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17 de jul de 2008

Como armazenar dados permanentemente?

Até hoje a tecnologia não inventou uma solução de armazenamento permanente de dados. Toda a produção digital até hoje tem uma durabilidade bastante efêmera de no máximo uns 10 anos.


Herdamos papiros do antigo Egito de mais 2000 anos A.C, temos em nossas bibliotecas os manuscritos clássicos da filosofia grega de 4 séculos antes de Cristo, admiramos o quadro da Mona Lisa, cuja pintura foi terminada no ano de 1506. Todavia, os arquivos digitais gerados em 1980 não podem mais ser lidos e nem decodificados.

Este é o maior problema da era da informação, a falta de um meio de armazenamento e recuperação de dados que sobreviva ao desenvolvimento tecnológico. No ano de 1980, os meios comuns de armazenamento de dados eram os cartões de papel perfurados, fitas de papel perfuradas e disquetes flexíveis de 8 polegadas.

Assim, apesar deatualmente ser fácil de ler informações escritas em papiros egípcios de 4000 anos atrás, é impossível recuperar um documento de texto armazenado em meio digital há apenas 27 anos atrás. Porque é impossível? Não existem mais os drives daquela época e se existissem, não teríamos mais como fazer a decodificação dos padrões digitais daquela época.

O problema da obsolescência de dados é enfrentado por todos os tipos de arquivos digitais e preocupa seriamente as instituições que precisam armazenar tais informações permanentemente, tais como Museus, Universidades, Pinacotecas, Bibliotecas, etc. As instituições que precisam guardar fotos, filmes, textos, músicas, enfrentam dois obstáculos intransponíveis:

- A durabilidade das mídias - a vida estimada dos HDs é muito curta e imprevisível, a dos CDs é de 10 anos e das fitas magnéticas 100 anos;

- Compatibilidade de hardware e software – devido ao avanço tecnológico crescente, os padrões de hardware e software são mudados freqüentemente, tornando imprescindível que as instituições mantenham o mesmo maquinário, com os mesmos programas. Ora, isto é impossível porque a manutenção dos computadores não implica em consertar e sim trocar componentes que não funcionam mais. Ao longo dos anos todo o hardware tem que ser trocado e, em conseqüência os programas, o que gera o próximo problema;

- Necessidade de freqüentes conversões e transferências de dados. Paralelamente às substituições de hardware e software, os formatos dos arquivos também sofrem constantes modificações, obrigando os gestores de dados a fazer migrações de formatos, na medida em que vão se tornando obsoletos.

Portanto, toda a produção digital que depende de meios tecnológicos não vai chegar à posteridade, pois em poucos anos é perdida e vira lixo. A era digital não desenvolveu até hoje um método eficaz de preservar a sua própria história – enquanto o mundo digital se desvanece na efemeridade do momento, os papiros egípcios provam de que a humanidade já conseguiu guardar eficazmente a sua memória.

Leitura adicional:
Sistema de armazenamento digital de longo prazo evolui com a tecnologia

armazenamento digital, tecnologia, obsolescência, formato, conversão

4 comentários:

  1. eae? vc sabe de alguma solução?

    já pensei em gravar dvds e colocálos em em balagem hermeticamente fechada! será que resolve?



    acessa ai! www.dedodeouro.net

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  2. Marcelo Silva23/07/2008 07:05

    Trabalho à 16 anos exatamente nesta área e este é problema real enfrentado no dia a dia. Se a seara é documental com necessidade de efeito probante em juizo ou fora dele a coisa complica mais ainda. Bem... Pra área arquivística estamos utilizando como solução sistemas híbridos (microfilmagem e digitalização). O microfilme tem boa durabilidade frente à mídia digital, posto que em locais com certos cuidados quanto à umidade e temperatura, ele bate certamente os 250 anos. O ideal para a guarda deste tipo de mídia analógica é de 20 Cº e 25 a 30% de umidade. Se conseguir menos umidade melhor.
    Um de meus argumentos junto a clientes é exatamente a obsolescência da mídia digital, porém a "tecnofagia" hoje presente nem sempre dá lugar a um pensamento racional para a preservação da história.

    Consultor em arquivos
    semarquivo@gmail.com

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  3. dedodeouro:
    A ênfase dos bibliotecários digitais não pode se concentrar na mídia. Veja o seu exemplo, mesmo hermeticamente fechada a mídia ótica acaba se degradando, graças à oxidação do elemento empregado na camada reflexiva, o alumínio.
    De qualquer maneira, você terá que anualmente rodar um software de checagem de CRC em cima dos seus DVDS para verificar o estado de cada um deles. Não há como não ir substituindo-os, porque além disto, num dia destes, você nem terá leitora para lê-los.
    A solução por enquanto fica por conta de uma camada de software, o texto linkado explica melhor. A rede Pérgamo gerencia as mídias do momento, HDs e eles vão sendo substituídos com o tempo.
    Em termos de mídia absoluta, ainda não foi encontrado nenhum "papiro digital" que possa sobreviver à corrosão da obsolecência programada.

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  4. Marcelo Silva:
    Considero uma solução inteligente não descartar o armazenamento analógico em microfilme. Veja bem, os primeiros microfilmes inventados podem ser lidos até hoje, assim como o Encouraçado Potenkin dos irmãos Eiseinsten.
    Quanto ao armazenamento digital, não em jeito, pois graças à obsolecência tecnológica, o hardware vai sendo substituído numa velocidade tão impressionante, que transforma o arquivista digital num constante conversor de dados e substituidor de mídias e hardwares de leitura, permanentemente.
    Uma vez eu ingenuamente achava que a solução era substituir totalmente o papel. Atualmente sei que meus papéis de 30 anos atrás estão intactos, enquanto os meus dados digitais se perderam.
    Já que você é da área, dê uma olhada no Protocolo de Pérgamo do texto linkado, para ver se tem viabilidade.

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