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5 de nov de 2008

Por que os Carros-Conceito do Salão do Automóvel não são Carros-Voadores?

Através do site Uêba cheguei ao link do site Autozine que publicou algumas fotos dos carros-conceito expostos no Salão do Automóvel de 2008, realizado na cidade de São Paulo.
A imagética explicitada naqueles carros mostra o estado da arte dos anseios da sociedade. Ela sintetiza os sonhos de futuro que as pessoas têm em relação aos avanços tecnológicos. Ora, se o automóvel virou artigo de primeira necessidade nas grandes cidades, a importância dos modelos de carros-conceito vai muito além do vislumbre das tendências dos próximos lançamentos dos modelos de série, pois revela a visão de futuro da sociedade sobre esta ferramenta de sobrevivência no dia-a-dia das selvas urbanas.

Os carros-conceito expostos no Salão do Automóvel mostram que o sonho futurista encolheu. Os modelos mostrados não quebram o paradigma dos carros convencionais. A futurologia retro sonhou com algo mais grandioso, com carros-voadores que, se um deles fosse repaginado ao ideário atual, se pareceria assim:
Porém, os sonhos da era de ouro da futurologia esbarraram em obstáculos técnicos que até agora não foram destrinchados. Ainda não criamos motores produtores de anti-gravidade e nem geradores pulsônicos magnéticos, que além de propulsionar o vôo dos carros, os fariam flutuar suavemente como disco-voadores em cidades futurísticas.
Cá para nós, além das previsões futuristas não terem se confirmado, os carros-conceito do Salão são menos revolucionários do que este bólido pensado e construído nos anos 20.

Por que, mesmo tendo chegado ao século XXI, os carros-voadores não saíram do papel das previsões retro-futuristas?
Alguns alegam que a segurança é a grande parte do problema. Um carro-voador “seguro” deveria ser à prova de idiotas. A maioria dos adultos dotados de inteligência mediana conseguem se dar razoavelmente bem manobrando um carro sobre rodas. O carro-voador deveria ter níveis de segurança equiparáveis a eles para ser adotado.

O vôo nas máquinas voadoras atuais exige pilotos inteligentes, que voem constantemente, que tenham conhecimento das suas aeronaves, que conheçam climatologia e que estejam atualizando permanentemente os seus conhecimentos. Os pilotos que não cumprem estes requisitos, logo se tornam maus pilotos e passam a correr riscos de acidentes.
A única maneira de popularizar os futuros carros-voadores entre os motoristas de terra, que mal e parcamente conseguem guiar automóveis sobre rodas, é a automatização. Aeronaves totalmente automatizadas que, no momento em que recebem a informação do destino, traçam um plano de vôo, comunicam-se com o controle de tráfego aéreo, decolam e voam até o lugar desejado sem a interferência do piloto. Obviamente isto vai requerer sofisticados hardwares e softwares, tanto internos ao veículo, como externos a ele.

A grande vantagem dos carros-voadores seria a simplificação das viagens interurbanas, que atualmente, os poucos privilegiados que podem fazê-las usando aviões, sabem o quanto são trabalhosos e demorados os deslocamentos entre os aeroportos e os destinos finais.

Será que o sonho futurista acabou?
Os carros-conceito do Salão de São Paulo indicam que o sonho de triunfo tecnológico na área do transporte individual está pequeno e míope. As montadoras se aventuram a antecipar no máximo alguns lançamentos, mas sempre engessadas por um espírito conservador, imaginando que o mundo continuará como está hoje.

Pelo andor da carroça, aparentemente o carro-carretel Ozônio da Peugeot, propulsionado a células de combustível não vai ganhar tão cedo um protótipo físico.

Com o fracasso das utopias até dos carros sobre rodas, resta-nos o consolo de folhearmos revistas antigas em busca dos velhos sonhos que talvez nunca se realizem, porque entramos na era das distopias.

Enquanto isto, podemos nos divertir com este carro-voador elétrico tripulado alegremente por uma família, provavelmente prestes a pousar em casa sã e salva, depois de ter feito compras no supermercado.

Link Relacionado:
That Flying Car Problem.

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