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9 de mar de 2009

A farsa do Bugue Voador.

De vez em quando aparece na imprensa global Hypes de aparatos voadores maravilhosos, que não passam de engodo. Foi o que sucedeu com o Volantor, que só "voa" sustentado por um guindaste imenso e provavelmente o destino desta nova engenhoca vai ser o mesmo: o limbo das traquitanas voadoras fracassadas.

A nova promessa de “carro voador”, na realidade quase não sai do chão, mas teoricamente pode atingir até 4500m de altitude e voar 5800 km numa altitude de cruzeiro de 600 m em velocidade de até 170 km/h!

Como qualquer terráqueo me interesso pela possibilidade de ver o céu sendo cruzado por carros voadores, por isso, fui ler com entusiasmo o artigo no blog Autozine sobre esse novo modelo, que pode ser descrito como um bugue conectado a um parapente.



No vídeo de divulgação se pode constatar que ele é um engodo, porque no tempo total de 03:52 o carro só conseguiu “voar” durante 28 segundos a uma altitude em torno de 50 m do chão, ou seja, nem se pode considerar que ele efetivamente tenha entrado em vôo!

Após 22 segundos de “vôo” o carro se desestabiliza até tocar o chão e volta a subir balançando, sendo filmado por mais 6 segundos quando a cena é cortada antes que ele pouse. Os restantes 3 minutos do vídeo são preenchidos pelo falatório dos criadores, que tecem comentários sobre seu maravilhoso invento. O modo como toca o chão indica que essa traquitana chega ao solo de forma bastante insegura, tanto que o vídeo não mostra o pouso efetivo. Isso é grave, porque voar é fácil, difícil é pousar e continuar vivo.

As imagens desse quase vôo comprovam que esse equipamento está muito longe das metas pretendidas e peca em relação à segurança. Quem voa de parapente ou asa delta sabe que as condições atmosféricas à beira mar são bastante estáveis, pois praticamente não ocorre turbulência, por isso esses locais são usados para testar equipamentos novos. Se nestas condições esse carro já balança, nem quero imaginar o que poderia ocorrer em locais com ocorrência de correntes de ar ascendentes e cisalhamento de ventos (camadas de ventos em sentido contrário).

Ao voar de parapente os pilotos se conectam as velas utilizando as “cadeirinhas”, mais conhecidas como seletes. Para a segurança, é indispensável que a selete permita os movimentos do corpo para corrigir os balanços ou colapsos que possam ocorrer ao entrarmos em termais ou em locais com vento rotorizado.
Ao inclinar o corpo, o piloto influencia o vôo[1].

As seletes utilizadas para voar parapente possuem complexos sistemas de tirantes para possibilitar a harmonia entre os movimentos do piloto e da vela. Elas têm formatos variados e adequados aos diferentes tipos de vôo: lazer, competição, vôo duplo, vôo de acrobacia, etc.
Alguns modelos de seletes da Sol Paragliders[2].

As fotos do “carro voador” revelam que os tirantes do velame são conectados a uma superfície que não possuiu um sistema elaborado de tirante para o jogo necessário. Por isso o vôo deste carro está mais para o “cair com estilo” do Buzz Lightyear da Toy Story.
Buzz Lightyear.

Assim, para quem se interessa em reunir parapente com motores pode usufruir dos Paramotores, que estão sendo desenvolvidos há alguns anos e já possuem modelos bastante seguros e com grande autonomia.
Paramotores[1].

Para aqueles que se interessaram pelo carro voador fica o alerta: ele ainda não voa! Quem quiser voar com um equipamento propulsionado, que pode decolar do chão, pode buscar os paramotores, consultando um especialista. Sugiro o contato com Flávio Pinheiro da Cia do AR no seu Site.

Outra alternativa que ainda está em fase de maturação é o Paramotor Elétrico, que será a salvação da lavoura para o vôo motorizado, silencioso, limpo e barato. Para quê querer mais? A última atualização no site do fabricante Eletric PPG.com ocorreu em 12/02/2009 e eles continuam os testes dos protótipos, sem prazo ainda para o lançamento comercial do produto.

Por: Gladis Franck da Cunha

Fontes das fotos:
[1]- Fernando Pradi.
[2]- Sol Paragliders.

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