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7 de jul de 2008

O que é Expressionismo?


O expressionismo, ao se apropriar dos avanços descortinados pelo Impressionismo, radicalizou a ruptura com a tradição figurativista/naturalista historicamente realimentadora da função da arte como manifestação pictórica da beleza.

Se a realidade não pode ser apreendida formalmente através da sensibilidade, as artes plásticas, que lidam apenas com as aparências, se tornam impotentes em representá-la fielmente. É a perspectiva adotada por Burke: o artista, quando busca na pintura a captura do real, pode chegar ao máximo a formalizações ridículas e grotescas. Mesmo que os artistas pré-modernistas tivessem enfrentado tal dilema, seja na representação da natureza, seja na alegoria, a formalização do conflito e a sua extrapolação para além do nível iconográfico se consolidou somente com a irrupção da era moderna.

Portanto, a aceitação da obra de arte como uma representação extrapolante ao mero figurativismo dos objetos naturais e desobrigada da simbolização formal, é uma aquisição específica da modernidade. Tal pensamento, ao destronar o papel retratador da arte, transferiu à obra em si mesma a maior parte do peso que anteriormente era conferido à realidade simbolizada. Doravante, o objeto artístico valia menos como simbologia e mais como obra em si mesma. Estava inaugurada a a existência da forma enquanto forma.

O Expressionismo abdica então da simples representação mimética clássica e parte em busca de uma "verdade" anterior incrustada no próprio ato de criar. Por isso, as pinceladas se tornam aparentes e o gesto do autor evidenciado; por isso a preferência do uso da xilogravura, que é uma técnica rústica pouco afeita à fidelidade fotográfica.

A estrutura da arte é desnuda no objeto e a sua potencial missão de expressar o belo passa a depender da capacidade abstrativa do espectador. O perigo desta autonomização da visão é a desmaterialização do objeto arte sob o jugo dos sujeitos geniais, que pode elevar a importância do artista sobrepujante ao valor da sua obra. Assim, um quadro que depende exclusivamente do misancene performático do seu autor, reduz-se ao espetáculo cênico, uma vez que a arte permanece circunscrita ao aspecto lúdico.

O conflito realidade versus representação permeia de antagonismos o universo expressionista. Como movimento de rebelião contra a aparência, ele se opõe à mera cópia do mundo exterior em prol da expressão sem disfarce das manifestações psíquicas. Como um dos movimentos de revolta ao disfarce, o expressionismo beirou a perigosa senda da coisificação. Por ter desafiado os limites da linguagem, ele se aproximou demasiadamente do mundo das coisas, em que a obra serve apenas como meio veiculação de si própria.

A tensão entre a obra e o finalismo da arte, a mesma presente na raiz do dualismo espírito/corpo, que fosse potencializadora da comunhão entre os opostos, é a tônica espiritual de Expressionismo. Nas vanguardas posteriores, cubismo, dadaísmo, art noveau, este sentimento é levado ao extremo, ao ponto da transformação da arte mais em atitude, do que em produto contentor da sua própria significação.

A questão da sublimidade no expressionismo não se restringe ao aspecto iconográfico, pois não se configura propriamente num gênero, embora tenha havido uma temática recorrente nos primeiros tempos e, de certa forma, consonante com alguns lugares-comuns da modernidade: a figura da prostituta simbolizando ambiguamente amor e decadência. O pintor expressionista, no afã de revelar a sua “verdade”, é compelido a explicitar os mecanismos construtivos da sua arte, revelando a pincelada, desnudando o traço e, sob tal revelação, expondo o impulso primeiro que o moveu, a sua transcendência pessoal.

O pressuposto de uma arte que divorcia técnica e conteúdo só é aceitável se for para refundi-los no esforço de novas resignificações. De qualquer maneira, o anseio do movimento expressionista reeditou o conflito basal à atividade da representação: como expressar os sentimentos de maneira mais pura possível, sem mascarrá-los nem formalizá-los demais ao ponto de se tornarem irreconhecíveis, mas também sem suprimir em demasia o academismo, ao ponto de torná-los grotescos e repulsivos?

A trajetória expressionista tentou construir pontes necessárias que superassem tais dicotomias e dualismos e, mesmo que não tenha obtido o sucesso final, abriu novas possibilidades para que as gerações vindouras tivessem como herança novas possibilidades de fazer e pensar arte, que resultou no dadaísmo, surrealismo, aprofundando o estigma da desconstrução formal, que caracterizou a passagem do século XX.

Fonte:
Mimeses do sublime: a recepção de Kant pelo Romantismo e pelo Expressionismo

Referências:
Expressionismo
Expressionism

Expressionismo, função da arte, modernidade, surrealismo, art noveau, cubismo

4 comentários:

  1. Adoro este período da arte que nos trouxe o Impressionismo e o Expressionismo. É mais poderosa do que a pura arte fiel à realidade, que foi desbancada pela fotografia, e menos escrachadamente subjetiva do que a arte pós-moderna, num meio-termo bem douradinho(do jeito que eu gosto as minhas torradas).

    E já que perdi o resto do meu comentário, perdão pela ausência prolongada. Foram dias difíceis e complicados estes últimos...

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  2. Também sou amarradão neste período, tanto que estou pintando um quadro à óleo virtual com o Corel Painter evocando a técnica expressionista.
    Pena a perda do resto do comentário... fiquei curioso.
    Os dias complicados e difíceis são correrias de estudante.
    Au revoir.

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  3. tfedareeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

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  4. JAQUELINE MARQUES21/06/2010 10:56

    EU ACHO O EXPRESSIONISMO UM MÁXIMO;ELE NOS RETRATA MUITAS COISAS BOAS

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