Páginas

Pesquisar

27 de jun. de 2009

Humberto Maturana: conhecer o conhecer

Maturana, biólogo chileno e Doutor em Biologia por Harvard[2].

Maturana buscou a compreensão das bases biológicas do entendimento humano.


No livro “A árvore do conhecimento”[1], escrito em parceria com Francisco Varela, os autores destacam que “o fenômeno do conhecer não pode ser equiparado a existência de fatos ou objetos lá fora, que podemos captar e armazenar na cabeça”(p.68), pois a experiência deve ser validada pela estrutura humana que torna possível a coisa que surge na descrição. “O produzir do mundo é o cerne pulsante do conhecimento, e está associado às raízes mais profundas de nosso ser cognitivo, por mais sólida que nos pareça nossa experiência” (p.69).

Para Maturana, não há uma descontinuidade entre o social e o humano e suas raízes biológicas, pois o fenômeno do conhecer é um todo integrado e todos os seus aspectos estão fundados sobre a mesma base. Ele reforça este conceito, numa entrevista concedida à Revista Ciência Hoje (conhecer o conhecer)[2], explicando que no momento em que atribui importância ao indivíduo, respeitando sua legitimidade, não nega as suas circunstâncias. Pois, quando diz que conhecer é viver e viver é conhecer, está dizendo que no momento que o ser vivo deixa de ser congruente com sua circunstância, ele morre.

No sentido estrito do ser humano, não há contradição entre o sistema e a comunidade à qual ele pertence, ou seja, não há contradição entre o individual e o social, porque eles são mutuamente gerativos.

A imagem da capa do livro “A árvore do conhecimento”[1] ressalta o conceito de que na biologia as circunstâncias são tão importantes que os limites do indivíduo não são visíveis.

Imagem de capa[1]

Num sentido mais amplo, o esquema abaixo representa o indivíduo (círculo interno) e sua circunstância (círculo externo), ressaltando o conceito de Maturana que os indivíduos precisam se adaptar as alterações do meio, mas, para sobreviverem, essa adaptação não pode alterar a sua essência.
O indivíduo e sua circunstância

A partir deste esquema, podemos interpretar a adaptação como um alargamento e inclinação da estrutura do indivíduo, em resposta a grandes alterações do meio. Aqueles que não forem capazes disso não sobreviverão, por outro lado, sucessivas adaptações levam a uma crescente transformação, que pode redundar no surgimento de uma nova espécie.

Por: Gladis Franck da Cunha.

Referências:
[1]- MATURANA, Humberto R. ; VARELA, Francisco G. A árvore do conhecimento: As bases biológicas do entendimento humano. Campinas : Editorial Psy II, 1995.

[2]- MATURANA, Humberto R. Conhecer o conhecer. In : MAGRO, C. ; SANTAMARIA, R. ; FERNANDES, M. Ciência Hoje. São Paulo, v. 14, n.184, p. 44-49, 1992.

Nota:
Explorei mais concretamente algumas idéias de Maturana e Varela nos seguintes textos publicados no Diversae: “A organização biológica e o desenvolvimento humano.” “Evolução humana: acaso ou necessidade?” “Da linguagem ao motor da evolução.” “A importância do conhecimento biológico para o educador.

2 comentários:

  1. Um tanto abstrato pra ser entendido, mas o esquema ajudou bastante.

    ResponderExcluir
  2. Mak-PG,
    Em função do seu comentário, adicionei uma nota com links de textos publicados no DIVERSAE, onde que exploro mais o pensamento de Maturana e Varela, relacionando-o com a obra de Piaget. Neles suas idéias se tornam mais concretas, espero ajudar. Além disso, a bibliografia sugerida é muito recomendável.
    Muito obrigada pelo comentário.

    ResponderExcluir