de 90, os CDs e suas capinhas coloridas.

Enquanto isto, no mundo do entretenimento doméstico, onde não há Internet rápida e nem dinheiro suficiente para fazer um upgrade da parafernália de todo o Home Theater existente para o padrão de alta definição, as pessoas continuarão a usar os velhos DVDs, sem que notem muita diferença para o caríssimo padrão Blu-Ray que a Sony tenta meter a qualquer custo como novo padrão de mercado.

2 comentários:

  1. É pelo mesmo motivo que eu digo que hj convivem radinhos de pilha, CDs, DVDs, Celulares, Mp3s, panelas de pressão, churrasqueiras, bicicletas, carros a gasolina/a gás/ a álcool/a diesel/ elétricos.
    A tecnologia velha convive com as novas, nunca as mata imediatamente, as vezes nunca as mata como a TV não matou o rádio, como a TV por assinatura não matou a aberta, como o celular não matou o fixo, e assim vai...

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  2. Natsume Maya11/11/2008 15:54

    A TECNOLOGIA VELHA NÃO MORREU SÓ SE ADAPTOU AO SÉCULO 21
    O FIXO SE TRANSFORMOU EM CELULAR,DEPOIS MP7
    A TV PRETO EM BRANCO HJ EH DIGITAL
    FITA K7 HOJE É DVD BLUE RAY
    VINIL AGORA É MP3
    CARTAS VIRARAM EMAILS OU MENSAGENS INSTANTANEAS

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