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9 de out de 2008

De acordo com a Futurologia Utópica de 1968, hoje seríamos felizes.

A revista americana Modern Mechanix completou o seu 40º aniversário em 1968. Por ocasião das comemorações, o colunista James R. Berry escreveu um artigo intitulado “40 anos no futuro”, com um detalhe, a data em que se passa o relato é o dia de aniversário da revista acrescido de 40 anos.
As décadas de 50 e 60 podem ser consideradas a idade de ouro da Futurologia Utópica, já que a confiança na solução tecnológica para os problemas da humanidade era plena. É desta época que herdamos a visão das cidades do futuro limpas, anticépticas e resolvidas.
À medida que as décadas se passaram, o imaginário do futuro foi se modificando. Ao invés do ufanismo tecnológico, o mundo futuro foi tomado pelo pessimismo, fomentado pela crise do petróleo de 1973 e mais tarde, pelos impactos da tomada de consciência ecológica.
O Futuro pessimista-realista-apocalíptico de Blade Runner, sucessor do futuro utópico.

No distante ano de 2008 segundo a revista Modern Mechanix de 1968, o viajante do tempo realiza uma tarefa trivial, pega seu carro de manhã e faz um corriqueiro deslocamento de 500 quilômetros.

Hoje, às 8 horas da manhã, terça-feira do dia 18 de novembro de 2008, ele tem um importante compromisso de negócios a 500 km de distância. O viajante entra no seu carro flutuante de dois lugares propulsionado a ar, pressiona uma sequência de botões para alimentar o computador de bordo com a informação do destino.

Uma vez inicializado, o próprio carro manobra para fora da garagem e o condutor-passageiro, de mãos livres, volta a sentar confortavelmente na poltrona para ler o jornal da manhã, que é mostrado numa tela plana de TV acima do painel do carro. Através de um botão, ele sobe as páginas.
O carro acelera a 300 Km/h nos limites da cidade e imprime 400 Km/h fora da área urbana, flutuando suavemente por sobre a pista de plástico. O viajante mal presta atenção nas cidades passando através da janela, muitas delas já cobertas por seus novos domos que as mantém plenamente climatizadas.
Como acontece habitualmente, hoje o tráfego está intenso, mas não há motivo para preocupação, pois sistema de navegação se comunica constantemente com os outros veículos em trânsito e mantém uma distância segura de 45 metros dos outros carros. Não houve nenhum acidente desde que este sistema foi criado.
Repentinamente o videofone toca, é o sócio querendo o esquema de um novo tipo de turbina que a empresa está empregando na sua linha de lanchas esportivas. O viajante pega a sua maleta e desenha um esboço com uma caneta fina de infra-vermelho numa prancheta que parece uma tela de TV, localizada na parte de dentro da maleta. O diagrama é transmitido para uma tela similar existente no escritório, localizado a 300 quilômetros dali. O sócio aperta um botão e imprime instantaneamente uma cópia, então ele deseja boa viagem e a ligação termina.
Noventa minutos depois de ter deixado a residência, o carro chega ao destino.
O carro desacelera e se dirige autonomamente ao edifício onde o viajante do tempo se reunirá com seus colegas. Depois que ele sai, o veículo estaciona numa ampla garagem pública e lá fica, à espera do retorno do seu dono. Os carros individuais foram banidos do centro da das cidades. Atualmente, as calçadas rolantes e os bondes elétricos fazem o transbordo das pessoas para o centro e vice-versa.

Entre realizações e frustrações, o que sobrou de bom para sonharmos no nosso futuro?
Apesar da realidade dos televisores de tela plana, GPS, Internet e transportes rápidos terem se concretizado, nem em pesadelos se supôs em 1968 a falência dos grandes centros urbanos do planeta, enterrados no lixo, nos problemas crônicos de infra-estrutura e cada vez mais paralisados pelo crescimento exponencial do número de automóveis.

Por não termos cumprido o que os nossos pais e avós sonharam, doravante, a nossa visão para daqui a 40 anos deve forçosamente renunciar a qualquer perspectiva otimista.

Fonte: What Life be like in the year 2008.

2 comentários:

  1. Olá... quero parabenizar pela publicação. O tema é tão fascinante que escrevi sobre ele em meu blog "A Energia da Inovação" onde referenciei em link o Ueba.

    Para acessar vá em: http://blog.inovaideia.com.br/?p=148

    Boa leitura!

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  2. Oi Cristiano, partilhamos do mesmo gosto pelo tema do futuro do passado. É uma forma de percebermos sobre nossos acertos e erros sobre o nosso próprio futuro.
    O seu post realmente acrescenta mais informações e é o leitor que sai ganhando.

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