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10 de jul de 2009

Por que a Lei Seca do trânsito não pegou? O lado cômico da tragédia.

No Brasil as leis “pegam” ou não pegam e, pelo visto, a Lei Seca é mais uma daquelas que foi para as calendas gregas. Diversos fatores sociais e políticos foram determinantes para explicar mais este fracasso que faz dezenas de milhares de vítimas por ano, entre mortos e feridos.

Beber álcool é um rito socialmente consagrado.
Beber é um ato social.
Dentro de uma cultura generalizada de tolerância ao alcoolismo, em que ele é eufemisticamente rebaixado ao “beber socialmente”, não é de estranhar que tenha havido tanta reação à Lei Seca.

Ninguém pode ser obrigado a produzir provas contra si mesmo.
Ninguém pode ser obrigado a produzir provas contra si mesmo.
Graças a esta filigrana jurídica, os bebuns estão sistematicamente se recusando a soprar no bafômetro, sob o benemérito da Constituição Brasileira, contrário senso ao interesse das vítimas mortas e invalidadas.

O problema não é dos bebuns, é das estradas e das árvores.
Árvores na pista.
A condição péssima das estradas é uma das tentativas mais usadas pelos bebuns para justificar suas estripulias no trânsito. Veja como eles tem razão, as árvores realmente crescem na pista!

O governo se omite.
Se beber, contrate um motorista.
Enquanto o governo se preocupa com a Gripe Suína, faz olho branco diante de perdas de vidas humanas maiores do que as provocadas pela guerra do Iraque. Enquanto isto, faça como o pessoal de Brasília: quando beber, contrate um motorista.

A polícia não fiscaliza.
Sono do aparelho repressivo do Estado.
No calor inicial da Lei Seca (primeiros 3 meses), a polícia saiu às ruas e cumpriu o seu papel de fiscalização. A inércia do aparelho estatal na ação para tornar real a letra morta da lei é filha da corrupção sistêmica que suga grande parte do bolo orçamentário, impedindo assim o investimento em equipamentos e ampliação do número de agentes da lei.

Portanto, se beber não dirija!
Se beber, não dirija
Por: Isaias Malta.

10 comentários:

  1. hahahah a do lula é sensacional!

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  2. huaauhauhauhauh.. Não sei se é pra rir ou pra chorar, mas de qualquer forma é uma ótima maneira de informar cada vez mais a todos. E de uma maneira engraçada!

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  3. Isaías, vim agradecer pelo apoio lá no meu blog! E venho lembrar que também deve-se levar em consideração o fato da falta de fiscalização nas ruas. A lei está lá, mas se não há ninguém para ''ficar de cima'', quem irá respeitá-la? A lei anitga sobre álccol no trânsito era eficaz, mas ninguém a respeitava. Esse nova lei seca corre pelo mesmo caminho.

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  4. então a lei desconsidera a CF/88, a cultura brasileira, o estado das vias... mas é a lei que está certa... uhum... virou lei morta porque é absurda, autoritária, exagerada... uma lei mais razoável teria mais efeito.

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  5. Há um pequeno detalhe quanto às leis. Escrevi o trabalho de conclusão do meu curso de pós-graduação em Filosofia abordando justamente o tema da falta de incorporação do Estado por nós brasileiros. Então, todas as leis nos parecem absurdas, mortas e autoritárias, quando nos atingem.
    Diferentemente acontece em outros países onde há pactos estabilizados entre Sociedade Civil e Estado, nestas culturas as leis, por mais amargas que sejam, são assumidas pelos cidadãos que lutam para o seu cumprimento. Meu trabalho se encontra publicado em 10 capítulos em http://diversae.blogspot.com/search/label/Filosofia

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  6. O grande problem é que continuou sem fisclização. Se fosse do jeito antigo, mas com fiscalização seria ideal. Vc poderia tomar sua cervejinha e ficar de boa. Só os excessos seriam punidos. Atualmente a lei não faz sentido.

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  7. Sim, se houvesse fiscalização sob a lei antiga, teria funcionado e todos estaríamos numa boa. Agora, quando se cai na tolerância zero e fiscalização zero, nem adianta os políticos de Brasília desviarem a sua atenção dos seus esquemas de corrupção, é perda de tempo para eles e para nós.
    Isto nos remete ao principal culpado: o governo que é governado pelas tendências do momento, mas se recusa terminantemente em investir no real papel do Estado.

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  8. ai que saudade dos anos sessenta...

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