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24 de out de 2008

As cidades-fantasma do ano 2100.

Durante 900 anos a cidade de Moenjodaro no Paquistão foi um centro urbano e fervilhante, uma Nova York do ano 1.700 AC. Porém, subitamente os moradores abandonaram a grande cidade e ela submergiu nas areias do tempo até que os arqueólogos começaram a escavá-la nos anos 20. Atualmente, os visitantes podem percorrer as centenas de enigmáticos acres de ruas e casas desertas.

Suspeita-se que Moenjodaro tenha sido vitimada do declínio econômico ocasionado por alguma invasão militar. A cidade jamais se reergueu e a civilização estabelecida durante quase um milênio no vale Indu, se desvaneceu como se nunca houvesse existido.

A maior parte das cidades, apesar da sua aparente solidez, podem virar pó. Tudo depende de como as nações enfrentarão o problema do crescimento das megalópoles, cidades com populações de mais de 10 milhões de habitantes, tais como Tóquio, Nova Iorque, São Paulo, Cidade do Méxio, Mumbai, etc, já que daqui a 92 anos, estima-se que estas megacidades terão no mínimo o dobro do tamanho.
Foto: Baixaki.

Outro cenário surge na janela de possibilidades. Alguma das atuais megalópoles podem se tornar gigantescas cidades fantasmas, assim como aconteceu com Moenjodaro? Evidentemente isto é difícil de prever, porém algumas inferências podem ser feitas supondo-se alterações climáticas, guerras e envelhecimento populacional.

Apesar de algumas cidades continuarem crescendo, outras tantas encolhem e não somente as pequenas. Devido ao intenso fenômeno da urbanização, muitas vilas rurais do Japão ficaram entregues aos idosos e correm o risco de desaparecerem totalmente. Nos Estados Unidos, cidades dos estados de Kansas e Dakota enfrentam um risco de extinção semelhante, causado pelo êxodo do segmento mais jovem da população. Algumas cidades do Kansas, na tentativa de reter mais gente na zona rural, estão doando terras, mas os resultados são desanimadores.

Alguns grandes centros também enfrentam o risco da aniquilação. Os urbanistas europeus e americanos já estão se debruçando sobre o fenômeno do encolhimento das cidades. Depois da queda do muro de Berlim em 1989, milhões de pessoas que habitavam a Alemanha Oriental, simplesmente se mudaram para o oeste, deixando mais de um milhão de residências abandonadas.

Em resposta, o governo da Alemanha patrocinou uma pesquisa voltada para estudar o encolhimento das cidade. O projeto, além de estudar os casos intra-fronteiras, tais como Berlim e Leipzig, foi além: Ivanovo na Rússia, Manchester e Liverpool na Inglaterra e Detroit nos Estados Unidos.
O desaparecimento destas cidades ainda é uma questão em aberto. A população de Detroit decresceu aproximadamente 1/3 do seu valor de 1950, estando hoje com 950.000 habitantes. Os especialistas prevêem que, embora o seu encolhimento seja lento, será constante, até pelo menos 2030. Um dos fatores agravantes talvez seja o alto índice de desemprego de 10% na área urbana. Não obstante, as áreas suburbanas no entorno de Detroit estão crescendo. Se tais tendências se mantiverem, a cidade atualmente conhecida como Detroit terá desaparecido inteiramente antes de 2100.

Assim como Detroit flerta com o desastre do encolhimento demográfico, outras cidades enfrentam o mesmo problema. Pesquisadores da Universidade da Califórnia estimam em 75% as chances de São Francisco ser destruída por um terremoto de magnitude 7 ou maior até o ano de 2086. Alguns podem alegar que os sobreviventes poderão reconstruí-la ao longo do tempo, contudo o destino de Nova Orleãs, varrida pelo furacão Catrina e inundada em 80% do seu território, não dá tanta certeza quanto a sua plena reconstrução.

São Francisco é uma das cidades que está encolhendo mais rapidamente na Califórnia, porque um grande contingente populacional está se mudando devido ao medo dos perigos geológicos provenientes da falha de Santo André, localizada ao longo da costa oeste. Qualquer desastre tectônico mais sério certamente vai radicalizar o fenômeno.
A elevação dos oceanos ameaça cidades ao redor do mundo. Os engenhosos holandeses construíram diques e os mantêm íntegros para que as suas cidades continuem em pé, mesmo que 2/3 do seu território esteja a 1 metro abaixo do nível do mar. Porém, nos países pobres a mesma situação pode ter resultados catastróficos: Banjul, a capital de Gambia no Oeste da África está literalmente encolhendo devido a uma combinação fatal de erosão e aumento do nível do mar, de acordo com um estudo do Banco Mundial. O mesmo estudo prevê que se o nível do mar aumentar entre 10 e 90 centímetros, as grandes cidades costeiras do mundo serão gravemente afetadas: Alexandria no Egito, Tianjin na China, Nova Iorque nos Estados Unidos, Jakarta na Indonésia, Bangkok na Tailândia, Rio de Janeiro no Brasil, etc.

Quer seja por força de catástrofes naturais, colapsos econômicos, ou pela insidiosa erosão causada pela areia e água, provavelmente algumas das grandes e sólidas cidades de hoje encontrarão o mesmo fim de Ozymandias o Rei dos Reis, que construiu um monumento a si mesmo, na ânsia de se eternizar. O poeta inglês Percy Bysshe Shelley metaforizou a patética tentativa de Ozimandias – “Por entre a decadência / em face da destruição definitiva nua e crua / Restou apenas a impotência do anonimato soprando entre as areias até onde a vista alcança.”

Fonte:
Ghost Cities of 2100

Um comentário:

  1. Ótimo post. É difícil imaginar cidades gigantes sumindo, mas o texto é bem explicado.

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